Filme “Amantes (Two lovers)” e sua
contribuição às singelezas da vida
Fernanda Gabriela Soares dos SantosDécio Luciano
Squarcieri de Oliveira1
publicado em 04/01/2010
“É bom olhar pra trás e
admirar a vida que soubemos fazer.”
Nando Reis
O convite que aqui
fazemos ao leitor, para assistir essa sutil história foi o mesmo
que fizemos aos nossos amigos. Não é um filme para provocar
diferentes emoções, nem tampouco recheado de efeitos especiais.
Não é isso que a película nos provoca e atina. É um filme
delicado, mas denso sob o ponto de vista que é a história de um
rapaz depressivo.
Tal personagem
facilmente cairia na caricatura se não fosse interpretado pelo
(Por que não dizer?) brilhante Joaquin Phoenix, sempre magistral
em seus personagens, superando-se a cada filme, construiu um
personagem que se não nos apaixona pelo seu olhar nos humaniza
pelas atitudes sinceras. Em função do diagnóstico de bipolar e de
uma tentativa de suicídio, os pais sempre o estão cuidando,
sobretudo a mãe. Diálogos meticulosos com o filho que já buscou o
suicídio como forma de aliviar a dor de uma ruptura amorosa.
Eis que então surge dois
novos sopros de vida, quase concomitantemente no caminho deste
solitário: uma vizinha que tem um envolvimento complicado com um
homem casado. Linda e com uma vida truculenta. Por outro lado,
seus pais apresentam-lhe a filha de grandes amigos, também linda,
mas comportada. Soma-se ainda a paixão desta última por ele, que
sonha com a construção de uma vida a dois.
Quem então escolher?
Como saber qual das duas será
a melhor companheira, esse é um dos ápices do filme. Situação
totalmente humana, sem nada inesperado, nem grandes surpresas.
Embora torçamos para uma delas, é pela outra que seu coração bate
mais forte...
A verdade é que eles
sempre foram semelhantes, se interessavam pelas mesmas coisas –
mesmo quando discutiam agressivamente, quando se escondiam em
longos silêncios – e agiam seguindo aquela espontânea coincidência
que deixava todos os outros (os objetos, os amigos, o mundo) de
fora, despretensiosamente. Mas ela e eu sem dúvida somos outra
combinação, e precisamos conversar. Para nós não existe o amparo
do silêncio; eu quase diria que, quando o temos, a conversa sobre
trivialidades próprias e alheias nos protege dos horríveis espaços
em branco em que tendemos ao mesmo tempo a nos entreolhar e a
fugir dos olhares, sem saber o que fazer com o silêncio do outro.
(BENEDETTI, 2007, p.11)
E, tal como não raro
nossos filhos fazem conosco, a opção dele é a mais sinuosa. É a
mulher complicada, sem regras, que o envolve. Ele então arma uma
situação para que ambos possam fugir, vai largar tudo por ela,
porém nesse momento ela opta pelo homem casado, o qual, tal como
outras vezes, prometera-lhe largar a esposa e ficar com ela.
O protagonista volta
então para casa e fica com a outra. Sorri para ela. Sua mãe e ele
se entreolham, sua mãe está a par da situação, porém, não o julga,
apenas torce para que ele seja feliz. Agora já não há duas opções,
só ela, e não exatamente a que ele escolheu.
Decisão essa que cada um
de nós passa o tempo inteiro, nas decisões relativas ao amor, ao
trabalho, ás amizades, às finanças. Quantas vezes não questionamos
se o caminho escolhido realmente foi o melhor?
E pior é quando deixamos
de nos questiona, quando vivemos a vida no automático, como a
brincadeira de Chaplin em “Tempos Modernos”, essa é a grande
questão. Seria muito fácil se apenas executássemos, mas não, fomos
feitos de amor, por isso podemos arriscar e voltar atrás. E isso é
muito bom.
Tamanhos os
questionamentos e inquietudes que o filme nos deixou que, ao
contrário de outros que gostamos, não vamos exibi-lo aos nossos
alunos. Por nenhum outro motivo senão a pouca idade deles. É muita
inquietação para a juventude. Deixaremos para nós as dúvidas da
vida e aos leitores o convite para o filme.
REFERÊNCIAS
BENEDETTI, Mario.
Quem de nós: uma História de amor. Tradução: Maria Alzira Brum
Lemos. Rio de Janeiro: Record, 2007.
Professora de Filosofia da rede Municipal de Formigueiro,
RS, Mestranda em Educação pela UFSM,fernandagssantos@yahoo.com.br.
Professor da
Universidade Aberta do Brasil- UAB, mestrando em Educação pela
UFSM, membro do GEPEIS(Grupo de Pesquisa em Educação e
Imaginário Social),decioluciano@yahoo.com.br.1
Como citar este artigo:
OLIVEIRA,
Décio Luciano Squarcieri., SANTOS,
Fernanda Gabriela Soares,Filme “O Gigante”: Uma
Ode Ao AmorP@rtes (São
Paulo). V.00 p.eletrônica.
dezembro 2009.
Disponívelem
<www.partes.com.br/educaca/jeancharles.asp>.
Acessoem
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