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Revista Partes - Ano V -março de 2005 - nº 55 

 
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 Cultura
 

Big Brother: as escolhas do povo
Por Sandra Kezen

É. O Big Brother é mesmo um sucesso. A essa altura estamos íntimos deles: conhecemos seus nomes e apelidos, sua maneira de pensar e agir. Mas tanta intimidade me faz pensar nos animais do zoológico: tudo é exposto como se fosse natural. Na verdade, cada temporada do Big Brother traz uma variedade de tipos com os quais nos identificamos – ou não porque são pessoas comuns, como nós, e não têm o glamour dos artistas. Ali eles mostram a cara, exibem seus corpos, expõem suas fraquezas, sua virtudes, suas personalidades... expõem-se demais. Fazem parte de nosso dia-a-dia. Comentamos sobre eles como se fossem pessoas da nossa família, assim como fazemos com os artistas: parecem que os conhecemos há anos, de tanto vê-los expostos na telinha.

Alguns dos participantes são ocos. São muito artificiais, muito voláteis. estão ali para obter fama e reconhecimento rápido. Mas certamente logo serão esquecidos, porque não têm conteúdo. E é preciso mais profundidade para encarar a vida. Sim, na vida também vamos dançando conforme a música, temos que ter jogo de cintura para resolver as dificuldades, mas temos também que nos ater aos nossos objetivos, não pular de galho em galho o tempo todo.

O brasileiro é persistente, trabalhador, humilde, solidário. Por isso não suportou a arrogância do Rogério, a cumplicidade do P. A., a falsidade da Tati da Ilha... o brasileiro é pacato, por isso todos se solidarizaram com o Jean, que age com simpatia, inteligência e respeito. Até a Pink é querida: embora seja um furacão, ela é verdadeira.

O brasileiro não agüenta mais a falsidade e o descaso dos governantes e a escolha que faz – de seus afetos e desafetos no Big Brother – é bastante sintomática do momento atual: fica bastante claro que mentiras não serão mais engolidas pelo povo brasileiro como um remédio ruim que tem que ser tomado a qualquer custo.

O povo merece respeito e a opção por verdade e transparência demonstra que o brasileiro sente a necessidade dessas características em suas vidas. E espera que os governos façam o mesmo.

O brasileiro cumpre suas obrigações, mas não seus direitos serem respeitados. Onde estão os direitos previstos na constituição: saúde, educação, segurança? Alguém isso no Brasil? Aqui a gente tem que implorar para ver um direito respeitado e, se por acaso o exige, porque é um direito - é tido como encrenqueiro por alguns – provavelmente aqueles que mais desrespeitam tais direitos.

É. E está o Big Brother que não me deixa mentir: o que parece uma bobagem para alguns poderia ser tomado como uma amostra do que a população pensa – e a população pensa! – para outros. As escolhas do povo são evidência absoluta de sua predileção. Predileção pelo caráter, pela determinação, pela sinceridade e pela seriedade.

O brasileiro gosta de cultura e arte, de saúde e educação, de segurança e lazer e, principalmente, de respeito. Falta o governo entender isso de maneira definitiva.

 

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Sandra Kezen é professora e coordenadora do Laboratório de Línguas da Faculdade de Direito de Campos.
sandrakezen@fdc.br


 


 



 



 



 

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