Caminhar, fazer
compras sozinho e divertir-se pode ser difícil. Em
todo o mundo, um número cada vez maior de idosos
está privado de executar tarefas simples em função
de debilidades físicas. Segundo diversos estudos, em
grande parte dos casos, esta dependência estaria
diretamente associada ao sedentarismo. Entretanto,
as próprias limitações físicas próprias da idade
dificultariam a prescrição de atividades físicas.
Atentos a essa particularidade, pesquisadores da
Universidade de Pernambuco e da Universidade de
Coimbra procuraram avaliar os efeitos da
hidroginástica, vista como opção terapêutica, na
saúde do idoso. Os resultados do estudo, realizado
em Recife, foram animadores: após três meses de
atividade, observou-se melhora significativa em
todos os testes de aptidão física.
Segundo o artigo sobre a pesquisa, publicado na
Revista Brasileira de Medicina do Esporte (v.10,
n.1), a hidroginástica possibilita um melhor
rendimento aos idosos, além de oferecer menos
riscos. Os autores ressaltam que a prática de
exercício físico, de maneira geral, contribui para a
manutenção das capacidades funcionais, como andar ou
agachar, e chamam a atenção para os problemas
relacionados para os riscos de uma vida
sedentária.”O sedentarismo, que tende a acompanhar o
envelhecimento e vem sofrendo importante pressão do
avanço tecnológico ocorrido nas últimas décadas, é
um importante fator de risco para as doenças
crônico-degenerativas, especialmente as afecções
(doenças) cardiovasculares, principal causa de morte
nos idosos“, afirmam no texto.
No total, participaram do estudo 74 mulheres com
mais de 60 anos, que não praticavam nenhum exercício
físico regular, todas moradoras de duas comunidades
de baixa renda localizadas na cidade de Recife. Elas
foram divididas em dois grupos, cada qual com 37
indivíduos: o grupo de treinamento participaria de
aulas de hidroginástica duas vezes por semana, com
duração de 45 minutos, ao longo de 12 semanas; o
segundo grupo seria um grupo de controle. A aptidão
física de todas as participantes foi avaliada tanto
no início quanto no término da pesquisa. Através de
testes relativamente simples, como levantar e sentar
em uma cadeira ou caminhar por seis minutos, os
pesquisadores puderam avaliar, por exemplo, a
resistência aeróbica dos participantes, a
flexibilidade dos membros e o movimento de diversas
articulações.
Segundo eles, deve-se estar atento às
particularidades do envelhecimento, que naturalmente
conduz a uma perda progressiva das capacidades
físicas do organismo. Eles citam como exemplo a
perda de alguns movimentos. “Um pequeno aumento na
amplitude de movimento advindo com um trabalho de
treinamento físico pode representar um ganho
importante na qualidade de vida dessas pessoas“,
afirmam.
“Vários outros estudos, como o nosso, apontam para
os benefícios dos programas de exercícios físicos
para idosos, como medida profilática importante no
sentido de preservar e retardar ao máximo os efeitos
do envelhecimento sobre a aptidão física”, defendem.
Os pesquisadores alertam, entretanto, para a
necessidade de o indivíduo se exercitar
continuamente, uma vez iniciado no programa de
exercício. “Os efeitos dos programas de treinamento
em idosos sobre o fortalecimento da musculatura são
rapidamente perdidos com a suspensão dessa
atividade”, dizem.