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A
forte influência exercida pela imprensa sobre a opinião
pública, desde há muito tempo vem despertando a atenção
de grupos políticos interessados em omitir ou salientar
a verdade, conforme suas conveniências. Não há prejuízo
à comunidade comparável ao silêncio dos meios de
comunicação diante dos descalabros do poder público.
A maior rede de televisão do país já foi acusada de
omissão frente aos abusos cometidos pelo governo militar
à época da ditadura. A referida rede de TV foi
complacente diante do terror. Não denunciou o regime
anti-democrático, nem as perseguições políticas, nem as
torturas. Em troca favoreceu-se da generosa mão do
poder, tornou-se rica e poderosa. Mesmo tendo se formado
em um Brasil miserável, alcançou a proeza de tornar-se a
quarta maior rede de televisão do planeta. Tudo isto
enquanto a parcela da imprensa que denunciava o regime
autoritário era censurada de todas as formas, conforme
demonstra a história de jornais como a Folha da Tarde,
atual Folha de S. Paulo, ou ainda O Estado de São Paulo.
A realidade de tais fatos não se restringe à grande
imprensa nacional, tampouco se limita a uma época da
história. Em qualquer tempo ou lugar a imprensa poderá
render-se aos interesses infames de grupos poderosos.
Bastando para isso que se omita diante da corrupção,
bastando senão que informe haver austeridade em órgãos
públicos, cujos cofres sabidamente são arrombados na
calada da noite.
O político corrupto jamais dispensará o apoio da
imprensa de sua região. Busca favorecê-la de todas as
formas, cede benefícios, promove isenções fiscais, etc.
O retorno, quando ocorre, vem em forma de apoio político
traduzido nas manchetes dos jornais.
A palavra emitida nos canais de rádio, televisão e
imprensa escrita, expressam o perfil dos homens
públicos. Poderá destituí-los do poder ou alicerçá-los
neste ainda mais. O bom jornalista não teme as propostas
imorais, nem se cala diante da corrupção. Prima antes
pela verdade que pelos benefícios da omissão.
Os ganhos oriundos da verdade omitida poderão fazer da
imprensa uma empresa lucrativa, nunca um canal de união
entre o cidadão comum e a realidade de seu tempo. |
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