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Comum nas pessoas
de nossa geração ouvir isto das mais velhas referindo-se
a alguém doente para o qual a medicina já não tinha
quaisquer soluções. A partir daí entregava-se o paciente
a própria sorte.
Com o avanço
tecnológico projetando constantemente luzes nesse campo
científico, supúnhamos estarmos no paraíso de Asclépio (Esculápio,
na mitologia romana) “deus da medicina” ou próximo dele.
Hospitais, mormente particulares, templos sagrados onde
se efetuam curas com ciência aplicada...
Espécie de
“tiro de misericórdia” nessa certeza sonambúlica,
vimos, ano passado em programa televisivo nacional, que
alguém daria um milhão para quem quer que provasse
cientificamente que a homeopatia funciona... (isto ficou
em aberto). Agora, identicamente, uma respeitável
revista desnuda ao público os bastidores dos
laboratórios, colocando em dúvida critérios dos órgãos
oficiais de controle da eficiência e qualidade de tais
drogas (mesmo o estadunidense), alarmando a sociedade
com afirmações generalizadas de que estes ou aqueles
produtos teriam sido retirados do mercado e outros
enquanto benfazejos para uma coisa, nefastos para outras
e colocações do gênero... Para completar o quadro, fez
cálculo mercantilista envolvendo cifras bilionárias
deste ou daquele medicamento (direcionando que
consumidores são espécies de cobaias e otários ao mesmo
tempo). Isto deve ter causado uma corrida aos
consultórios: “doutor, o senhor me receitou esta
porcaria?” E o médico: “seu médico sou eu ou a
televisão e a revista...” como se ele já não tivesse
feito avaliações técnicas em seu sagrado ofício. Afinal
quem responde por eventual erro é ele!
A gravidade disto
é tamanha que não posso imaginar os conselhos de
medicina e farmácia, governo, ministério público, órgãos
de defesa do consumidor, meios de comunicação
silenciarem não esclarecendo exaurientemente a questão
(por menos se instaurou CPI). Caso isto não ocorra, para
quem acreditava que medicina e farmácia curam, agora
resta o medo que essa paranóia ou verdade deflagrada
originou. Isto interfere com aspecto psicológico da cura
e com a credibilidade dessas instituições.
Os “antídotos”
seriam debates e campanhas para esclarecimento da nação
– resgatando a verdade. Afinal, se a homeopatia
realmente não funcionasse, como explicar a existência de
médicos e farmácias homeopáticas? O mesmo com os
remédios elencados pela revista e comentários feitos, ou
seja, se assim ocorre onde está o controle e a
fiscalização nesses vitais temas de saúde pública...
Estamos expostos?
Nenhum
esclarecimento fará com que “desenganado pelos
médicos” passe a significar: a vida inteira
enganados...
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