RESUMO
O
presente estudo teve como objetivo implementar uma proposta de aulas
de Educação Física na Educação Infantil com base no brincar, para
uma escola do município de Guarujá do Sul, Santa Catarina. Esta
pesquisa é caracteriza como qualitativa do tipo participante e teve
como participantes 20 crianças matriculadas na Educação Infantil.
Para a coleta dos dados foi utilizado um questionário com questões
abertas, em seguida foram implementadas oito aulas com duração de 30
minutos cada e, no final da intervenção, novamente utilizou-se um
questionário respondido pelas professoras. A proposta de intervenção
fundamentou-se no desenvolvimento de brincadeiras, utilizando-se da
abordagem Construtivista (FREIRE, 1999). Constatou-se uma grande
participação das crianças na realização das atividades, onde se pode
notar a evolução dos movimentos no decorrer das aulas, o
aperfeiçoamento, a amplitude entre outros. Portanto, as aulas de
Educação Física devem estar presentes na Educação Infantil com o
intuito de proporcionar a criança múltiplas vivências de movimentos.
Palavras-chave: Educação Física. Educação
Infantil. Prática Pedagógica. Brincar.
ABSTRACT
This
study aimed to implement a proposal for physical education classes
in kindergarten based on the play for a school in the city of
Guaruja, São Paulo. This research is characterized as qualitative
type participant and the participants were 20 children enrolled in
kindergarten. To collect the data we used a questionnaire with open
questions then were implemented eight lessons lasting 30 minutes
each and at the end of the intervention, again used a questionnaire
answered by teachers. The proposed intervention was based on the
development of games, using the constructivist approach (Freire,
1999). There was a large participation of children in carrying out
activities, where you can note the evolution of the movement during
classes, improving the range and others. Therefore, the Physical
Education classes must be present in early childhood education in
order to provide the child multiple experiences of movement.
Keywords: Physical
Education. Early Childhood Education. Teaching practice. Play.
INTRODUÇÃO
A Educação Física na educação infantil pode
configurar-se como um espaço em que a criança brinque com a
linguagem corporal, com o corpo, com o movimento, alfabetizando-se
nessa linguagem. Brincar com a linguagem corporal significa criar
situações nas quais a criança entre em contato com diferentes
manifestações da cultura corporal, sobretudo aquelas relacionadas
aos jogos e brincadeiras, às ginásticas, às danças e às atividades
circenses, sempre tendo em vista a dimensão lúdica como elemento
essencial para a ação educativa na infância (AYOUB, 2001).
Analisando o processo de desenvolvimento das
capacidades motoras das crianças de 0 à 4 anos percebe-se que não há
profissionais especializados na educação motora em algumas escolas
da educação infantil. Para que haja uma evolução neste processo
adequado as necessidades das crianças é necessária a participação
não somente de pedagogos, mas também, dos profissionais de educação
física (AYOUB,2001).
Conforme Basei (2008), a educação física tem um papel
fundamental na Educação infantil, pela possibilidade de proporcionar
às crianças uma diversidade de experiências através de situações nas
quais elas possam criar, inventar, descobrir movimentos novos,
reelaborar conceitos e idéias sobre o movimento e suas ações.
Nesse sentido o presente trabalho teve como objetivo
a implementação de aulas de Educação Física com base nas
brincadeiras para a Creche Municipal “Fofura de Gente” para
posterior análise dos resultados
através do desenvolvimento, com base no brincar, do
reconhecimento e esquema corporal implementando uma proposta de
aulas de Educação Física na Educação Infantil, da promoção de
atividades de socialização com base nas brincadeiras e brinquedos,
do estímulo ao desenvolvimento dos movimentos locomotores
fundamentais nas aulas de Educação Física. A partir disso, também
foram verificadas as possibilidades de implantação e desenvolvimento
da proposta para a Educação Infantil.
METODOLOGIA
Esta pesquisa caracteriza-se pela abordagem
qualitativa do tipo participante. Participante, pois segundo Marconi
e Lakatos (1999), a mesma consiste na participação real do
pesquisador com a comunidade ou grupo. E qualitativa segundo
Triviños (1987), pois ela compreende atividades de investigação que
podem ser caracterizadas por traços comuns, e sua interpretação e
busca de significados da realidade que investiga não pode fugir às
suas próprias concepções de homem e de mundo.
Os participantes foram 20 crianças, com idade entre 2
e 3 anos, devidamente matriculados no maternal II, da Educação
Infantil do Município de Guarujá do Sul, Santa Catarina.
A coleta de dados foi realizada através de um
questionário com questões abertas, realizada com a professora e
monitora responsáveis pela turma e, do diário de campo.
O questionário é um instrumento previamente
construído, constituído por uma série ordenada de perguntas, que
devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador
(MICHEL, 2009). A opção pelo questionário aberto, se deu pela
possibilidade oferecida de obter mais informações com relação a
temática de pesquisa, já que o mesmo foi elaborado tendo como
referencia temáticas, que posteriormente foram organizadas em
categorias para a análise.
Os dados do questionário foram analisados a partir da
técnica qualitativa de análise de conteúdo. Conforme Bardin (apud
TRIVIÑOS, 1987), é conveniente para o estudo das motivações,
atitudes, crenças, valores e tendências e, é definido como:
[...] um conjunto de técnicas de
análise das comunicações, visando.por procedimentos sistemáticos e
objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores
quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos
relativos as condições de produção/recepção das mensagens.
A abordagem utilizada para o desenvolvimento das
atividades no período de dois meses com uma aula semanal, com
duração de trinta minutos, foi a Construtivista. Segundo Xavier
Neto; Assunção (2005) deve-se proporcionar ao educando a descoberta
de suas possibilidades, a exploração do espaço, o reconhecimento de
si em relação ao outro do seu corpo em movimento, oferecendo-lhe
situações que desperte para variações, procurando incentivá-lo, já
que o estimulo é fator de grande importância na aprendizagem,
trabalhando também a socialização utilizando atividades em grupo. A
aplicação da pesquisa ocorreu.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O BRINCAR NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA PROPOSTA
PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL
Compreendendo que na Educação Infantil as crianças
estão passando por inúmeros processos de transição, seja com relação
ao seu desenvolvimento motor, físico e/ou intelectual, percebemos a
necessidade de estimular esses processos de desenvolvimento
oferecendo as crianças diversificadas situações de movimento, de
vivências e experiências com relação ao seu corpo e ao contexto onde
estão inseridas.
Nesse sentido, é que se justifica a importância do
brincar na Educação Infantil, através dele surge toda a simbologia
refletida nas brincadeiras de faz-de-conta, de expressão e linguagem
corporal. Isso porque, em todos os momentos que as crianças estão
realizando uma ação, ela está também expressando um sentido, o que
envolve, não somente, a ação em direção a um objeto externo, mas
também a aspectos subjetivos (alegrias, medos, etc.), formando a sua
individualidade, constituindo assim, o brincar na Educação Infantil
um importante subsídio para os processos de ensino, aprendizagem e
desenvolvimento da criança.
Concordando com Kunz (2003), é no brincar que a
criança constrói simbolicamente sua realidade e recria o existente a
partir de ações cotidianas. A atividade espontânea da criança que
brinca livremente pelo prazer do fazer, conforme suas motivações
internas, com um fim em si mesmo, é que permite novas criações e
decidir sobre os papéis que vai assumir/representar. Neste sentido,
a vivência das relações que podem advir com as brincadeiras resulta
numa gama de subsídios para instigar a curiosidade, expressar
dúvidas, levantar eventuais hipóteses e resolver problemas.
O brincar é algo constituinte da existência infantil
e a maneira que a criança tem de lidar com a realidade. As crianças
ao brincar constroem representações e as possibilidades de
brincadeiras no universo infantil são inesgotáveis e muito maiores
que possamos imaginar. Pelas brincadeiras as crianças tendem a
manifestar o que dificilmente expressariam por meio de palavras;
procuram interpretar/sentir determinadas ações humanas e aprendem
vivendo algo sempre novo, mas não distante da realidade.
Partindo desse entendimento é que foi buscada
fundamentação na abordagem Construtivista da Educação Física
para embasar teoricamente a construção e desenvolvimento de uma
proposta para as aulas da Educação Infantil.
A abordagem construtivista tem no Brasil e na
Educação Física o professor João Batista Freire como seu principal
colaborador que, baseado nas ideias de Piaget, desenvolveu propostas
de ensino difundidas amplamente na área da Educação Física escolar.
No construtivismo a intenção é construção do conhecimento a partir
da interação do sujeito com o mundo, numa relação que extrapola o
simples exercício de ensinar e aprender. Conhecer é sempre uma ação
que implica esquemas de assimilação e acomodação num processo de
constante reorganização (DARIDO, 2003).
No contexto da Educação Física, Freire (1997)
ressalta a importância de considerar o conhecimento que a criança já
possui, independentemente da situação formal de ensino, porque a
criança, como ninguém, é uma especialista em brinquedo. Desse modo,
é fundamental resgatar a cultura de jogos e brincadeiras dos alunos
envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, tais como as
brincadeiras de rua, os jogos com regras, as rodas cantadas e outras
atividades que compõem o universo cultural dos alunos.
De acordo com Freire (1997), é preciso entender que
as habilidades motoras, desenvolvidas num contexto de jogo, de
brinquedo, no universo da cultura infantil, de acordo com o
conhecimento que a criança já possui, poderão se desenvolver sem a
monotonia dos exercícios prescritos por alguns autores. Talvez não
se tenha atentado ao fato de que jogos, como amarelinha, pegador,
cantigas de roda, têm exercidos, ao longo da história, importante
papel no desenvolvimento das crianças.
Conforme Bürger e Krug (2009), a Educação Física na
Educação Infantil precisa objetivar o desenvolvimento global, em que
o movimento dê margem a criança, através de suas descobertas, de sua
criatividade, expressar-se, conhecer, analisar e transformar sua
realidade.
Canfield (2000 apud BÜRGER; KRUG, 2009), afirma que a
escola é responsável por oferecer a criança práticas motoras
diversificadas, pois ela é essencial e determinante no processo de
desenvolvimento. Os educadores também possuem importante papel nessa
instância de educação, sua capacitação e interesse em perceber as
capacidades necessárias e limitações das crianças que estão em
determinado período em sua tutela. Cabe ao professor oportunizar e
facilitar tal desenvolvimento psicomotor, através de estímulos
adequados.
As aulas de Educação Física na Educação infantil
precisam proporcionar um ambiente que estimule a criatividade e a
investigação, através da brincadeira, favorecendo ao surgimento de
atividades em que prevaleça a solidariedade, a responsabilidade e o
respeito dos direitos humanos. Parte-se também do respeito da
diversidade cultural e da compreensão dos valores morais presentes
em todas as ações humanas, considerando-os como princípios da ação
educativa, possíveis inclusive de serem transformados em temas
educacionais (BÜRGER; KRUG, 2009).
As aulas de Educação Física na Educação infantil
precisam proporcionar um ambiente que estimule a criatividade e a
investigação, através da brincadeira, favorecendo ao surgimento de
atividades em que prevaleça a solidariedade, a responsabilidade e o
respeito dos direitos humanos. Parte-se também do respeito da
diversidade cultural e da compreensão dos valores morais presentes
em todas as ações humanas, considerando-os como princípios da ação
educativa, possíveis inclusive de serem transformados em temas
educacionais (BÜRGER; KRUG, 2009).
O DESENVOLVIMENTO DA PROSPOSTA DE INTERVENÇÃO
O desenvolvimento da proposta fundamentou-se na
implementação das aulas de Educação Física com base no brincar para
a Educação Infantil com o intuito de promover uma maior diversidade
de movimentos. Considerando que a principal atividade da criança é
brincar e esta aprende brincando, foram desenvolvidas aulas
baseando-se nos jogos simbólicos, atividades de socialização,
esquema corporal e movimentos locomotores fundamentais, que são de
grande importância para o desenvolvimento integral da criança
Na primeira aula o objetivo foi trabalhar os
movimentos locomotores fundamentais. Iniciou-se a aula num círculo
para conversar com as crianças, sobre a proposta e sobre as
atividades que seriam desenvolvidas. Na primeira parte da aula foi
realizado a cantiga “Trem”, onde a professora conduz o trem cantando
e fazendo os gestos juntamente com as crianças, todas as crianças
participaram da atividade de seu modo, por algumas vezes o trem se
rompeu, pois algumas crianças se distraiam com os movimentos e se
esqueciam de seguir o trem. Logo após, a atividade foi imaginar um
rio e o desenhar no chão com a corda, nesta brincadeira as crianças
pulavam sobre o rio enquanto imaginavam os animais que poderiam
estar nele, com a mesma história as crianças atravessavam sobre a
ponte andando sobre a corda. A turma obteve uma interação muito boa.
Nessa aula, o alcance do objetivo se deu através do
desenvolvimento do que Kishimoto (1999) denominou de brincadeiras de
faz-de-conta, quando estabelece uma classificação para essas
atividades. Conforme o autor, as brincadeiras de faz-de-conta
permitem não só a entrada no imaginário, mas a expressão de regras
implícitas que se materializam nos temas das brincadeiras. É
importante registrar que o conteúdo do imaginário provém de
experiências anteriores adquiridas pelas crianças, em diferentes
contextos. A importância dessa modalidade de brincadeira
justifica-se pela aquisição do símbolo.
De acordo com Nanni (1998 apud BALBÉ; DIAS; SOUZA,
2009), os movimentos básicos, as habilidades fundamentais e
especializadas quando desenvolvidas sob o aspecto “lúdico”,
favorecem para a participação ativa da criança, aprendendo a liberar
e expressar suas emoções pela exploração do movimento, do espaço e
do tempo rítmico.
A segunda aula teve por objetivo trabalhar com o
esquema corporal. A aula foi iniciada com uma roda onde conversou-se
sobre as partes do corpo e a cada parte citada as crianças pegavam
na mesma em seu corpo. Com a música da Xuxa “Partes do Corpo” as
crianças dançavam fazendo os gestos, por algumas vezes uns se
perderam nos mesmos onde no momento era solicitado ao colega do lado
que o ajudasse. Todos participaram ativamente das atividades
propostas. Após na sala de aula utilizando os brinquedos as crianças
interagiram entre elas, utilizou-se uma boneca para interagir com
elas e pedir para que as mesmas apontarem na boneca as partes do
corpo que eram solicitadas. Dessa forma as crianças conseguiram
associar bem as partes do corpo.O professor de Educação Física deve
estimular as crianças a brincar, e melhor forma é brincar junto com
elas (ASSIS; KAEFER, 2009).
Segundo Catunda (2005 apud ASSIS; KAEFER, 2009), o
brincar é capaz de apresentar, de maneira resumida como ferramenta
competente, vias para o desenvolvimento dos aspectos da formação do
humano, como a cognição, afetividade, amadurecimento psicológico e
motricidade.
Através das atividades desenvolvidas nesta aula,
constatou-se também a importância do brincar na manifestação de
esquemas motores, isto é, “de organizações de movimentos construídos
pelos sujeitos, em cada situação, construções essas que dependem,
tanto dos recursos biológicos e psicológicos de cada pessoa, quanto
das condições do meio ambiente que ela vive” (FREIRE, 1999, p. 22).
A terceira aula teve como objetivo trabalhar a
socialização. De acordo com Borsa (2007), a socialização é um
processo interativo, necessário para o desenvolvimento, através do
qual a criança satisfaz suas necessidades e assimila a cultura ao
mesmo tempo que, reciprocamente, a sociedade se perpetua e
desenvolve.
Conforme nos coloca Freire (1999, p. 23) é importante
considerar que o “ser humano é uma entidade que não se basta por si.
Parte do que ele precisa para viver não está nele, mas no mundo fora
dele”. Nesse sentido, reside a necessidade de entender as crianças
na Educação Infantil como seres que vivem em sociedade e inseridos
num contexto e proporcionar a eles atividades que desenvolvam as
habilidades necessárias para essa convivência.
Nesta aula foi trabalhado com cantigas e brinquedos.
No salão foi iniciado com a cantiga dos animais, onde as crianças
imitavam os sons e gestos dos animais solicitados. Em roda e de mãos
dadas cantamos a cantiga do cravo, como são atividades que elas não
estão acostumadas a realizar por várias vezes precisou-se
estimulá-los a ficar atento na brincadeira. Após brincaram com os
jogos de montar, onde iam criando suas peças em conjunto e trocando
com os colegas.
Com as atividades propostas, possibilitou-se a
criação e desenvolvimento de novos esquemas motoras, fatores
bastante importantes nessa fase do desenvolvimento, já que, deve ser
rica de experiências motoras para a partir disso começar-se o
trabalho de especialização dessas habilidades. Assim, observou-se
que, como aponta Freire (1999, p. 33) “para se adaptar ao mundo,
para resolver problemas, para agir sobre o mundo, transformando-o, o
sujeito constrói movimentos corporais específicos, dirigidos para um
fim e orientados por uma intenção”.
Além do faz-de-conta explorou-se nessa aula as
brincadeiras de construção que são consideradas de grande
importância por enriquecer a experiência sensorial, estimular a
criatividade e desenvolver habilidades da criança. Dessa forma,
quando está construindo, a criança está expressando suas
representações mentais, além de manipular objetos. Para compreender
a relevância das construções é necessário considerar as ideias
presentes em tais representações, como elas adquirem tais temas e
como o mundo real contribui para a sua construção (KISHIMOTO, 1999).
O objetivo da quarta aula foi trabalhar com os
movimentos locomotores fundamentais através das brincadeiras
tradicionais, isto é, brincadeiras consideradas como parte da
cultura popular que assume características de anonimato,
tradicionalmente, transmissão oral, conservação, mudança e
universalidade. Muitas brincadeiras preservam sua estrutura inicial,
outras modificam-se, recebendo novos conteúdos (KISHIMOTO, 1999).
Para isso, iniciou-se a aula dançando uma música da
Xuxa, após ainda com a música, mas agora com os bambolês os alunos
imaginaram vários obstáculos a serem passados. Ex: passar por dentro
dos bambolês, colocar o bambolê no chão e pular dentro, o bambolê
como sendo o volante de um carro. Durante essa brincadeira as
crianças circulam pela sala. Organizando alguns bambolês no chão
como se fossem pular amarelinha ou sapata, as crianças eram
conduzidas pela professora e estimuladas a pular com um pé só e com
os dois, foi uma atividade que nem todas as crianças conseguiram
realizar na hora de pular com pé só, pois algumas não possuem muito
equilíbrio.
Segundo Basei (2008), o professor é o sujeito
responsável por interferir no processo de aprendizagem do aluno,
como um mediador entre o aluno e os objetos/mundo, estimulando e
adiantando avanços no desenvolvimento da criança a partir de uma
interferência na zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a partir
do conhecimento que o aluno já tem e das ferramentas que dispõe para
a realização da atividade, o professor poderá ajudá-lo a alcançar a
zona de desenvolvimento potencial, tornando-a real, dando sequência
ao processo.
O objetivo da quinta
aula foi trabalhar com o esquema corporal. Através de cantigas como
a do “Sapo não Lava o Pé” e “Pica Pau” foi trabalhado o esquema
corporal onde as crianças cantavam e faziam os gestos. Em frente ao
espelho as crianças eram questionadas sobre o que estava aparecendo
nele e as partes do corpo. Em seguida com uma música as crianças
eram estimuladas a realizar os comandos da professora. Ex: encostar
a mão na cabeça, encostar a mão no pé, encostar a mão no chão. As
crianças participavam das atividades propostas sem nenhum
constrangimento e de forma muito espontânea.
Na sexta aula, para trabalhar a socialização foi
realizado atividades no play graund interno da creche, que possui
diversos brinquedos como: escorregador, balanços, motocas,
cavalinhos, entre outros. Neste dia as crianças brincaram livremente
com a orientação da professora eles trocavam de brinquedos cada
pouco, pois como são muitos alunos a escola não possui um para cada
criança.
Conforme Heinkel (2000 apud PALMA; BORDIN; SAENGER,
2006), a arte de brincar é fundamental para estimular o aprendizado
das crianças, pois as ajuda a conhecer melhor o seu mundo; ensina
que as coisas não são fixas, fazendo com que as crianças se
defrontem com o real e o imaginário, pois a criança através da
brincadeira sente uma necessidade para exercitar sua inteligência e
curiosidade.
A sétima aula, também foi voltada ao trabalho do
esquema corporal foi aplicado a dança do “Trem Maluco”, onde as
crianças realizavam os gestos conforme a música, ex: põe a mãozinha
pro lado, põe a mãozinha para trás. Com um pedaço de papel pardo na
sala de aula foi pedido para que uma criança se deitasse nele para
que fosse desenhada, depois em conjunto colocou-se os nomes nas
partes do corpo e que em seguida foram colocados em exposição.
E, a oitava e última aula,
teve como objetivo trabalhar a socialização, para isso foi
trabalhado na casinha de areia, onde as crianças realizaram suas
construções em conjunto, construindo castelos e bichinhos. Também
puderam se divertir nos brinquedos do parque externo.
Segundo Deval (2001 apud PALMA; BORDIN; SAENGER,
2006), a escola torna possível que as crianças se encontrem com as
outras e interajam entre si. Sabemos que essa interação é muito
importante para o desenvolvimento infantil, pois promove a
cooperação, a possibilidade de colocar-se no ponto de vista dos
outros, a reciprocidade e, além disso, as crianças aprendem com os
seus companheiros muitas coisas para a vida.
Tendo em vista os objetivos deste trabalho no início
do projeto, a implementação de aulas de Educação Física através das
brincadeiras para a Educação Infantil não foi encontrado
dificuldades. Através das brincadeiras foi aplicado as aulas e ter
obteve-se a contribuição dos alunos, onde participaram de forma
muito assídua nas mesmas.
Quanto a evolução das crianças pode-se notar que as
aulas aplicadas foram de grande importância, pois foi notória a
evolução do desenvolvimento das mesmas durante as aulas. As crianças
passaram a realizar movimentos de maior complexidade com mais
facilidade, e até mesmo movimentos que as mesmas não realizavam
passaram a realizar.
Como as aulas foram bem variadas os alunos
demonstraram grande interesse para com as brincadeiras, pois a
maioria delas não fazia parte do seu dia-a-dia na escola. A grande
maioria não encontrou dificuldade na realização dos movimentos, pois
a atividade era proposta e cada criança a realizava de seu modo, sem
ter uma forma específica para a realização dos movimentos.
Acredita-se que desde o primeiro momento de aula
surgiu a interação entre colegas, onde que para realizar certas
atividades era necessária a ajuda do mesmo, compartilhavam
brinquedos entre outros.
Conforme Magalhães; Kobal; Godoy (2007), na Educação
infantil a Educação Física desempenha um papel de relevada
importância, pois a criança desta fase está em pleno desenvolvimento
das funções motoras, cognitivas, emocionais e sociais, passando da
fase do individualismo para a das vivências em grupo. A aula de
Educação Física é o espaço propicio para um aprendizado através das
brincadeiras desenvolvendo-se os aspectos cognitivos, afetivo –
social, motor e emocional conjuntamente.
Sendo assim, “o especialista em Educação Física deve
ser um estudioso da ação corporal. [...] quando alguém pega uma
bola, já não existe mão e bola, mas uma fusão das duas coisas em
algo chamado ação” (FREIRE, 1999, p. 30).
POSSIBILIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA PROPOSTA
COM BASE NO BRINCAR PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A ÓTICA DAS
PROFESSORAS
A partir dos dados obtidos com os questionários
realizou-se a análise e discussão comparando com a literatura. Com
relação ao questionamento sobre a concepção de Educação Física,
verificou-se que a compreensão da professora é de que a aula “é uma
complementação para o bom desenvolvimento integral da criança”. Já a
monitora afirma que “são aulas de fundamental importância para o
desenvolvimento da criança tanto social, físico e corporal”.
Acredita-se que a Educação Física não se restringe a
uma complementação, ela é essencial no desenvolvimento da criança,
pois desenvolve a criança integralmente.
A Educação Física deve constituir-se em componente
obrigatório das Escolas da Educação Infantil, permitindo que as
crianças desenvolvam-se integralmente, onde corpo e mente sejam
únicos, sem supervalorização da mente em detrimento do corpo
(MAGALHÃES; KOBAL; GODOY, 2007).
Um aspecto que fez parte do questionário, trata-se da
importância das aulas de Educação Física para o desenvolvimento
motor. Nesse sentido, a professora afirma que são importantes na
medida em que “desenvolve todos os aspectos, cognitivos, afetivos e
psicomotor”. Sobre a mesma questão, segundo a monitora da turma, são
importantes, pois “auxiliam no desenvolvimento das habilidades
motoras e estruturação do esquema corporal, facilitando o
aprimoramento das habilidades”.
As aulas de Educação Física são de suma importância
para o desenvolvimento integral da criança, tendo em vista que a
principal atividade da criança é brincar e a mesma aprende
brincando, é importante que as aulas sejam elaboradas de forma
lúdica.
Magalhães; Kobal; Godoy (2007) afirmam que na
Educação Infantil, a Educação Física desempenha um papel de relevada
importância, pois a criança desta fase esta em pleno desenvolvimento
das funções motoras, cognitivas, emocionais e sociais, passando da
fase do individualismo para a das vivências em grupo. A aula de
Educação Física é o espaço propicio para o aprendizado através de
brincadeiras, desenvolvendo-se os aspectos cognitivos,
afetivo-social, motor e emocional conjuntamente.
Mais um fator que fez parte do questionário foi a
compreensão da professora e da monitora sobre a implementação da
Educação Física na Creche, segundo a professora “os professores da
Educação Infantil da Creche não tem aulas de Educação Física.
Trabalhamos atividades que envolvem a área, com música, danças,
jogos, brincadeiras de roda entre outras”. Já a monitora afirma que
“que seria de grande valia para o aluno”.
Como a professora citou acima na Creche não tem aulas
de Educação Física ás próprias pedagogas fazem as atividades que
compõe a Educação Física. De acordo com as mesmas as aulas de
Educação Física vem enriquecer ainda mais o conhecimento das
crianças.
Outra questão levantada foi o que a professora e a
monitora esperavam das aulas de Educação Física, a professora
relatou que “gostaria que fosse implementada a Educação Física na
Creche, pois sabemos que vai contribuir muito no desenvolvimento da
criança”.
De acordo com Magalhães; Kobal; Godoy (2007), para a
Educação Física contribuir verdadeiramente com o desenvolvimento da
criança na Educação Infantil, é necessário considerá-la como um ser
integral, onde começa a ser lapidada desde cedo, sendo estimulada da
melhor maneira possível, recebendo o máximo de experiências,
evitando, contudo, a especialização precoce.
Com relação a importância do brincar o
desenvolvimento da criança a professora relatou que “é de suma
importância brincar pois, desenvolve a imaginação, a criatividade, o
cognitivo e o psicomotor da criança bem como a socialização”. A
monitora afirma que “Desperta a imaginação e o raciocínio da
criança, desenvolvendo sua inteligência, criatividade, coordenação
motora e a insere na sociedade”.
Segundo Lima (1992 apud BATISTA; AMORIN, 2007), o
brincar traz como característica seu aspecto lúdico, constituindo-se
uma manifestação do ser humano em qualquer idade. Para as crianças,
constitui-se uma das suas atividades mais importantes, considerado
inclusive, por muitos autores, como sendo o “trabalho da criança”.
Em referencia ao brincar no desenvolvimento das aulas
praticas pedagógicas na Educação Infantil, verificou-se que a
compreensão da professora é que “o brincar como uma forma de se
aprender brincando, motivando o desenvolvimento da imaginação na
criança”. Já a monitora compreende que “Desenvolver as brincadeiras
como 1ª atividade na Educação Infantil, proporcionando com isso o
aprender”.
Segundo Vygotsky (1991 apud FRONZA, 2005), pelo
brincar a criança reorganiza suas experiências. Oferecer
oportunidades para a criança brincar é criar espaço para a
reconstrução do conhecimento.
Com relação ao que se percebe do brincar na Educação
Infantil a professora respondeu que “percebe-se como uma forma de
troca de experiências, emoção, envolvendo com prazer ao realizar as
atividades”. De acordo com a monitora “percebe-se na criança uma
vivacidade maior, contemplando envolvimento, alegria e troca de
experiências”.
Favorecer a brincadeira no contexto da educação
infantil não pode levar a uma atitude de “laisse faire” – abandono
pedagógico, de abrir mão da mediação do adulto no processo
educativo. Ao contrário, é no contexto da brincadeira que precisamos
aprender a realizar nosso papel (AYOUB, 2001).
Com base na relação existente entre o brincar e o
processo de ensino e aprendizagem segundo a professora é de que “as
duas “caminham” lado a lado. O brincar proporciona a ordenação do
pensamento da criança levando-a ao desenvolvimento cognitivo”. Sobre
a mesma questão a monitora colocou que “ambas caminham juntas, pois
é brincando que a criança aprende, sente-se mais feliz e por
conseqüência mais inteligente, criativa e sociável.
Em relação a evolução das crianças durante as aulas a
professora afirma que “Com certeza, percebe-se com o passar do tempo
significativas mudanças no social, psicomotor e emocional”. Já a
monitora respondeu que “Há evolução, no decorrer das aulas a criança
que brinca amadurece seus pensamentos”.
A brincadeira é um espaço de aprendizagem onde a
criança age além do seu comportamento cotidiano e do das crianças de
sua idade. Na brincadeira, ela age como se fosse maior do que é na
realidade, realizando simbolicamente o que mais tarde realizará na
vida real. Embora aparente fazer apenas o que mais gosta, a criança
quando brinca aprende a se subordinar às regras das situações que
constrói. Essa capacidade de sujeição às regras, imposta pela
situação imaginada, é uma das fontes de prazer no brinquedo (DEHEINZELIN;
LIMA, 1991).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se, de acordo com os dados obtidos e
analisados, que as aulas de Educação Física devem se fazer presente
na Educação Infantil, tendo em vista o desenvolvimento dos
movimentos locomotores fundamentais que constituem a base da
aquisição motora, a socialização e o esquema corporal trabalhados
através de atividades lúdicas. Durante a realização das aulas foi
notória a evolução das crianças quanto à expressão corporal, maior
amplitude nos movimentos e a socialização das mesmas no meio em que
estão inseridas.
Através do brincar a criança cria um elo com a
realidade, socializa-se com o outro e diante da brincadeira ela
atribui significados e sentidos aos seus atos. A brincadeira
representa para a criança a sua ação mais séria e com ela, ela
enfrenta a realidade, seus medos e anseios, e conforme suas
capacidades individuais gera possibilidades de se movimentar.
Verificou-se também que a percepção da professora e
da monitora com relação às aulas de Educação Física vem ao encontro
das constatações feitas nesta pesquisa, onde as mesmas entendem a
Educação Física como parte fundamental para o desenvolvimento
integral da criança.
Nesse sentido, deve-se proporcionar atividades com
base nas brincadeiras onde as crianças possam desenvolver os
aspectos cognitivos, afetivo-social e motor conjuntamente. Portanto,
as aulas de Educação Física necessitam ser planejadas, ter objetivos
a serem atingidos e não somente aplicar as atividades
aleatoriamente. O professor de Educação Física na Educação Infantil
deve ser o mediador entre o conhecimento e o aluno, proporcionando
para as crianças múltiplas vivência de movimentos.
REFERENCIAS
AYOUB, Eliana.
REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Revista
Paul. Educação Física, São Paulo, supl. 4, p. 53-60, 2001.
Disponível em : <
http://www.uspbr/eef/rpef/Sup/42001/v15s4p53.pdf
>. Acesso em: 10 de março de 2009.
BALBÉ, Giovani Pereira;
DIAS, Roges Ghidini; SOUZA, Luciani da Silva. Educação Física e
suas contribuições para o desenvolvimento motor na educação infantil.
Disponível em:< http://www.efdeportes.com/efd129/educacao-fisica-e-desenvolvimento-motor-na-educacao-infantil.htm>
Acesso em: 5 de Agosto de 2009
BASEI, Andréia Paula. A
Educação Física na Educação Infantil: a importância do movimentar-se
e suas contribuições no desenvolvimento da criança. Revista
Iberoamericana de Educación, Santa Maria, p. 12, out.2008.
Disponível em: <
http://www.rieoei.org/deloslectores/2563Basei.pdf
>. Acesso em: 10 de março de 2009.
BATISTA, Elise Helena
de Morais; AMORIM, Andréa Rodrigues. A importância das brincadeiras
folclóricas na Educação Física Infantil. Revista Mackenzie de
Educação Física e Esporte, Anhanguera, v. 6, 2007. Disponível
em: < http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/remef/article/viewFile/1221/937
> Acesso em: 12 de Setembro de 2009.
BORSA, Juliane
Carvalho. O papel da escola no processo de socialização infantil,
Rio Grande do Sul, 2007. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos>
Acesso em: 01 de Outubro de 2009.
BÜRGER, Leisa Caetano;
KRUG, Hugo Norberto. Educação Física Escolar: um olhar para a
Educação Infantil. Revista Digital – Buenos Aires, 2009.
Disponível em:<http://www.efdeportes.com/efd130/educacao-fisica-escolar-um-olhar-para-a-educacao-infantil.htm
> Acesso em: 10 de Outubro de 2009.
DARIDO, Suraya
Cristina. Educação física na escola: questões e reflexões.
Rio de Janeiro, 2003. 91p.
DEHEINZELIN, Monique;
LIMA, Zélia Vitoria Cavalcanti. Professor da pré – escola.
Vol I. Rio de Janeiro: FAE, 1991.198p.
FREIRE, João Batista.
Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação
física. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1997. 224 p.
FREIRE, João Batista.
Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação
física. 4. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 224 p. (Pensamento e ação
no magistério)
FRONZA, Dionéa Antonia.
A importância dos Jogos, Brinquedos e Brincadeiras na Educação.
2005. Trabalho de Conclusão de Curso( Graduação em Pedagogia)-
Campinas – UNICAMP, 2005. Disponível em: <http://libdigi.unicamp.br/document/?view=18153
>. Acesso em: 15 de março de 2009.
KAEFER, Rita de Cássia Lindner; ASSIS, Ana Eleonora Sebrão. A
importância da Educação Física na Educação Infantil. Disponível
em:<http://guaiba.ulbra.tche.br/pesquisas/2008/artigos/edfis/356.pdf>
Acesso em: 21 de Setembro de 2009.
KISHIMOTO. Tizuko.
Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 3. ed. São Paulo:
Cortez, 1999.
KUNZ, Eleonor.
Transformação didático-pedagógica do esporte. 5.ed.Ijuí, RS,
2003.160p.
MAGALHÃES, Joana S;
KOBAL, Marília Corrêa; GODOY, Regiane Perón. Educação Física na
Educação Infantil: Uma parceria necessária. Revista Mackenzie
de Educação Física e Esporte, v.6, 2007. Disponível em: <
http://www.mackenzie.br/fileadmin/Editora/REMEF/Remef_6.3/Artigo_04.pdf>Acesso
em:2 de Outubro de 2009.
MARCONI, Marina de
Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa : planejamento
e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas,
elaboração, análise e interpretação de dados. 4. ed., rev. e
ampl. São Paulo: 1999. Atlas,. 260 p.
MICHEL, Maria Helena.
Metodologia e pesquisa científica em ciências sociais. 2ed.
São Paulo; Atlas, 2009.
PALMA, Luciana Erina;
OLIVEIRA, Giovani Bordin; SAENGER, Guilherme. In: III Congresso Sul
Brasileiro de Ciências do Esporte, 2006, Santa Maria, RS. Anais...Santa
Maria, 2006.
TRIVIÑOS, Augusto
Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a
pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: 1987. Atlas,. 175 p.
XAVIER NETO, Lauro
Pires; ASSUNÇÃO, Jeane Rodella. Educação Física, Rio de
Janeiro, 2005.