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Resumo:
O presente trabalho, embora bastante sucinto, busca apresentar
algumas considerações sobre a pesquisa científica e suas várias
formas de ser realizada. A construção do conhecimento acompanha
o ser humano desde seus primórdios e seu acúmulo é responsável
pela configuração atual das diversas sociedades. Para tanto, foi
preciso acumular não somente o conhecimento, mas também as
formas de se construí-lo, atribuindo ao mesmo o caráter de
cientificidade, por meio do rigor metódico.
Palavras-chave: Pesquisa científica, Método e técnica,
Metodologia, Geografia.
Abstract:
The present work,
although
very brief, seeks to present
some considerations
about the scientific research
and its various
forms
to be
held. The construction of knowledge
follows humans
since its inception
and its accumulation is responsible for
the current configuration
the diversity of societies. For this, was
necessary
not only
to accumulate
knowledge, but
also
the ways to
build it,
assigning
to it the
character of
scientific
through the
rigorous methods.
Keywords: Scientific research,
method and technique,
methodology, Geography.
Existem várias formas de se adquirir conhecimento, dentre elas a
pesquisa científica. Nos primórdios da história não havia
aplicabilidade de métodos ou discussões epistemológicas, porém o
conhecimento sobre o mundo ia se constituindo dia após dia,
através de observações simples. Como exemplo, pode-se citar o
homem que observara a formação de nuvens e sua concentração e,
assim que começou a chover, ele teve que procurar um local que
servisse de abrigo. Assim, historicamente, a humanidade adquiriu
conhecimento e, com o passar do tempo, integrou às simples
observações, métodos que auxiliassem a construção de novas
formas de se conhecer a realidade. Segundo Pádua (1999, p. 29)
Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda atividade voltada para
a solução de problemas; como atividade de busca, indagação,
inquirição da realidade, é a atividade que vai nos permitir, no
âmbito da ciência, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de
conhecimentos, que nos auxilia na compreensão desta realidade e
nos oriente em nossas ações.
O que esta autora nos coloca é que o conhecimento é construído
historicamente através da pesquisa e esta, por sua vez, nos
permite solucionar problemas vividos no dia-a-dia. Neste
sentido, buscando-se a solução de problemas ou aprimoramento de
algum tipo de conhecimento, pode-se dizer que toda pesquisa tem
uma intencionalidade e ela está ligada ao contexto em que o
pesquisador se encontra, ou seja, o ato de pesquisar não é
neutro, não está à margem da realidade.
Vários são os motivos que levam a se realizar uma pesquisa,
desde àquelas elaboradas por motivos pessoais, a fim de
satisfazer um desejo de se conhecer melhor tal temática;
passando pelas pesquisas que visam o avanço científico, chamadas
de pesquisas puras e, também as pesquisas aplicadas, voltadas
para a solução de problemas dos mais variados (GIL, 2007, p.
42-43).
Quando se trata da pesquisa universitária, comumente fala-se do
rigor de métodos e sua aplicação, para que as pesquisas tenham a
devida credibilidade no círculo acadêmico/científico. Contudo,
não se devem reduzir as pesquisas e os métodos apenas à
aplicação de um conjunto de técnicas, como “se em decorrência do
rigor desta aplicação, pudéssemos ter pesquisas ‘melhores’ ou
‘piores’. Este entendimento deve ser superado” (GIL, 2007 p.
31). Este conjunto de técnicas deve ser utilizado no contexto da
pesquisa, enquanto instrumentalização, na prática do pesquisar.
Tal instrumentalização varia de acordo com as várias
possibilidades de pesquisa, não existindo apenas um único
conjunto de normas a se seguir.
Até meados do século XX o que se aceitava como conhecimento
científico, era aquilo que se pesquisava dentro da corrente do
positivismo, através da mensuração, experimentação, etc. As
ciências humanas se desenvolveram e buscaram consolidar seus
métodos, afim de que as pesquisas qualitativas passassem a
superar métodos meramente quantitativos. O que se têm observado,
é que há certo preconceito entre pesquisadores que adotam
métodos quantitativos e qualitativos, muitas vezes havendo mesmo
a exclusão de um desses métodos por parte do pesquisador, sendo
esta uma maneira errada de se pensar em pesquisa, pois
há
problemas de investigação que exigem informações referentes à um
grande número de sujeitos e que, conseqüentemente, não comportam
outro recurso senão a abordagem quantitativa. Em outros casos,
como por exemplo, quando se quer apreender a dinâmica de um
processo, a abordagem qualitativa é a indicada. Existem ainda
situações em que a combinação das duas abordagens não só é
cabível como, sobretudo, desejável
(GOUVEIA, 1984 apud
PÁDUA, 1999, p. 32).
Neste sentido, a instrumentalização no processo de pesquisar, é
construída, ou melhor, é modelada de acordo com a pesquisa que
se realiza, no intuito de atingir o objetivo buscado, mas muitas
vezes não encontrado, pelo pesquisador. Desse modo, há tantos
caminhos possíveis de serem trilhados para a resolução de algum
problema científico, quanto pesquisas já solucionadas e aquelas
ainda a serem realizadas.
A definição de pesquisa também é encontrada em Antônio Carlos
Gil, que escreve que pesquisa é o “processo
formal e sistemático de desenvolvimento do método científico
[tendo como objetivo], descobrir respostas para problemas
mediante o emprego de procedimentos científicos” (GIL, 2007,
p. 42). Nesta definição, nota-se a ênfase na presença de regras
e formalidades, diferentemente do conceito apresentado por
Pádua, já citado anteriormente. No entanto, assumem posições em
comum, quando apontam a finalidade da pesquisa, qual seja, em
sentido amplo, a solução de problemas e a busca por respostas.
Na literatura educacional, a pesquisa é tida como essencial na
formação do professor, onde ela deve ser parte de seu trabalho,
em escolas e salas de aula, cotidianamente. A inserção da
pesquisa no contexto da formação e na prática do professor
surgiu com força nos anos 1980, seguindo seu crescimento nos
anos 1990 e tomando caminhos diferentes, no Brasil e no
exterior. Apesar das diferentes propostas surgidas em diversos
países, elas possuem pontos em comum, sendo que “todas elas
valorizam a articulação entre teoria e prática na formação
docente, reconhecem a importância dos saberes da experiência e
da reflexão na melhoria da prática [...]” (ANDRÉ, 2001, p. 57),
atribuindo um papel ativo do professor em sua própria formação.
Há quem utilize de sua experiência, não científica, para a
realização de pesquisas. Tratam-se dos pesquisadores que
utilizam suas experiências vividas em suas pesquisas, conferindo
a estas um caráter menos artificial, atribuindo “vida ao estudo”
(OLIVEIRA, 1998, p. 19). No entanto é necessário ter cuidado com
este procedimento. Recorrer à experiência pode produzir a
mesmice diante de situações diferentes, ou seja, pode-se chegar
a falsas verdades. É necessário, portanto, que o pesquisador
seja “ao mesmo tempo confiante e cético” (WRIGHT MILLS
apud OLIVEIRA, 1998,
p. 19), caso contrário a pesquisa poderá obter resultados
desastrosos.
Tendo em vista o exposto, pode-se concluir que existem várias
formas de se realizar uma pesquisa, do mesmo modo que existem
muitas finalidades. A questão do método nas pesquisas
científicas é de suma importância, porém as ações, o ato de
pesquisar não pode estar simplesmente engessado às regras, mas
sim articulado com o contexto em que a pesquisa se insere, na
busca por respostas que nos remeta a uma maior compreensão do
mundo que nos cerca, dando liberdade ao pesquisador para ser
criativo, permitindo-lhe reinventar as formas de se fazer
pesquisa se preciso for.
Referências Bibliográficas:
ANDRÉ, Marli. Pesquisa, formação e prática docente. In: ______
(Org.) O papel da
pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas.
Ed.: Papirus, 2001, p. 55-69. (Série Prática Pedagógica)
GIL, Antonio Carlos. Pesquisa social. In: ______.
Métodos e técnicas de
pesquisa social. 5ª Ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 42 – 48.
OLIVEIRA, Paulo de Salles. Caminhos de construção da pesquisa em
ciências humanas. In: ______. (org.).
Metodologia das ciências
humanas. São Paulo: Hucitec, 1998. p. 17 – 26.
PÁDUA, E. M. M. de. O processo de pesquisa. In: ______.
Metodologia da pesquisa:
abordagem teórico-prática. 4ª ed. Campinas: Papirus, 1999. p. 29
– 94.
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