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Trabalho apresentado na
disciplina de
Metodologia da
Pesquisa
Científica II,
sob
orientação da professora Doutora Naura Syria Carapeto
Ferreira. Universidade
Tuiuti do Paraná - Mestrado profissional em
Fonoaudiologia
Quem
exerce uma
profissão
que
obriga a
usar
muito
a
voz
deve
saber
explorar o
máximo o
seu
potencial
vocal
sem
comprometer
o
aparelho
fonador.
É
comum
que
professores,
locutores
de
rádio,
atores
e
cantores,
entre
outros
profissionais
que
utilizam a
voz
como
principal
instrumento
de
trabalho,
queixem-se de ardência na
garganta,
rouquidão,
falhas
vocais
ou
que
a
voz
parece
não
sair. Na
verdade,
estes
sintomas
são
importantíssimos
pois
podem
revelar
o
surgimento
ou
a
instalação
de uma alteração
vocal.
A
voz
debilitada e a
fadiga
vocal
são
adquiridas
devido
a
vários
fatores.
Entre
eles
podemos
citar
o
próprio
descuido
na
emissão
vocal,
onde
a
voz
é prejudicada
por
alguns
fatores
como
produção
excessiva
de
força
muscular,
excessos
ou
abusos
vocais,
postura
inadequada ao
falar,
tensões
na
musculatura
da
região
cervical,
falar
sem
parar
durante
horas
seguidas,
padrão
respiratório
inadequado, alterações bruscas de
tonalidades
vocais
como
agudizar
repentinamente
a
voz
no
momento
do
grito,
ser
obrigado
a
realizar
discursos
ou
palestras
sob
aspectos
emocionais
negativos,
pois
a
voz
sairá de
forma
abafada,
presa,
estrangulada e
sem
projeção.
Além
do
aspecto
orgânico
e
emocional,
também
podemos
citar
as
condições
do
ambiente
de
trabalho.
As
condições
ambientais podem apresentar-se de inúmeras
maneiras
e, na
maioria
das
vezes,
constata-se
um
alto
índice
de insalubridade
vocal
devido
a
incompatibilidade
com
o
ambiente
de
trabalho.
Ser
radialista é
ter
a
capacidade
de comunicar-se
com
muitas
pessoas
(ouvintes)
sem
ser
visto,
ou
seja,
não
há
gestos
ou
leitura
labial
que
auxilie a
interpretação
do
texto
a
ser
transmitido. Uma
voz
clara
e uma
perfeita
articulação
são
os
principais
instrumentos
de
trabalho
deste
profissional
que,
muitas
vezes,
sofre ao
ter
que
trabalhar utilizando o
seu
aparato
vocal
dentro
de
pequenas
cabines,
sem
as
mínimas
condições
de salubridade. Na
maioria
das
vezes,
o
espaço
físico
é
pequeno,
úmido
e
com
pouca
ventilação. Há
casos
onde
o
sistema
de
ar
condicionado é utilizado de
forma
inadequada,
pois
alterando a umidade do
ar
pode-se
causar
um
ressecamento
da
mucosa
e das
pregas
vocais.
Alguns
locutores,
exercem
um
trabalho de
apresentação
de
eventos,
apresentação
de
debutantes,
promoções
de
lojas
ou
supermercados.
Nestes
casos,
ambientes
abertos
acabam exigindo
maior
potência
vocal,
do
que
a
emissão
realizada
dentro
das
cabines.
Há
também
o
fator
de
ruído
do
ambiente,
que
resulta
em
uma competição
sonora,
tendo o
locutor
que
aumentar
significativamente
a
altura
e
projeção
da
sua
voz.
O
ator
sofre
igualmente
nestes
aspectos
citados
para
o
locutor,
porém
pode
contar
com
a
imagem
corporal
como
um
auxílio
durante
os
seus
diálogos.
A
postura
corporal
sem
dúvida
é
um
auxílio
para o
ator
equilibrado e
seguro
de
seu
texto,
mas
por
outro
lado,
pode
denunciar
os
tímidos
e
inseguros,
como
se estivesse despindo o
ator
diante
de
sua
platéia.
A
voz
do
ator
deve
ser
de
imprescindível
firmeza,
dotada de
muito
brilho
e
com
uma
notável
entonação,
pois
é
ela
quem
garante a eloquência dos
grandes
espetáculos.
Um
ator
jamais
deve
iniciar
o
seu
trabalho
sem
antes
realizar
um
aquecimento
vocal,
o
que
denominamos de
aquecimento
vocal
pré-cênico. O
aquecimento
vocal,
contará
com
a
realização
de
certos
exercícios
que
facilitam a
soltura
das
emissões
vocais
e a
mais
perfeita
articulação,
que
tornam-se
indispensáveis
diante
do
grande
esforço
vocal
que
precisa
ser dispensado
para
atingir
tantos
espectadores.
O
ator
pode
realizar
muitas
manobras
com
o
corpo,
gestos
bruscos
ou
suaves
para
chamar
a
atenção,
mas
é
realmente
a
desenvoltura
do
seu
trabalho
com
a
voz,
que
irá
ofertar
ao
público
toda
a
riqueza
do
seu
trabalho.
O
cantor
apresenta
sua
maior
dificuldade
com
o
aparato
vocal
quando
apresenta-se à
noite,
pois
geralmente
os
shows
acontecem
em
bares
ou
boates,
onde
há
muita
poluição ambiental causada
pela
fumaça
de
cigarros
que
são
acesos
a
todo
instante.
A
fumaça
do
cigarro
ao
entrar
pela
boca
alastra-se
até
o
laringe,
queimando e ressecando a
prega
vocal,
sendo
que
a
agressão
produzida
pela
fumaça
atinge
não
só
aqueles
que
fumam,
mas
também
aqueles
que
a estão inalando
indiretamente
na
poluição
do
ar.
Outro
fator
que
contribui
para
a
instalação
de uma alteração
vocal
no
profissional
cantor
refere-se ao
hábito
de
ingerir
grandes
goles
de
cerveja
ou
outra
bebida
alcoólica,
pois
o
álcool
produz o
efeito
de vasodilatação
sobre
as
pregas
vocais.
Os
cuidados
com
a
voz
devem
ser
constantes
para o
cantor,
pois
a
melodia
das
músicas
encontram-se debruçadas
em
vozes
afáveis,
de
emissão
perfeita
suave e
acomodada,
que possuem a
capacidade de
envolver
por
completo
quem
está ouvindo.
Por
outro
lado,
se o
cantor
não
é
muito
apegado aos
cuidados
vocais,
pode
ser
que
este
venha a
ter
uma
carreira
bem
curta,
pois
a
harmonia
da
sua
voz
está intimamente
ligada
à
harmonia
do
seu
organismo.
Elis Regina,
saudosa
cantora, representa
muito
bem
este
parágrafo.
O
tipo
de
música
que
é interpretada
pelo
cantor
também
é ressaltado
como
um
fator
importante
no
momento
da avaliação fonoaudiológica, uma
vez
que
as
músicas
de
melodias
românticas,
suaves
e
calmas,
tendem a
ser
menos
agressivas ao
aparato
vocal,
no
que
diz
respeito
a
emissão
da
voz
sem
esforço.
Já
as
músicas
com
ritmos
bem marcados e
frases
muito
extensas, exigem
mais
esforço
de
respiração
e de
produção
da
voz
pelo
cantor.
Os
cantores
adeptos
de
músicas
do
tipo
rock-n-roll, trash
metal
e
outros
sons
pesados, estão
sujeitos
a
realizar
espetáculos
envolvidos
por
muita
gritaria,
euforia,
dança
e
esforço,
que
se
destina
não
apenas
ao
esforço
de
sua
estrutura
vocal,
mas
que
se estende de
um
modo
geral,
a
todo
o
seu
corpo.
O
cantor
deste
último
tipo
de
música
está
mais
susceptível ao
aparecimento
dos
danos
vocais,
sendo
que
lhe
é recomendado
realizar
uma
alimentação
bem reforçada
com
proteínas,
fibras,
vitaminas,
e
muito
repouso
entre
um
show
e
outro.
Assim
como
os
demais
profissionais
da
voz,
os
mesmos
aspectos
orgânicos,
emocionais
e ambientais,
também
são
válidos
para o
professor.
O
professor
utiliza a
sua
voz
como
principal
instrumento
de
trabalho,
com
a
determinação
de
falar
ou
discursar a
um
público
que
geralmente
ultrapassa trinta
ou
quarenta
pessoas.
O
ruído
ambiental produzido
pela
conversa
paralela
dos
alunos,
atua
como
fator
altamente
prejudicial
neste
contexto.
Primeiramente
devido
a truncagens no
pensamento
que
obrigam o
professor
a
ter
que
pensar e
repensar
o
que
fala
para a
sua
platéia
e deste
modo
ser compreendido. Secundariamente,
pela
exaustão
física
e
mental
com
que
o
professor
termina o
seu
horário
de
trabalho.
O
ruído
paralelo
faz
com
que
o
professor
comece
instintivamente
a
aumentar
o
seu
registro
vocal.
Dessa
forma,
a
tonalidade
vai aumentando
gradativamente
até
que
ocorre o
grito.
O
comportamento
de
falar
alto
ou
gritar,
é
muito
comum
entre
os
professores
de primeiras
séries,
pois
a
platéia
são
crianças
pequenas
que
precisam
entender
a
mensagem
do
professor.
Já
os
professores
universitários,
falam
em
tonalidades
mais
baixas,
pois
sabem
que
o
interesse
para
ouvir
o
discurso
é da
platéia.
A
grande
incidência
das alterações de
voz
nos
professores
ocorre
pelo
não
cumprimento dos
aspectos da
higiene
vocal,
somados a
discursos
prolongados
que
as
vezes
ocorrem
dentro
de
salas
de
aula
com
pouca
ventilação,
muito
ruído,
pouca
higiene
do
ambiente,
salas
com
carpete
ou
forrações
que
servem
para
acumular
o
pó,
a
não
ingestão de
água
em
temperatura
ambiente
durante
os
intervalos
da
sua
fala,
evitando o
ressecamento
da
mucosa,
uso
dos
apagadores
de
quadro-negro
(que
devem
ser
substituídos
por
flanelas
umidecidas, evitando
que
o
pó
do
giz
se espalhe e seja inalado
pelo
professor).
Outra
característica do
professor
que
procura
o
tratamento
fonoaudiológico seria o
trabalho
de
falar
por
muitas
horas
ininterruptamente,
ou
aquele
que
trabalha
em
dois
ou
três
períodos.
Nestes
casos
observa-se a
perda
da
intensidade
vocal
e os
sintomas
de ardência,
cansaço
e
fadiga
vocal
são
alarmantes.
Falar
bastante
pode
até
ser
saudável,
segundo
o
aspecto
de
fortalecer
as
pregas
vocais,
mas,
para
isto
são
necessárias as boas
condições
orgânicas,
emocionais
e de
ambiente.
A
emissão
vocal
precisa
acontecer
clara
e
suavemente
para
não
irritar as
pregas
vocais
e
garantir
a
saúde
e
durabilidade
da
voz.
Uma
voz
que
recebe
cuidados,
por
mais
simples
que
estes
sejam,
como
o
repouso
vocal,
por
exemplo,
é enriquecida
com
um
timbre
harmonioso.
Por
outro
lado,
se há
descaso
para
com
a
voz,
resultando
em
subsequentes
trabalhos
com
o
esforço
vocal,
o
profissional
pode
chegar
a
desenvolver
uma
afonia,
que
é a
ausência
total
da
voz.
O
uso
indevido
da
voz
pode
acarretar
várias
patologias
vocais,
laringite
hipertrófica,
calos
vocais,
pólipos,
úlceras
de
contato
ou
paquidermia,
nódulos
e disfonias.
A disfonia é a
alteração da
voz
mais
comum
entre
os
profissionais
estudados e podem
ser
causadas pelas
seguintes
condições:
a)
infecções
do
trato
respiratório,
tais
como
laringite
e
tuberculose.
Acha-se
pouca
correlação
entre
o
grau
de
laringite
e a vermelhidão das
cordas
vocais
e
trato
vocal
e o
grau
de disfonia.
Um
indivíduo
com
grau
considerável
de
laringite
pode
apresentar
uma
voz
perfeitamente
normal,
enquanto
outros
com
sintomas
mínimos,
podem
estar
severamente
roucos;
b)
mau
uso
da
voz,
levando ao
esforço
vocal,
produzindo alterações nas
cordas
vocais;
c) anormalidades
estruturais
que
podem
ser
congênitas
como
mal
formação
do
tecido
laríngeo
ou
palato
fundido, e adquiridas,
como
neoplasmas
benignos
e
malignos
e
traumas
da
laringe;
d) anormalidades do
sistema
ressonador,
tais
como
palato
fundido e
adenóide,
são
frequentemente acompanhadas
por
infecções
nos
ouvidos
e
surdez
periódicas;
e)
lesões
neuro-musculares
tais
como
paralisia
total
ou
incompleta
dos
músculos
das
pregas
vocais,
laringe,
língua
ou
palato
mole;
f)
doenças
físicas
como
hipotireodismo, miastenia e
distúrbios
endocrinológicos;
g)
distúrbios
neuróticos e psicogênicos;
h)
efeitos
de
terapias
por
drogas.
A
enorme
carência de
informações, existente
com
relação
aos
cuidados
com
a
voz,
foi o
principal
incentivo
para a
elaboração deste
trabalho.
A
ciência
avança,
e há
muito
o
que
pesquisar,
testar
e
revelar
sobre
este
assunto,
porém,
deixo
aqui
registrado
um
alerta
sobre
a
importância
dos
cuidados
com
a
voz,
principalmente
aos
profissionais
que
utilizam a
voz
como
instrumento
de
trabalho.
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