.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - março de 2005 - nº 55 

 
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 Reflexão

O que vão fazer da educação?
Por Reinaldo Martins Lemos

 

Tenho curiosidade em saber qual é o destino da educação nesse país.
Quando eu terminei o segundo grau, hoje ensino médio, ouvia sempre falar que para ter emprego só com nível superior. Então fui trabalhar para ter dinheiro e poder pagar um cursinho pré-vestibular.

Trabalhava pela manhã e à tarde e estudava a noite. Passei por isso dois anos até passar no vestibular.
Passei no vestibular e fui estudar na Universidade. Fiquei cinco anos da minha vida indo para a universidade (um a mais porque tinha que trabalhar ao mesmo tempo), peguei muito ônibus lotado e muitas vezes fui estudando ou dormindo, cheguei muitas vezes atrasado, fui algumas vezes sem tomar café, peguei carona para economizar, gastei muito dinheiro com cópias de livro, comprei livros e pedi alguns emprestados, viajei muito para aulas práticas, congressos, encontros, tudo isso para ter uma profissão, ou seja, me formar.

Hoje eu estou formado e não vejo muito futuro na educação, pois o que vejo é uma banalização na educação. Hoje existem cotas para negros, porquê? Eles são incapazes de concorrer com brancos, índios, mestiços, etc...? Não precisa mais estudar o ensino médio, porque as faculdades particulares estão aí, é só pagar e ter o seu diploma. Também existem faculdades com cursos que na maioria os candidatos não sabem para que serve e muito menos onde irão utilizar, cursos de dois anos e meio e com diplomas reconhecidos pelo MEC e os EAD’s – Ensino a distância, que não precisa mais ir para a sala de aula, ir para a biblioteca pesquisar junto com o professor, conhecer colegas (muitas amizades, inventos, pesquisas, elaboração de projetos e empresas surgem durante as salas de aula), e outras coisas mais que só podem acontecer presentes e não em frente ao computador ou a uma televisão.

Encontramos no país uma série de analfabetos funcionais e em breve vamos ter graduados funcionais. Com nível superior mais que sabem para que serve. Por causa dessa facilidade que estamos vendo para ter o diploma de nível superior.

Temos uma Lei para o exercício ilegal da Medicina, porque não cia uma Lei para o exercício ilegal da profissão, ou seja, uma lei que puna quem queira exercer a medicina como também os cursos de licenciatura. Para poder ensinar tem que ser formado em licenciatura (Nível superior reconhecido pelo MEC) e na área que foi formado, se for Licenciado em Geografia que dê sua aula em Geografia ou se tiver especialização para outra área de ensino.

Outra forma de cuidar da educação e fazendo igual ao Direito (que tem a OAB), só pode exercer o Direito que passa na prova da OAB e tem sua carteira. A Licenciatura pode estruturar uma organização assim, com isso, o ensino fundamental e médio vai ter professores gabaritados ao ensino e com compromisso com a educação.

Para o aluno ingressar na Universidade não precisa de cotas, que o Governo Federal ou Estadual financie, ou outra coisa assim. Só precisa de um Ensino Fundamental e Médio público de qualidade e que prepare o aluno não só para a Universidade, mais para a vida e valorizar mais o professor do ensino de base com das Universidades.

 

 

 

 

Reinaldo Martins Lemos
Licenciado em Geografia/UESC
reilemos@bol.com.br



 

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