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LIÇÕES
SOBRE
O
CASO
DAN BROWN
João Gomes Moreira
Resumo
Este
ensaio
apresenta uma
breve
noticia
sobre
o
autor.
Definição
do
conceito
de
plágio.
Síntese
do
caso
Dan Brown
mediante
relatos da
mídia.
Relação
de
alguns
casos
semelhantes
nos
ramos
das
ciências
e
literatura.
Uma modesta
proposta
de
exame
(do
caso)
interdisciplinar
baseado
em
metodologia
científica,
abordando o
tipo
de
análise
pelo
método
hipotético-dedutivo e documental.
Descrição
de algumas
ferramentas,
técnicas
e
tecnologias
aplicadas à
sistemática
da
perícia
documental e
tecnológica.
Palavras-chave:
plágio,
perícia,
metodologia
científica,
método
hipotético-dedutivo.
Abstract
This essay presents the one brief news on the
author. Definition of the plagiarism concept. Synthesis of
the Dan Brown case by means of stories of the media.
Relation of some
similar
cases in the branches of sciences and literature. Modest a
proposal of examination (of the case) to interdisciplinar
established in scientific methodology, approaching the type
of analysis for the hypothetical-deductive and documentary
method. Description of some tools, techniques and
technologies applied to the systematics of technological the
documentary skill and.
Words-key:
plagiarism, skill, scientific methodology,
hypothetical-deductive method.
Introdução
“Só
aprendemos
bem
as
caminhadas
ao
avesso
que
não
levam a
lugar
algum.
Só
sabemos
bem
as
palavras
que
nos
mascaram e os
gestos
que
nos
escondem.
KURI, p.. 82. O
negócio
da
Pia,
Rio:Cátedra,
1972
Neste
trabalho
pretendemos
elaborar
uma
discussão
sobre
a possibilidade de
aplicação
da
metodologia
científica
para
o
desenvolvimento
do processo
de
análise
da
acusação
de plágio
(do
escritor
de O
Código
Da Vinci) aventada
pelos
historiadores Richard Leigh e Michael Baigent.
Estudo
que
busca
através
da interdisciplanariedade
inovar
estratégias
de
ensino.
Estratégias
mediadas
pelos
excertos
dos
subsídios
das
agências
de
notícias
da
atualidade.
1-
Notícia
sobre
o
autor
Dan Brown é
um
escritor
norte
americano,
detentor
de um
BA em
Inglês,
membro
da Psi Upsilon Fraternity e da Mensa Organization.
nascido
em
22 de
junho
de 1964.
filho
de Dick Brown e Connie Brown. Foi
professor
na Academy Phillips of Exeter.
Casado
com
Blythe Brown e tem
dois
filhos.
Escritor
famoso
que
já
lançou:
Fortaleza
Digital
(2000);
Anjos
e
Demônios
(2001);
Ponto
de
Impacto
(2002); e o
best-seller:
Código
Da Vinci
(2003). Numa
trajetória
meteórica se
vê,
hoje,
envolvido no
segundo
processo
judicial
de plágio.
2- O
que
é
plágio?
Plágio,
segundo
o dicionário
Universal
de
Língua
Portuguesa
plágio
é “apresentar,
como
seu,
trabalho
literário
ou
científico
copiado de
obra
alheia;
copiar,
reproduzir,
fazendo
passar
por
original;
imitar
servilmente
(trabalho
de
outrem)”.
No Brasil existe a
Lei de
Direitos Autorais 9.610/98 que declara que
reproduzir integralmente um texto, mesmo indicando a fonte,
mas sem a autorização do autor, pode constituir crime de
violação de direitos autorais. O Código Penal Brasileiro
especifica em seus artigos (184 a 196) as sanções referentes
aos crimes contra a propriedade imaterial.
3 - Casos
na Ciência
1996.
Alan Sokal
físico
norte
americano
publicou
pela
revista
Social
Text:
“Transgressão
das
fronteiras:
para
uma
hermenêutica
transformativa de
gravitação
quântica”.
A
Revista
Ingenium n. 88
declara: “uma das
mais
fantásticas e cruéis
fraudes
do
mundo
acadêmico”.
Alan sokal denunciou a
fraude
e
ciências
humanas e
ciências
exatas,
mais
uma
vez,
em
confronto
direto.
Defensores
e
acusadores
duelaram incansavelmente. A
celeuma
levou Sokal
juntamente
com
Bricmont a
escrever
em
1997 a
obra:
Imposturas
Intelectuais.
1759.
Jean Le Rond D´Alembert foi acusado de
plagiar
Francis
Bacon.
D´Alambert e Diderot (entre
outros)
elaboraram a
Enciclopédia
Francesa.
Em
sua
Nota
Preliminar
do
Autor
ele
dá credito a
contribuição
do
cientista
inglês
e se defende das
acusações.
1982. Luc Montaigner (França) X
Robert Gallo (EUA).
1985.
O historiador da
Universidade
de Peruggia, Umberto Bartocci, descobriu
que
Olinto de Pretto,
um
cientista
amador
italiano,
também
publicara
um
trabalho
com
a
mesma
equação,
um
ano
antes
de Einstein. O
jornal
inglês
The Guardian deu
grande
publicidade
ao
caso,
e várias
suspeitas
de plágio
foram levantadas
em
outros
veículos
de
comunicação.
1989/1990(?).
Fraude
da
Fusão
a Frio.
Em
23/03/1989 o
cientista
inglês
Martin Fleischman e o
cientista
norte-americano
Stanley Pons anunciaram ao
mundo
que
eles
haviam produzido
energia
mediante
a
fusão
de
núcleos
de
átomos
usando
equipamentos
de
bancada
e em
temperatura
ambiente,
daí a
origem
do
termo
“fusão
a frio”
anos
mais
tarde
esta fraude
foi
descoberta
e veio
à tona
expondo a vulnerabilidade
tanto
da
mídia
como
da
comunidade
científica
com
relação
à
credibilidade
de supostas
descobertas
científicas.
1986-1996
–
Experimento
transgênico
realizado
por
David Baltimore (norte
americano)
e Thereza Imanishi-Kari (brasileira).
Acusação
infundada
de Margaret
Margaret O'Toole,
membro
da
equipe
de
pesquisa
(...talvez
a sabotadora). O
processo
se arrastou
por
uma
década!
Baltimore e Imanashi-Kari foram inocentados.
2002.
O
caso
dos
Irmãos
Bogdanoff.
Um
dos
maiores
escândalos
na
comunidade
científica
européia e
que
eclipsou a
física
teórica.
Embuste.
1992.
Peter Duesberg X Robert Gallo (...de
novo)
A
hipótese
de Peter Duesberg:
AIDS:
doença
tóxica.
A
pesquisa
de Duesberg foi
bancada
pelo
National Cancer Institute (dos
USA)
em
91, aceita e publicada
em
92.
2003.
Denúncia
de Francisco Rüdiger
sobre
dissertação
de
mestrado
fraudada e apresentada na UFRGS.
2004.
Denúncia
de Ari Otti
sobre
fraude
e
falsidade
ideológica de
pesquisador
que
apresentou
Dissertação
de
Mestrado
na UFSC.
2004.
Artigos
fraudados e publicados na
revista
Science
pelo
pesquisador
sul-coreano
Woo-Suk Hwang.
Fraudes.
4.
Casos
da
Literatura
1990.
Roland Chaudenay
lança na França o "Dictionnaire
des
Plagiares"
(Dicionário
dos Plagiários, ed. Perrin, 320
páginas,
135
francos).
1998. Carmen
Formoso
Lapido x Camilo José
Cela.
A
primeira
alegava
que
sua
novela
novela
"Carmen, Carmela, Carmiña",
fora
plagiada
por
Cela
na
obra
"La
Cruz
de San Andrés".
caso
controverso,
pois
a
editora
Planeta
recebeu o
livro
de Lapido
para
um
premio
literário
em
1994.
Mais
tarde,
Cela
recebeu a premiação. A
memória
cibernética
(ciberespaço)
não
perdoou e
nem
esqueceu o
fato.
2000.
Ana Rosa
Quintana acusada de
plagiar em
'Sabor
a hiel' de Danielle Steel e Angeles Mastretta.
2005. Dan
Brown.
Primeira
acusação
de plágio
movida
por Lewis Perdue.
O último
denunciou
que
a obra: O
Código
Da Vinci
tinha elementos
copiados de
seus romances
romances
Daughter of God e The Da Vinci Legacy.
Em agosto
de 2005 Dan Brown ganhou o
caso.
2006. Dan
Brown.
Segunda acusação
de plágio.
5 - O
que
está
em
julgamento?
Um
tribunal
de Londres iniciou
em
27/02/2006 a
primeira
sessão
do
julgamento
a
respeito
da
acusação
levantada
por
dois
historiadores
em
desfavor
de Dan Brown. Richard Leigh e Michael Baigent
acreditam
que
o
escritor
best-seller
cometeu o
“pecado
capital
do
mundo
do
conhecimento
que
é o
plágio”
(Praxedes, 2003).
Para
os historiadores “toda
a
arquitetura”
fora
copiada da
obra
de não-ficção publicada
em
1982 "O
Santo
Graal e a
Linhagem
Sagrada",
e, serviu de
base
para
a
composição
do
livro
"O
Código
Da Vinci".
Este
é o
caso
está se tornando o
mais
polêmico e glamouroso do
Século
XXI. Pois
é:
O
thriller
religioso
de Brown
já
vendeu
mais
de 36
milhões
de
cópias
em
todo
o
mundo
e desagradou os
católicos
ao
sugerir
que
Jesus casou-se
com
Maria Madalena e teve
um
filho
com
ela.
A
mesma
teoria
é sustentada
em
"O
Santo
Graal e a
Linhagem
Sagrada"
(REUTERS, 2006).
Além
disso uma
grande
adaptação
da
obra,
um
filme
produzido
pela
Sony Pictures,
baseado
na
obra,
está para
ser
lançado
em
maio
do corrente
ano.
As
cifras
são
vultosas! A
indenização
requerida é de
cerca
de 2
milhões
de dólares. Uma
intrigante
menção
aparece no
texto:
“Analistas
apontam
que
o
nome
de
um
personagem
importante
do
livro
de Brown, sir Leigh Teabing, é
um
anagrama
de Leigh e Baigent.”
(REUTERS, 2006). ...Isso
também
pode ser
uma sutil
forma
de
ultraje.
Outro
jornal
em
28/02/2006 ponderou: “O
julgamento,
que
pode
durar
mais
de duas
semanas,
pode
ter
repercussões
sobre
as
leis
de
direitos
autorais,
já
que
estabelecerá
até
que
ponto
um
escritor
pode
utilizar
a
pesquisa
em
outros
livros
para
elaborar
sua
obra”,
(OESP, 2006).
5.1 As
Audiências
Em
12/03 - O
feitiço vira
contra o
feiticeiro.
o
advogado
da
editora
-
que
publicou
também
O
Sangue
de
Cristo...
- leu
em
tribunal
excertos
de
temas
tratados
no
livro
de Leigh
que
já
haviam aparecido noutros
romances,
e numa
linguagem
muito
semelhante
à
que
ele
utilizou. À
pergunta
que
se impunha, formulada
pelo
advogado
John Baldwin , "também
os copiou?", Leigh terá respondido
que
os
exemplos
em
causa
não
eram
cópias,
mas
sim
repetições.(SIC)
"Se algumas
frases
não
são
minhas,
é
porque
me
agradaram o
suficiente
para
me
apropriar
delas", acrescentou,
depois
de
garantir
serem
suas
muitas das
formulações
de O
Sangue
de
Cristo...
(DIARIO DE NOTICIAS, 2006)
Em
13/03 –
Um
pouco
de
arrogância
não
faz
mal...
O escritor
[Dan Brown] afirma
ter ido
além de suas
obrigações
ao mencionar o nome
dos dois
por serem aqueles
que
tornaram a teoria
mais
conhecida. "Gostaria de reafirmar
que fiquei espantado com
a opção dos
requerentes
de abrir um
processo
de plágio", diz a nota.
"Para eles
sugerirem, como
entendo que tenham
feito,
que eu
me
apropriei e explorei o trabalho deles é
simplesmente
não verdadeiro."
Em
depoimento,
Brown disse
que
sua
mulher,
Blythe, fez a
maior
parte
da
pesquisa
(GRIFO
NOSSO)
e que
ela
"é
profundamente
apaixonada pelo
feminino
sagrado"
(BBC, 2006).
O costume de
fazer
pesquisa prévia
para
escrita (em
trabalho
de criação
literária) é prática
consagrada por
escritores
tais como: Émile Zola,
Michael Crichton, Sidney Sheldon, Arthur Clarke, Isaac
Asimov e Scott Turow, (embora
estes dois últimos
apoiam-se primeiramente
em
experiências de seus
respectivos
ofícios).
Teoria
da
Conspiração?
Como o processo
é movido por dois
autores
publicados pela
mesma
editora que lançou “O
código Da Vinci” os caçadores de
teorias de
conspiração vêem elementos
que
podem relacionar
com
uma conspiração
com fins de
ampliação
de lucros. Tal
idéia
está expressa nas
seguintes
observações:
O sucesso
fenomenal
da obra de Brown levou as
vendas
de "The Holy Blood" a aumentar
nos
últimos anos, e o
próprio
julgamento as multiplicou por
sete
na Grã-Bretanha. Dezenas
de jornalistas de
todo
o mundo vêm acompanhando
cada
virada do processo e brincam,
dizendo farejar uma teoria
conspiratória digna do
próprio
"Código Da Vinci"
(O
GLOBO,
2006).
Alguns
Contrastes:
Os
personagens
principais
da
polêmica
revelam
alguns
contrastes
curiosos.
Durante
mais
de
três
dias
da
semana
passada,
Michael Baigent,
que
fala
em
tom
polido,
usa
terno
e tem
ar
de
professor
universitário,
foi interrogado de
maneira
implacável
pelo
advogado
da Random House, John Baldwin,
sobre
até
que
ponto
"The Holy Blood" e "O
Código
Da Vinci" de
fato
se sobrepõem.
Em
vários
momentos
ele
foi
obrigado
a
retroceder
em
relação
a afirmações específicas
feitas
por
ele
e Leigh
e a
abrandar
o
tom
de
seu
depoimento,
que
se estendeu
por
146
páginas
(do
total
de 475.
GRIFO
NOSSO).
Na
sexta-feira,
foi a
vez
de Leigh
depor,
e
ele
imediatamente
partiu
para
o
ataque,
acusando Dan Brown de
roubar
suas
idéias
e Baldwin de
agir
com
descortesia.
Durante
sua
passagem
muito
mais
breve
pelo
banco
das
testemunhas,
Leigh foi interrogado
sobre
a
originalidade
de
sua
própria
obra,
publicada
em
1982(GRIFO
NOSSO).
Dan Brown acompanhou a
maior
parte
dos procedimentos na
primeira
fileira
dos
bancos
reservados
ao
público,
aparentando
calma
e
ocasionalmente
conversando
com
seu
advogado
ou
passando
um
bilhete
para
algum
integrante
da
equipe
da Random House.
O
autor
de 41
anos
evita
estar
ao
centro
das
atenções,
mas
ter
que
se
acostumar
a
isso
nesta
segunda-feira,
quando
será interrogado
pelo
advogado
dos
autores
da
ação,
Jonathan Rayner James.
Mas
até
agora
o
astro
do
julgamento
tem sido o
juiz
Peter Smith,
que
consegue
abrir
caminho
em
meio
a
argumentos
legais
labirínticos
com
clareza
e
brevidade,
além
de
injetar
doses
de
humor
nos
procedimentos.
Quando
ele
afaga
seu
bigode
volumoso
e faz
observações
calmas,
o
tribunal
lotado faz
silêncio,
ansioso
por
ouvir
cada
palavra.
Na
semana
passada,
quando
Leigh reclamou
que
Dan Brown deu
crédito
insuficiente
a
ele
e
seus
co-autores
por
suas
pesquisas,
Smith o lembrou
que
"The Holy Blood" foi mencionado no
romance
-
um
dos
personagens
tem
um
nome
que
um
anagrama
de "Baigent" e "Leigh"(GRIFO
NOSSO).
[Reconhecimento
ou”
ato
falho”?]
Leigh respondeu
que
isso
não
bastava.
Mas,
nesse
momento,
o
caso
todo
parecia
estar
se resumindo à
simples
solicitação de
um
agradecimento, (O
GLOBO,
2006).
14/03/2006 -
Advogado
suspeita
que
Dan Brown mentiu
O
advogado
dos
dois
historiadores disse nesta
terça-feira
que
o
escritor
pode
ter
mentido
em
seu
testemunho.
Brown alega
em
sua
defesa
que
escreveu a
sinopse
de
seu
livro
antes
de
conhecer
"The Holy Blood, and the Holy Grail" ("O
Santo
Graal e a
Linhagem
Sagrada",
publicado no Brasil
pela
editora
Nova
Fronteira),
dos historiadores Michael Baigent e Richard Leigh,
publicado
em
1982.
Mas
o
advogado
Jonathan Rayner James mostrou
que
"O
Santo
Graal" é indicado
como
leitura
essencial
num dos
livros
usados
por
Brown
durante
a
pesquisa
para
escrever
a
sinopse
de "O
código
Da Vinci".
Eu
já
tinha
tudo
de
que
precisava
para
aquela
sinopse.
Estou olhando
para
o
plano
geral,
não
para
os
detalhes
- respondeu Brown,
em
seu
segundo
dia
no
banco
de
testemunhas.
(O
GLOBO,
2006).
É
aqui
que
está o
nó
górdio do
caso,
porque
o trabalho
de
criação
literária
precisa
ser
“selecionado
e organizado. Esta
seleção
e
organização
do
material
é a
mais
importante
operação
feita
pelo
artista
já
que
é
através
dela
que
ele
vai se
definir
e se vai
revelar”
(Ataíde, 1974, p.21,22).
Quando
Dan Brown procurou
provar
que
documentos
atribuídos a
sua
mulher
não
eram
obra
dela, o
tribunal
ouviu
discussões
sobre
as
diferenças
entre
a
pontuação
e a
ortografia
britânicas e americanas (Ultimo
Segundo,
2006).
16-03 O
principal
objetivo
da
corte
O
principal
objetivo
da
corte
é
determinar
quando
Brown e
sua
esposa
entraram
em
contato
com
informações
tiradas
de
O
Santo
Graal e a
Linhagem
Sagrada.
O
resultado,
até
o
momento,
foi
um
relatório
de 69
páginas
que
explica detalhadamente
como
Brown
pesquisa
seus
temas
(Fortunato, 2006).
18-03
Mea-culpa?
O
escritor
Dan Brown,
autor
de “O
código
Da Vinci”, admitiu na
última
quarta-feira
que
utilizou
em
seu
livro
algumas das
idéias
dos
dois
historiadores
que
o acusam de
plágio,
mas
ressaltou
que
o
best-seller
trata
de
outros
temas
igualmente
importantes
(O
Globo,
2006,
GRIFO
NOSSO).
6 - UMA MODESTA
PROPOSTA
A
ciência
não
é uma
forma
de
magia
negra.
Antes
de
encontrar
o
caminho
certo,
percorrem-se
mil
vielas
sem
saída;
antes
que
surja
um
Darwin
ou
um
Einstein
são
milhares
de
amadores
que
ensaiam
suas
forcas
por
essas
vielas.
GOULD, L. G.
Um
exame
das
matérias
divulgadas
pelos
meios
de
comunicação
de
massa
permite a
elaboração
de um
paralelismo
dos
prováveis
procedimentos do
desenvolvimento
da
perícia
e/ou
do
julgamento
e os
postulados
consagrados
pela
metodologia
científica.
Pois
Cervo
& Bervian (apud
Lakatos & Marconi, 1988, p. 40) declaram:
Em
seu
sentido
mais
geral,
o
método
é a
ordem
que
se deve
impor
aos
diferentes
processos
necessários
para
atingir
um
fim
dado
ou
um
resultado
desejado. Nas
ciências,
entende-se
por
método
o
conjunto
de
processos
que
o
espírito
humano
deve
empregar
na
investigação
e
demonstração
da
verdade.
Os
estudantes
universitários,
muitas
vezes
imaginam
que
a
metodologia
científica
seja uma
disciplina,
(apenas)
necessária
para
aqueles
acadêmicos
que
seguirão
carreira
de
pesquisador.
Mas
é necessário
enfatizar
que:
Os
estudantes
universitários
treinam
passos
no
caminho
da
ciência.
Isto
é
verdade.
Mas,
para
treinar
passos
no
caminho
da
ciência,
devem
não
só
imbuir-se de
espírito
científico
e de
mentalidade
científica,
mas
também
instrumentar-se e habilitar-se a
trabalhar
com
critérios
de
ciência.
Devem,
ainda,
estar
em
condições
de
realizar
os
trabalhos
de
pesquisa
que
lhes
forem sendo
gradativamente
solicitados, de
acordo
com
as
normas
da
metodologia
científica.
(RUIZ, 1996, P. 46).
O
estudo
e
exercício
constante
de
Metodologia
Científica
não
só
tem
caráter
propedêutico
e instrumental,
mas
também
será de
grande
valia
para
o
desenvolvimento
de outras
habilidades
tais
como:
aperfeiçoamento de
leitura,
escrita,
procedimentos de
organização,
exposição,
análise
e
síntese
de
pensamentos
e
idéias.
Entre
as
características
do
conhecimento
científico
arroladas
por
Lakatos & Marconi (1988, p.31,32) destacamos: é
analítico
em
virtude
de abordar
um
fato,
processo
ou
fenômeno,
decompor
o todo
em
suas
partes
componentes;
o procedimento
científico
de
análise
conduzir
à
síntese.
Embora
os mass-media
não
tenham explicitado
qual
a
metodologia
definida
pelo
juiz
para
a
condução
do
julgamento
do
caso,
algumas
frases
dão uma
indicação
de que
haverá
um
método
específico
para
a
busca
da verdade.
Assim
reportamos ao
enunciado
de Bunge (apud
Lakatos & Marconi, 1988, p. 41)
quando
declara: “Método
científico
é
um
conjunto
de procedimentos
por
intermédio
dos
quais
a) se propõe os
problemas
científicos
e b) colocam-se à
prova
as
hipóteses
científicas”.
Assim
o
tribunal
precisa
lançar
mão
da
técnica
de
análise
para
tentar
verificar
(validar
ou
refutar)
as
hipóteses
apontadas
pelos
envolvidos no
caso.
Pois
“a
análise
e a
síntese
podem
operar
sobre
fatos,
coisas
ou
seres
concretos,
sejam
materiais
ou
espirituais,
no
âmbito
das
ciências
factuais,
ou
sobre
idéias
mais
ou
menos
abstratas
ou
gerais,
como
nas
ciências
formais
ou
na
filosofia
(Lakatos & Marconi, 1988, p.45).
A
lógica
é a
companheira
indissociável
da
metodologia
no processo
de
pesquisa.
Porque:
para
a
metodologia
é de
vital
importância
compreender
que,
no
modelo
dedutivo,
a
necessidade
de
explicação
não
reside nas
premissas,
mas,
ao
contrário,
na
relação
entre
as
premissas
e a
conclusão
(que
acarretam).
Por
outro
lado,
não
é
necessário
que
o
princípio
geral
aduzido seja uma
lei
causal:
a
explicação
de
porque
algo
deve
ser
como
é
não
está limitada a
esse
algo
ser
feito
de
certas
causas
(Lakatos & Marconi, 1988, p.60, 61).
O
estudo
dos relatos dos
meios
de
comunicação
de
massa
possibilita
perceber
certas
evidencias, (prováveis)
do
método
hipotético-dedutivo.
Segundo
Popper “toda
pesquisa
tem
sua
origem
num
problema
para
o
qual
se
procura
uma
solução,
através
de
tentativas
(conjecturas,
hipóteses,
teorias)
e
eliminação
de
erros”
(cf. Lakatos & Marconi, 1988, p.64).
Podemos
supor
que
o júri
e os
peritos
precisarão
lançar
mão
de
técnicas
e
ferramentas
de
Inteligência
Artificial
(softwares
tais
como:
Plagirism, Plagiarism Checker e o Turnitin.
que
possam
auxiliar
no processo
do exame
mediante
a
heurística.
Quiçá
até
um
algoritmo
confeccionado
por
peritos
em
investigação
de
casos
semelhantes.
Para
este
fato
acreditamos
que
o
método
de
abordagem
mais
eficaz
seja o hipotético-dedutivo.
Pois
os
pesquisadores
precisão
investigar
hipóteses
e
variáveis
que
corroborarão
para
a
formulação
de uma
conjectura.
“Se a
conjectura
resistir
a
testes
severos,
estará “corroborada”,
não
confirmada,
como
querem os indutivistas”
(Popper
apud
Lakatos & Marconi, 1988, p.67). E o
principal
método
de procedimentos o documental.
6.1
Outras
Ferramentas,
Técnicas
e
Tecnologias
Os
peritos
têm
atualmente
uma
variedade
de
ferramentas
auxiliares
que
podem ser
úteis para
em
casos
similares
buscar
a verdade.
Por
exemplo
podemos
mencionar:
o
lendário
Polígrafo
(popular
máquina
"detector
de
mentiras"
conta
com
mais
de cinqüenta
anos)
os Analisadores Discursivos (Text Analyser);
Exame
de
Ressonância
do
cérebro;
Voice Stress Analyser; Brain Fingersprints.
Além
evidentemente
de
análise
de
linguagem
corporal
e da
observação
e
análise
comunicação
e
expressão
oral.
O
crescente
movimento
de
globalização
econômica
aponta
para
a o
crescimento
e acirramento das “guerras
da
informação”
(Toffler, 1993).
Duelo
de crackers x
hackers;
cientistas
da
computação
x criptógrafos;
pesquisadores
x
sabotadores,
espiões,
usurpadores
de (propriedade
industrial
e
intelectual).
Um
aspecto
positivo
desta
corrida
tecnológica
é a
crescente
demanda
por
trabalhadores
especialistas
em
perícia
documental e
tecnológica.
Cursos
de
formação
nestas
áreas
podem
ser
um
diferencial
determinante
para
um
“lugar
ao
sol”
e
carreira
com
tarefas
dinâmicas
e lucrativas e no
futuro.
Conclusão
Através
deste
ensaio
procuramos
explorar
a possibilidade de
aplicação
do
aparato
conceitual
da
metodologia
científica
para
o
uso
em
um
caso
real
de
investigação
em
busca
(confirmar
ou
negar
o
suposto
plágio)
da
verdade.
Muito
embora,
no
processo
de
busca
a
ciência
consegue
ficar
sempre
um
pouco
aquém
da
mesma.
Mas
o
exercício
de
levantamento
bibliográfico permitiu
observar
lacunas na
condução do
julgamento do
caso. Constatamos
também,
ao
longo
do
tempo
de
pesquisa
e
reflexão,
a
dificuldade
que
existe
em
realizar
e
descrever
(explicitar)
um
estudo
transdisciplinar. Parece-nos
que
o
uso
conjugado
de
ferramentas,
técnicas
e
tecnologias
devem
prover
auxílio
significativo,
e
corroborar,
para
se
chegar
a uma
conjectura
crível.
Ressaltamos
que
a
demanda
por
especialistas
em
perícia
documental e
tecnológica no
século XXI tende a
crescer
exponencialmente.
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João Gomes Moreira. Tecnólogo em
Processamento de Dados, Especialista em
Administração e Planejamento para Docentes, Mestre
em Educação pelo Centro Universitário Adventista de
São Paulo, UNASP. Ph.D. em Ciência da Informação
pela American World University, AWU – IOWA/USA.
Integrante do Grupo de Pesquisa – PRAXIS –
Universidade Federal de Rondônia, UNIR.
In. Revista Ingenium.
N. 88. Os irmãos Bogdanoff .
http://www.ordemengenheiros.pt/Default.aspx?tabid=1551
irmãos Bogdanoff, o melhor ponto de partida é a
página Web de John Baez: http://math.ucr.edu/home/
baez/bogdanoff/.
Artigo “Legitimação acadêmica do plágio”.
Complemento do artigo "Fraude expõe decadência da
universidade", publicado na edição 209 do OI.
Izique, Claudia.
Era tudo mentira verdade.
www.fapesp.br/materia.php?data%5Bid_materia%5D=2254
LETRALIA declara: “El escritor Camilo José Cela no
será enjuiciado por el supuesto plagio del que le
acusara en 1998 la escritora Carmen Formoso Lapido,
ya que la jueza Eugenia Canal Bedía, de Barcelona,
desestimó la querella al considerarla inconsistente,
pese a que reconoció haber hallado "coincidencias
genéricas argumentales".
Juzgado de Barcelona
desestimó juicio contra Cela http://www.letralia.com/74/notic074.htm
.
Acesso em 20 mar. 2006.
GALLARDO ORTIZ, Miguel Angel contradiz afirmando: “Antes
de hacer un dictamen pericial, hay que clarificar al
máximo su proposición. Hasta donde yo sé, nadie ha
pedido expresamente una prueba pericial adecuada
porque los documentos firmados por los catedráticos
Sergio Beser y Luis Izquierdo (este último lo titula
"Balance de dos novelas"), en mi modesta opinión,
NO ESTÁN CORRECTAMENTE PLANTEADOS EN TÉRMINOS
PERICIALES, dicho sea sin ningún ánimo de
ofender ni a los autores, ni a las partes
legítimamente más interesadas”.
Disponível em: <http:www.cita.es/plagio> acesso em
20 mar. 2006. de igual modo GARCÍA YEBRA, Tomás não
crê na inocência de Cela. Ele escreveu um livro
denominado:
Desmontando a Cela. Disponível em <http://news.bbc.co.uk/hi/spanish/misc/newsid_2316000/2316267.stm>.
Acesso em 20 mar. 2006. Outras referências:
Una noticia sacude el mundo de las letras:
Acusan de plagio al Nobel de literatura Camilo José
Cela.
http://www.mujeresdeltercermilenio.hpg.ig.com.br/camilojosecelaplagio.htm.
. http://www.cincodias.com/especiales/especiales/2001/especial2001/html/cul2.html
.
A tradução cabível é esquema. Para familiarizar-se
com a tipologia adotada nos manuais brasileiros de
produção de texto. “O esquema é um mapa. O
esquema é um guia. Não haverá lugar para desvios ou
retrocessos se tivermos, anteriormente, traçado o
nosso roteiro”. P. 28. RODRIGUES, Paulo S.
Técnicas de Redação. Londrina: EDUEL, 1998.
Luci Prudente de Mello é professora de Língua e
Literatura Portuguesa e Redação no Colégio Assunção,
em São Paulo.
http://vestibular.terra.com.br/interna/0,,OI757139-EI5091,00.html
21 mar. 2006.
Saiba como fazer uma boa redação e se sair bem no
vestibular.
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