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Revista Partes - Ano V - fevereiro de 2005 - nº 54 

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Vida Alternativa Artesanato como fonte de renda
Por  Vânia Paula Souza Cunha

Uma opção pra quem quer lucrar sem sair de casa

 

Com a crise de desemprego que enfrentamos, cada vez mais as pessoas procuram saídas estratégicas para conseguir dinheiro. Muitas pessoas têm conseguido ganhar mais, através do artesanato, que além de poder ser feito sem sair de casa, traz lucros sem a necessidade de investir muito capital.
São Paulo é o estado brasileiro que possui maior variedade de artesanato em geral, isto porque reúne além do seu próprio artesanato, contribuições de todos os estados brasileiros e dos imigrantes que vieram em busca de uma vida melhor.

O artesanato em São Paulo começou com as cerâmicas e cestas indígenas, depois foi juntando técnicas diversas até formar a enorme variedade que encontramos hoje.
Essa diversidade é encontrada por todos os cantos das cidades e nos mais diversos locais. Desde lojas especializadas em shoppings, feiras semanais, barracas de camelôs, até comércio ambulante pelas ruas da cidade, venda por internet, mas o foco principal de artesanato ainda é a cidade de Embu das Artes, voltada exclusivamente para as feiras artesanais.
Em visita a cidade a senhora Alice, artesã e moradora de Embu das Artes conta que vendia seus produtos na barraca de uma vizinha e como as encomendas aumentaram muito decidiu conseguir sua própria barraca.
Para isso levou seus produtos (artigos em madeiras, utensílios domésticos e bonecas decorativas) ao setor responsável pela feira da cidade. Depois de menos de um mês de experiência conseguiu um ponto fixo na feira e hoje trabalha nisso com ajuda de seus dois filhos que a ajudam nas vendas.

Já Evaristo, morador de Taboão da Serra, conta que vai a cidade de Embu nos finais de semana, vender sacolas e berimbaus, pra conseguir dinheiro extra.
Entrevistando os visitantes da feira encontramos Valéria C. Souza, 22 anos, universitária que se impressionou muito com a infra-estrutura da cidade que foi planejada para dar sustentação aos artesãos e seus manufaturados, recebendo apoio da prefeitura e sendo valorizados pelos visitantes da feira de artesanato. Segundo ela que o que a interessou na cidade foi o Patrimônio Cultural (Museu de Arte Sacra dos Jesuitas), a variedade de artesanato.
Animada ela diz: “. A variedade de artesanato é muito grande desde utensílios, artefato, móveis e o custo é baixo por ser os próprios artesãos que vendem. Não existe intermediário. Você acaba comprando um produto de qualidade e cem por cento, brasileiro”.
Além de Embu, existem outros pontos espalhados pela cidade de São Paulo, conhecidas pela venda de artesanato são as Feiras de Arte, Artesanato e Cultura.
Essas feiras promovidas pela Semab – Secretaria do Abastecimento - da Prefeitura de São Paulo começaram com a Feira de artesanato da República que se tornou famosa com as efervescências do movimento hippie, depois se expande para outros lugares como, Trianon, Liberdade, Mooca, José Bonifácio, Santana, Santo Amaro, Moema entre outras, originadas da venda de artigos de arte ou de movimentos culturais.

SUTACO – o governo apoiando os artesãos de São Paulo
A possibilidade de trabalho com artesanato é enorme, hoje existem oficinas que oferecem cursos artesanais e até na internet há sites que promovem cursos on-line, além de divulgar o trabalho de artesãos. Todo esse crescimento no setor fez com que o Estado também visse no artesanato uma fonte geradora de empregos.
De acordo com informações do site do governo de São Paulo (http://www.saopaulo.sp.gov.br/), “estima-se que existam hoje cerca de oito mil artesãos em São Paulo, envolvendo cerca de 40 mil pessoas na produção artesanal.”
Por este motivo o governo do Estado criou a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades – SUTACO, que é a coordenadora do programa de Artesanato Brasileiro (PAB), vinculada à Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT). Com o objetivo de promover, desenvolver, divulgar, comercializar, produtos artesanais paulistas.


Esse órgão presta serviços como: Reconhecimento Profissional, legalização Fiscal, Apoio Comercial, Aprimoramentos Técnicos, Incentivos à Produção, e Orientação Jurídica para os artesãos, cooperativas e núcleos de produção artesanal paulista, ajudando a gerar renda e emprego através da arte e cultura.

Artesanato Urbano
O artesanato além de gerar empregos também pode ajudar a manter o equilíbrio ecológico. Outro ramo que tem crescido é o de artesanato urbano que é feito a partir de produtos recicláveis.
Esse tipo de artesanato, além de ser um meio ecologicamente correto de se ganhar dinheiro, tem um custo muito baixo com matéria-prima. Os materiais utilizados são dos mais diversos mas os principais são: latas de alumínio(como as de refrigerante), garrafas plásticas, e papeis diversos.

O artesanato de Jornal surge a partir de canudinhos feitos com as folhas do jornal enroladas. Esses canudinhos substituem o vime, a palha e outros produtos que trançado dão forma a cestas, sacolas e outros produtos.
O papel comum pode ser reciclado facilmente em casa, utilizando o liquidificador, e dá origem a papeis coloridos de todas as espécies, que poderão ser transformados com um pouco de criatividade em novos produtos.
Garrafas plásticas são transformadas em vasos decorativos ou em plantas artificiais, também é possível confeccionar muitos mais. Além de evitar que seja jogada fora simplesmente e demore muito tempo até se decompor, pode ser reutilizado através do artesanato e com a venda virar dinheiro novamente.
As latas de alumínio, além de poderem ser vendidas pra reciclagem, por um preço muito baixo, atividade que é fonte de renda de muitas famílias desempregadas que precisam sobreviver, pode dar um lucro bem maior se transformadas em outros produtos, entre eles canecas, cinzeiros, saboneteiras, embalagem decoradas para velas artesanais entre outras coisas.

Resina um ramo muito pouco explorado
Procurando meios pra se diferenciar no mercado, há um material muito pouco divulgado, principalmente nas revistas especializadas, o artesanato em resina.
Em entrevista Vilma Biazi Nascimento, proprietária da marca “Engenhosa arte e designe”, conta sobre como ingressou nesse ramo.
Trabalhando numa loja de artesanato chamada “Pátio das Artes” no Jardim Tremembé, zona norte de São Paulo ela aprendeu várias técnicas de artesanato, depois que a loja fechou ela decidiu continuar a trabalhar com resina por conta própria pra ajudar no orçamento doméstico. E, mãe de dois filhos que estão cursando a Universidade, viu no artesanato uma forma lucrativa de ajudar nas despesas do lar.
Ela trabalha em casa, compra o material necessário, faz as peças a partir de formas de silicone, e depois dá o acabamento aparando as rebarbas e faz os retoques finais. Vilma que é cadastrada na SUTACO participa de feiras, além de vender seus produtos em lojas de artesanato e sob encomenda.
Segundo ela as possibilidades de produtos com resina são enormes e é um ramo muito lucrativo. A resina é lavável e resistente que garante a durabilidade e qualidade de seus artigos, garantindo uma variedade e utilização e constante inovações.
Quando questionada a respeito do que pode ser feito com resina ela comenta: “Uma infinidade como elásticos de cabelo, portas retratos, porta bilhetes, porta cartões, lembranças infantis e adultas, de aniversario e casamento, tampas decoradas para frascos de perfumes, objetos de decoração, puxadores de gaveta de vários modelos até para quartos de bebê, imãs de geladeira, pesos de papeis, pingentes, e agora estou até fazendo artigos de Natal”.

Quando o assunto é artesanato ramo se estende e todas as direções, a rua 25 de Março no centro da cidade de São Paulo é conhecida por vender quinquilharias em geral, onde se encontram materiais para confecção artesanal principalmente voltado a confecção de bijuterias, entre outras coisas.
Marquinhos artesão do bairro de Tucuruvi, diz que compra lá o material e monta suas peças, bijuterias em geral, de acordo com sua criatividade. Ele diz que a venda de brincos tem muita aceitação pelo público feminino e que enquanto ele esta vendendo já vai fabricando outras peças.
Ele cria o designe a partir de outras peças ou de acordo com sua criatividade e ajuda a sustentar a mulher e a filha.
Ele conta que por ser um vendedor ambulante, sofre com a fiscalização que muitas vezes apreende a sua mercadoria. Porém não reclama de não ter um ponto fixo e com muita força de vontade e um pouco de sorte consegue repor em um mês o prejuízo com esses problemas.
Já Marilena voltou às origens de sua família confeccionando peças de tricô, crochê e pintura de panos de prato. Sua mãe durante a infância havia lhe ensinado e hoje ela sobrevive da venda de seus manufaturados.
Ela comercializa desde bolsas a enxoval de bebê, ela própria fez o de sua filha Ludmila hoje com oito anos de idade. Fazendo produtos sobre medida e aos gostos de cliente ela lucra voltando a suas raízes, fazendo aquilo que aprendeu desde criança.

O que percebemos é que para um país que está em crise com o desemprego o artesanato acaba sendo uma fonte geradora de renda e de emprego. As facilidades são muitas, e as opções infinitas, desde velas, flores secas, decoração em geral, comidas até as citadas na matéria.

 

 

 

 

 

Vânia Paula Souza Cunha é estudante de jornalismo.

 



 

 

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