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RESUMO:
O presente artigo
busca elucidar a sala de aula na contemporaneidade,
vislumbrando-se os processos educacionais e sociais que permeiam
esse espaço educativo em sua atualidade. Neste contexto,
pretende-se fazer uma breve reflexão, sobre o aluno como vítima
do sistema escolar, permeado pelos processos de exclusão social
condicionantes à educação brasileira, oriundos do sistema
neoliberalista e capitalista. Desta forma, irá discorrer-se
sobre o olhar docente à sua prática pedagógica ante essas
circunstâncias e novas exigências ao professor do século XXI.
Por fim, em consonância ao exposto, propõe-se provocar reflexões
em torno do papel do trabalho na vida do homem e do processo de
adoecimento do docente/professor em seu trabalho.
PALAVRAS-CHAVE:
Sala de aula; Aluno; Docente/Professor.
EL AULA DE LA CONTEMPORANEIDAD: DE LA VICTIMIZACIÓN DEL
ALUMNO AL PROCESO DE ENFERMEDAD DEL DOCENTE/PROFESOR
RESUMEN:
El presente artículo visa aclarar el aula
en la contemporaneidad, alumbrando los procesos educacionales y
sociales que permean ese espacio educativo en su actualidad. En
este contexto, pretendemos hacer una breve reflexión, acerca del
alumno como víctima del sistema educativo, permeado por los
procesos de exclusión social condicionantes a la educación
brasileña, originados del sistema neoliberal y capitalista. De
esta manera, discurriremos sobre la mirada docente hacia su
práctica pedagógica frente a esas circunstancias y nuevas
exigencias al profesor del siglo XXI. Por fin, en conformidad
con lo que hemos expuesto, se propone provocar reflexiones
alrededor del papel del trabajo en la vida humana y del proceso
de enfermedad del docente/profesor en su trabajo.
PALABRAS CLAVE: El aula; Alumno; Docente/Profesor.
INTRODUÇÃO
Ao
falarmos de sala de aula na contemporaneidade,
precisamos considerar os fatores políticos, culturais, sociais
que a perpassam e conduzem os processos educacionais em suas
realidades locais. Evidenciamos inúmeras situações que permitem
que a sala de aula atual, seja um espaço de reprodução social,
de constituição exacerbada de individualidades, sobrepondo o seu
papel essencial, de constituir-se em um espaço acolhedor, onde
crianças e adolescentes devem dispor de oportunidades
igualitárias para a aprendizagem, possibilidades estas de serem
sujeitos de sua própria história, e propulsores na transformação
de suas realidades, das comunidades as quais estejam inseridas.
Ainda, vale
ressaltar que é na sala de aula onde ocorrem os processos de
exclusão social, os quais podem determinar o futuro de tais
crianças e adolescentes que os vivenciam. Exclusão social esta
multidimensional, aquela que é ligada a inúmeras situações, não
somente as de questão social, mais também aquelas inerentes à
raça, gênero, preconceitos, pré-julgamentos, dificuldades de
aprendizagem, dentre outras. E é na sala de aula onde
encontramos os sujeitos que dela fazem ter vida. De
um lado as crianças e adolescentes repletas de expectativas e
ideários quanto ao que podem conhecer e descobrir e de outro
lado, os docentes/professores. Estes que possuem a nobre
missão de possibilitar não só a construção do conhecimento, mais
propiciar que essas crianças e adolescentes possam sonhar e que
nunca venham perder a esperança de uma
vida melhor, de uma comunidade mais fraterna, de um mundo mais
justo e de pessoas menos individualistas, que vêem no próximo a
oportunidade de aprender, de crescer, e de fazer algo coletivo,
em prol de uma sociedade mais equânime.
Neste
contexto, o artigo ao provocar reflexões sobre os processos que
permeiam a dinâmica cotidiana presente nas inúmeras salas
de aula, nas escolas de nosso imenso Brasil, irá contextualizar
o aluno neste ambiente, e como tem sido a prática pedagógica do
docente/professor, o qual têm vivenciado processos de
adoecimento no trabalho, em virtude das demandas que lhe são
impostas no atual século.
O
ALUNO COMO VÍTIMA DO SISTEMA ESCOLAR
Em um primeiro momento parece-nos um pouco assustador ou forte
afirmar que o aluno tem sido vítima do sistema escolar. Porém,
essa breve reflexão irá partir de dois pressupostos: O primeiro
refere-se à reprovação, e o segundo a evasão escolar, ambos
fatores significativos, dentre os quais têm contribuído para a
exclusão social em âmbito escolar.
Para Jacomini (2009) ao refletir sobre o sentido da palavra
reprovação para a comunidade escolar, considera:
[...] a reprovação tem,
para a escola, a finalidade de garantir certa homogeneidade do
conhecimento requerido em cada série, impedindo a presença
daqueles que ainda não realizaram determinadas aprendizagens.
Para os alunos e os pais, ela é apresentada como outra
oportunidade de aprendizagem, na medida em que o discente pode
refazer a série em que foi reprovado e aprender aquilo que não
havia aprendido (JACOMINI, 2009, p. 565).
A autora por sua vez, faz uma crítica ao entendimento que a
escola, alunos e seus pais têm concebido a reprovação. É
importante salientar, que a escola é a maior responsável pela
criação desta consciência sobre “a reprovação”, pois pautada em
uma organização de educação como um privilégio, não reconhece a
mesma como um direito de todos e, portanto não propicia ações
concretas para mudar esta realidade. Ainda, em acordo ao
exposto, a autora afirma:
Assim, ao pretender a realização da
educação para todos, a escola deve buscar formas de
superar os mecanismos políticos e pedagógicos que contribuem
para perpetuar a exclusão. Argumentos como “os alunos não querem
aprender”, “não têm capacidade”, “não têm apoio da família”, “só
querem saber de brincar e conversar”, muitas vezes são usados
para justificar a pouca aprendizagem dos alunos e legitimar a
reprovação, precisam ser ressignificados na perspectiva da
educação como um direito (JACOMINI, 2009, p. 561).
Neste contexto, é mais do que necessário à mudança de
compreensão da educação impregnada na sociedade, especificamente
na comunidade escolar, sendo esta um direito de todos. É
incumbência da escola a mobilização dos alunos, no que se refere
ao seu desejo de aprender, a sentir-se notável no espaço em que
estes ocupam, no intuito de promoção do sentimento de
pertencimento, de fazer parte. Provocar a percepção de quanto a
escola é importante para as suas vidas e das condições que ela
pode propiciá-los, por meio da construção do conhecimento e da
formação para cidadania.
No que tange a evasão escolar, sendo esta também uma das
ferramentas de exclusão, Paro (2002), nos adverte sobre a
incompetência da escola para prover aos alunos do saber que
proclama oferecer, resultando em altos índices não só de evasão,
como de repetência escolar, ou seja, reprovação.
Uma pesquisa coordenada pela Fundação Getúlio Vargas – FGV no
estado do Rio de Janeiro e lançada no ano de 2010 buscou mapear
quais seriam os fatores motivadores da evasão escolar. Como
resultado, destaca-se que quase 40% dos entrevistados, sendo
estes jovens, de 15 a 17 anos, revelaram a falta de interesse
pela escola.
Esse dado, mais uma vez demonstra uma das necessidades
atuais da escola, o de buscar estratégias para motivar a criança
e o adolescente a querer apreender, a permanecer na escola e
enxergar, na educação, o caminho para a emancipação, a autonomia
e a transformação social.
Sendo assim, além da reprovação e evasão escolar, poderíamos
citar inúmeros fatores que propiciam que o aluno seja vítima do
sistema escolar o qual ele esteja inserido. Vale refletir sobre
a quem a nossa educação tem verdadeiramente servido? Seria ao
atendimento às demandas mercadológicas provenientes do
capitalismo e neoliberalismo, que subjetivamente têm produzido a
procura incessante do conhecimento em prol da necessidade de
suprimento das competências, habilidades ou polivalência exigida
aos futuros trabalhadores? Ou ainda,
seremos capazes de indagar nossos alunos sobre o que eles
esperam da e na educação, ou da própria instituição escolar?
Estas são algumas das indagações as quais sinalizamos para a
reflexão do respectivo leitor.
O OLHAR DOCENTE
SOBRE A SUA PRÁTICA PEDAGÓGICA
Em dias de crescente mecanização do ensino, precarizado com as
formas conteudistas de conceber a aprendizagem, em detrimento do
vencimento de conteúdos ou de apostilas, fica imensurável
acreditar que o docente/professor consiga tempo para
avaliar/olhar para a sua prática pedagógica. E esta prática
pedagógica é balizada por uma ideologia, que perpassa a sua
práxis. Nesse sentido, Penna (2008) afirma:
A prática docente e a
percepção que o professor possui da atividade por ele
desempenhada revelam os modos de ser e agir desses profissionais
na escola [...] para quem prática docente é cultura objetivada
na forma de um legado imposto aos sujeitos, expressando-se como
sabedoria compartilhada, ações a serem executadas ou mesmo
estilos docentes (PENNA, 2008, p. 560).
De acordo ao exposto
por Penna (2008), é notório salientar que toda prática
pedagógica dos docentes/professores irá desvelar o seu modo de
pensar e atuar ante às circunstâncias as quais lhe são
apresentadas no seu cotidiano. Ainda, em relação à autonomia
destes, no que diz respeito ao exercício de suas funções,
destacamos:
Ao serem interrogadas
sobre se tinham ou não autonomia no exercício de sua função,
todas as professoras responderam que para o preparo das aulas
sim. Percebiam, no entanto, que essa autonomia era bastante
relativa, uma vez que destacaram certa intromissão em seu
trabalho em decorrência de instruções semanais vindas da
Diretoria de Ensino (DE) e repassadas para elas nos momentos da
hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), relacionadas a
tarefas a fazer, projetos a implementar, enfim as atividades que
elas necessariamente deveriam desenvolver com seus alunos
(PENNA, 2008, p. 563).
A citação anterior é oriunda de uma pesquisa realizada pela
autora, de que trata sobre o exercício docente na escola e nos
demonstra as interferências que a prática pedagógica docente tem
sofrido por imposição de diretorias, secretarias e
departamentos, os quais,
na maioria das vezes,
são ligados e conduzidos por uma perspectiva de políticas
partidárias, originárias de governos os quais estão na
gestão/poder. Nesse sentido, torna-se mais complexo, a
possibilidade do docente/professor olhar para a sua prática, se
intrínseco a ela, deve incorporar imposições que emanam de
outras instâncias superiores a da escola.
Neste momento, chegamos ao ponto nevrálgico da questão sugerida
para reflexão neste subitem do presente artigo. Será que o
docente da escola contemporânea, ainda pode conseguir olhar para
a sua prática pedagógica? Será que ainda é capaz de
avaliar e reavaliar, o que tem alcançado
êxito, o que deve aprimorar ou ele encontra-se preso
nesse fazer cotidiano e não concebe mais visualizar o que de seu
exercício apresenta coerência com seus princípios e ideários.
Será que meramente esta sendo executor de
uma política educacional excludente, autoritarista, que não
respeita as diferenças, e não vê o aluno na sua
integralidade? Ou seja, até que ponto ele exerce autonomia sobre
a sua prática pedagógica, na medida em que essa autonomia é
relativa, que pressiona a inclusão de ações totalmente
deslocadas da realidade a qual a escola e a comunidade estejam
inseridas?.
Todas estas situações acabam por desencadear relações
excludentes na realidade escolar. Relações estas que permeiam o
espaço escolar, por meio das diversas hierarquias, e relações
sociais que se estabelecem nesse ambiente, gerando sentimento de
frustração profissional, e levando o docente a usar máscaras
para suportar a realidade profissional, como afirma Wachs
(2007):
Nós podemos constatar que
a predominância desse elemento estressante pode favorecer a
utilização de máscaras como mecanismo de defesa. A máscara vai,
contudo se transformando em algo doentio, quando a pessoa faz
uso de algo rotineiro, cotidiano, e essa prática nos dificulta a
percepção do real. Assim, vamos ter dificuldade para perceber e
distinguir quando ocorre a manifestação da pessoa real ou da
pessoa que está utilizando a máscara (WACHS, 2007, p. 116).
No conjunto das situações apresentadas como relativa autonomia
da prática pedagógica dos docentes, via imposição de instruções
no campo educacional de órgãos superiores às escolas, ainda
podemos presenciar na prática docente, a constante exigência de
qualificação, de habilidades e competências profissionais,
discurso este procedente do mercado, que exige do profissional
imediata readaptação a uma sociedade em transformação. Neste
contexto, Paro (2002) afirma:
A sociedade brasileira
está passando por intensas transformações econômicas, sociais,
políticas e culturais. As novas exigências educacionais diante
dessas transformações pedem um professor capaz de exercer sua
profissão em correspondência às novas realidades da sociedade,
do conhecimento, do aluno, dos meios de comunicação e informação
(PARO, 2002, p. 81).
O objetivo aqui não é afirmarmos que o docente/professor
contemporâneo deva contrapor-se as exigências impostas pelo
sistema capitalista, mais o desejo de vislumbrar aos leitores
que diante de várias mudanças aliadas a não valorização desta
profissão, fica impossível este inserir-se nesta corrida contra
o tempo, de qualificar-se. Vale refletir sobre quais as
condições que as políticas educacionais e o sistema escolar em
si têm propiciado aos docentes/professores, condições essas
efetivas de capacitação? Estas suscitam inevitavelmente
questões de ordem financeira.
Quando nos referimos à
capacitação, afirmamos de uma qualificação
profissional a qual o docente/professor possa realizar de acordo
as suas necessidades pessoais no desenvolvimento de sua prática
pedagógica e não a oferta de capacitações em massa.
Essas, muitas vezes, estão totalmente desconectadas
da realidade do docente/professor, compelindo este se
tornar um mero expectador nas capacitações, as quais não lhe
auxiliam na resolutibilidade das situações vivenciadas em seu
fazer pedagógico diário.
Todas as questões refletidas até então, tem considerável
relevância, quando falamos no processo de adoecimento do
docente/professor em seu trabalho, como veremos a seguir.
O DOCENTE EM
PROCESSO DE ADOECIMENTO NO TRABALHO
O trabalho, não
somente em nossos dias, mas há longo tempo, tem exercido uma
função importante na vida do ser humano. Para Arendt (1997)
vamos encontrar a origem da palavra “trabalho”, bem como, na
distinção entre labor e trabalho. Já para Marx (1964), o
“trabalho” aparece na relação do homem com a natureza e o
fundamento de cunho social. Neste
sentido Marx afirma que “A relação do homem à natureza é
imediatamente a sua relação ao homem, e a sua relação ao homem é
a sua relação imediata a natureza sua própria condição natural
(Marx, 1964)”.
Para Arendt (1997), o
labor é relacionado à dor, ao sofrimento e a adversidade. Já o
trabalho é aquele que é executado pelas mãos, sendo que a
respeito da relação do homem com a natureza, Arendt contrapõe
Marx, quando afirma:
O trabalho é uma atividade correspondente ao artificialismo da
existência humana, a existência esta não necessariamente contida
no eterno ciclo vital da espécie, e cuja mortalidade não é
compensada por este último. O trabalho produz um mundo
artificial de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente
natural. Dentro de suas fronteiras habita cada vida individual,
embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender a
todas as vidas individuais. A condição humana do trabalho é a
mundanidade (ARENDT, 1997, p. 15).
Já para Friedmann
(1973), a palavra “trabalho” surge com o tratado de Sociologia
do Trabalho, chegando a uma noção de sofrimento nos estudos de
Dejours (1992), quando este se refere a sofrimento como:
É do contato forçado com uma tarefa desinteressante que nasce
uma imagem de indignidade. A falta de significação. A frustração
narcísica, a inutilidade dos gestos, forma, ciclo por ciclo, uma
imagem narcísica pálida, feia, miserável. Outra vivência, não
menos presente do que a indignidade, o sentimento de inutilidade
remete primeiramente a falta de qualificação e finalidade do
trabalho (DEJOURS, 1992, p. 49).
Com Adam Smith e Karl
Marx surge a distinção entre trabalho produtivo e trabalho
improdutivo. Para ambos o improdutivo era desprezível e indigno,
sendo realizado pelos criados servis. Para Marx, a produtividade
nada mais é do que o “excedente da força de trabalho humana”.
Tendo em vista a
Revolução Industrial, e as transformações ocorridas no mundo de
trabalho a partir deste marco histórico, surge no início do
século XX a Organização Científica do Trabalho, com o taylorismo
e fordismo, como um sistema de organização econômica e social. A
partir de então se encontra uma ampla repercussão dos princípios
tayloristas, como a separação programada do trabalho manual, ou
seja, das atividades de execução e do trabalho intelectual,
também designado de concepção e planejamento, intensificação da
divisão do trabalho, controle do tempo e dos movimentos na
execução da tarefa, dentre outros. A organização Científica do
Trabalho propiciou a fragmentação, a repetitividade e a
monotonia, tornando as atividades e o trabalho sem sentido (Cattani,
1997).
Essas transformações
até os nossos dias atuais têm impactado a condução no
desenvolvimento das políticas educacionais, e provocado reflexos
imediatos nas práticas pedagógicas em contexto escolares. Não
distante desta realidade, vários fatores têm contribuído para o
stress do docente/professor e o seu processo de adoecimento no
trabalho.
Segundo Wachs (2007),
destaca:
Em diversos grupos e espaços de formação continuada de docentes
podemos constatar, através das narrativas orais e escritas,
sentimentos de baixa auto-estima, desvalorização pessoal,
ansiedade, esgotamento equacionados, se transformam facilmente
num grau de stress que prejudica a qualidade de vida e a saúde
psico-fisico-emocional e intelectual do docente (WACHS, 2007,
p.115).
É na impotência de
atender os resultados cobrados pelo sistema capitalista e
neoliberalista e ao mesmo tempo ter que assumir as demandas
sociais, que a cada dia tornam-se mais presentes no cotidiano
dos seus alunos, que o docente/professor se encontra em processo
de stress, de culpabilização pelo fracasso discente, como o
autor nos afirma:
Na construção simbólica da práxis educativa, muitas vezes, o
docente, devido ao seu sentimento de frustração, ansiedade e
temor, assume para si ou constitui-se para si a culpa pelo
fracasso de estudantes em particular e da educação em geral. Ele
assume e cria uma culpa universalizada por causa de algum ou de
alguns erros cometidos individualmente. Esse assumir não é uma
opção pessoal, como se fosse um martírio masoquista ou um
autoflagelo, mas é uma construção e uma imposição ideológica,
cultural e socialmente aceita (WACHS, 2007, p.122).
Nesse contexto,
apresentamos o conceito de sofrimento do trabalho, originário do
stress presente no dia-a-dia do trabalhador, conforme os estudos
Dejours (1992), que entende:
A vivência depressiva condensa de alguma maneira os sentimentos
de indignidade, de inutilidade e de desqualificação,
ampliando-os. Esta depressão é dominada pelo cansaço. Cansaço
que se origina não só dos esforços musculares e psicossensoriais,
mas que resulta, sobretudo do estado dos trabalhadores
taylorizados (DEJOURS, 1992, p. 22).
Sendo assim, podemos
considerar que são muitos os fatores que estão intrínsecos ao
processo de adoecimento do docente/professor em seu trabalho.
Cotidiano permeado pelo stress e pelo sofrimento no fazer
pedagógico, pela culpabilização do fracasso do ofício da escola,
e de seu papel enquanto profissional. Nesse sentido, em
consonância ao que afirma Wachs (2007), que sem cuidar do
docente e de sua saúde torna-se impossível a evolução da
educação, reiteramos na emergente necessidade de uma política
pública que se preocupe com o bem estar e a saúde
psico-fisico-emocional dos docentes/professores, e que propicie
a estes as condições necessárias para a superação das situações
vivenciadas. Sem docentes/professores não há educação, e sem
educação não há crescimento e desenvolvimento econômico e
social.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Com a proposta do artigo buscamos suscitar nos respectivos
leitores algumas reflexões. Partimos da sala de aula como espaço
social contemporâneo, onde ocorrem as mais diversas relações
sociais, culturais e políticas, às quais devem buscar a
transformação social dos alunos. Este riquíssimo espaço de
construção do conhecimento, de produção da esperança e dos
sonhos, não pode servir meramente como um meio de
acentuamento das individualidades e indiferenças, como preconiza
o sistema capitalista. Todavia, devemos sim ensinar os
conhecimentos necessários, em virtude do acirramento e da
competitividade oriundos do mercado de
trabalho, vislumbrando esses alunos como futuros trabalhadores.
Mais do que ensinar os
devidos conteúdos, a escola precisa preparar o aluno para a vida
em sociedade, trabalhando em prol da conscientização, na
formação para a autonomia, emancipação e cidadania.
No contexto de um
sistema escolar conduzido por demandas importadas pelo mercado,
no artigo também procuramos vislumbrar o aluno como vítima desse
processo, quando tratado do ponto de vista
da reprovação e da evasão escolar, ou seja, de todos os
processos educacionais, dentre os quais, os citados,
permitem a exclusão social e subtraem desses alunos vitimizados
o direito à educação, o direito ao conhecimento e à
transformação de suas realidades.
E nesse processo de
vitimização, destacamos a possibilidade do docente/professor
olhar e refletir sobre a sua prática pedagógica, a qual é
permeada por inúmeros fatores que os condicionam a uma prática
com relativa autonomia, ditada na maioria das vezes por órgãos
superiores, os quais as escolas são submissas.
Por fim, possibilitamos elencar algumas questões referentes à
importância do trabalho na vida do homem, não diferentemente no
cotidiano do docente/professor, permeado pelo stress e o
adoecimento no trabalho, em virtude ao não atendimento das
demandas exigidas desse profissional na atualidade.
Assim, entendemos que
a escola como espaço de construção e produção do conhecimento, e
de trabalho ao docente/professor, carece da efetivação de
políticas educacionais menos excludentes que congreguem
necessidades contemporâneas de formação docente e atendam o
aluno na sua integralidade, aliada às ações de combate ao stress
e adoecimento no trabalho. Desse modo, busca-se a melhoria da
qualidade de vida dos docentes/professores e consequentemente
resultados e experiências de sucesso no contexto escolar.
REFERÊNCIAS
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1997.
CATTANNI, Antonio D. (org).
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Vozes, 1997.
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http://www.anj.org.br/jornaleeducacao/noticias/pesquisa-da-fgv-mostra-causas-da-evasao-escolar-no-pais.
Acesso em: 20 de julho de 2010.
JACOMINI, Maria Aparecida. Educar sem reprovar: o desafio de
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MARX, Karl.
Manuscritos Econômicos - Filosóficos: textos filosóficos.
Vol. 22 Portugal: Edições 70, 1964.
PARO, Vitor Henrique. Gestão Democrática na escola pública.
3 ed.Editora Ática, São Paulo, 2002.
PENNA, Marieta Gouveia de Oliveira. Exercício docente na
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Educação e Pesquisa, São Paulo, 2008.
WACHS, Manfredo Carlos. Um olhar
teo-pedagógico para o stress do professor: a graça de Deus nos
reconcilia conosco. Estudos teológicos, São Leopoldo, 2007.
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