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Revista Partes - Ano V - março de 2005 - nº 55 

 
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 Política

Globalização e democracia
Por Roberto Carlos Simões Galvão

 

Em 1989, com a queda do Muro de Berlim e o fim da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, inúmeras foram as conseqüências na ordem política e econômica internacional. A democracia liberal defendida pelos EUA foi apontada como vitoriosa. Os ideais comunistas mantidos pela URSS estavam arruinados. Os valores liberais restaram como o único caminho possível naquele momento que marcava o “fim da história”.  

A partir de então, com a hegemonia da ideologia neoliberal a questão social passou a ter uma importância secundária. A nova ordem mundial não contemplou problemas como o aumento da pobreza e as carências sociais, pois eram temas que não interessavam ao discurso liberal.  

O livre mercado, a maximização do lucro, a internacionalização do capital, a redução da intervenção do Estado frente às corporações multinacionais, a privatização das empresas públicas, a subordinação dos países pobres, a perda da identidade nacional em favor da criação de um Estado hegemônico dominante, o desemprego em massa e muitos outros fatores fundamentam o processo político-econômico mundial denominado Globalização. A globalização sempre esteve profundamente ligada à doutrina liberal.
 

Com razão a economista Maria da Conceição Tavares leciona que “a globalização trouxe benefício para a economia norte-americana, mas para a maioria das populações do mundo os efeitos da globalização sobre a distribuição de renda, o mercado de trabalho e as políticas sociais são francamente negativos”.
 

De fato com o neoliberalismo e a globalização o Estado busca satisfazer as camadas privilegiadas da sociedade. O objetivo maior é converter todos os bens em bens econômicos lucrativos. A questão social deixa de ser considerada prioridade.  

O filósofo Adolfo Sánchez Vasquez, da Universidade do México, afirma que “a luta pela justiça social e pela democracia é para os países subdesenvolvidos uma luta pela soberania frente à política globalizante das grandes potências do capital”.  

Entretanto, em meio aos desafios impostos pela ordem econômica internacional há uma espécie de globalização política que está se desenvolvendo e sobre a qual não interferem os ideais do pensamento neoliberal. Trata-se da globalização dos direitos fundamentais. 

O jurista Paulo Bonavides leciona que “a globalização política na esfera da normatividade jurídica introduz os direitos da quarta geração que correspondem à última fase da institucionalização do Estado social”.  

Entre os chamados direitos da quarta geração encontra-se o direito à democracia. A questão colocada pela globalização no campo das relações políticas entre Estados refere-se justamente ao tema da democracia.  

Justamente no momento em que a democracia universaliza-se, ela tende a ter sua relevância reduzida de forma substancial. De fato a liberdade e a democracia permitem que ao serem exercidas, o poder seja alcançado pelo povo. Em qualquer regime democrático o povo é soberano, é ele quem tem o poder. Este poder constitucional está representado no Estado político.  

Como se sabe, o fortalecimento do capital e o enfraquecimento do Estado são as únicas certezas diante do neoliberalismo e da globalização. Assim, temos por um lado a possível globalização de valores como a democracia, direito fundamental de quarta geração, e por outro temos o seu enfraquecimento, que acompanha o enfraquecimento do Estado, por influência do poder econômico internacional.

 

 

 

 

Roberto Carlos Simões Galvão, Bacharel em Direito. Especialista em Filosofia Moderna e Contemporânea pela UEL.



 

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