Nos primeiros meses de um ano letivo, muitas novidades são
vivenciadas pela maioria dos estudantes como novos colegas,
professores diferentes, livros e cadernos limpos e bonitos,
materiais novinhos em folha, e, em alguns casos, mudança de escola e
até de metodologia. A cada ano, no retorno às aulas, novas
expectativas são trazidas e juntamente com estas, as promessas de
estudar mais são renovadas.
No final do 1º bimestre para algumas escolas, e do 1º trimestre
para outras, os alunos recebem o boletim com os primeiros resultados
obtidos no ano. Os relatórios das avaliações, embora tenham
características diferentes dependendo da instituição, da abordagem
teórica ou mesmo das políticas educacionais vigentes, permitem o
conhecimento do desempenho acadêmico do aluno e possibilitam um
processo de reflexão sobre os caminhos que deverão ser percorridos.
O momento da entrega dos boletins ou avaliações, principalmente
para os pais, gera nos estudantes sentimentos que, dependendo de
como transcorreu aquele período, podem ser de medo, alegria,
tranqüilidade, frustração e, muitas vezes, até de uma sensação de
incapacidade. Quando as notas não são boas, é comum que, ao
apresentar o boletim, o aluno procure justificar o fracasso, às
vezes culpando o professor de não saber explicar, ou de ser
injustiçado e, até mesmo, perseguido por um determinado professor ou
por todos. Quando são boas, chegam logo dizendo "está vendo, eu não
disse que este ano seria diferente?" Ou ainda exigindo alguma
recompensa material. Quando as notas são baixas, o discurso muda, e
se justifica dizendo que ainda está no começo do ano e que, no
próximo boletim, ele vai recuperar, podendo assumir também o papel
de vítima, muitas vezes, pedindo aos pais
irem à escola para defendê-lo.
Independente do que retrata o boletim, nesse momento é oportuno que
se faça uma análise do desempenho escolar apresentado, e que se
aproveite para ajudar o filho a se conscientizar de seus
compromissos e responsabilidades como estudante.
O bom rendimento deve ser valorizado para que a criança sinta-se
incentivada a estudar e continuar correspondendo às expectativas de
aprofundar seus conhecimentos e, assim, poder ir interiorizando que
a aprendizagem possibilita a autonomia e que esta é o melhor caminho
para que o indivíduo possa construir sua independência. O fato de a
criança tirar notas altas não pode ser motivo para barganhar
presentes, mas é essencial que ela sinta que o que está fazendo é o
melhor para ela, e este deve ser seu maior ganho.
Caso o boletim retrate uma situação com resultados aquém do
esperado, pais e filhos precisam encontrar, por meio de um diálogo
franco, o caminho que deve ser percorrido para vencer as barreiras.
Não há problema algum em apresentar dificuldades, desde que elas
sejam encaradas, e a busca da superação seja o objetivo maior.
Muitas vezes, o insucesso é conseqüência do fato de a criança não
saber estudar, e, neste caso, se os pais não se sentirem capazes de
ajudá-los, é aconselhável que busquem orientação da escola, que pode
ajudar, não só quanto às formas de estudo, mas também em relação ao
seu entrosamento no grupo. Isso pode provocar alterações na sua vida
escolar, apresentando ao aluno a sistemática na qual está inserido,
e fazendo-o perceber qual seu papel nela, possibilitando assim um
melhor rendimento.
Deve-se, também, avaliar a questão da adaptação do aluno à
modalidade de ensino que está sendo aplicada na escola,
principalmente se o aluno mudou de escola ou se houve mudança na
proposta pedagógica.
Por outro lado, aquelas crianças que apresentam dificuldades de
aprendizagem e necessitam serem acompanhadas mais de perto, o
boletim sinaliza onde seus esforços devem ser canalizados. Em muitos
casos, a indicação de uma avaliação psicopedagógica é aconselhável
para que alternativas sejam discutidas, a fim de que a escolaridade
da criança que estiver apresentando uma defasagem em relação ao seu
grupo de classe, seja menos fragmentada, menos sofrida e causar
menos danos à auto-estima.
No entanto, mais do que se fixar nos resultados apresentados no
boletim, importa acompanhar a vida escolar da criança ou
adolescente, estar atento às oscilações de rendimento, analisar as
razões que podem estar prejudicando o desempenho, procurar, sem
pré-julgamentos, definir o problema, para que se busquem estratégias
apropriadas e individualizadas, uma vez que cada situação é única e,
em se tratando do processo ensino-aprendizagem, as generalizações
são improdutivas e podem ser perigosas. E bom lembrar que todos têm
capacidades e habilidades que precisam ser definidas e estimuladas.