O Atlas Escolar, um material didático presente nas aulas de
geografia, mas pouco explorado. Ele é um importante instrumento de
ensino aprendizagem da geografia no ambiente escolar. Novos estudos
vêm sendo desenvolvidos pela área de cartografia escolar no Brasil,
onde novos formatos de Atlas escolares estão sendo construídos e
testados.
Segundo AGUIAR (1997) Um Atlas pode ser definido como uma publicação
formada por um conjunto de mapas acompanhada, ou não, de diagramas,
textos explicativos, glossário, bibliografia e outros documentos
anexos, tais como bandeiras, informações a respeito de alguns países
ou orientações sobre como usá-lo. Os Atlas podem ser mundiais,
regionais, nacionais, escolares ou ainda, temáticos (climático, de
vegetação, da fauna...).
O Atlas escolar serve como apoio ao ensino nas aulas de Geografia e
no desenvolvimento de trabalhos. Em muitas escolas fazem parte da
lista de materiais a serem adquiridos e raramente faltam nas
bibliotecas escolares até mesmo nas pouco equipadas. Os Atlas
escolares apareceram no século XIX com a inclusão da Geografia nos
currículos escolares. Porém, “na maior parte das vezes, ele ainda
é um peso na mochila”, ou mesmo “um objeto pouco folheado nas
bibliotecas”. Isto porque muitos professores ainda não sabem
utilizar esse precioso instrumento para enriquecer suas aulas.
“Os Atlas geográficos vinculam-se a uma interface entre Geografia e
Cartografia e sua definição usual é a de uma coleção ordenada de
mapas com o propósito de representar um dado e expor um ou vários
temas.” (AGUIAR,1997, p.12).
Em seu Atlas Général,
publicado na França em 1894, Vidal de
la Blache
já tinha incluído encartes e diagramas em grande quantidade para
seguir a seguinte concepção: um Atlas que facilite as comparações e,
conseqüentemente, o entendimento e o conhecimento do espaço
geográfico.
LE SANN & ALMEIDA (2002) apresentam algumas idéias para o ensino com
Atlas geográficos. Como todo compêndio, um Atlas apresenta uma
organização dada por seu conteúdo. Os Atlas trazem, geralmente, uma
seqüência de pranchas que apresentam mapas temáticos, partindo de
planisférios para mapas continentais e, depois, regionais. Então, o
trabalho didático com Atlas deve começar por levar os estudantes a
aprender como “entrar”
em um Atlas
e saber o que podem encontrar aí. Os mais completos possuem um
índice analítico que possibilita localizar rapidamente o que se
deseja, indicando um nome, a que se refere, em que país fica, a
página e a quadrícula onde se encontra. Por exemplo, a seqüência
“Guaratuba Cid BRA (PR) 109 3B” pode ser assim entendida: “Guaratuba
Cid” significa que é o nome de uma cidade; “BRA (PR)” refere-se ao
Brasil (estado do Paraná); 109 é o número da página onde se encontra
essa cidade e 3B indica em que quadrícula.
As práticas de sala de aula devem possibilitar aos alunos:
- aprender a manusear o Atlas, iniciando pela consulta do índice;
- identificar as diferentes seções e seu conteúdo;
- perceber que o Atlas apresenta primeiro mapas de toda a superfície
da Terra, depois mapas que abrangem áreas menores, como continentes,
países e regiões;
- comparar mapas e estabelecer relações entre eles;
- perceber a distribuição geográfica dos fenômenos ou dos dados
mapeados.
Uma sugestão de atividade interessante e simples é pedir para os
alunos formarem grupos, usando vários exemplares do mesmo Atlas.
Eles devem abri-los nas páginas que apresentam os seguintes mapas
políticos: planisfério, continente americano, América do Sul,
Brasil, mapa da região brasileira onde se localiza a cidade na qual
os alunos moram. Os alunos devem justapor os Atlas nessa seqüência e
discutir as seguintes perguntas: O que acontece com as áreas
abrangidas, do primeiro para o último mapa? O que acontece com os
detalhes apresentados em cada um dos mapas? Irão perceber que os
detalhes aumentam conforme a área abrangida diminui. Por exemplo, no
mapa regional é possível ver cidades, rios, estradas etc. que não
apareciam nos mapas anteriores. Isso é chamado de generalização
cartográfica, que consiste na relação entre a área abrangida
pelo mapa e a quantidade de informação que ele apresenta. Esse
conceito está vinculado ao de escala, isto é, quanto mais uma
área é reduzida, menos detalhes podem ser incluídos e maior é a área
abrangida pelo mapa.
Em 1997, Valéria Aguiar chamava a atenção da comunidade científica
para a necessidade de produzir Atlas locais e municipais para
atender às necessidades de trabalhar os conceitos geográficos,
partindo do espaço vivido pelo aluno.
Nesse sentido, diversos professores e pesquisadores ligados ao grupo
de cartografia escolar no Brasil elaboraram Atlas locais. Desde o
início da década de 1990, vários foram os Atlas municipais escolares
produzidos no Brasil, destacamos Atlas Escolar Ijuí (1994), Atlas
Escolar de Gouveia (1997), Atlas Geográfico de Juiz de Fora (2000),
Atlas Escolar da Cidade do Rio de Janeiro (2002), Atlas Geográfico,
Histórico e Ambiental de Rio Claro (2002), e Atlas escolar de Santo
André (2005).
Com a intenção de contribuir para que outros também desenvolvam
Atlas para sua cidade, LE SANN & ALMEIDA (2002) apresentaram em seu
texto, disponível no site: www.saltoparaofuturo.gov.br, duas
experiências brasileiras de produção de Atlas escolares municipais
interativos, valem à pena conferir.
Os Atlas escolares devem estar mais presentes dentro da sala de aula
na disciplina escolar de geografia, seja no ensino fundamental como
no médio.
O desafio de produzir Atlas locais e municipais próprios se
transforma num grande desafio metodológico que pode envolver toda a
escola num trabalho interdisciplinar propiciando um ambiente de
ensino-aprendizagem ainda mais rico.
Referências
AGUIAR, V.T.B., Valéria. Atlas Geográfico Escolar de Juiz de
Fora. Juiz de Fora; ED. UFJF, 2000.
AGUIAR, V.T.B., Valéria. Os Atlas de Geografia: Peso na mochila
do aluno? In: Revista Geografia e Ensino, Belo Horizonte,
v. 6, n. 1. p. 39-42, 1997.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. (Org.) Cartografia Escolar. São
Paulo, Contexto, 2007.
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Atlas Municipal Escolar. Geográfico,
histórico, ambiental. Rio Claro - SP. Rio Claro: FAPESP:
Prefeitura Municipal de Rio Claro: UNESP – Campus de Rio Claro,
2002.
FERREIRA, Graça Maria Lemos; MARTINELLI, Marcello. Atlas
geográfico. Espaço mundial. São Paulo: Editora Moderna.
1999.
GECART-FSA. Atlas escolar de Santo André. Santo André, FSA,
2005.
LA BLACHE, Vidal de. Atlas Général. Paris: Librairie Armand
Colin, 1921.
(Primeira edição: 1984).
LESANN, J. G. Dar o peixe ou ensinar a pescar? Do papel do Atlas
escolar no Ensino Fundamental. Anais do II Colóquio Cartografia para
Crianças. In: Revista Geografia e Ensino, Belo Horizonte, v.
6, n.1. p. 31-34, março de 1997.
LESANN, Janine Gisèle; SILVA, Míriam Aparecida Bueno, MOURA, Ana
Clara Mourão. Atlas escolar de Gouveia. Diamantina:
Prefeitura Municipal de Gouveia, 1997. 2a ed.,
1998. 3a ed.,
1999.
RIO DE JANEIRO. Prefeitura Municipal. Atlas Escolar da Cidade do
Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de
Educação, Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, Gráfica
da Cidade, 2000.
Graduado e mestre em Geografia pela Universidade de São
Paulo (USP), mestre e doutorando em Geociências pela
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é
professor titular do Colegiado de Geografia do Centro
Universitário Fundação Santo André (FSA) e do Centro
Universitário Assunção (UNIFAI). Tem experiência na área de
Geografia, com ênfase em Ensino de Geografia e em
Cartografia, atuando principalmente nos seguintes temas:
ensino de geografia, geografia, cartografia, cartografia
escolar, turismo e formação de professores.