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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 14 de maio de 2008 17:56:25                                               

 
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EDUCAÇÃO
O boletim chegou e agora?  

Quézia Bombonatto

publicado em 14/05/2008

 

Nos primeiros meses de um ano letivo, muitas novidades são vivenciadas pela maioria dos estudantes como novos colegas, professores diferentes, livros e cadernos limpos e bonitos, materiais novinhos em folha, e, em alguns casos, mudança de escola e até de metodologia. A cada ano, no retorno às aulas, novas expectativas são trazidas e juntamente com estas, as promessas de estudar mais são renovadas.

No final do 1º bimestre para algumas escolas, e do 1º trimestre para outras, os alunos recebem o boletim com os primeiros resultados obtidos no ano. Os relatórios das avaliações, embora tenham características diferentes dependendo da instituição, da abordagem teórica ou mesmo das políticas educacionais vigentes, permitem o conhecimento do desempenho acadêmico do aluno e possibilitam um processo de reflexão sobre os caminhos que deverão ser percorridos.

O momento da entrega dos boletins ou avaliações, principalmente para os pais, gera nos estudantes sentimentos que, dependendo de como transcorreu aquele período, podem ser de medo, alegria, tranqüilidade, frustração e, muitas vezes, até de uma sensação de incapacidade. Quando as notas não são boas, é comum que, ao apresentar o boletim, o aluno procure justificar o fracasso, às vezes culpando o professor de não saber explicar, ou de ser injustiçado e, até mesmo, perseguido por um determinado professor ou por todos. Quando são boas, chegam logo dizendo "está vendo, eu não disse que este ano seria diferente?" Ou ainda exigindo alguma recompensa material. Quando as notas são baixas, o discurso muda, e se justifica dizendo que ainda está no começo do ano e que, no próximo boletim, ele vai recuperar, podendo assumir também o papel de vítima, muitas vezes, pedindo aos pais

irem à escola para defendê-lo.
Independente do que retrata o boletim, nesse momento é oportuno que se faça uma análise do desempenho escolar apresentado, e que se aproveite para ajudar o filho a se conscientizar de seus compromissos e responsabilidades como estudante.

O bom rendimento deve ser valorizado para que a criança sinta-se incentivada a estudar e continuar correspondendo às expectativas de aprofundar seus conhecimentos e, assim, poder ir interiorizando que a aprendizagem possibilita a autonomia e que esta é o melhor caminho para que o indivíduo possa construir sua independência. O fato de a criança tirar notas altas não pode ser motivo para barganhar presentes, mas é essencial que ela sinta que o que está fazendo é o melhor para ela, e este deve ser seu maior ganho.

Caso o boletim retrate uma situação com resultados aquém do esperado, pais e filhos precisam encontrar, por meio de um diálogo franco, o caminho que deve ser percorrido para vencer as barreiras. Não há problema algum em apresentar dificuldades, desde que elas sejam encaradas, e a busca da superação seja o objetivo maior. Muitas vezes, o insucesso é conseqüência do fato de a criança não saber estudar, e, neste caso, se os pais não se sentirem capazes de ajudá-los, é aconselhável que busquem orientação da escola, que pode ajudar, não só quanto às formas de estudo, mas também em relação ao seu entrosamento no grupo. Isso pode provocar alterações na sua vida escolar, apresentando ao aluno a sistemática na qual está inserido, e fazendo-o perceber qual seu papel nela, possibilitando assim um melhor rendimento.

Deve-se, também, avaliar a questão da adaptação do aluno à modalidade de ensino que está sendo aplicada na escola, principalmente se o aluno mudou de escola ou se houve mudança na proposta pedagógica.

Por outro lado, aquelas crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem e necessitam serem acompanhadas mais de perto, o boletim sinaliza onde seus esforços devem ser canalizados. Em muitos casos, a indicação de uma avaliação psicopedagógica é aconselhável para que alternativas sejam discutidas, a fim de que a escolaridade da criança que estiver apresentando uma defasagem em relação ao seu grupo de classe, seja menos fragmentada, menos sofrida e causar menos danos à auto-estima.

No entanto, mais do que se fixar nos resultados apresentados no boletim, importa acompanhar a vida escolar da criança ou adolescente, estar atento às oscilações de rendimento, analisar as razões que podem estar prejudicando o desempenho, procurar, sem pré-julgamentos, definir o problema, para que se busquem estratégias apropriadas e individualizadas, uma vez que cada situação é única e, em se tratando do processo ensino-aprendizagem, as generalizações são improdutivas e podem ser perigosas. E bom lembrar que todos têm capacidades e habilidades que precisam ser definidas e estimuladas.        

 

 

 

 
  

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::sobre o autor::

Quézia Bombonatto é psicopedagoga, fonaudióloga, terapeuta familiar e presidente da ABPp, Associação Brasileria de Psicopedagogia.

 

 

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