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A entrevista do rapper Mano
Brown concedida ao programa Roda Viva, na TV Cultura conseguiu
além do recorde de audiência, desconcertar a crítica da grande imprensa.
Vejamos, o caso dos dois jornais impressos paulista, a Folha de S. Paulo e o
Jornal da Tarde. Ambos repercutiram o programa no dia seguinte, 26 de setembro
de 2007 e suas reações foram bem diferenciadas.
A verdade é que a crítica de Thiago Ney (Folha, p.
E4) foi mais sucinta e menos preconceituosa e soube retratar com mais rigor os
melhores momentos do programa (se é que houve algum) e até elogios ao rapper
"inteligente, esperto".
Já o jornalista do JT, Julio Maria dividiu em duas sua matéria: uma
"jornalística" e uma "crítica", mas ambas não se diferem no tratamento dado ao
rapper que é retratado como "um homem em apuros". como "simpatizante do
tráfico", situando ao rapper como um homem acuado diante de da verdade que o
tornou um humano e não mais um mito. Com sua diferenciação: " o Brown de verdade
é muito mais que isso".
O consenso foi de que os entrevistadores foram "maneros" com o entrevistado, mas
nenhum dos dois falou da resposta dura do rapper ao jornalista Paulo Lima,
quando indagado sobre sua familia deixando-o desconcertado. Fiel ao seu
pensamento e a sua ideologia, o rapper, à sua maneira, não se esquivou das
respostas, só não agradou uma elite que queria ver em suas respostas crítica ao
governo Lula, a Cuba, e ao Bolsa Família etc.
Sim, o que mais o rapper retratou é que existe um
código de ética na periferia, mais forte e profundo do que podem imaginar nossos
políticos e comentaristas de plantão.
Sim, o rapper é humano.
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