INTRODUÇÃO
O blog é
hoje
uma
forma
de publicação na web de
fácil
acesso
que
oferece
opções
de se
trabalhar
além
do
conteúdo,
mas
também
a
autonomia,
o
respeito
pela
opinião
do
outro,
o
trabalho
em
equipe,
construção
coletiva
e a
inclusão
social.
O blog é
um
ambiente
aberto,
não
foi
desenvolvido
para
um
uso
educacional,
mas
se afirmamos
que
a
educação
deve
preparar
o
aluno
para
a
vida,
e
oferecer
situações
que
o
aluno
seja
capaz
de
resolver
problemas
e
fazer
escolhas
os blogs podem
ser
um
meio
de se
trabalhar
os
valores,
esse
contato
com
uma
comunidade
virtual
que
nos
apresenta diversas
escolhas,
que
além
do
conteúdo
a
ser
desenvolvido
podemos
aproveitar
a
tecnologia
para
aproximar
pessoas,
que
a
máquina
pode
ser
utilizada
pra
expressar
sentimentos.
Atrás
do
computador
têm uma
pessoa
com
emoções,
medos,
angústias,
sonhos
e
conhecimentos
a
compartilhar.
O
uso
de
ferramentas
como
o blog
para
aumentar
o
interesse
pela
aula
é
extremamente
significativo,
mas
também
muito
complexo,
porque
não
existem
receitas
prontas de
como
fazer
funcionar
de
forma
eficaz.
É
um
exercício
de
erros
e
acertos,
mas
que
não
deve
ser
deixado de
lado,
pois
seu
uso
pode
trazer
benefícios
para
os
educandos
e
auxiliar
no
processo
de
reflexão
e
construção
do
conhecimento.
Também
possibilita ao
professor
estar
constantemente
aperfeiçoando-se e refletindo
sobre
sua
prática,
já
que
os
alunos
questionarão
mais,
pois
serão
sujeitos
do
processo
e
não
meros
receptores.
A
utilização
da
tecnologia
para
favorecer
o
processo
de
ensino
aprendizagem deve
criar
uma
rede
de
informações
favorecendo a
construção
do
conhecimento.
A
reflexão
sobre
redes
e
sua
natureza
na
sociedade
humana
é,
deveras,
bastante
ampla,
encontrando
ressonância
em
todos
os
campos
das
ciências.
Nesse
sentido,
é
importante
referenciar
o
que
pensa
CAPRA (1996)
sobre
esse
assunto.
Para
o
autor,
a
rede
é
um
elemento
intrínseco
do
ser
humano,
sendo
parte
da
constituição
do
homem
desde
seu
nascimento
até
sua
morte.
A essa
idéia
se
soma
a
questão
virtual
que,
paulatinamente,
vem integrando a
humanidade
numa
nova
rede
de
relações
que
passa
também
a
ser
da
nossa
constituição
e
natureza.
As
comunidades
virtuais
são,
nesse
caso,
um
dos
elementos
desse
fenômeno
com
explicações
que
transcendem o
entendimento
no
campo
da
educação.
DESENVOLVIMENTO
Considerando a realidade que a escola está inserida
desenvolvemos atividades relacionando o ensino de ciências com as
situações reais da comunidade, assim as interações feitas nos blogs
foram para divulgar o trabalho, mobilizar os alunos para participar
das companhas de reciclagem de lixo, reaproveitamento do óleo de
cozinha para fazer sabão, além de atividades que fizeram os alunos
refletirem sobre o conteúdo da disciplina relacionado a temas
atuais.
A escola onde as referidas experiências foram vivenciadas
está situada à Vila Pôr-do-Sol, numa região de ocupação, nascida da
antiga fazenda Santa Marta, local que um grupo de famílias
pertencentes ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia ocupou em
dezembro de 1991. Atualmente, o local é de propriedade do Estado do
Rio Grande do Sul e está em processo de regularização fundiária. A
escola nasceu com a intenção de transformar a vida e a situação das
crianças e dos jovens, especialmente dos menos favorecidos,
oferecendo-lhes uma educação integral, humana e espiritual, baseada
em um amor pessoal para com cada um deles. Os alunos, em sua maioria
só têm contato com a tecnologia do computador no ambiente da escola
e este trabalho mostra aos educandos uma nova visão de mundo, novas
possibilidades e perspectivas.
Antes de iniciar o trabalho foi realizada uma pesquisa em
diversos blogs utilizados para fins educacionais onde foi possível
perceber o crescente número de professores que estão ingressando em
comunidades virtuais em busca de conhecimento e atualização. O
interesse dos alunos quando se deparam com as possibilidades
oferecidas pelo ciberespaço, surgindo assim a questão de como
aproveitar ao máximo esse recurso e quais as direções, guiados nessa
reflexão pelo pensamento de CASTELLS (1999, p.436) sobre o
surgimento de um novo sistema de comunicação global que “está
mudando e mudará para sempre nossa cultura” atribuindo à tecnologia
as mudanças culturais a ela associada.”
É importante que os educadores estejam inseridos no seu contexto de
trabalho e que consigam relacionar os conteúdos de ciências com a
realidade na qual seus alunos vivem, pois desta forma, eles poderão
ter voz ativa no processo de aprendizagem, pois terão, com certeza
muitas coisa para falar. Outro fator importante é que os professores
percebam que a utilização de vários recursos de ensino podem tornar
suas aulas mais interessantes, participativa e conseqüentemente mais
proveitosa pelos alunos, deixando assim, os conteúdos de ciências
mais significativos.
RESULTADOS
Nas aulas de ciências a utilização do blog favoreceu
discussões sobre a situação ambiental no mundo, do estado e
principalmente sobre a comunidade em que os educandos vivem. Além
disso, a utilização do blog possibilitou a integração dos educandos
entre si, bem como entre os educandos e a professores e também a
reflexão e utilização de outras formas de ensino pela professora. A
utilização de alternativas, juntamente com uma formação continuada
pode tornar as aulas mais interessantes e instigantes para os
alunos, fazendo assim, que estes permaneçam na escola. Pode
possibilitar ainda aos alunos tornarem-se pessoas mais críticas em
relação aos acontecimentos do seu cotidiano, Também possibilitou aos
alunos saírem do ambiente da sala de aula, o que para eles sempre
foi motivo de alegria.
Podemos observar a opinião dos alunos conforme os
comentários no Blog: Descobrindo e Compartilhando (2008)
OI! Nós gostamos muito das atividades do laboratório de ciências,
mas preferimos a atividade que fizemos do QUEIJO e do IORGUTE. Bom o
que aprendemos com esse projeto foi ótimo para todos nós. O que mais
gostamos de aprender foi a experiência dos
fungos(Balão,fermento...). Uma das nossa sugestões para o próximo
semestre é que tenhamos mais aulas praticas.
Nós curtimos muito criar a paródia, mais precisamente fizemos sobre
as bactérias, para falar com argumentos, gostamos porque tivemos que
nos aprofundar melhor nos conteúdos do nosso tema(bactérias), nós
tínhamos que resumir o conteúdo fazendo com que as palavras tivessem
sentido e que rimassem uma com as outras. Com isso o conteúdo mal
entendido foi esclarecido.
Percebemos que a cada atividade que realizamos utilizando
os blogs como uma fonte de interação entre alunos, professores e
conteúdo eles se tornam mais críticos e autônomos, expressando seu
pensamento com a consciência que sua participação será para
enriquecer o trabalho do grupo.
A utilização dos blogs favoreceu também aos educandos tornarem-se
mais reflexivos e críticos em relação aos assuntos e notícias lidas
e estudadas por eles, além de possibilitar a integração com outros
educandos.
CONCLUSÃO
Conceber o ensino de ciências com outras características
exige repensar os conteúdos que hoje são ensinados nas escolas,
estabelecer novas relações, definir critérios para, selecionar, para
fazer opções que o tornem significativo; exige, especialmente que o
professor tenha clareza de que esta capacitando o aluno para um
viver mais completo.
Os saberes para ensinar, são aqueles que os professores constroem no
processo de desenvolvimento pessoal e profissional, duram a vida
toda e são mobilizados no seu cotidiano, quando estão às voltas com
o ato de ensinar, criando estratégias de ação diferenciadas,
construindo assim, a crítica no educando para que ele se perceba
como um indivíduo questionador. Ensinar, tendo presente que os
alunos já pensaram sobre o tema, ou sobe algo relacionado a ele,
passa ser uma tarefa muito mais dinâmica e original do que aquela do
professor enciclopédia.
Segundo André Giordan (1996) as investigações em Didática
das Ciências têm introduzido mudanças nas idéias existentes sobre o
papel de quem aprende e nas definições de saber. Em geral, esses
estudos lidam com a noção de um aluno ator, que constrói no curso de
sua história social, seu saber. Este saber vai sendo construído a
partir de interações que podem ser confrontos, integrações – entre
as representações pessoais e informações obtidas nos diferentes
contextos que vive (familiares, escolares...)
Aturdido com os apelos da vida diária, as necessidades
imediatas da escola, o professor, muitas vezes, sucumbe à rotina e
opta pelo caminho mais fácil, pela metodologia mais à “mão”, muitas
vezes, resumida ao que o livro didático propõe.
O desejo de mudança da prática pedagógica se amplia na
sociedade da informação quando o docente se depara com uma nova
categoria do conhecimento, denominada digital. Segundo Pierre Lévy
(1993), “o conhecimento poderá ser apresentado de três formas
diferentes: a oral, a escrita e a digital”. Embora as três formas
coexistam, torna-se essencial reconhecer que a era digital vem se
apresentando com uma significativa velocidade de comunicação
A aquisição de informação, dos dados dependerá cada vez
menos do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens,
músicas, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor –
o papel principal – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a
relacioná-los, a contextualizá-los. Sobre a formação docente Nóvoa,
afirma que:
Portanto, uma perspectiva para a formação do professor é a
formação-ação proposta: É preciso trabalhar no sentido diversificado
dos modelos e das práticas de formação, instituindo novas relações
dos professores com o saber pedagógico e cientifico. A formação
passa pela experimentação, pela inovação, pelo ensaio de novos modos
de trabalho pedagógico. E por uma reflexão crítica sobre a sua
utilização. A formação passa por processos de investigação,
diretamente articulados com as práticas educativas (1992, p.28)
Na
perspectiva transformadora de uso das TIC’s na educação, o professor
é desafiado a assumir uma postura de aprendiz ativo, crítico e
criativo, constante pesquisador sobre o aluno, seu nível de
desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo, sua forma de
linguagem, expectativas e necessidades, seu contexto e cultura.
A partir de uma mudança pessoal e profissional é que se
começa a refletir sobre a mudança da escola tradicional para uma
escola que incentive a imaginação, a leitura prazerosa, a escrita
criativa, favorecendo a iniciativa, a espontaneidade, o
questionamento e a inventividade, de maneira a promover e vivenciar
a cooperação, o diálogo, a partilha e a solidariedade.
Capra
(1996) afirma há a necessidade de uma mudança radical em nossas
percepções, no nosso pensamento e nos nossos valores. Porém, ainda
não há há o reconhecimento da necessidade dessa mudança por parte
dos líderes das corporações, nem dos administradores e professores
universitário. Ele prega a mudança da visão de mundo mecanicista de
Descartes e de Newton para uma visão holística, ecológica,
sustentando que as únicas soluções viáveis, do ponto de vista
sistêmico, são as sustentáveis, ou seja, aquelas que propõem
soluções aso problemas sem inviabilizar as perspectivas das gerações
futuras. O mundo, assim seria uma rede de fenômenos interconectados
e interligados, e não uma coleção de objetos isolados. Parece
evidente, então, como nos diz (Bruschi), que o olhar dos educadores
tem de ultrapassar a “arvore’ que esta a sua frente para que possa
atingir a visão mais totalizante da “floresta”.
Cabe, desta forma, ao professor assumir o papel de
protagonista da sua própria formação devendo refletir sobre sua
própria prática para superar os obstáculos e aperfeiçoar o processo
de ensino – aprendizagem, possibilitando assim um ensino mais
reflexivo e autônomo.
REFERÊNCIAS
[1]
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394,
20 de dezembro de 12996.
[2]
BRASIL. Ministérios da educação e do Desporto. Parâmetros
Curriculares Nacionais: Ciências Naturais. Brasília; MEC, 1998.
[3]
BRUSCHI, Odir. Ensino de Ciências e qualidade de vida: inquietações
de um professor. Passo Fundo: UPF, 2002.
[4]
CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida. Ed. Cultrix: São Paulo-SP, 1996.
DESCOBRINDO E COMPARTILHANDO,
Mundo Científico: Conhecendo os
seres vivos. Disponível em: <http://turmadasantamarta.blogspot.com/>.
Acesso em: 05 de setembro de 2008.
[5]
FAZENDA, Ivani C. Interdisciplinaridade: história, teoria e
pesquisa. São Paulo: Papirus, 1994.
[6]
FERREIRA, Maria Beatriz. A lei 9394/96 e o contexto da formação do
alfabetizador. In: RIBAS, Marina Holzmann (org.). Formação de
Professores: escolas, práticas e saberes. Ponta Grossa: Ed. UEPG,
2005.
[8]
LÉVI, Pierre. A inteligência coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
[9]
_____.As tecnologias da inteligência. O futuro do pensamento na era
da informática, São Paulo, 1993.
[10]
NEGROPONTE, Nicholas. A Vida Digital. São Paulo. São Paulo. Cia das
Letras, 1995.
[11]
VALENTE, José Armando. O Computador na Sociedade do Conhecimento.
Campinas: UNICAMP/NIED, 1999.
_________. O uso inteligente do computador na educação. Disponível
em: <htpp://www.proinfo.gov.br/> Acesso em: 01 de abril de 2007.
[12]
VIEIRA, Martha Barcellos & LUCIANO, Naura Andrade. Construção e
Reconstrução de um Ambiente de Aprendizagem para Educação à
Distância. Disponível e <http://www2.abed.org.br/visualizaDocumento.asp?Documento_ID=28>.
Acesso em: 05 de setembro de 2008.
[13]
KRASILCHIK, M. O professor e o currículo das ciências. São Paulo:
EPU/EDUSP, 1987.
[14]
WORTMANN, M. L. Currículo e Ciências: as especificidades pedagógicas
do ensino de ciências. In: COSTA, M. V. (org). O currículo nos
limiares do contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.