.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - março de 2005 - nº 55 

 
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 Colunistas

Lindas de morrer!
Por Adilson Luiz Gonçalves

O padrão de beleza feminino é historicamente relativo...

Até a Renascença, a moda era ser gordinha... Magreza era considerada sinal de doença, o que era natural, num período marcado por pouca higiene e, por conseqüência, grandes epidemias... De repente, logo em seguida, os excessos adiposos tiveram que ser confinados em sufocantes espartilhos. Até a década de 1950, as principais atrizes de Hollywood eram voluptuosas, sim, mas tinham que usar vestidos dois números menores para serem notadas. Em suma, em algum momento alguém estabeleceu que ser bela era sinônimo de sofrimento físico, semelhante à máxima do boxe: "No pain, no gain!".

Obviamente, esses padrões só prevalecem para quem se dispõe a seguí-los. E existem muitas mulheres dispostas a fazê-lo...

O que se vê é pouca preocupação com o bem-estar e muita preocupação com os padrões de beleza impostos pelo mercado. E vale tudo para estar na moda: desde usar "modelitos", acessórios e maquiagem que, algumas vezes, beiram ao ridículo - mas basta tirá-los para voltar ao normal -, até danos ao corpo - como "piercings" e tatuagens -, que transformam seres normais em híbridos do monstro de Frankenstein com membro da Yakuza. Afinal: "Moda é moda!". A celebração das aparências!

Mas o que mais preocupa é o fascínio que o mundo "fashion" exerce sobre meninas cada vez mais jovens e imaturas, agravado por pais "distraídos" e agentes insensíveis. Porque tantas se lançam de corpo e alma - mas sem muito raciocínio - nesse universo de luzes e imagens?

Os meninos querem ser jogadores de futebol: atléticos, fortes, rápidos... Já as meninas querem ser modelos: magérrimas e frágeis!

Para muitas delas - mesmo antes do início da adolescência - "manter a forma" é uma obstinação recheada de dietas doidas, cirurgias e "malhações" insanas. O corpo, magro e alto, em vez de sadio e bem cuidado, fica susceptível à doenças típicas do meio, tais como: anemia, anorexia e bulimia. Seria curioso ver quem define esses padrões estéticos subnutridos desfilar nas passarelas... Será que eles os seguem? Além disso, é tragicômico realizar que, num mundo onde milhões de pessoas morrem de inanição, esqueléticas, por falta de alimento ou por não dinheiro para comprar o que comer; milhares de jovens passam fome, esquálidas, para alcançar fama e dinheiro!

O limite entre o profissionalismo e a neurose é quase imperceptível, e as implicações psicológicas podem assumir as proporções de uma bola de neve descendo a montanha...

É natural buscar ser atraente, mas quando isso põe a saúde e a vida em risco, as tragédias mitológicas de Narciso e Helena de Tróia passam a fazer todo o sentido: A beleza vira um fardo... Um castigo!

Mas de quem é a culpa? Da imaturidade? Da ambição? Do mercado, que joga com o inconsciente das pessoas para impor modas, como se fossem "tendências"? Ou da sociedade, que se submete a esse "jogo", que em nome do "glamour" consome meninas que, via de regra: são selecionadas aos 13, atingem o "auge" aos 18, estão "decadentes" aos 25, e entram em depressão aos 28, quando não piram ou morrem, antes?

Enquanto a ditadura da moda mantiver essas exigências, quem escolhe esse rumo precisa estar atenta para não perder, literalmente, os sentidos ou a vida!

A vida é bela! E não beleza física - efêmera, por natureza - que justifique seu desperdício ou perda!

 

Adilson Luiz Gonçalves

Engenheiro, Professor Universitário, Articulista e Poeta

algbr@ig.com.br

 

 

Adilson Luiz Gonçalves é engenheiro, professor universitário, articulista e poeta.
algbr@ig.com.br



 

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