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RESUMO:
O
ensino de Língua Portuguesa foi, durante muito tempo, norteado
por uma concepção puramente tradicional, que priorizava a
abordagem de exercícios de análise e de classificação de termos
da Gramática Normativa, a partir de frases soltas, isoladas e
descontextualizadas. Contudo, nos anos 80, ocorre uma intensa
produção de estudos das Ciências das Linguagem, que ocasionaram
mudanças significativas na metodologia do ensino de língua. Este
trabalho tem por objetivo abordar as Contribuições/ implicações
dos estudos da Linguística para o Ensino de Língua Portuguesa.
Decorrente deste, pretende-se, verificar os impactos dos estudos
linguísticos na organização estrutural e conteudística das
Gramáticas Escolares.
PALVRAS
CHAVE:
Linguística, língua, ensino, mudança, gramática.
RESUMEN:
La enseñanza de la Lengua Portuguesa fue, durante
mucho tiempo, guiado por uma concepción puramente tradicional,
por médio de la priorizassem de ejercicio de de análisis y
clasificación de los términos de la Gramática Normativa, a
partir de frases sueltas, aisladas y descontextualizadas. Pero,
em los años 80, uma intensa producción de estudios de las
Ciencias del Lenguaje, que causan cambios significativos en la
metodología de la enseñanza de lengua. Este trabajo tiene como
objetivo abordar las contribuciones / implicaciones de los
estudios de Linguística de la Enseñanza de Lengua Portuguesa.
Además, se pretende verificar el impacto de los estudios
linguísticos en la organización estructural y conteudística de
lãs gramáticas de a escuela.
PALABRAS
CLAVE:
Linguística, lengua, enseñanza, cambio,
gramática.
1.
Introdução
Segundo Bezerra (2010, p. 39), “tradicionalmente, o ensino de
Língua Portuguesa no Brasil se volta para a exploração da
Gramática Normativa, em sua perspectiva prescritiva (quando se
impõe um conjunto de regras a ser seguido)”. Nessa ótica, o
ensino de Língua Portuguesa foi norteado por uma concepção
puramente normativa, que concedia primazia ao padrão culto da
língua (modelo homogêneo, monolítico e uniforme). Com base nessa
concepção de ensino, priorizava-se a abordagem de exercícios de
análise e de classificação de termos da Gramática Normativa, a
partir de frases soltas, isoladas e descontextualizadas.
Contudo, nos anos 80 ocorre uma intensa produção de estudos das
Ciências das Linguagem, o que vai ao encontro de Santos (2002,
p. 1) que diz que "vários trabalhos, sobretudo a partir de
1980, têm procurado discutir o modo como se vem processando o
ensino de língua no Brasil e apontam para algumas questões de
nível conceitual e metodológico". Dentro dessa perspectivas, a
década de 80 foi palco da eclosão de diversos estudos da
Linguística Contemporânea (Estudos da Corrente Funcionalista, da
Linguística de Texto, da Análise do Discurso, da Pragmática, da
Sociolinguística etc.). Todos esses estudos ocasionaram mudanças
significativas nos parâmetros norteadores do ensino dessa
disciplina e, por conseguinte, na prática pedagógica do Ensino
de Língua Portuguesa. "Passou-se, assim, a prescrever que a
aprendizagem da leitura e da escrita deveria ocorrer em
condições concretas de produção textual. Desloca-se o eixo do
ensino voltado para a memorização de regras da gramática de
prestígio e nomenclaturas" (SANTOS, 2002, p. 30).
Com
isso, o ensino dessa disciplina vem, nos últimos anos, passando
por diversas modificações. Uma dessas modificações diz respeito
ao uso do texto e do contexto enquanto objetos e unidades de
ensino, conforme sinalizam Cardoso (2003) & Santos (2007). É
nesse cenário que se fala em Gramática Contextualizada e/ ou
Análise Linguística, por meio das quais o tratamento dado aos
conteúdos dessa disciplina passa a ser abordado a partir de
situações reais de comunicação, o que leva para os bancos
escolares “o ensino contextualizado da gramática“, conforme
ressaltam Cereja & Magalhães (2005). Ou seja, "o texto
considerado no contexto em que se dá a produção do enunciado
linguístico" (CEREJA & MAGALHAES, 2005, p. 3). Partindo desse
pressuposto, surge, agora uma abordagem de cunho/ teor
contextual que aborda termos da gramática inseridos/ inclusos
dentro de uma situação comunicativa, ou seja, a fala dos mais
diversos atores sociais por intermédio de inúmeros gêneros
textuais escritos ou imagéticos [charges, quadrinhos e tirinhas
etc.].
Tendo
como pano de fundo a Concepção Dialógica da Linguagem e as
contribuições teóricas de Alckmin (2003), Bezerra (2010),
Cardoso (2003), Cereja & Magalhães (2005), Mussalin & Bentes
(2003), Travaglia (1997), entre outros, este trabalho tem por
objetivo abordar as Contribuições/ implicações dos postulados da
Linguística Contemporânea para o Ensino de Língua Portuguesa,
mais especificamente, abordando as alterações que ocorrem na
metodologia de ensino dessa disciplina em virtude dos reflexos
das investigações linguísticas. Decorrente deste, pretende-se,
verificar os impactos dos estudos linguísticos na organização
estrutural e conteudística das Gramáticas Escolares, mais
especificamente, na Gramática de Cereja & Magalhães (2005).
2. Mudanças
didáticas no ensino de Língua Portuguesa e seus reflexos nas
Gramáticas Escolares
Conforme dito anteriormente, nos últimos anos
e, em especial, nas últimas três décadas, ocorreu uma intensa
alteração nos paradigmas norteadores do ensino de Língua
Portuguesa e, por conseguinte, uma mudança no enfoque dado aos
conteúdos dessa disciplina. Essas modificações provenientes da
Linguística e de suas vertentes estão sendo, nos últimos anos,
adotadas por diversos livros didáticos e pelas Gramáticas
escolares. Surge, assim, um novo enfoque e tratamento dados ao
texto, à variação linguística e, sobretudo, à abordagem
gramatical (ou Análise Linguística como vem sendo chamada).
Esses foram os principais resultados evidenciados a partir da
análise da Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação
(CEREJA & MAGALHAES, 2005), que serão detalhados logo
abaixo.
TRATAMENTO
DADO AO TEXTO:
Percebeu-se na
gramática em tela uma abordagem, pautada em uma perspectiva
textual e contextual, que tem por objetivo levar o leitor a
compreender e interpretar diversos gêneros/ tipos de texto a
partir de diversas estratégias de leitura. Um dos aspectos mais
solicitados, refere-se ao ato de identificar o objetivo do
gênero textual ou, também, a intenção e os propósitos
comunicativos do autor. Além disso, nas atividades propostas por
esse manual didático, o leitor é levado a trabalhar com os
diversos aspectos do gênero/ tipo textual, ou seja, fatores
internos e externos, tais como: a data da publicação, o veículo
onde foi publicado [revista, jornal, livro, site, etc.], o
título do texto. Em outras palavras, “os chamados fatores de
contextualização ou Contextualizadores – assinatura,
localização, data, elementos gráficos, título, início, autor”
(LINS & LUNA, 2002, p. 4). Todos esses aspectos textuais
auxiliam na compreensão textual, o que está em sintonia com Lins
& Luna (2002, p. 10) que dizem que a atividade de leitura,
“compreende da parte do produtor de textos, um
"projeto de dizer"; e da parte do interpretador
(leitor/ouvinte), uma participação ativa na construção do
sentido, por meio da mobilização do contexto, a partir de pistas
e sinalizações que o texto lhe oferece. Produtor e interpretador
do texto são, portanto, "estrategistas", na medida em que, ao
jogarem o " jogo da linguagem" , mobilizam uma série de
estratégias – de ordem sociocognitiva, interacional e textual –
com vistas à produção do sentido”.
Essa
perspectiva oriunda dos postulados da Linguística Textual,
também, vai ao encontro de Feres (2002, p. 3), que diz que
concebe a prática da leitura enquanto "construção de sentido do
texto através de suas marcas superficiais e das relações
extralingüísticas que o texto mantém com a enunciação e com os
outros textos de uma cadeia discursiva".
TRATAMENTO/
ESPAÇO DADO À VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:
Percebeu-se,
no manual didático em questão, a abordagem das variantes
linguísticas, ou seja, a forma como a língua muda em decorrência
de diversos fatores, tais como: o grupo social, o tempo, a
profissão, o espaço geográfico, o sexo, a etnia e a situação
comunicativa. Segundo Cardoso (2003, p. 28), “a língua, falada
em um país não é um sistema homogêneo, mas um complexo de
variedades determinadas por fatores, regionais e situacionais”.
É nesse sentido que a estrutura dos mais recentes manuais
didáticos é norteada por uma concepção de heterogênea de língua,
o que culmina na abordagem das variedades linguísticas
[inclusive, as menos prestigiadas socialmente]. Esse
posicionamento reflete-se, também, na Gramática de Cereja &
Magalhães (2005). Esse manual contempla as variantes
linguísticas e seus tipos.
O
primeiro tipo é “a Variação Dialetal (ou Dialetos)”. Nesse tipo,
a mudança na língua ocorre em virtude de aspectos: sociais
(classe/ grupos), regionais (espaço geográfico), temporais,
faixa etária, profissionais, étnicos, etc. Uma ocorrência que
pode ilustrar esse conceito é o fato de alguns objetos terem
seus nomes alterados em decorrência da região (espaço
geográfico) onde ocorrem. São exemplos disso: Charque
(Nordeste)/ Carne seca (Sudeste), Jerimum (Nordeste)/ Abobora
(Sudeste), Macaxeira (Nordeste)/ Aipim, mandioquinha, mandioca
(Outras regiões), etc. Além desse caso, podemos citar a
diferenciação na linguagem feminina e masculina, a diferenciação
na linguagem de pessoas de idades diferentes, a diferenciação na
linguagem profissional (entre um advogado, um médico, um
policial, um operador de telemarketing, etc.), a diferenciação
na linguagem dos grupos (entre os skatistas e os emos).
O
segundo tipo é “a Variação de Registro (ou de Estilo,
Estilística, Situacional)”. Nesse tipo, a mudança na língua
acontece em vista da situação comunicativa, ou seja, o falante
adéqua sua fala por conta do momento comunicativo (ouvinte). Por
exemplo, a linguagem que utilizamos em momentos informais
(conversas com parentes, vizinhos, amigos etc.) não é a mesma
que utilizamos em momentos que requerem os usos formais da
língua (apresentação, entrevista de emprego etc. Todos esses
aspectos são abordados por ALKMIM (2003) e por TRAVAGLIA (1997).
Em
geral, os momentos informais permitem construções que fogem da
Gramática Normativa. O que está em sintonia com Cardoso (2003,
p. 28), que diz “as variedades linguísticas devem ser utilizadas
de maneira diferenciada, de acordo com a situação de
comunicação”. Para contemplar esses fenômenos linguísticos, a
Gramática de Cereja & Magalhães (2005) lança mão de inúmeras
situações reais de comunicação (diálogos, quadrinhos, tirinhas,
etc.) que retratam a diferenciação da linguagem em função de
diversos fatores.
Conforme Silva (2011, p. 5), “durante décadas, o ensino de
Língua Portuguesa esteve centrado, predominantemente, na
abordagem da Gramática Normativa. Com base nesse enfoque, a
prática docente dessa disciplina voltou-se para a abordagem das
variantes formais (o padrão culto da língua), o que constituía o
dialeto de prestígio“. Por essa razão e pelo fato de serem
concebidos como erros, todos esses fenômenos não eram abordados
na metodologia de ensino de língua. No entanto, a Linguística,
por meio de suas teorias, descreve, explica e esclarece diversos
fenômenos e escolhas linguísticas, o que está em sintonia com
Fonseca & Fonseca (1977, p. 16), que dizem que essa “ciência
lança luz sobre diversas interrogações”.
ABORDAGEM
GRAMATICAL:
Percebeu-se, no manual
didático em foco, uma abordagem gramatical centrada,
predominantemente, no texto, no discurso e nos efeitos de
sentido propiciados pela dimensão contextual-discursiva. Com
isso, “volta-se a atenção para os aspectos discursivos da
linguagem" (SANTOS, 2002, p. 3), amparando-se, assim, em uma
metodologia de cunho reflexivo que se volta para a abordagem da
gramática de forma contextualizada.
Como exemplo de Gramática Contextualizada, aponta-se as figuras
abaixo. Nessas figuras, ocorre o uso de pronomes demonstrativos
relacionados ao texto. Em outras palavras, o uso de pronomes
anafóricos e catafóricos. Na primeira imagem (esquerda), ocorre
a utilização do pronome anafórico (anterior/ retrospectivo), que
tem como referente textual algo que foi mencionado anteriormente
e, na segunda imagem (direita), ocorre o uso do pronome
catafórico (posterior/ prospectivo), que tem como referente
textual algo que ainda será mencionado posteriormente no texto.
Contudo, nesta ilustração, é usado o pronome
NISSO,
quando deveria ser utilizado o pronome
NISTO
que apontaria para a imagem. Percebe-se, também,
que o exercício proposto na gramática em tela tem por objetivo
levar o aluno a perceber a diferenciação no uso de tais
pronomes.
De
acordo com Santos (2002, p. 30-31) "desloca-se, assim, o eixo do
ensino voltado para a memorização de regras e nomenclaturas da
gramática de prestígio, para um ensino cuja finalidade é o
desenvolvimento da competência lingüístico-textual, isto é, o
desenvolvimento da capacidade de produzir e interpretar textos
em contextos sócio-históricos verdadeiramente constituídos".
Diante desse quadro, surgem novos enfoque e tratamentos dados
aos conteúdos dessa disciplina tendo como uma perspectiva
textual, contextual e discursiva. Não se pode esquecer o espaço
que é dado à multiplicidade de variação da língua, ou seja, a
abordagem das diversas variantes da língua. Aspecto este que nem
sempre esteve presente nos manuais de gramática.
3.
Metodologia
Para
realização deste trabalho, foi realizada pesquisa de cunho
bibliográfico acerca das Correntes da Linguística Contemporânea
e seus pressupostos. Em seguida, foi realizada análise da
Gramática Reflexiva: texto, semântica e interação (CEREJA &
MAGALHAES, 2005) com o propósito de identificar os reflexos das
teorias linguísticas.
4.
Considerações Finais
A
partir dos estudos realizados, foi possível perceber que os mais
recentes manuais didáticos [os livros didáticos e as gramáticas
escolares] vêm, cada vez mais, aderindo aos pressupostos das
teorias linguísticas, empregando, assim, os resultados dos
estudos das Ciências da Linguagem na estrutura organizacional
desses manuais. O que culmina em novos enfoques e tratamento
dados aos mais diversos fenômenos linguísticos. Contudo, não
afirma-se, nesta escrita, que essas alterações estejam em todos
esses manuais, mas, na grande maior parte deles.
Nesse sentido, a Linguística contribuiu para
uma nova compreensão do que é ensino de Língua Portuguesa. O
que, por sua vez, ocasionou diversas modificações no objeto, na
metodologia de ensino dessa disciplina, o que, por conseguinte,
ocasionou inúmeras alterações na organização estrutural e
conteudística dos livros didáticos e das gramáticas escolares.
5.
Referências
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Imagem 1.
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Paulo: Atual, 2005.

Imagem 2.
Gramática analisada

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Aluno do Curso de Letras da Universidade Federal Rural de
Pernambuco - UFRPE. Foi, durante três anos, bolsista do
Programa Conexões de Saberes da UFRPE, no qual desenvolvia,
em Escolas da Rede Estadual de Ensino, Oficinas de Leitura,
Interpretação e Produção de Textos voltadas ao Vestibular
das Universidades Federais em Pernambuco. E-mail:
silvio_profirio@yahoo.com.br** Aluna do Curso
de Letras da Universidade Federal Rural de Pernambuco -
UFRPE. E-mail:
renatamariass@hotmail.com
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