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Jéssica
Girão Lopes
Resumo
As novas tecnologias são aparatos prementes no auxilio dos
docentes no processo de ensino-aprendizagem, pois acompanham a
história da humanidade desde os tempos mais remotos. Entretanto
é fácil perceber o quanto a realidade da escola se encontra
distante da realidade tecnológica da sociedade na
contemporaneidade. Por outro lado, o uso dessas tecnologias
muitas vezes é realizado de maneira errônea, não contribuindo na
construção do conhecimento. O presente artigo discute a
importância das novas tecnologias utilizadas de maneira correta
e intrínsecas à prática educativa.
Palavras-Chave:
tecnologias; educação; ensino-aprendizagem;
Abstract
The new technologies are apparatuses pressing in aid of the
teachers in the teaching-learning process, because you follow
the history of humanity since the earliest times. However, it is
easy to see how the reality of the school is far from the
technological reality of the society in contemporary world. On
the other hand, the use of these technologies is often performed
in a way erroneous, not contributing to the construction of
knowledge.
This article discusses the importance of the new technologies
used in the correct way is intrinsic to educational practice.
Keywords:
technology,
education,
teaching and learning;
1.
Introdução
Quando se fala em tecnologias voltadas à educação, a primeira
coisa que geralmente vêm à mente são equipamentos como
computadores, vídeos, e outros que necessariamente refletem a
realidade na qual a sociedade capitalista tecnológica está
inserida.
Por outro lado, constantemente é cobrado ao corpo
discente das escolas e universidades, de maneira geral, que
atuem na perspectiva de tornar o ensino significativo com o
apoio e a utilização das tecnologias da informação e
comunicação- TICs.
O texto que se segue objetiva a analise das
contribuições pertinentes dos escritos da pesquisadora Vani
Moreira Kenski, em sua obra publicada pela editora Papirus no
ano de 2007 intitulado de Educação e tecnologias, o novo ritmo
da informação. Serão retratados, nessa perspectiva,
especificamente os dois primeiros capítulos da obra que são:
o que são tecnologias e porque elas são essenciais e
tecnologias também servem para informar e comunicar.
Na medida em que o artigo se desenvolverá,
concomitantemente far-se-á uma análise critica de tais escritos
a fim de construir, frente a eles um discurso contributivo ao
uso de tecnologias na educação na atual conjuntura do mundo
tecnológico.
2.
O desenvolvimento da sociedade e o desenvolvimento tecnológico.
A tecnologia, ou o desenvolvimento tecnológico é algo que está
atrelado e intrinsecamente relacionado com o desenvolvimento do
mundo. O homem primitivo já se utilizava de alguma forma da
tecnologia disponível à época a fim de facilitar sua vida. Ou
não foi a aquisição do fogo uma tecnologia revolucionária ao
passo que o homem ia se descobrindo enquanto ser sociável e com
determinado grau de inteligência?
Para Kenski (2007) “As tecnologias são tão antigas
quanto a espécie humana”. Na verdade, prossegue a autora: foi a
engenhosidade humana em todos os tempos, que deu origem às mais
diferentes tecnologias. O uso do raciocínio tem garantido ao
homem um processo crescente de inovações. “(p.15)
Sob essa perspectiva, compreende-se que na medida em
que o homem progredira em conhecimento, elevara-se em
desenvolvimento tecnológico. Da mesma forma ao passo que
explorara seu espaço e usara tecnologias com essa finalidade,
seu domínio, seu poder sobre a natureza expandira-se e o
resultado fora exatamente o acumulo de riquezas.
De maneira evolutiva com o acréscimo de conhecimento e
possibilidades tecnológicas, as cidades foram se estruturando e
mostrando a capacidade infinita de construção humana até os dias
atuais como informa Sposito (2008) que: a cidade na sua origem
não é por excelência o lugar de produção, mas de dominação.
(p.17)
Dominação esta que se expressa no domínio do homem em
seu espaço natural, bem como na dominação de outros homens,
levando em consideração que, na história da humanidade, quem
detém as técnicas, sempre se sobressaia aos que não as tem.
Dessa maneira até os dias atuais observa-se que o conhecimento
traz poder, cria espaços desiguais, de dominação. Em outras
palavras: ”tecnologia é poder”. (KENSKI, 2007).
A complementaridade disso pode ser percebida quando se
analisa as relações de poder estabelecidas ao longo do tempo,
sobretudo com o advento do momento histórico denominado de
Revolução Industrial. A partir dele o mundo se organizou de
maneira mais expressiva na perspectiva da tecnologia, pois
necessariamente quem detinha o poder, a dominação e o acréscimo
de riquezas era exatamente quem possuía tecnologia. Nessa
perspectiva, nações inteiras submeteram-se e submetem-se até os
dias de hoje a países detentores de conhecimentos tecnológicos
(SANTOS 1994).
Com essas considerações, percebe-se que o
desenvolvimento tecnológico compreendido enquanto “espaço de
poder” sempre esteve presente na realidade da humanidade, desde
coisas simples como a aquisição de novas ferramentas para a
caça, até o atual momento do desenvolvimento técnico
informacional. Kenski (et al) é categórica ao expressar que: “O
mundo desenvolvido e rico é o espaço em que predominam as mais
novas tecnologias e seus desdobramentos na economia, na cultura,
na sociedade. Os que não têm a “senha de acesso” para ingresso
nessa nova realidade são os excluídos, os subdesenvolvidos”
(p.18)
Dessa forma, compreende-se que se constitui uma
necessidade ao homem e à educação enquanto atributo social se
adaptarem á complexidade que os avanços tecnológicos impõem às
sociedades de uma forma geral e de diversas formas.
3.
A educação no contexto da sociedade da informação
Na atual conjuntura social, é comum se agregar a idéia de
tecnologia a aparelhos tecnológicos desenvolvidos ao longo da
história e que permeiam nossa realidade, como computadores
vídeos, etc. Da mesma forma, quando se fala que os docentes
devem usar em sua prática pedagógica, novas tecnologias, logo se
relaciona o uso de multimídias e internet.
Torna-se necessário, portanto a compreensão de que as
tecnologias englobam a totalidade de coisas que a engenhosidade
do cérebro humano conseguiu criar em todas as épocas, suas
formas de uso, suas aplicações. (KENSKI et al, p.22).
Nesse aspecto, a linguagem constitui-se uma tecnologia
que foi criada e que faz parte da realidade de maneira tão
incisiva que não a consideramos mais uma tecnologia. Entretanto
ela o é. Segundo a autora:
A linguagem
é uma construção criada pela inteligência humana para
possibilitar a comunicação entre os membros de determinado grupo
social. Estruturada pelo uso, por inúmeras gerações e
transformada pelas múltiplas interações entre grupos diferentes,
a linguagem deu origem aos diferentes idiomas existentes e que
são característicos da identidade de um determinado povo, de uma
cultura. (p.23)
E sendo uma construção realizada por sujeitos sociais, deve ser
utilizada em sala de aula de maneira a refletir o momento
histórico e cultural vivenciado pelo grupo de aluno na qual se
quer estabelecer um processo de aprendizado, como afirma Kenski
(et.al p.41) que: como as tecnologias estão em permanente
mudança, a aprendizagem por toda a vida torna-se conseqüência
natural do momento social e tecnológico em que vivemos”.
Nessa perspectiva, Morin (2000) reitera que os
professores devem ser capazes de vislumbrar o mundo na
perspectiva dos alunos, para que assim questões suscitadas por
eles que são lacunas de compreensão das relações em curso no
mundo, sejam respondidas. Dessa forma, a linguagem, a maneira de
se comunicar deve ser utilizada ao passo que constrói
informações pertinentes e coerentes fazendo conexão entre os
dois mundos- o mundo do aluno e o mundo do professore ou do
adulto.
Porto (2006), nessa perspectiva salienta que
não é necessário:
(...) o abandono da função cultural clássica da escola,
substituindo os conteúdos do currículo, mas entendo que a
escola, junto com a responsabilidade de transmitir e produzir
conhecimentos precisa abrir-se às novas formas culturais, aos
problemas próximos de seus sujeitos, às diferentes (e, para
alguns, novas) formas de comunicação. (p.54)
É comum ver-se estudiosos da educação falando da necessidade do
educador fazer a sua prática educativa levando em consideração a
realidade social na qual os indivíduos educandos estão
inseridos, entretanto, além disso, é premente a esse mestre
comunicar-se levando conta a realidade cibernética na qual eles
vivenciam, caso contrário, essa prática de ensino torna-se
incompleta e fora do contexto do alunato.
Não são somente os vídeos, os aparelhos digitais, a
apresentação de slides -etc- que fazem a diferença no processo
de ensino-aprendizagem, mas o inserir-se, o comunicar-se
compreendendo a realidade digital dos educandos é fator
preponderante nesse processo.
Outra problemática que deve ser ressaltada é a idéia
errônea de que o aparato físico tecnológico oferecido pela
escola para o uso em sala de aula é suficiente por si só para
propiciar um significativo ensino-aprendizagem. Todos entendem
isso, mas a prática educativa muitas vezes não condiz.
Na compreensão de Orozco (2002. p. 65) “tecnicismo
por si só não garante uma melhor educação. [...] se a oferta
educativa, ao se modernizar com a introdução das novas
tecnologias, se alarga e até melhora, a aprendizagem, no
entanto, continua uma dúvida” isso ocorre porque o fazer
pedagógico dos professores deve ser reflexivo (ZABALLA, 1998)
deve ser direcionado a fim de estabelece momentos que permitam
aos alunos uma compreensão eficaz da atual conjuntura do sistema
em que se vive. Os aparelhos tecnológicos devem servir enquanto
complementos a essa prática ativa, devem sim ser utilizados, mas
com propósito e com planejamentos.
4.
Considerações finais
Ao longo do tempo o homem foi adquirindo informações
provenientes de sua inteligência que fizeram a diferença em toda
a sua existência. Essas informações, na figura da tecnologia se
foram acumulando e influenciaram o mundo na corrida pela
tecnologia de tal forma que a dominação entre os países se mede
pela capacidade tecnológica produzida por esses.
Dentro dessa realidade, a educação como sendo um
atributo social, não deve alhear-se às condições tecnológicas e
que, na atual conjuntura, são significativas no processo de
ensino aprendizagem.
A linguagem, considerada uma tecnologia primitiva
acompanha o desenvolvimento tecnológico, pois ela é construída
socialmente e reflete a cultura à época. Nessa perspectiva, os
educadores devem ter em mente que não somente a utilização de
recursos ou materiais didáticos são essenciais nesse processo
educativo, mas a apropriação desse conhecimento pela linguagem
deve ser corrente no ato de ensinar.
O desenvolvimento tecnológico é fatídico. Está presente
em tudo o que é feito. A escola, portanto, não deve permanecer
com o ensino que não reflete a realidade e nem se utiliza dos
recursos tão corriqueiros na vida dos estudantes- e dos
professores-. É essencial o conhecimento e o uso tecnológico
baseados em planejamento e com propósitos pedagógicos.
5.
Referencias Bibliográficas
OROZCO, Guilhermo G.. Comunicação, educação e novas
tecnologias: tríade do século XXI. Comunicação e
Educação, São Paulo, n. 23, p. 57-70, jan./abr. 2002.
PORTO, Tânia Maria Esperon. As tecnologias de
comunicação e informação na escola; relações possíveis...
Relações construídas. Revista Brasileira de educação, v.11
n.31, 2006
KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo
ritmo da informação. Saõ Paulo: Papirus, 2007. (p15-42.)
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. São Paulo:
Editora Hucitec, 1994.
ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar.
Tradução de Ernani F. da Rosa. Porto Alegre: Ed. Artmed, 1998.
p. 224.
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