.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 17/02/2007 10:43:24 

  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 Educação

Aula de Filosofia: a impossibilidade de uma definição definitiva
Por Leonardo Mendes Bezerra

Resumo: Esta produção leva o nome de ‘Aula de Filosofia’ por se tratar de argumentos e informações relevantes aos princípios educacionais da disciplina: filosofia. Inicio este refletindo sobre a importância do ato de pensar a respeito de temas filosóficos. O tema central desta aula é questionar e refletir sobre a definição da filosofia e a sua utilidade.

Palavras-chave: Filosofia, Sabedoria, Definição, Utilidade.

 

Introdução

Diferente dos animais, o homem é um ser que age, que pensa conforme sua consciência e está no direito de dizer que também, por mais simples que seja, é um amigo da sabedoria. Digo isso porque é impossível que todo homem, exceto os que são dotados de patologias mentais, são capazes de pensar de forma lógica e possuem certo tipo de olhar investigativo. São capazes de formular perguntas e de dar respostas.

Não se pode atribuir que todas as pessoas, que são capazes de questionar e de pensar de forma lógica, são filósofos, pois indivíduos comuns são humanos que carregam em si, em um momento ou em outro, uma inquietação intelectual ou até mesmo um descontentamento com o mundo através da forma de ver as coisas e com o modo de viver.

Para os seres humanos que possuem métodos (de investigação, de estudo, de análise) e que são capazes de não permitir-se alienar pelo sistema de organização mundial, podem ser considerados filósofos, pois

" o filosofo é, de certa forma, um ‘exilado’: está-no-mundo,mas luta para não se deixar possuir por ele e procura salvar sua liberdade interior para servir à verdade, como forma de engajamento, como forma desse seu ser-no-mundo. É um exilado que não é apenas um expectador." (ULHÔA, 2002: 09)

 

Em busca de uma definição

Uma pergunta extremamente complicada e difícil de ser respondida com total precisão se refere às diversas tentativas de conceituar e definir a filosofia. Mas na verdade o que é a filosofia? Seria muito fácil dar uma resposta curta, direta e nada satisfatória: filosofia é tudo aquilo que os filósofos fazem. Mas o que é tudo aquilo que os filósofos fazem?

Do grego philosophia (philos = amante/amigo, sophia=saber) derivou-se a palavra ‘filosofia’, que, com este termo, entende-se um modo de saber que se difere dos modos comuns, ou seja ‘filosofia’ é amor a sabedoria, e o ‘filósofo’ é o amigo ou o amante do saber. Entretanto essa definição vasta não carrega em si uma especificidade satisfatória, pois se todos os homens que são amigo do saber ou amantes do sabedoria são filósofos e o não amantes não são!

Na atualidade qual é o significado desta palavra? Qual é o valor atribuído a ela? Será que é possível não ser tão abrangente em relação à definição da filosofia?

Uma das tentativas que se tem presenteado em discussões em Instituições de Ensino é que a filosofia é uma forma de pensar, pensar de forma racional e não aceitar definições, teorias e conhecimentos prontos e acabados. Acredito que a Filosofia se origina de tudo aquilo que existe, que é posto em julgamento, em critica, é tudo aquilo que é posto em dúvida.

No meio educacional e no popular é notado que a filosofia pode muito bem ter sido gerada a partir do momento em que o homem adquiriu consciência de que era um ser dotado de curiosidades e de alto poder investigativo em relações aos outros seres vivos.

Seria até certo ponto bastante válido dizer que a filosofia é o estudo do pensamento humano, porém estudar o pensamento não é uma atividade exclusiva da filosofia, pois, as demais ciências também se ocupam em estudar o pensamento humano voltado para uma especificidade a qual se busca.

Conforme Mondin a filosofia é "um conhecimento, uma forma de saber e, como tal, tem sua esfera particular de competência; sobre esta esfera busca adquirir informações válidas, precisas e ordenadas. Mas enquanto é fácil dizer qual é a esfera de competências das varias ciências experimentais, não é igualmente cômodo delimitar o campo de pesquisa próprio da filosofia."(1981: 05)

Segundo Palácios citando Ulhôa, afirma que a filosofia é "um sistema coerente de conceitos e princípios teóricos muito bem articulados entre si e voltados para a explicação da essência da realidade e para a fundamentação critica do próprio conhecimento" (1996: 34)

Mas será que todas as correntes filosóficas se ocupam em investigar e estudar a essência da realidade e de todas as coisas? Para responder essa questão basta vasculhar na longa historia da filosofia e vislumbraremos que "nem todas as filosofias pretendes explicar essências; há algumas que não só negam a possibilidade de as conhecermos, mas negam as existências mesma de tais essências."(PALÁCIOS, 1996: 34)

Segundo Mondin (1981: 05) esclarece que a filosofia tem sua definição e seu conceito diferente para cada filósofo pois, cada filosofo possuem características singulares na forma de pensar e de ver o mundo. Deste modo ele cita que

"Aristóteles, o primeiro a pesquisar rigorosamente e sistematicamente a natureza desta disciplina, diz que a filosofia estuda as causas ultimas de todas as coisas’. Cícero define filosofia como sendo ‘o estudo das causas humanas e divina das coisas’. Descartes afirma que a filosofia ‘ensina a bem raciocinar’. Hegel concebe a filosofia como ‘saber absoluto’. Whitehead julga que seja tarefa da filosofia ‘fornecer uma explicação orgânica do universo’."

Se formos buscar em toda a historia da filosofia encontraremos diversas definições a respeito da questão. Com isso é importante dizer que "se todos tivessem a mesma compreensão do que é filosofia, não haveriam correntes filosóficas antagônicas e tampouco haveria debate filosófico" (PALÁCIOS, 1996: 38)

A palavra filosofia no decorrer da história da humanidade adquire várias definições e ganha uma imensa dimensão são inúmeras as reflexões sobre tal tema e historicamente a palavra ganha uma amplitude de difícil definição.

Já que está sendo tão árduo pesquisar e definir qual é a verdadeira e a cabível definição do que é a filosofia. Será tão dolorido e penoso fazer uma ou mais tentativas de busca da sua utilidade?

 

Em busca de uma utilidade

Qual é a função da filosofia? Qual é a sua utilidade para o mundo? Qual é a sua importância para a evolução dos seres humanos?

Pois bem, para responder tais perguntas é necessário afirmar que "o que se quer dizer, porém, é que seja em que campo for, a filosofia é sempre teórica" (ULHÔA, 2002: 08)

Em relação as questões e as dúvidas filosóficas filosóficos, Mondin (1981) afirma que existem os seguintes problemas: Lógico – Gnosiológico – Lingüístico – Cosmológico – Antropológico – Metafísico – Religioso – Ético – Pedagógico - Político e social – Estético – Histórico – Axiológico - Cultural. Porem existem outros problemas filosóficos que são originados com o passar do tempo. E os principais sistemas filosóficos são: Escola Jônica; Escola de Eléia; Escola Atomística; Escola Sofista; Escola Platônica; Escola Aristotélica; Escola Estóica; Escola Epicurista; Escola Neoplatonica; Escola Agostiniana; Escola Tomista; Escola Franciscana; Escola Racionalista; Escola Empirista; Escola Iluminista; Escola Idealista; Escola Voluntarista; Escola Positivista; Escola Marxista; Escola Existencialista e Escola Neopositivista.

Nas mais variadas escolas e correntes filosóficas é importante dizer que nenhuma das teorias criadas e originadas nos sistemas filosóficos (escolas filosóficas) podem ser cobrados em relação a sua eficácia na aplicação prática, pois

"Não é essa a função delas, ou seja não é função delas dar receitas. Assim por exemplo, quando a ética trata da moral , ela o faz tomando esta ultima como objeto teórico, ou seja, como algo que é para ser explicado, para ser esclarecido no que é, algo cujo ser deve ser elucidado" (ULHÔA, 2002: 08)

A filosofia não se preocupa exclusivamente em se tornar a ditadora de todas as ciências e de todas as definições porque "ela não está preocupadas em ditar normas, em fazer recomendações (...) sua preocupação, ou seja, a intensão filosófica é a de ver o que a coisa é (coisa aqui no sentido de objeto)." (ULHÔA, 2002: 08)

O valor da filosofia é muito rico em qualquer contexto histórico da civilização humana, pois a atuação filosófica é a reflexão sobre a realidade, seja qual for, descobrindo e até redescobrindo a importância da sabedoria em si, ou seja, "é para isso que serve a filosofia, ou seja, ela é um instrumento de que a razão humana se utiliza para tentar compreender o mundo, o conjunto de nossas experiências, a Lebnswelt, a própria razão." (ULHÔA, 2002: 08)

 

Considerações finais

No decorrer de toda a história foi possível perceber que os conceitos e as definições acerca da palavra "filosofia" são amplos e dinâmicos. Isso implica que o objeto de estudo da filosofia pode ser o ‘tudo’ porque todas as coisas e acontecimentos podem ser estudados, analisados em nível filosófico, pois a filosofia estuda de forma exaustiva toda a realidade. E sendo assim, somente a filosofia se ocupa dos problemas gerais e universais do mundo sem ter em si uma particularidade exclusiva. Desta forma toda tentativa de definir o que é filosofia e qual é o seu papel está condenado ao fracasso.

Referências bibliográficas

MONDIN, Battista. Introdução a Filosofia: problemas, sistemas, autores, obras. 9ª edição. São Paulo: Paulus, 1981.

PALÁCIOS, Gonçalo Armijos. Filosofia, impossível defini-la. Revista Filósofos. Universidade Federal de Goiás. V. 01. Nº 01. Goiania-GO: Editora da UFG, jan/jun 1996. pp. 33-51

ULHÕA, Joel Pimentel. Filosofia: para que serve? Revista Fragmentos de Cultura. Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás; Sociedade Goiana de Cultura/Universidade Católica de Goiás (UCG) V.12. Especial. Goiania-GO: Editora da UCG, out. 2002.

 

Leonardo Mendes Bezerra é especialista em Docência Universitária pela Faculdade de Goiás – FAGO. Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás – UCG.
e-mail: lydimo@hotmail.com 

 



 

© copyright Revista P@rtes 2000-2006
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil