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Cassiano Telles*
Zuleyka da Silva
Duarte
Vicente Cabrera
Calheiros*
Andréia Machado dos
Santos*
Roberto Corrêa
Carvalho*
Resumo: Esta investigação
realiza uma breve discussão sobre a Teoria Crítica e a Educação,
inspirados em alguns pensadores frankfurtianos. Está
constituiu-se em uma breve investigação bibliográfica onde
procuramos destacar alguns elementos que valorizam a Escola de
Frankfurt no contexto da Teoria Crítica e Educação. Como
resultado desta, chegamos a conclusão que devemos pensar a
educação como uma forma de resistência aos modelos tradicionais,
a partir de um compromisso político/pedagógico. Este é um
convite para conhecermos de forma mais profunda a teoria crítica
de educação e sociedade, nos comprometendo com a transformação
de nossa sociedade.
Palavras-Chave: Educação.
Teoria Crítica. Frankfurt. Sociedade.
Abstract: This
research conducts a brief discussion of Critical Theory and
Education, inspired by some thinkers Frankfurtians.
Is constituted in a briefliterature search where we seek to
highlight some elements that value in the context of the
Frankfurt School of Critical Theory and Education. As a result,
we come to the conclusion that we should think of education
as a form of resistance to traditional, from a
political / pedagogical. This is an invitation to know more
deeplycritical theory of education and society, by committing
ourselves to the transformation of our society.
Keywords:
Education. Critical Theory. Frankfurt. Society.
Introduzindo a Investigação
A partir de uma breve comparação
entre homens e animais, percebemos que homens/mulheres, cuja
existência se dá a partir de suas relações culturais, bem como o
modo pelo qual produzem sua existência, aparecem como o único
ser que necessita de uma instituição específica que o prepare
para a maturidade e para o exercício da cidadania – a escola.
Por isso, assim como afirma Ramos de Oliveira (1994, p. 123), “o
ser humano atravessa sua meninice e sua adolescência nos bancos
escolares sob a orientação de adultos especializados em preparar
as novas gerações para a vida adulta, real”.
Contraditoriamente, sendo um
espaço de formação e, portanto de ruptura, da busca pela
emancipação, a partir do confronto entre a cultura produzida
pela humanidade e aquela em que chegam os estudantes; na busca
pelo conhecimento que vai habilitá-lo a atuar de forma plena na
sociedade, a escola em alguns aspectos se apresenta como um
fator retardador da experiência da maturidade e da inserção na
sociedade contemporânea. Isso ocorre na maioria das vezes pela
distância estabelecida entre os conteúdos escolares organizados
no currículo e a vida.
Historicamente sabemos que a
escola foi instaurada e constituída sempre a serviço das camadas
dominantes. Foi a partir de movimentos populares que as elites
abriram espaço aos filhos dos trabalhadores nos bancos
escolares. Não foi de fato, uma mudança de concepção. A chegada
desses novos atores à educação coincide com a hegemonia do
capital em que a força de trabalho deveria estar minimamente
escolarizada para assumir seu papel no novo mercado em expansão.
Essa ampliação do “saber escolar”,
coincidente com os tempos da hegemonia do capital, atrai as
imensas legiões de filhos de trabalhadores (pré-trabalhadores ou
até já – eles também – trabalhadores) numa época em que se
intensificam os processos de alienação e de seu auge – a
reificação. Uma época de ‘democratização’ do ensino: uma época
de indústria cultural e semicultura. Situação complicada
encontrarão os novos hóspedes (no sentido etimológico original,
que indica também o forasteiro, o estranho).
Diferenciados numa sociedade diferenciada, até fragmentada, os
estudantes trarão à escola as marcas e os estigmas da
diferenciação social, em todos os aspectos. (OLIVEIRA, 1994, p.
125)
Apesar da vocação que a
escola vem demonstrando ter, como um veiculador da ideologia
dominante, mas também sendo um espaço dialógico, estas unidades
de ensino podem fomentar a discussão, a pluralidade de idéias, a
contraposição de pensamentos, o estímulo à reflexão, por isso um
espaço bem orientado a levar o aluno a formação (bildung).
No entanto, a situação fica problemática, quando o professor
adere aos valores da classe dominante, transmitindo-os aos seus
alunos como valores absolutos e verdadeiros. Apesar disso, esse
entrecruzar de idéias, segundo de Ramos de Oliveira (1994), no
processo ensino-aprendizagem ocorre em situação clara,
observável. O problema são as zonas de sombra, o currículo
oculto, em que o autor define como:
[...] conjunto semivelado de
valores e noções básicas que povoam todas as experiências e
situações que ocorrem nas escolas, este conjunto de interações
cotidianas e regularidades, que mesmo ou exatamente porque não
explicitadas nem tornadas conscientes, interpõe-se poderosas,
ensinando e transmitindo valores, que suplantam os conceitos e
valores oficialmente expostos. (OLIVEIRA, 1994 p. 127).
Considerando a ideologia que
permeia a sociedade contemporânea, não é de surpreender que seja
a escola, assim como as demais instituições criadas pelo homem,
ambígua. Como diz a célebre frase de Paulo Freire, se a
transformação social não se dá a partir da escola, sem ela
também não será possível. Isso significa que a escola tem um
caráter de movimento, uma realidade dialética, que pode
transformar e ser transformada.
Por isso, o presente trabalho
apresenta como uma opção às formas tradicionais e arcaicas de
educação, a Teoria Crítica, inspirada nos autores frankfurtianos,
que sugerem a emancipação humana como uma maneira de não só
fortificar a democracia, como de se opor a qualquer forma de
violência e barbárie, para que possam se consolidar novos modos
de pensar e agir.
O estudo realizado se situa na
perspectiva de tentar compreender as formas de Educação e Teoria
Crítica inspirada nos autores frankfurtianos.
Para este, foi realizada uma breve
investigação bibliográfica que segundo Gil (2002, p. 44) “é
desenvolvida com base em material já elaborado, constituído
principalmente de livros, artigos científicos, periódicos e
atualmente com materiais disponibilizados na internet.”
Resultados da Investigação
Teoria Crítica
Quando se fala em Teoria Crítica,
imediatamente a principal referência que se tem sobre o tema é o
que conhecemos por Escola de Frankfurt. Escola de
Frankfurt, conforme Slater (1976) refere-se simultaneamente a um
grupo de intelectuais e uma teoria social. Este termo procura
designar a institucionalização dos trabalhos de um grupo de
intelectuais marxistas, não ortodoxos, que na década de 1920
permaneceram à margem de um marxismo clássico (leninismo, linha
teórico-ideológica, linha militante e partidária). No entanto, o
termo Escola de Frankfurt só vai ser adotado pós II Guerra,
sugerindo uma unidade geográfica que já não existia mais,
referindo-se a uma produção desenvolvida inclusive fora de
Frankfurt.
Institur fuer
Sozialforschung – Instituto de Pesquisa Social
O breve histórico a seguir é
baseado nas considerações de Freitag (1986) tanto sobre o
histórico, quanto o conteúdo da Teoria Crítica e a produção de
seus principais expoentes.
O Instituto de Pesquisa Social foi
oficialmente criado em 3 de fevereiro de 1923 e se caracterizou
como um grupo de trabalho que realizava estudos, documentação e
teorização sobre os movimentos operários na Europa naquele
momento histórico. Desde o início este grupo esteve vinculado à
Universidade de Frankfurt, apesar de ter autonomia financeira.
O primeiro diretor do Instituto
foi Carl Grutenberg, historiador e marxólogo de Viena, que
permaneceu no cargo até 1927 e de forma simbólica até 1930,
quando assumiu Max Horkheimer, jovem filósofo formado em
Frankfurt, que assumiu a cátedra de filosofia social. Com a
nomeação de Horkheimer em 1930, o Instituto passou a assumir as
feições de um verdadeiro centro de pesquisas, preocupado com uma
análise critica do capitalismo moderno que priviliegiava a
superestrura. Era um intelectual marxista despreocupado com a
burocracia e legitimação acadêmica. Investia a sua reflexão
sobre a especificidade do capitalismo moderno nas condições
histórica da Europa.
Graças á envergadura intelectual
de Horkehimer e à sua excelente formação filosófica (elaborou
teses de doutorado e livre docência sobre Kant e Hegel),
conseguiu aglutinar em torno do Instituto, intelectuais como
Pollock, Wittfogel, Eric Fromm, Gumpertz, Adorno, Marcuse e
outros que passaram a contribuir com artigos e ensaios para a
revista do Instituto.
Em 1933 o governo nazista decreta
o fechamento do Instituto, por suas “atividades hostis ao
estado”, confiscando seu prédio, juntamente com 60.000 volumes
de livros que constituíam o acervo de sua biblioteca.
O período de imigração para
os EUA (1933-1950)
Em 1934, Horkheimer negocia a
transferência do Instituo para Nova Iorque. Agora o Instituto
vincula-se à Universidade de Columbia sob o nome Institute of
Social Reserch.
A produção do Instituto
nessa época reflete, por um lado, em uma série de artigos
fundamentais publicados na Revista, e que deram origem à
criação da Teoria Crítica. E por outro lado em
duas obra que transformariam um marco para a pesquisa e
teorização sociológicas. The Autoritarium Personality
(por um coletivo de autores americanos e alemães) e Dialética
do Esclarecimento (1947), por Adorno e Horkheimer.
Horkheimer procura salvar a
reflexão filosófica dialética face a uma tendência positivista e
empirista nas ciências sociais. Com seu ensaio A Teoria Crítica
e a Teoria Tradicional (1937) lança os fundamentos da teoria
crítica da Escola de Frankfurt. Enquanto isso, Adorno se
concentra no estudo de uma sociologia marxista no estudo da
música, analisando a regressão e a capacidade auditiva dos
ouvintes.
Na Dialética do Esclarecimento
(1947), escrita na Califórnia, reflete a atitude crítica com a
qual Adorno e Horkheimer encaram a evolução da “cultura”, nas
modernas sociedades de massa, da qual os Estados Unidos seriam a
versão capitalista mais avançada. Até então, tanto Horkheimer
quanto Adorno haviam mantido uma certa confiança na razão
crítica, que se imporia no decorrer do processo histórico que
gerou a modernidade. Acreditavam até então que apesar dos
percalços e retrocessos, a humanidade chegaria, em última
instância, a realizar a promessa humanística, contida na
concepção kantiana da razão libertadora. A Dialética do
Esclarecimento representa a ruptura com a convicção profunda. A
onipotência do sistema capitalista, reificado no mito da
modernidade, estaria segundo essa nova análise, deturpando as
consciências individuais, narcotizando a sua racionalidade e
assimilando os indivíduos ao sistema estabelecido.
Com esse diagnóstico do seu tempo,
Adorno e Horkheimer abandonam definitivamente, os paradigmas do
materialismo histórico, buscando um novo caminho que igualmente
se afasta e distancia dos paradigmas do positivismo e
neopositivismo que dominam as ciências naturais e humanas de sua
época. Horkheimer aproxima-se cada vez mais da Teologia (no
final de sua vida) e Adorno busca refúgio na dialética negativa
e na teoria estética.
A reconstrução do Institut
fuer Sozialforshchung
O Instituto passa a funcionar
novamente em sua velha sede na Senckenberganlage em Frankfurt ao
lado dos prédios da universidade a partir de 1950.
Adorno assume integralmente a
direção do Instituto depois da aposentadoria de Horkheimer (em
1967). O grupo de intelectuais se vê reduzido a Adorno e
Horkheimer, seus expoentes mais significativos.
Já a partir dos anos de 1966, o
protesto estudantil contra as estruturas autoritárias da
Universidade e da sociedade alemãs começou a mobilizar centros
como Frankfurt. No entanto, tais movimentos de caráter
conservador, agiam de forma que para os frankfurtianos não havia
diferença entre os nazistas e os estudantes.
A incorporação da teoria crítica
ao movimento estudantil parecia anunciar seu fim.A desilusão e
incompreensão de ambas as partes – frankfurtianos e estudantes –
terminou com a saída de Horkheimer para a suíça (1967), a morte
prematura de Adorno (1969) e a crítica de Marcuse a certas
simplificações da New Left.
O Conteúdo da Teoria Crítica
De acordo com Freitag (1986), os
temas refletidos pelos frankfurtianos foram organizados de
acordo com sua presença e reincidência durante a produção
teórica dos filósofos e são selecionados em três importantes
eixos temáticos: a dialética da razão iluminista e a crítica à
ciência, a dupla face da cultura e discussão sobre a indústria
cultural e a questão do Estado e suas formas de legitimação na
moderna sociedade de consumo.
A dialética da razão
iluminista
A espinha dorsal, presente no
trabalho de todos os frankfurtianos, é o tema do Iluminismo
ou Esclarecimento (Aufklarüng).
Na obra Dialética do
Esclarecimento, os autores descrevem os caminhos/descaminhos da
razão, no sentido de que, na sua trajetória original, conhecida
como um processo emancipartório que conduziria à autonomia e à
emancipação, se transforma em seu contrário, em um crescente
processo de instrumentalização para a dominação e repressão do
homem;
Baseados numa perspectiva kantiana
que vê na razão um instrumento de libertação, para que através
dela seja alcançado o ideal de libertação e autonomia (Muendigkeit),
os frankfurtianos perceberam através das barbáries e atrocidades
cometidas na II Guerra Mundial e de regimes ditatoriais, os
ideais do Iluminismo sendo distorcidos. Ou seja, a razão que
deveria libertar os homens dos mitos através do saber, foi
instrumentalizada, tornado-se uma razão repressiva, voltando-se
inclusive contra suas tendências emancipatórias.
Freitag (1986) destaca três
momentos importantes, em torno deste eixo temático na obra dos
frankfurtianos:
Primeiro a contraposição de
Horkheimer
Teoria tradicional” e
“Teoria crítica”, (1937), ou seja,entre o pensamento
cartesiano e o pensamento marxista. Em seguida a disputa entre
positivismo e dialética travada entre Popper e Adorno (1961). E
finalmente o debate sintetizado da obra de Luhmann e Habermas
Teoria da Sociedade e Tecnologia Social (1972), onde são
confrontadas a razão sistêmica e a razão comunicativa. As ações
deste momentos retomadas na Teoria da Ação Comunicativa, onde é
proposta uma mudança de paradigma, que substitui a filosofia da
consciência (Adorno e Horkheimer) por uma teoria da
intersubjetividade comunicativa.
A dupla face da cultura e a
discussão da indústria cultural
A individualidade gerada pela
expansão e fortalecimento do capitalismo ao longo da história,
principalmente nos seus momentos pós-guerras, foram
transformando o homem, um ser social, em um ser
individual, com a obrigação de ser cada vez mais produtivo.
Assim, os momentos de lazer
considerados como ócio, também viraram uma forma de gerar lucro.
Na tentativa de manter as pessoas distraídas da exploração a
qual estavam submetidas, os homens de negócio, transformaram o
tempo livre em mercadoria e um meio eficiente de difundir a
ideologia dominante.
Conforme Freitag (1986), a
separação da sociedade burguesa em dois mundos – o da reprodução
material da vida e o mundo espiritual das idéias, da arte, dos
sentimentos, etc (cultura), permitiu que fosse justificada na
sociedade moderna a grande exploração que os trabalhadores eram
submetidos na linha de montagem.
Em um momento em que tudo vira
mercadoria, o valor de uso substituído pelo valor de troca,
inclusive o próprio trabalhador, o conhecimento, os valores
gerados por ele e por toda a humanidade.
Numa sociedade onde as relações
sociais são mediatizadas pela mercadoria, também as obras de
arte, idéias, valores, são transformados em mercadorias. Este
deixa de ter o caráter único singular, deixa de ser a expressão
da genialidade, do sofrimento, da angústia de um produtor
(artista, poeta, escritor), para ser um bem de consumo coletivo,
destinado, desde o início, à venda, sendo avaliado segundo sua
lucratividade ou aceitação de mercado e não pelo seu valor
estético, filosófico, literário intrínseco. (FREITAG, 1986 p.
72)
Por outro lado, os bens culturais
apontam para um mundo melhor, onde se concretizam, conforme
Freitag (1986) “a felicidade, a liberdade e o amor à humanidade.
Esses ideais são tematizados em obras de arte, na produção
cultural, simbolizando a promessa de felicidade.
E na tentativa de se contrapor ao
que está constituído enquanto produção e reprodução cultural, a
teoria crítica, na posição de teoria estética seria a
única forma de se negar ao real estabelecido, na medida em que,
conforme Adorno afirma, “evitar a unidimensionalização e a
dissolução da arte no cotidiano” (FREITAG, 1986 p. 84).
(...) a teoria estética passa a
ser a última e única forma de resistência possível ao fechamento
geral das estruturas materiais e societárias. Ao desenvolver a
teoria estética, Adorno está, pois, teorizando sobre a arte, mas
ao mesmo tempo, lutando com a arma de sua nova teoria contra o
status quo alienador. (FREITAG, 1986 P. 84)
Compreendendo que Adorno cria um
impasse ao considerar a crítica no seu aspecto negativo, Habemas
propõe uma mudança de paradigma ao propor a sua Teoria da Ação
Comunicativa, onde a razão e a crítica emergiam de situações
dialógicas livres de repressão, centrados num sujeito do
conhecimento.
Teoria Crítica e educação: o
resgate da razão emancipatória
A análise crítica que fizeram os
frankfurtianos à sociedade capitalista, à Indústria Cultural, ao
processo de reificação e fetichização que sofre o homem sob a
égide do capital, trouxeram contribuições significativas à
produção filosóficos/científica e particularmente à educação, no
sentido de optar como filosofia educacional, pela emancipação
humana, política e social de seus partícipes.
Apesar de em muitos momentos da
sua produção intelectual, apresentarem somente a crítica e a
resistência como alternativas às distorções econômicas da
sociedade contemporânea e não proporem alternativas viáveis para
superação do sistema, a dialeticidade de seu pensamento e à
crítica à razão instrumental, deixa evidente que reafirmam a
razão emancipatória kantiana.
Conforme afirma Pucci (1994,
p.30), é a ânsia de buscar a verdade além dos fatos, de
denunciar totalitarismos, de clarificar as trevas da ignorância,
da barbárie, do fetiche, tudo o que ofusca o poder da
consciência, faz parte do coração e do cérebro da teoria
crítica.
No texto de Adorno (1959),
intitulado Teoria da semicultura, ele denuncia que a
pseudoformação, apesar de toda ilustração e informação que hoje
se difunde, passou a ser a forma dominante de consciência do
homem contemporâneo, o que siginifica que a popularização
da cultura nada tem a ver com democratização da cultura.
Ou seja, a formação cultural se converteu em semiformação
socializada, na onipresença do espírito alienado (Ramos de
Oliveira, 1992 p.41-45).
A Teoria Crítica representava
resistência aos modelos aracaicos de sociedade, aos
irracionalismos, à barbárie, ao autoritarismo, sugerindo para a
superação destas (contrariando seus críticos), o uso da razão, a
formação cultural, a educação, a arte.
Dessa forma, a Teoria Crítica
aparece como relevante para o estudo da educação devido a
natureza interdisciplinar que desafia a lógica das disciplinas
separadas e analisam isoladamente os objetivos de estudo.A
teoria crítica recusou-se a se situar em uma divisão de trabalho
arbitrária ou convencional e consequentemente, surge como uma
estrutura para entender educação,currículo e instrução, práticas
de ensino e políticas educacionais.
No seu caráter político, a teoria
crítica desafia a distinção do senso comum, oferecendo uma
análise sofisticada. A política é intimamente ligada ao poder,
preocupa-se com o controle dos meios de consumo, distribuição,
reprodução e acumulação de recursos simbólicos e materiais.
E ao se pensar a educação numa
perspectiva emancipatória, refere-se à ruptura com a estrutura
vigente, oferecendo em todos os níveis educacionais, da Educação
Infantil até o Ensino Superior possibilidades de emancipação e
autonomia... Tarefa árdua num mundo que busca dirigir e
controlar desde os meios de produção da existência, até o tempo
livre, as possibilidades de lazer, os desejos, os sonhos...
Inventado sempre novas e cada vez mais imprescindíveis
necessidades de consumo.
Pelo exposto acima, destaca-se que
o educador que pensa o seu fazer pedagógico à luz de uma teoria
crítica da educação, é um educador comprometido, antes de mais
nada, em romper com os padrões econômicos, sociais, políticos e
culturais dos sistema vigente, na perspectiva de construir uma
sociedade onde os bens produzidos pela humanidade sejam
distribuídos de forma mais justa.
Concluindo a Investigação
Esta investigação procurou
valorizar as contribuições dos pensadores da Escola de Frankfurt
para a educação, na medida em que a teoria crítica rompe com as
formas tradicionais e conservadoras de pensar e agir dentro da
sociedade.
Com a possibilidade de conhecer
como se deu a criação do Instituto de Pesquisa Social e as
influências que sofreram estes filósofos, a crítica feita à
sociedade industrial, à indústria cultural e as contraposições
da razão instrumental, se torna urgente que busquemos aprofundar
nossos estudos nesta linha filosófica no sentido de guiar a
nossa prática docente pautada na crítica, na busca por uma
educação emancipadora e na transformação social.
Buscamos fazer uma breve
contextualização da Escola de Frankfurt, desde sua criação em
1922, seus principais expoentes, bem como suas principais obras
e o conteúdo que perpassou a obra da maioria dos teóricos
frankfurtianos. Da mesma forma, procuramos relacionar a teoria
crítica com a educação, no sentido de pensar a educação como uma
forma de resistência aos modelos tradicionais, a partir de um
compromisso político/pedagógico.
Assim, esta Investigação se
apresenta como um convite para conhecer de forma mais profunda a
teoria crítica de educação e sociedade, considerada como uma
base teórica para nortear e embasar o fazer pedagógico dos
educadores comprometidos com a transformação da sociedade.
Referencias da investigação
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