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ISSN 1678-8419                                                                                                           


 
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Educação
 
Construção do conhecimento: notas sobre a pesquisa científica
Por: João Carlos Batista Morimitsu
Em:  05/02/20121

                                                                 

   

 

Resumo:

O presente trabalho, embora bastante sucinto, busca apresentar algumas considerações sobre a pesquisa científica e suas várias formas de ser realizada. A construção do conhecimento acompanha o ser humano desde seus primórdios e seu acúmulo é responsável pela configuração atual das diversas sociedades. Para tanto, foi preciso acumular não somente o conhecimento, mas também as formas de se construí-lo, atribuindo ao mesmo o caráter de cientificidade, por meio do rigor metódico. 

Palavras-chave: Pesquisa científica, Método e técnica, Metodologia, Geografia.

 

Abstract:

The present work, although very brief, seeks to present some considerations about the scientific research and its various forms to be held. The construction of knowledge follows humans since its inception and its accumulation is responsible for the current configuration the diversity of societies. For this, was necessary not only to accumulate knowledge, but also the ways to build it, assigning to it the character of scientific through the rigorous methods.

 

Keywords: Scientific research, method and technique, methodology, Geography. 

 

Existem várias formas de se adquirir conhecimento, dentre elas a pesquisa científica. Nos primórdios da história não havia aplicabilidade de métodos ou discussões epistemológicas, porém o conhecimento sobre o mundo ia se constituindo dia após dia, através de observações simples. Como exemplo, pode-se citar o homem que observara a formação de nuvens e sua concentração e, assim que começou a chover, ele teve que procurar um local que servisse de abrigo. Assim, historicamente, a humanidade adquiriu conhecimento e, com o passar do tempo, integrou às simples observações, métodos que auxiliassem a construção de novas formas de se conhecer a realidade. Segundo Pádua (1999, p. 29)

 

Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda atividade voltada para a solução de problemas; como atividade de busca, indagação, inquirição da realidade, é a atividade que vai nos permitir, no âmbito da ciência, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos, que nos auxilia na compreensão desta realidade e nos oriente em nossas ações.

 

 

O que esta autora nos coloca é que o conhecimento é construído historicamente através da pesquisa e esta, por sua vez, nos permite solucionar problemas vividos no dia-a-dia. Neste sentido, buscando-se a solução de problemas ou aprimoramento de algum tipo de conhecimento, pode-se dizer que toda pesquisa tem uma intencionalidade e ela está ligada ao contexto em que o pesquisador se encontra, ou seja, o ato de pesquisar não é neutro, não está à margem da realidade.

Vários são os motivos que levam a se realizar uma pesquisa, desde àquelas elaboradas por motivos pessoais, a fim de satisfazer um desejo de se conhecer melhor tal temática; passando pelas pesquisas que visam o avanço científico, chamadas de pesquisas puras e, também as pesquisas aplicadas, voltadas para a solução de problemas dos mais variados (GIL, 2007, p. 42-43).

Quando se trata da pesquisa universitária, comumente fala-se do rigor de métodos e sua aplicação, para que as pesquisas tenham a devida credibilidade no círculo acadêmico/científico. Contudo, não se devem reduzir as pesquisas e os métodos apenas à aplicação de um conjunto de técnicas, como “se em decorrência do rigor desta aplicação, pudéssemos ter pesquisas ‘melhores’ ou ‘piores’. Este entendimento deve ser superado” (GIL, 2007 p. 31). Este conjunto de técnicas deve ser utilizado no contexto da pesquisa, enquanto instrumentalização, na prática do pesquisar. Tal instrumentalização varia de acordo com as várias possibilidades de pesquisa, não existindo apenas um único conjunto de normas a se seguir.

Até meados do século XX o que se aceitava como conhecimento científico, era aquilo que se pesquisava dentro da corrente do positivismo, através da mensuração, experimentação, etc. As ciências humanas se desenvolveram e buscaram consolidar seus métodos, afim de que as pesquisas qualitativas passassem a superar métodos meramente quantitativos. O que se têm observado, é que há certo preconceito entre pesquisadores que adotam métodos quantitativos e qualitativos, muitas vezes havendo mesmo a exclusão de um desses métodos por parte do pesquisador, sendo esta uma maneira errada de se pensar em pesquisa, pois

 

há problemas de investigação que exigem informações referentes à um grande número de sujeitos e que, conseqüentemente, não comportam outro recurso senão a abordagem quantitativa. Em outros casos, como por exemplo, quando se quer apreender a dinâmica de um processo, a abordagem qualitativa é a indicada. Existem ainda situações em que a combinação das duas abordagens não só é cabível como, sobretudo, desejável (GOUVEIA, 1984 apud PÁDUA, 1999, p. 32).

 

Neste sentido, a instrumentalização no processo de pesquisar, é construída, ou melhor, é modelada de acordo com a pesquisa que se realiza, no intuito de atingir o objetivo buscado, mas muitas vezes não encontrado, pelo pesquisador. Desse modo, há tantos caminhos possíveis de serem trilhados para a resolução de algum problema científico, quanto pesquisas já solucionadas e aquelas ainda a serem realizadas.

A definição de pesquisa também é encontrada em Antônio Carlos Gil, que escreve que pesquisa é o “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico [tendo como objetivo], descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos” (GIL, 2007, p. 42). Nesta definição, nota-se a ênfase na presença de regras e formalidades, diferentemente do conceito apresentado por Pádua, já citado anteriormente. No entanto, assumem posições em comum, quando apontam a finalidade da pesquisa, qual seja, em sentido amplo, a solução de problemas e a busca por respostas.

Na literatura educacional, a pesquisa é tida como essencial na formação do professor, onde ela deve ser parte de seu trabalho, em escolas e salas de aula, cotidianamente. A inserção da pesquisa no contexto da formação e na prática do professor surgiu com força nos anos 1980, seguindo seu crescimento nos anos 1990 e tomando caminhos diferentes, no Brasil e no exterior. Apesar das diferentes propostas surgidas em diversos países, elas possuem pontos em comum, sendo que “todas elas valorizam a articulação entre teoria e prática na formação docente, reconhecem a importância dos saberes da experiência e da reflexão na melhoria da prática [...]” (ANDRÉ, 2001, p. 57), atribuindo um papel ativo do professor em sua própria formação.

Há quem utilize de sua experiência, não científica, para a realização de pesquisas. Tratam-se dos pesquisadores que utilizam suas experiências vividas em suas pesquisas, conferindo a estas um caráter menos artificial, atribuindo “vida ao estudo” (OLIVEIRA, 1998, p. 19). No entanto é necessário ter cuidado com este procedimento. Recorrer à experiência pode produzir a mesmice diante de situações diferentes, ou seja, pode-se chegar a falsas verdades. É necessário, portanto, que o pesquisador seja “ao mesmo tempo confiante e cético” (WRIGHT MILLS apud OLIVEIRA, 1998, p. 19), caso contrário a pesquisa poderá obter resultados desastrosos.

Tendo em vista o exposto, pode-se concluir que existem várias formas de se realizar uma pesquisa, do mesmo modo que existem muitas finalidades. A questão do método nas pesquisas científicas é de suma importância, porém as ações, o ato de pesquisar não pode estar simplesmente engessado às regras, mas sim articulado com o contexto em que a pesquisa se insere, na busca por respostas que nos remeta a uma maior compreensão do mundo que nos cerca, dando liberdade ao pesquisador para ser criativo, permitindo-lhe reinventar as formas de se fazer pesquisa se preciso for.

 

 

Referências Bibliográficas: 

ANDRÉ, Marli. Pesquisa, formação e prática docente. In: ______ (Org.) O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas. Ed.: Papirus, 2001, p. 55-69. (Série Prática Pedagógica)

GIL, Antonio Carlos. Pesquisa social. In: ______. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 42 – 48.

OLIVEIRA, Paulo de Salles. Caminhos de construção da pesquisa em ciências humanas. In: ______. (org.). Metodologia das ciências humanas. São Paulo: Hucitec, 1998. p. 17 – 26.

PÁDUA, E. M. M. de. O processo de pesquisa. In: ______. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 4ª ed. Campinas: Papirus, 1999. p. 29 – 94.

 

 

 

 



 

MORIMITSU, J. C. B. Construção do conhecimento: notas sobre a pesquisa científica. Rev. Partes.

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::sobre o autor::
João Carlos Batista Morimitsu é Licenciado em Geografia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro.
 
 
 
 
 
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