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Resumo
Aqui se
tomou como tema a educação para Paulo Freire a partir de sua
obra Conscientização - teoria e prática da libertação:
uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. Procurou-se
focar a sua concepção referente à formação de um sujeito.
Embora, não lhe seja atribuído a autoria do termo consciência,
pode ser notado nessa pedagogia, o valor fundamental do processo
educacional entre o alfabetizado e alfabetizando que se difere
da educação tradicional. Desse modo, enfatiza-se com este
trabalho a importância de uma educação dialógica a qual, segundo
Freire, é essencial à alfabetização.
Palavras-chave: Paulo Freire. Método. Conscientização.
Educação.
1 – Aspectos introdutórios
A capacidade de dar atenção aos modos do ser e as ações que se
manifestam pela linguagem é o que se entende por consciência.
Conscientização, portanto, passa a ser o processo que procura
obter a modificação do ser nas suas diferentes dimensões, a
saber, o pensar, o falar e o agir. Trata-se de uma relação da
alma consigo mesma. A consciência é a possibilidade de
conhecer-se de modo direto e infalível passando, a partir disso,
a conscientizar-se.
Com isso, este trabalho tem como principal objetivo apresentar a
conscientização como parte fundamental do método Paulo Freire
para a realização do sujeito. Para isso, é preciso discutir
alguns aspectos relevantes dos quais são importantes na
compreensão tanto do método como dessa relação conceitual e
ideológica. Deste modo, nota-se que esse termo modifica o jeito
de pensar tanto dos educadores como dos educandos, poisse passa a alcançar o inesperado que é a
conscientização para uma cultura política, social e econômica. A
conscientização é eficiente neste aprendizado cultural que tem
como objetivo desenvolver a consciência crítica do marginalizado
pela sociedade.
No nordeste, segundo a obra Conscientização de Paulo
Freire, esse movimento começou no ano de 1962. Foram
alfabetizadas 300 pessoas em 45 dias. Pode-se dizer que o método
surgiu como proposta de alfabetização para as classes populares,
não se privando, portanto, às classes privilegiadas. A
pedagógica além de ter sido trabalhada em terras nordestinas
também aconteceu no Chile, México, Haiti. Nesta perspectiva,
buscar-se-á abordar neste texto, além de uma compreensão do
método Paulo Freire, uma abordagem conceitual para a educação no
intuito de um melhor entendimento daquilo que diz respeito à
educação do alfabetizando através de métodos eficazes e que
partem da realidade de cada individuo.
Com isso, evidenciará uma crítica construtiva do método
tradicional despertando a oportunidade de uma maior integração
pedagógica com o método que pensa no oprimido e investiga meios
para reintegrá-lo a sociedade intelectualizada, erudita. O
método, nessa abordagem tem seu lugar privilegiado, pois a sua
aplicação possibilita compreender melhor o mundo. Para quem não
tem uma consciência crítica desenvolvida, passa a ver as coisas
a partir de outra ótica, começando por si próprio.
Em virtude disso, acredita-se ser proveitoso compreender a
teoria de Paulo Freire acerca da conscientização e, para essa
compreensão, utilizar-se-á a obra Conscientização -
teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de
Paulo Freire [publicado no ano de 1980].
Desse modo, a discussão será apresentada a partir de duas
seções: a primeira aborda a ideia de que, segundo Freire, a
educação acontece através de um processo continuo do educando e
educador e a segunda se propõe a apresentar o método freiriano.
2 – A educação acontece a partir de um processo, de um movimento
Para Freire (1980), o ponto central da alfabetização está
em construir a educação. Isso é diferente da ideia de que a
educação acontece de forma estática, como algo acabado. O
interessante não é receber o conhecimento, mas refletir sobre o
conhecido e dessa forma, motivar o educando a apreender o
significado das coisas partindo pelo que lhe é de fácil acesso.
Assim, o projeto para a educação freiriana nasce de uma
perspectiva ligada à transformação que acontece a partir do
momento em que se começa a construir o saber crítico. Nisso,
aqueles que aderem ao processo construtivo educacional adquire
uma nova consciência política, religiosa ou cultural passando,
portanto, a enxergar no oprimido alguém que carrega uma cultura
e um saber próprio. É, por isso, que a palavra conscientização
nesse trabalho resulta em uma pedagogia da libertação que se dá
com a integração do educando ao mundo político, onde o individuo
pode refletir sobre suas ações e suas condições enquanto sujeito
num processo de ensino-aprendizagem. Ela favorece uma
integração, ou seja, o coordenador de cultura tem por objetivo
facilitar a socialização do integrante não objetiva perder de
vista o ser particular que há em cada espécie humana. Deste
modo, o método proposto contradiz o método tradicional que é
monótono tendo como característica geral o ato de depositar.
Tais argumentos podem ser analisados a partir das palavras do
próprio Paulo Freire. Ei-la:
O professor
fala da realidade como se esta fosse sem movimento, estática,
separada em compartilhamento e previsível; ou então, fala de um
tema estranho à experiência existencial dos estudantes: neste
caso sua tarefa é “encher” os alunos do conteúdo da narração,
conteúdo alheio à realidade, separando da totalidade que a gerou
e poderia dar-lhe sentido (FREIRE, 1980, p. 78-79).
Nesta perspectiva, nota-se que o movimento de construção
cultural oferecida pela proposta conscientizatória de Freire, às
classes populares, surge como alternativa de desenvolver uma
mentalidade madura e reflexiva acerca daquilo que está na
sociedade.
Pode se perceber que os números de analfabetos que se instruíram
na experiência proposta foram a causa de se acreditar que o
problema da ignorância não está apenas no educando, mas também
no educador que se fecha para a realidade da educação. Desse
modo, é um processo que acontece com a colaboração de ambas as
partes. Então, quando se percebe isso, é preciso refletir sobre
as seguintes perguntas: a quem se pode atribuir a culpa do
número de analfabetos em nosso país? É culpa somente dos
sujeitos oriundos das classes populares? Mas, há interesse em
investir nesta classe? O que importa na verdade é o número de
alfabetizados? Qual seria o interesse em não se interessar pelo
desenvolvimento da razão crítica desses cidadãos? Quando se
percebe o processo evolutivo da historicidade dos indivíduos
excluídos da classe intelectual se compreende a base de tais
indagações. De onde vem tal exclusão? Para onde irá a exclusão
do menor e desfavorecido? Ele não tem sabedoria?
Como fazer para que um aprendiz, que se sente oprimido,
compreenda que o que ele já traz consigo não é algo negativo?
Eis a tarefa fundamental do educador que tem que ter em mente
que “a alfabetização e a escolarização não são práticas neutras,
não se alimentam exclusivamente das técnicas por melhores que
sejam” (FREIRE apud SCOCUGLIA, 2009, p.10). Mas, sem o desejo
pelo desenvolvimento crítico dos indivíduos, a sociedade poderá
manipulá-los como quiser. Por isso, é um dos requisitos a ser
pensado e objetivado com os resultados educacionais do método
Paulo Freire, a conscientização como libertação.
O que se quer especificar é que, para se chegar onde o método
propõe, é necessário passar por um processo entre o oprimido e a
classe solidária. O produto destes fará com que o oprimido se
liberte e se humanize.
Freire (1980, p. 81) diz que:
O caráter
inacabado dos homens e o caráter evolutivo da realidade exigem
que a educação seja uma atividade contínua. A educação é deste
modo, continuamente refeita pela práxis. Sua duração no sentido
bergsoniano da palavra encontra-se no jogo do contrário:
estabilidade e mudança.
3 – O método Paulo Freire
A problemática da educação, assunto que interessa a todos, abre
espaços para receber propostas educacionais que tragam a
libertação. Esse é a principal coisa que se espera dos métodos
pedagógicos. Assim, uma dessas propostas é discutida pelo
teórico nordestino Paulo Freire. Ele visa uma metodologia
cultural para o desenvolvimento intelectual dos interioranos,
aqueles que são excluídos da sociedade por não saberem ler ou
escrever e que recebem trabalho desqualificado sendo, portanto,
explorados. É importante saber que no aspecto cultural, tanto o
que não é alfabetizado como o que se diz alfabetizado apreende
devido à valiosa cultura trocada entre os dois. Além disso, há
saberes que não podem ser desprezados, pois do alfabetizado e do
não alfabetizado, no entanto, não há o que desprezar e sim o que
acolher.
A partir disso, Freire desenvolveu um processo educacional
destinado ao povo simples. De imediato, nota-se a preocupação
dele em associar a libertação de um povo massacrado pela
violência intelectual à conscientização dada pelo processo
desenvolvido no seu método.
Sabe-se que educar é uma tarefa difícil, porque exige do
educador uma dinâmica entre o ensino e a aprendizagem, ou seja,
uma troca de valores. Assim, o método Paulo Freire merece toda
atenção por ser, não mais um método educacional, mas por se
voltar para um povo dotado do saber que é desprezado por uma
elite que padronizou o nível intelectual. O processo de
conscientização é a oportunidade em que o aprendiz tem de se
inserir nesse mundo e se libertar desse preconceito. Paulo
Freire, apesar de utilizar esse conceito, não pode ser
considerado o criador desse termo, o mesmo na obra
conscientização, diz ser outro o autor dessa palavra.
Acredita-se
geralmente que sou o autor deste estranho vocábulo
“conscientização” por ser este o conceito central de minhas
idéias sobre a educação. Na realidade, foi criado por uma equipe
de professores do INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS BRASILEIROS por
volta de 1964. Pode-se citar entre eles o filósofo Álvaro Pinto
e o professor Guerreiro. Ao ouvir pela primeira vez a palavra
conscientização, percebi imediatamente a profundidade de seu
significado, porque estou absolutamente convencido de que a
educação, como prática da liberdade, é um ato de conhecimento,
uma aproximação crítica da realidade (FREIRE, 1980, p. 25).
O vocábulo conscientização tem um significado imenso no
desenvolvimento de percepção do que rodeia o alfabetizando. Seu
papel está ligado à autonomia. Esta domesticação faz com que o
alfabetizando se torne heterodoxo a si mesmo, ou seja, receba de
si próprio não mais apenas uma resposta ou apenas uma única
concepção e sim se abra ao leque de conhecimentos. Desse modo,
começa a desenvolver em si a consciência passando a fazer uma
denúncia/anúncio daquilo que o rodeia, por exemplo, injustiças
políticas. No processo denúncia/anúncio acontece um
fortalecimento daquilo que não ficará apenas no papel, mas uma
concretização do compromisso idealizado. “Quanto mais
conscientizados nos tornamos, mais capacitados estamos para ser
anunciadores e denunciadores, graças ao compromisso de
transformação que assumimos” (FREIRE, 1980, p. 28).
Por isso, entende-se conscientização como aquilo que traz a
desmistificação de muitos problemas que acontecem pela falta de
uma simples leitura. Tais descobertas provocam uma consciência
reflexiva que tende ao comprometimento da transformação. Estas
transformações surgidas da conscientização dos homens e das
mulheres se tornam alfabetizados e críticos mediante a sociedade
em que vivem e não meros repetidores de palavras. Este é o fim
do projeto que o método freiriano tem como proposta.
Diferenciando-se do método tradicional por ser do tipo depósito
onde o professor, somente ele, é dono de todo o saber e o aluno,
ausente de luz, sendo, portanto, incapaz de construir saber.
O processo educacional freiriano acontece a partir de um
desenvolvimento entre professor e o aluno em que os dois
constroem o saber. O método tradicional é um desenvolvimento
monólogo, enquanto o método Paulo Freire, um diálogo. É, se
assim pode ser comparar, uma maiêutica,
pois o educador trabalhará com os seus alunos partindo do que
eles já sabem. O trabalho seria desenvolver o que já existe nos
educandos. Em resumo “um dos pressupostos do método é a ideia de
que ninguém educa ninguém e ninguém se educa sozinho” (BRANDÃO,
1991, p. 21 - 22).
Esse modelo de educação pautado no diálogo entre professor e
aluno, estabelece uma nova relação, ou seja, o professor passa a
ser monitor de um círculo. É circulo porque o termo sala de aula
passa a ser chamado círculo de cultura. O conceito disso deve
ser compreendido da seguinte forma:
Círculo,
porque todos estão à volta de uma equipe de trabalho que não tem
um professor ou um alfabetizador, mas um animador de debates
que, como um companheiro alfabetizado, pratica de uma atividade
como em que todos se ensinam e aprendem [...] Cultura por que
[...] o que o círculo produz são modos próprios e novos,
solidários, coletivos de pensar (BRANDÃO, 1991, p. 43 - 44).
Com isso, o método volta-se para o universo vocabular.
A partir do
levantamento das “palavras” a pesquisa descobre as pistas de um
mundo imediato, configurado pelo repertório dos símbolos através
dos quais os educandos passam para as etapas seguintes do
aprendizado coletivo e solidário de uma dupla leitura: a da
realidade social que se vive e da palavra escrita que
a retraduz (BRANDÃO 1991, p. 57, grifo do autor).
O trabalho que o método propõe está ligado às palavras
geradoras a caminho de descobri-las refletindo sobre elas as
quais funcionam como instrumentos da alfabetização. Mas, para se
chegar a este ponto é preciso despertar o interesse dos novos
alfabetizandos, pois surgirá do meio deles as palavras geradoras
do qual serão objeto de estudo. Resumem-se a dificuldades
sintáticas, semânticas e pragmáticas. Então, faz-se necessário o
uso de fichas que tem como função ajudar o monitor e jamais
servir como algum imperativo. Nestas fichas estarão as palavras
geradoras, suas famílias fonéticas.
Ler-se a sílaba mostrando detalhadamente, em seguida se mostra
toda palavra. Os conjuntos dos fonemas conduzirão a uma leitura
junto de uma reflexão acerca do que está sendo estudando. Com o
contato com a primeira palavra geradora é apresentada através
das expressões gráficas e orais uma análise da palavra. O método
propõe que seja mostrada a palavra sozinha sem o objeto a que
pertence o nome, só em seguida recorre-se a palavra, mas
separada por sílabas. Esta análise visiológica de toda a
estrutura oferecida é caracterizada por famílias silábicas é se
chamam ficha de descoberta.
Ressalta-se que o processo de ensino é um incentivo ao
desenvolvimento crítico do alfabetizando. O resultado de todo
este andamento está no conhecimento e reconhecimento que o
levará a escrever depositando nisso a importância do método tão
experimentado e comprovado como útil.
Os seres humanos são seres sociáveis. Por isso, ninguém consegue
viver isolado e se precisa de alguém para ajudar na educação e
em outras coisas. Essa idéia de sociedade que é própria dos
seres vivos tem leva a dizer e confirmar que ninguém também, no
processo freiriano, educa-se sozinho. Esta noção de
reciprocidade entre o levantador de questões e aquele que
discute estas questões, socializam-se. O objetivo sobre o que é
proposto é a educação.
A educação é feita ou conquistada através de métodos, de
objetivos. Existe troca de conhecimentos entre a sociedade
educativa, ou seja, há um interesse comum em aprender. “Para ser
um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos
demanda, entre educadores e educandos, uma relação de autêntico
diálogo” (FREIRE, 1982, p.49). Nesta relação dialogal deve-se
levar em consideração o contexto em que se encontram esses
sujeitos do conhecimento, porque a educação será construída a
partir de suas realidades se capacitando na multiplicidade do
saber, saber este construído através da união de saberes, pois
tanto o aluno carrega consigo uma bagagem complexa de cultura
como também o professor, e essa cultura são usados para educar
em ambos os aspectos.
5 - Considerações finais
Se a educação tradicional exclui o povo no aspecto de considerar
indivíduos sem cultura, nota-se que o método freiriano consegue
motivar no alfabetizando a consciência crítica. Assim, após a
proposta resolutória de fazer com que as pessoas que, jamais
tiveram contato com palavras, consigam pelo menos lidar com a
leitura se considera um avanço educacional. Pois, foi
apresentado um método relevante para o conhecimento pedagógico
que trilha caminhos diferentes dos que estão em nossos manuais
os quais se apresentam como alheios a realidade em que o
educador está.
Assim, o método favorece o crescimento intelectual dos adeptos.
Tendo em vista isso, porque não trabalhar o a teoria
paulofreiriana nos cursos de licenciatura? Sabe-se que o método
de Paulo Freire não é o único que discute estas possibilidades
para educação, porém os fundamentos que o sustentam difere de
outros teóricos da educação. Em vista disso, não se pode
vulgarizar algo que seria proveitoso para os educandários no
aspecto de valorizar a cultura de cada indivíduo.
Por fim, o texto nos leva a dizer que a classe oprimida precisa
se conscientizar e chegar à conclusão de que é a partir da
conscientização de uma alfabetização política e social que a
educação flui sob as coisas que os rodeiam.
6 - Referências bibliográficas
BRANDÃO,
Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. 17 ed. São
Paulo: Brasiliense, 1991.
FREIRE,
Paulo. Alfabetização e conscientização. In: ___ .
Conscientização: teoria e prática da libertação: uma
introdução ao pensamento de Paulo Freire. Tradução de Kátia de
Melo e silva. 3 ed. São Paulo: Moraes, 1980. p. 25-56.
____________. Práxis da libertação. In: ___ . Conscientização:
teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de
Paulo Freire. Tradução de Kátia de Melo e silva. 3 ed. São
Paulo: Moraes, 1980. p. 57-95.
___________. Conscientização e libertação: Uma conversa com
Paulo Freire. In ___ . Ação cultural para a liberdade. 8
ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 131-142.
___________ . Educação e conscientização. In: ___ . Educação
como prática da liberdade. 14 ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra. 1983, p.101-123.
SCOCUGLIA,
Afonso Celso. Analfabetismo: uma forma de exclusão. Mundo
jovem: um jornal de idéias. Porto Alegre, RS, ano 47, n.
400, p.10, 2009.
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