Resumo:
Esta produção leva o nome de ‘Aula de Filosofia’ por se
tratar de argumentos e informações relevantes aos princípios
educacionais da disciplina: filosofia. Inicio este
refletindo sobre a importância do ato de pensar a respeito
de temas filosóficos. O tema central desta aula é questionar
e refletir sobre a definição da filosofia e a sua utilidade.
Palavras-chave:
Filosofia, Sabedoria, Definição, Utilidade.
Introdução
Diferente dos animais, o homem é um ser
que age, que pensa conforme sua consciência e está no
direito de dizer que também, por mais simples que seja, é um
amigo da sabedoria. Digo isso porque é impossível que todo
homem, exceto os que são dotados de patologias mentais, são
capazes de pensar de forma lógica e possuem certo tipo de
olhar investigativo. São capazes de formular perguntas e de
dar respostas.
Não se pode atribuir que todas as
pessoas, que são capazes de questionar e de pensar de forma
lógica, são filósofos, pois indivíduos comuns são humanos
que carregam em si, em um momento ou em outro, uma
inquietação intelectual ou até mesmo um descontentamento com
o mundo através da forma de ver as coisas e com o modo de
viver.
Para os seres humanos que possuem
métodos (de investigação, de estudo, de análise) e que são
capazes de não permitir-se alienar pelo sistema de
organização mundial, podem ser considerados filósofos, pois
" o filosofo é, de
certa forma, um ‘exilado’: está-no-mundo,mas
luta para não se deixar possuir por ele e
procura salvar sua liberdade interior para
servir à verdade, como forma de engajamento,
como forma desse seu ser-no-mundo. É um
exilado que não é apenas um expectador." (ULHÔA,
2002: 09)
Em busca de uma definição
Uma pergunta extremamente complicada e
difícil de ser respondida com total precisão se refere às
diversas tentativas de conceituar e definir a filosofia. Mas
na verdade o que é a filosofia? Seria muito fácil dar uma
resposta curta, direta e nada satisfatória: filosofia é tudo
aquilo que os filósofos fazem. Mas o que é tudo aquilo que
os filósofos fazem?
Do grego philosophia (philos
= amante/amigo, sophia=saber) derivou-se a palavra
‘filosofia’, que, com este termo, entende-se um modo de
saber que se difere dos modos comuns, ou seja ‘filosofia’ é
amor a sabedoria, e o ‘filósofo’ é o amigo ou o amante do
saber. Entretanto essa definição vasta não carrega em si uma
especificidade satisfatória, pois se todos os homens que são
amigo do saber ou amantes do sabedoria são filósofos e o não
amantes não são!
Na atualidade qual é o significado
desta palavra? Qual é o valor atribuído a ela? Será que é
possível não ser tão abrangente em relação à definição da
filosofia?
Uma das tentativas que se tem
presenteado em discussões em Instituições de Ensino é que a
filosofia é uma forma de pensar, pensar de forma racional e
não aceitar definições, teorias e conhecimentos prontos e
acabados. Acredito que a Filosofia se origina de tudo aquilo
que existe, que é posto em julgamento, em critica, é tudo
aquilo que é posto em dúvida.
No meio educacional e no popular é
notado que a filosofia pode muito bem ter sido gerada a
partir do momento em que o homem adquiriu consciência de que
era um ser dotado de curiosidades e de alto poder
investigativo em relações aos outros seres vivos.
Seria até certo ponto bastante válido
dizer que a filosofia é o estudo do pensamento humano, porém
estudar o pensamento não é uma atividade exclusiva da
filosofia, pois, as demais ciências também se ocupam em
estudar o pensamento humano voltado para uma especificidade
a qual se busca.
Conforme Mondin a filosofia é "um
conhecimento, uma forma de saber e, como tal, tem sua esfera
particular de competência; sobre esta esfera busca adquirir
informações válidas, precisas e ordenadas. Mas enquanto é
fácil dizer qual é a esfera de competências das varias
ciências experimentais, não é igualmente cômodo delimitar o
campo de pesquisa próprio da filosofia."(1981: 05)
Segundo Palácios citando Ulhôa, afirma
que a filosofia é "um sistema coerente de conceitos e
princípios teóricos muito bem articulados entre si e
voltados para a explicação da essência da realidade e para a
fundamentação critica do próprio conhecimento" (1996: 34)
Mas será que todas as correntes
filosóficas se ocupam em investigar e estudar a essência da
realidade e de todas as coisas? Para responder essa questão
basta vasculhar na longa historia da filosofia e
vislumbraremos que "nem todas as filosofias pretendes
explicar essências; há algumas que não só negam a
possibilidade de as conhecermos, mas negam as existências
mesma de tais essências."(PALÁCIOS, 1996: 34)
Segundo Mondin (1981: 05) esclarece que
a filosofia tem sua definição e seu conceito diferente para
cada filósofo pois, cada filosofo possuem características
singulares na forma de pensar e de ver o mundo. Deste modo
ele cita que
"Aristóteles, o
primeiro a pesquisar rigorosamente e
sistematicamente a natureza desta
disciplina, diz que a filosofia
estuda as causas ultimas de todas as
coisas’. Cícero define filosofia
como sendo ‘o estudo das causas
humanas e divina das coisas’.
Descartes afirma que a filosofia
‘ensina a bem raciocinar’. Hegel
concebe a filosofia como ‘saber
absoluto’. Whitehead julga que seja
tarefa da filosofia ‘fornecer uma
explicação orgânica do universo’."
Se formos buscar em toda a historia da
filosofia encontraremos diversas definições a respeito da
questão. Com isso é importante dizer que "se todos tivessem
a mesma compreensão do que é filosofia, não haveriam
correntes filosóficas antagônicas e tampouco haveria debate
filosófico" (PALÁCIOS, 1996: 38)
A palavra filosofia no decorrer da
história da humanidade adquire várias definições e ganha uma
imensa dimensão são inúmeras as reflexões sobre tal tema e
historicamente a palavra ganha uma amplitude de difícil
definição.
Já que está sendo tão árduo pesquisar e
definir qual é a verdadeira e a cabível definição do que é a
filosofia. Será tão dolorido e penoso fazer uma ou mais
tentativas de busca da sua utilidade?
Em busca de uma utilidade
Qual é a função da filosofia? Qual é a
sua utilidade para o mundo? Qual é a sua importância para a
evolução dos seres humanos?
Pois bem, para responder tais perguntas
é necessário afirmar que "o que se quer dizer, porém, é que
seja em que campo for, a filosofia é sempre teórica" (ULHÔA,
2002: 08)
Em relação as questões e as dúvidas
filosóficas filosóficos, Mondin (1981) afirma que existem os
seguintes problemas: Lógico – Gnosiológico – Lingüístico –
Cosmológico – Antropológico – Metafísico – Religioso – Ético
– Pedagógico - Político e social – Estético – Histórico –
Axiológico - Cultural. Porem existem outros problemas
filosóficos que são originados com o passar do tempo. E os
principais sistemas filosóficos são: Escola Jônica; Escola
de Eléia; Escola Atomística; Escola Sofista; Escola
Platônica; Escola Aristotélica; Escola Estóica; Escola
Epicurista; Escola Neoplatonica; Escola Agostiniana; Escola
Tomista; Escola Franciscana; Escola Racionalista; Escola
Empirista; Escola Iluminista; Escola Idealista; Escola
Voluntarista; Escola Positivista; Escola Marxista; Escola
Existencialista e Escola Neopositivista.
Nas mais variadas escolas e correntes
filosóficas é importante dizer que nenhuma das teorias
criadas e originadas nos sistemas filosóficos (escolas
filosóficas) podem ser cobrados em relação a sua eficácia na
aplicação prática, pois
"Não é essa a
função delas, ou seja não é função
delas dar receitas. Assim por
exemplo, quando a ética trata da
moral , ela o faz tomando esta
ultima como objeto teórico, ou seja,
como algo que é para ser explicado,
para ser esclarecido no que é, algo
cujo ser deve ser elucidado" (ULHÔA,
2002: 08)
A filosofia não se preocupa
exclusivamente em se tornar a ditadora de todas as ciências
e de todas as definições porque "ela não está preocupadas em
ditar normas, em fazer recomendações (...) sua preocupação,
ou seja, a intensão filosófica é a de ver o que a coisa é
(coisa aqui no sentido de objeto)." (ULHÔA, 2002: 08)
O valor da filosofia é muito rico em
qualquer contexto histórico da civilização humana, pois a
atuação filosófica é a reflexão sobre a realidade, seja qual
for, descobrindo e até redescobrindo a importância da
sabedoria em si, ou seja, "é para isso que serve a
filosofia, ou seja, ela é um instrumento de que a razão
humana se utiliza para tentar compreender o mundo, o
conjunto de nossas experiências, a Lebnswelt, a
própria razão." (ULHÔA, 2002: 08)
Considerações finais
No decorrer de toda a história foi
possível perceber que os conceitos e as definições acerca da
palavra "filosofia" são amplos e dinâmicos. Isso implica que
o objeto de estudo da filosofia pode ser o ‘tudo’ porque
todas as coisas e acontecimentos podem ser estudados,
analisados em nível filosófico, pois a filosofia estuda de
forma exaustiva toda a realidade. E sendo assim, somente a
filosofia se ocupa dos problemas gerais e universais do
mundo sem ter em si uma particularidade exclusiva. Desta
forma toda tentativa de definir o que é filosofia e qual é o
seu papel está condenado ao fracasso.
Referências bibliográficas
MONDIN, Battista. Introdução a
Filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. 9ª
edição. São Paulo: Paulus, 1981.
PALÁCIOS, Gonçalo Armijos.
Filosofia, impossível defini-la. Revista Filósofos.
Universidade Federal de Goiás. V. 01. Nº 01. Goiania-GO:
Editora da UFG, jan/jun 1996. pp. 33-51
ULHÕA, Joel Pimentel. Filosofia:
para que serve? Revista Fragmentos de Cultura.
Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás; Sociedade Goiana
de Cultura/Universidade Católica de Goiás (UCG) V.12.
Especial. Goiania-GO: Editora da UCG, out. 2002.