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Revista Partes - Ano V - fevereiro de 2005 - nº 54 

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Turismo e Lazer, turismo como lazer: necessidade (de fazer acontecer)
Por Ana Marina Godoy

Opinião da Editora de Turismo e Lazer desta revista, Ana Marina Godoy, sobre o polêmico
artigo publicado ao lado

Nesta selva, às vezes, encontramos coisas fora do comum: pérolas! O texto seguindo este, por exemplo. Gente de sucesso, ou não, existe em qualquer profissão. Gente frustrada também... Quem planta colhe, diz a Bíblia Cristã. Quem planta colhe, diz o povo. Quem planta colhe, diz o agricultor pra quem precisa ver para crer!

Sempre comento com os meus alunos que a faculdade de publicidade também foi criticada e colocada como supérflua quando surgiu. Hoje o mercado diz não ser bem assim... o talento resolve? a técnica resolve ou existe diferença num profissional que freqüenta 4 anos a faculdade a sério? O mercado responde de forma evidente. Turismólogos (bacharéis em Turismopoderão ser "mico" empresários; donos de si – e muito mais, como sonhos, propostas e colaborações quanto a responsabilidade social; paisagens; valores culturais, entre outros - e queridos na selva que é o mercado; prestadores de serviço à comunidade, seja esta composta por raposas ou víboras, sem distinção.

 

Todos têm o direito, constitucionalmente, ao lazer (que pode ser um momento turístico). E alguns expõe, entrelinhas, no cotidiano, a necessidade do equilíbrio biopsíquico que pode, com grandes chances de sucesso, ser alcançado através do turismo. Claro, se devidamente pensado e planejado por profissionais qualificados: turismólogos, que não são formados para serem técnicos. Destes, alguns podem e acabam por seguir a área técnica porque, embora tenham toda a condição de serem ótimos na selva, o mar não está pra peixe em qualquer profissão. Alguns se submetem a serem técnicos por necessidade, outros fazem por prazer os serviços operacionais, se realizando. Mesmo assim, sempre existirá a possibilidade deste ou daquele montar um negócio próprio: o turismo cresce; o lazer aumenta em demanda e oportunidades. Suas credibilidade, consumo e necessidade também. E tais profissionais não terão que ficar enterrados em subsolos salariais para o resto da vida. Antes, como desde o sonho de vestibulandos, darão asas à imaginação e alçarão vôos mais altos, fazendo acontecer. Isso porque têm a coragem de se lançar ao novo e investirem seu tempo construindo, olhando para o que é o seu próprio horizonte e procurando, profissional e seriamente – sem estrelismos –, enriquecer com alegria e desestresse as cidades, incluindo as redações de jornais e revistas

Um brinde ao enoturismo, ao ecoturismo, ao turismo de aventura, ao turismo religioso, etc...e a todos os profissionais que, criativamente, atendem a todo este crescente mercado com prazer, muito trabalho e honestidade. Um tsunami não nos derrubou. Com certeza não serão palavras equivocadas que nos farão cair. O outro lado é muito maior – e mais forte! – que este vendido comotrevas por . Não esqueçam: o mundo é nosso!!! As ventanias passam e são esquecidas...

FELIZ ANO NOVO!

 



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Matéria extraída da Revista Você S.A. publicada no dia 03/01/2005

A carreira que é um mico
O
turismo gera empregos? Sim, mas para camareira, garçom, faxineira... Quem é qualificado continua penando.                                  
Por Lilian Cunha

                                            

Quantas vezes você ouviu dizer que a vocação do Brasil é o turismo? A paulistana Bianca Andrade, de 27 anos, escutou a frase muitas vezes. Leu nos jornais a promessa de vários governos de que o mercado hoteleiro, o de passagens aéreas e o de entretenimento iriam deslanchar e gerar milhões de empregos. "Acreditei naquilo e por isso resolvi investir na carreira", diz ela, que pouco mais de três anos prestou vestibular para turismo e entrou em uma faculdade da região metropolitana de São Paulo. "Eu tinha uma certa ilusão de que haveria uma explosão de empregos nessa área, de que me formaria e seria gerente de uma grande agência de viagens", diz Bianca. Hoje, prestes a se  formar, ela faz estágio em uma loja de passagens aéreas e recebe 250 reais por mês. "Percebi logo que o mercado é bem diferente do que imaginei", lamenta.

 

Assim como Bianca, todo ano, 22 800 novos profissionais se formam em cursos superiores da área de turismo pelas 570 instituições que oferecem graduação nesse campo no país. O problema é que não lugar para todos no mercado de trabalho, de acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh), Moacyr Roberto Tesch Auersvald. E há dois motivos para isso: um é a expansão do turismo que nunca acontece no país. "Turismo é propaganda e o Brasil não se vende fora", afirma ele. para ter idéia, o Brasil investiu 30 milhões de reais na promoção de todo o país no exterior em 2003. A Filadélfia, Estado americano que quer ser a meca mundial do turismo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), gasta a mesma quantia em propaganda. A outra razão é que a grande carência de mão-de-obra no setor não é de profissionais de nível superior, para cargos de chefia. E sim de pessoal operacional. Um hotel médio, por exemplo, tem de cinco a seis gerentes e cerca de 200 funcionários trabalhando nas funções de camareira, faxineira, recepcionista, garçom e cozinheiro. "O que o setor precisa é de gente para carregar o piano, e não de pessoas para tocá-lo", diz Auersvald.

 

Para o professor Mário Carlos Beni, da Faculdade de Turismo da Universidade de São Paulo (USP), o que o mercado procura é inversamente proporcional à resposta das escolas de turismo. Ele diz que deveria haver mais cursos técnicos, para qualificar a mão-de-obra operacional, do que escolas de formação de nível superior. "Quem se forma em um dos cursos de terceiro grau não quer se sujeitar a trabalhar como recepcionista ou mensageiro", afirma. Foi o que aconteceu com Nelson da Cunha Pinto Filho, de 32 anos, formado em turismo pela USP em 2001. Ele nunca encontrou chances de entrar no