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É. O Big Brother é
mesmo
um
sucesso.
A essa
altura
já
estamos
íntimos
deles: conhecemos
seus
nomes
e
apelidos,
sua
maneira
de
pensar
e
agir.
Mas
tanta
intimidade
me
faz
pensar
nos
animais
do
zoológico:
tudo
é
exposto
como
se fosse
natural.
Na
verdade,
cada
temporada
do Big Brother traz uma
variedade de
tipos
com
os
quais
nos
identificamos –
ou
não
–
porque
são
pessoas
comuns,
como
nós,
e
não
têm o
glamour
dos
artistas.
Ali
eles
mostram a
cara,
exibem
seus
corpos,
expõem
suas
fraquezas,
sua
virtudes,
suas
personalidades...
expõem-se
demais.
Fazem
parte
de
nosso
dia-a-dia.
Comentamos
sobre
eles
como
se fossem
pessoas
da
nossa
família,
assim
como
fazemos
com
os
artistas:
parecem
que
já
os conhecemos há
anos, de
tanto
vê-los
expostos
na telinha.
Alguns
dos participantes
são
ocos.
São
muito
artificiais,
muito
voláteis.
Só
estão
ali
para
obter
fama
e
reconhecimento
rápido.
Mas
certamente
logo
serão
esquecidos,
porque
não
têm
conteúdo.
E é
preciso
mais
profundidade
para
encarar
a
vida.
Sim,
na
vida
também
vamos dançando
conforme
a
música,
temos
que
ter
jogo
de
cintura
para
resolver
as
dificuldades,
mas
temos
também
que
nos
ater
aos
nossos
objetivos,
não
pular
de
galho
em
galho
o
tempo
todo.
O
brasileiro
é
persistente,
trabalhador,
humilde,
solidário.
Por
isso
não
suportou a
arrogância
do Rogério, a
cumplicidade
do P. A., a
falsidade
da Tati da
Ilha...
o
brasileiro
é
pacato,
por
isso
todos
se solidarizaram
com o Jean,
que
age
com
simpatia,
inteligência
e
respeito.
Até
a Pink é
querida:
embora
seja
um
furacão,
ela
é verdadeira.
O
brasileiro
já
não
agüenta
mais
a
falsidade
e o
descaso
dos
governantes
e a
escolha
que
faz – de
seus
afetos
e
desafetos
no Big Brother – é
bastante sintomática do
momento
atual:
fica
bastante
claro
que
mentiras
não
serão
mais
engolidas
pelo
povo
brasileiro
como
um
remédio
ruim
que
tem
que
ser
tomado a
qualquer
custo.
O
povo
merece
respeito
e a
opção
por
verdade
e
transparência
demonstra
que
o
brasileiro
sente a
necessidade
dessas
características
em
suas
vidas.
E
espera
que
os
governos
façam o
mesmo.
O
brasileiro
cumpre
suas
obrigações,
mas
não
vê
seus
direitos
serem respeitados.
Onde estão os
direitos
previstos
na
constituição:
saúde,
educação,
segurança?
Alguém
vê
isso
no Brasil?
Aqui
a
gente
tem
que
implorar
para
ver
um
direito
respeitado e, se
por
acaso
o exige,
porque
é
um
direito
- é tido
como
encrenqueiro
por
alguns
– provavelmente
aqueles
que
mais
desrespeitam
tais
direitos.
É. E
aí
está o Big Brother
que
não
me
deixa
mentir:
o
que
parece uma
bobagem
para
alguns
poderia
ser
tomado
como
uma
amostra
do
que
a
população
pensa
– e a
população
pensa!
–
para
outros.
As
escolhas
do
povo
são
evidência
absoluta
de
sua
predileção.
Predileção
pelo
caráter,
pela
determinação,
pela
sinceridade
e
pela
seriedade.
O
brasileiro
gosta
de
cultura
e
arte,
de
saúde
e
educação,
de
segurança
e
lazer
e,
principalmente,
de
respeito.
Falta
o
governo
entender
isso
de
maneira
definitiva.
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