RESUMO
Neste artigo estão
abordadas questões ligadas, ao comportamento por parte de alguns
adolescentes, telespectadores no cinema de uma cidade localizada
no interior de PE. Tópicos relevantes como o que diz a Lei sobre o
adolescente; o que significa adolescência; e qual o papel do
Pedagogo Social diante dessa problemática são evidenciados.
Ressalta-se, contudo que o tema defendido é decorrente da
elaboração de um projeto de intervenção Pedagógica Social, que
visa mobilizar os
responsáveis pelo cinema da região, para que possam desenvolver
ações que despertem e incentivem nos adolescentes, a importância
de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros,
a fim de que passem a conhecer e vivenciar os seus limites e
alternativas, facilitando o seu próprio acesso e inserção no meio
social.
Palavras- chave:
Adolescência, Comportamento, Pedagogo Social.
INTRODUÇÃO
A adolescência é considerada como uma fase que
antecede a etapa adulta. È caracterizada, no entanto, por sub
fases que envolvem, desenvolvimento físico significativo,
oscilação no lado emocional, o sentimento de dúvida entre o amor e
o ódio, maturação dos órgãos sexuais (reprodutores), incertezas
diante das escolhas (dentre elas a profissional); o relacionamento
com pessoas (grupos) que demonstrem as mesmas preferências,
demonstram repúdio em relação aos limites impostos pela família,
por considerarem autoritarismo, e muitas outras caracterizações.
Diante dessa realidade, cabe aos adultos tentarem compreender e
orientar os adolescentes cheios de idéias, inovações, medos,
incertezas e que se encontram em constante transformação; porém,
compreender não significa ceder a caprichos, nem se deixar seduzir
pelos apelos dos adolescentes, mas sim refletir, ponderar, decidir
de maneira flexível, sem abrir mão dos limites precisos e
necessários à formação do futuro adulto, em especial, do cidadão.
O
presente artigo, no entanto, visa evidenciar a caracterização de
adolescência e do adolescente; envolvendo o que diz a Lei, dando
ênfase ao comportado de alguns adolescentes nos dias atuais, no
cinema da cidade do interior pernambucano no vale do São
Francisco. As fundamentações objetivam, dentre outros, divulgar
como os adolescentes têm, usufruídos seus direitos, e como têm
cumprido os seus deveres perante os espaços que freqüentam e a
sociedade de maneira geral.
Contudo, o tema tratado é decorrente de observações
realizadas como telespectadora do cinema local. E na condição de
Pós Graduanda em Pedagogia Social pela FINOM e por realizar
trabalhos educativos como pedagoga; surgiu a necessidade de estudo
e aprofundamento sobre a temática, incluindo o papel do Educador
Social frente a essa realidade.
1.
ADOLESCÊNCIA X COMPORTAMENTO.
O termo
adolescência quase sempre é substituído por juventude. E com isso
“Podemos considerar, então, que a adolescência é uma fase típica
do desenvolvimento do jovem de nossa sociedade”. (BOCK; FURTADO;
TEIXEIRA, 2001, p. 293)
De acordo com Içami Tiba, a Adolescência “está
muito bem definida no desenvolvimento biológico pelo aparecimento
dos pêlos pubianos, resultado da produção dos hormônios sexuais.
Ela é marcadamente em processo biológico”. (2005, p.32).
No
entanto, a adolescência é caracterizada por um período em que o
tanto garoto quanto a garota procuram se afastar dos seus próprios
laços afetivos, da sua família, por preferirem a proximidade dos
de colegas, de novos grupos. O adolescente faz suas próprias
escolhas, decide com quem quer andar, que roupa usar, que lugares
e diversões preferem. Contudo, a sua identidade está em constante
movimento e o seu comportamento vai sendo marcado por situações e
ações inusitadas.
A
respeito diz Bock; Furtado; Teixeira (idem, p. 207), “identidade é
um processo de construção permanente, em contínua transformação –
desde antes de nascer até a morte!”.
No que
se refere à identidade como processo em movimento, registra-se
que, não só os adolescentes, mas todos os seres humanos passam por
contínuas transformações e possuem comportamentos que na maioria
das vezes caracterizam-se pela sua interação com o meio. Tais
comportamentos de acordo com a psicologia são classificados como
operantes. Portanto, o comportamento operante que também faz parte
da vida do adolescente “inclui todos os movimentos de um organismo
dos quais se possa dizer que, em algum momento, tem efeito sobre
ou fazem algo ao mundo em redor”. (KELLER. 1972, p. 10).
Vale
ressaltar que inexistência de diálogo, da exposição e vivência de
valores por parte dos pais em relação aos filhos contribui muitas
vezes com a reprodução de comportamentos negativos. Os filhos
(crianças e adolescentes) por se encontrarem em fase de imitação
do adulto e do outro, acabam por seguir exemplos nada
satisfatórios e contraditórios aos olhos da sociedade em que estão
inseridos. A respeito evidencia-se:
É na adolescência
que o filho lança-se para ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele
e socorrê-lo quando preciso. Também é da responsabilidade
educativa dos pais interferir quando algo não vai bem, sob pena de
estar negligenciando a educação”. (IÇAMI TIBA, 2005, P. 35)
É
cabível evidenciar que a família atual, base de toda a educação, e
as instituições tradicionais também desconhecem ou não desejam
assumir o seu papel educativo. A família hoje, terceiriza a sua
responsabilidade de várias maneiras e com isso o adolescente é a
criança que ingressa na escola aos dois anos de idade. E assim,
desde a mais tenra idade, passa mais tempo com pessoas estranhas e
conseqüentemente mais distantes dos laços afetivos familiares.
É
sabido que a convivência com o outro é imprescindível e “que o ser
humano só desenvolve potencialidades em contato com outras
pessoas, com o meio social. A convivência no grupo, por sua vez,
só é possível se o indivíduo acatar certas regras comuns a todos,
se for capaz de “abrir mão” de alguns de seus desejos para ter
outros, socialmente aceitos”. (Meksenas, 1994, p. 37). O autor
reforça a idéia de respeito mútuo, de fazer valer os direitos e
cumprimento de deveres individuais.
Não se
pretende com a fundamentação defendida, levantar uma bandeira em
prol de imposições arbitrárias, por meio de regras rígidas para
com os nossos adolescentes, mas sim, levá-los a conhecer limites,
“[...] construir o conceito de patrimônio público, coletivo, tão
importante para o exercício da cidadania”. (PCN, vol. 8, 2001).
O
adolescente é conhecedor de que pode sonhar junto e assim
transformar a sociedade. Diante disso, organiza-se em grupo para
enfrentar seus anseios e concretizar idéias. “Para garantir esse
ideal [...], o jovem organiza-se em grupos, como as gangues, os
grupos de punks, os grupos de motoqueiros, os grupos de política
estudantil etc., buscam uma subcultura e uma identidade própria”.
(BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, idem, p. 301).
Todas as diferenças existentes no
comportamento modelado em sociedade resultam da maneira pela qual
os homens organizam as relações entre si, que possibilitam o
estabelecimento das regras de conduta e dos valores que nortearão
a construção da vida social, econômica e política. (ARANHA, 1993,
p. 37)
É
importante registrar que os adolescentes têm necessidades
curiosas, vontades estranhas, comportamentos imediatos, onde
realizam antes mesmo de pensarem e a pressa se revela na vivência
de cada momento como se fosse o último de suas vidas, atropelando
regras e a supremacia dos valores. Porém, os responsáveis por
outras instituições que não sejam a família, a igreja, a escola
não se atentam para tal realidade, e acreditam que não é de sua
responsabilidade contribuir com intervenções mesmo que sejam
informais. Isso se justifica por serem adultos que também não
tiveram orientação precisa quando eram adolescentes e hoje
desconhecem as melhores formas de lhe darem com os jovens.
2.
O ADOLESCENTE: O QUE DIZ A LEI
A
Constituição Federal (1988),
Art. 227
também assegura os direitos do cidadão. E assim evidencia:
É dever da família, da sociedade e
do estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação,
ao lazer, a profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além
de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação,
exploração, violência, crueldade e opressão.
De
acordo com o Estatuto da Criança e o Adolescente / ECA, Lei N.
8.069, “considera-se [...], adolescente aquele entre 12 (doze) e
18 (dezoito) anos de idade”. (Art. 2º). Em seu Artigo 3º consta:
A criança e o adolescente gozam de
todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei,
assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidade, a fim de lhes facilitar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e dignidade.
Já a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece em seu
Art. 1º. que “A educação abrange os processos formativos que se
desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho,
nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e
organizações da sociedade civil e nas manifestações cultuais”.
De
acordo com Ramiro Marques (2000, p. 55) “A Lei de Bases do Sistema
Educativo recomenda uma educação para a cidadania através da
abordagem de temas transversais, [...]”. Tais temas são vistos
como integrantes a todas esferas educativas: formal, informal, não
formal; por serem classificados como temáticas urgentes
sinalizados pela sociedade. Ou seja, os temas transversais estão
ligados “à construção da cidadania por meio de temas da atualidade
[...]*”.
Analisando algumas Leis, entende-se que espaços de entretenimento
também são ou deveriam ser favoráveis à educação do cidadão.
Obviamente esses espaços não são responsáveis pela
educação formal que está
ligada a aprendizagem escolar. Mas, sim pela informal que é
caracterizada pelo convívio familiar, com o vizinho, tios, primos,
com diferentes grupos dentre outros e até mesmo por meio da não
formal, que se dá de forma organizada, porém, fora dos âmbitos
educacionais. Ou seja, essas instituições podem abrir espaço para
que líderes, facilitadores, educadores da educação não formal
desenvolvam atividades em paralelo ao local de entretenimento.
Ressaltando ainda, que as ações da educação não formal não são
vistas como atitudes de padronização de hábitos e de conduta, nem
como ações de rigidez, de exigência, ou modelo a ser seguido. Mas
sim, como alternativa de conscientização, de valorização a si
próprio e ao outro. Para melhor compreensão registra-se:
A educação formal
compreenderia instâncias de formação, escolares [...], onde há
objetivos educativos explícitos e uma ação intencional
institucionalizada, estruturada, sistemática. [...] A educação
informal corresponderia a ações e influências exercidas pelo meio,
pelo ambiente sócio cultural, e que se desenvolve por meio das
relações dos indivíduos e grupos com seu ambiente humano, social,
ecológico, físico e cultural das quais resultam conhecimentos,
[...], mas que não [...] são intencionais e organizas. A educação
não formal seria realizada em instituições educativas fora dos
marcos institucionais, mas com certo grau de sistematização
estruturação ¹.
Diante da citação exposta, compreende-se que espaços
como teatros e cinemas podem ser utilizados como auxiliares
educativos informais e não formais. Podem enquadrar-se como locais
que possibilitam o desenvolvimento moral e social, em condições de
liberdade, e assim estará colocando em prática parte do Art. 2º do
ECA, já citado anteriormente.
3. O ADOLESCENTE
COMO TELESPECTADOR NO CINEMA DE UMA CIDADE INTERIORANA DO VALE DO
SÃO FRANCISCO
O
cinema do Vale do são Francisco assim como outros atende a
diversos públicos por meio de programações pertinentes a cada
faixa etária. No entanto, parte do público adolescente que
freqüenta o local, vem desrespeitando o direito dos demais
telespectadores, ao fazer uso de palavrões, gritarias, guerrinhas
com sacos de pipoca amassados, dentre outros.
“E o
que diferencia o homem de todos os outros seres do mundo é a
capacidade de buscar incessantemente, com base na virtude, na
excelência, fazer melhor a vida dos outros”, diz Chalita (2009,
p.36). Porém, esse diferencial humano, vem se revelando distante
da realidade vivida por parte de alguns adolescentes da nossa
região. E a comprovação da afirmativa se dá exatamente no ato de
levar as crianças hoje ao cinema local, porque acabamos
disponibilizando aos seus ouvidos, um vocabulário chulo e
antiético, distanciando os valores morais que contribuem com o
exercício da cidadania. Assistir a um filme hoje, estendido ao
público infantil se tornou um tormento na cidade do interior de
Pernambuco, uma vez que nos deparamos com adolescentes desconhecedores do
senso ético, e para completar, o ar condicionado vem apresentando
refrigeração precária.
Sabe-se
que a adolescência é uma fase confusa, momento de muitas
descobertas e prazeres. Mas tem revelado também a inconseqüência
comportamental. Ser adolescente não é ser prejudicial, não é ser
negativo. Não se pretende denegrir a imagem do adolescente, mas
sim tentar entendê-lo, incentivar a sociedade para que o
compreenda, ajude-o a enxergar além das suas inquietações,
contribuindo para que este, não apenas sinta as transformações,
mas saiba o quão normal elas são e que conviver com tais mudanças
não requer invadir o espaço do próximo, até porque “Os bons
hábitos são fundamentais para a realização de atividades
harmonizadas com a excelência porque boas ações precisam fazer
parte do nosso dia-a-dia”. (idem, p.67).
Vale
complementar que, o adolescente vive em sociedade, convive com
outros adolescentes, com crianças, com adultos, idosos. E para
tanto, necessita conhecer regras e normas que pertinentes ao
convívio social. É sabido, que não é uma tarefa fácil
conscientizar o ser humano das leis, normas e regras, mas estas
são indispensáveis para que os limites sejam reconhecidos,
respeitados e praticados. Tornam-se importantes para que a moral e
ética sejam realmente vivenciadas.
De
acordo com o PCN (vol. 08, 2001, p.69) O ser humano vive e convive
com outros seres humanos “e, portanto, cabe-lhe pensar e responder
a seguinte pergunta: como deve agir perante os outros? Trata-se de
uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser
respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética.
Ressalta-se ainda que, no dia em que o homem, o adolescente, a
criança, conseguirem a sua maneira responder a tal questionamento,
muita coisa pode mudar. Se agirem com os outros como desejariam
que agissem consigo, com certeza mudanças seriam significativas;
os valores seriam preservados; e a ética seria melhor,
compreendida”.
4.
PAPEL DO PEDAGOGO SOCIAL DIANTE DESSA REALIDADE
A
pedagogia social é uma área que envolve a educação: informal,
formal e não-formal, bem como as relações existentes entre elas.
Cabendo ao especialista da referida área desenvolver habilidades
organizacionais que visem administrar os mais diversos conflitos
advindos do trabalho em equipe, da convivência em grupo e até
mesmo lidar com as dúvidas grupais ou individuais; buscando sempre
a valorização e desenvolvimento das pessoas em prol da suas
vivências sociais e melhoria do clima organizacional sejam em
empresas ou em instituições, ou em grupos diferenciados, incluindo
os adolescentes.
A ação
pedagógica é ampla e “perpassa toda a sociedade, extrapolando o
âmbito escolar formal, abrangendo as esferas mais amplas da
educação informal e não formal”, assim diz Libâneo (2007, p.28).
Contudo, o papel do pedagogo social diante do comportamento por
parte dos adolescentes, durante as sessões de cinema ocorridas no
Shopping da região, deve buscar alternativas que visem desenvolver
ações educativas que venham despertar e incentivar um bom
comportamento. Um comportamento que respeite o direito do outro.
Partindo do pressuposto de que os ambientes de lazer,
entretenimento e cultura, o que inclui o cinema, também são
agentes contribuintes educativos. Evidencia-se que, as sessões de
cinema promovidas na cidade pernambucana, deveriam contar com o
apoio de ações por meio de orientações que informem e sensibilizem
o público antes de acessarem o espaço em que são projetados os
filmes, fazendo valer a democracia.
A democracia é um
processo que se constrói historicamente, e se aprimora ao longo do
tempo, à medida que se amplia o poder de participação consciente e
efetiva do povo nas questões que dizem respeito a todos. (MENEZES,
Mindé; RAMOS, Wilse (org.) Coleção Magistério: Proformação, unid.
7, 2002, p. 61).
Mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que,
desenvolvam ações que venham despertar nos adolescentes que
freqüentam as sessões, a importância de fazer valer os seus
direitos e deveres, bem como os dos outros; a fim de que conheçam
e vivenciem os seus limites e alternativas, facilitando o seu
próprio acesso e inserção no meio social de maneira democrática;
podem ser vistas como responsabilidade do fazer pedagógico social,
ou seja, ações a serem adotados pelo Pedagogo Social.
Os
espaços de lazer e entretenimento são campos “[...] de atividades,
com possibilidades de gerar valores que ampliem o universo de
manifestação [...]”. (Marcellino, 2005, p. 22). Por essa razão,
surge a necessidade de intervenções pedagógicas sociais em locais
como esses, para que sejam disponibilizadas informações que
despertem e melhorem a sensibilidade, contribuindo com o
crescimento pessoal e social. Até porque, “Com a descoberta do
homem social, evidencia-se a importância de o homem ser
simultaneamente criador e produto de sua sociedade e cultura”. (Manhães,
2009, p 22).
Cabe
por tanto, ao Pedagogo - Educador Social acrescer ao seu papel de
Educador, a ação de fomentar em cada individuo a importância de
questionar a sua própria realidade social; de rever seus próprios
valores morais, sociais e culturais para que então sejam
reavaliadas e aprimoradas determinadas vivências.
Como diz Forquin (1992,
p. 37, apud Fonseca, 2003, p.34), “[...] é preciso reconhecer a
autonomia relativa e a eficácia própria da dinâmica cultural [...]
em relação às outras dinâmicas que coexistem no campo social”. Ou
seja, é imprescindível valorizar e questionar tanto a realidade
social quanto as dinâmicas dessa cultura social.
Questionar a
realidade social em que está inserido, estabelecendo relações de
diferença e semelhança, mudança e permanência entre as
problemáticas identificadas e as questões vivenciadas por outros
sujeitos, nas múltiplas dimensões da vida coletiva, em outros
tempos e/ou espaços. (PANISSET, 2000).
No
entanto, o ato de questionar a realidade social em especial, a
realidade em foco, se estende tanto aos adolescentes como aos
proprietários dos estabelecimentos. Pois, quando se trata de
educação, todos os envolvidos direta ou indiretamente no processo
devem ser mobilizados, caso contrário, a problemática permanecerá
com seus entraves. É cabível, entretanto, enfatizar que os
responsáveis pelos espaços de entretenimento local devem ser
alertados para a importância de se desenvolver ações tais como:
distribuição de panfletos educativos, exposição de cartazes e
sinalizações educativas que informem e incentivem aos
freqüentadores do local a zelarem e respeitarem os locais
destinados ao lazer e a descontração. Enfim, contribuam com
aprendizagens significativa e conseqüentemente com o aprimoramento
da educação, uma vez que tanto a aprendizagem, quanto à educação
se dão de diferentes maneiras e por toda a vida.
Aprender é um processo interno que
consiste em mudanças permanentes, que se integram ao comportamento
do indivíduo, levando-o a agir diferentemente em situações novas
posteriores. [...] A aprendizagem é um processo, ou seja, não
acontece de uma vez, mas se realiza ao longo da vida do indivíduo
a partir de suas experiências. (SENAC DN, 1997, p. 19)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fundamentação discorrida não teve a pretensão de
encontrar culpados com a formação dos nossos jovens, nem apontar
defeitos diante do comportamento de crianças e adolescentes, mas
sim despertar a necessidade de desenvolver atividades de
intervenções direcionados ao público infantil- juvenil, com o
intuito de despertar nestes, um novo olhar, uma nova postura,
diante do meio social; como também, incentivar adultos que mantém
contato com esse público jovem e profissionais da área educativa
para que passem a perceber as situações surgidas de formas
diferenciadas, com mais cautela, compromisso, atenção e respeito.
“A vida
humana é uma gradativa tomada de consciência de seu verdadeiro
ser, de sua realidade mais profunda” (SAMPAIO, 2004, p. 46),
portanto, fomentar a apoiar o processo amplo de intervenção
educativa não formal e informal é uma alternativa que pode ser
abraçada pelo Pedagogo Social e se estender a outros profissionais
e voluntários que reconheçam a importância de repensar os valores
éticos atuais vivenciados pela sociedade.
Salienta-se, no entanto, que o artigo defendido, deseja
desenvolver ações educativas que venham despertar e incentivar
boas posturas comportamentais por parte dos freqüentadores das
sessões de cinema, despertando-os para a importância de fazer
valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; e ainda
mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que
desenvolvam ações que contribuam com o acesso e a inserção de
crianças e adolescentes no meio social.
As
ações informativas educativas por meio de intervenções não devem
ser adotadas apenas pelos cinemas, mas envolver todos os ambientes
freqüentados por crianças e adolescentes, uma vez que, ações dessa
natureza podem contribuir com o repensar de ações e
conseqüentemente transformar o modo de agir, fazendo valer as
questões éticas de convivência em grupo e em sociedade.
Registra-se ainda que, levantar
questionamentos sobre a realidade que envolve
o
comportamento dos adolescentes em sessões de cinema na cidade pernambucana, no Vale do São Francisco foi de grande valia, uma
vez que o tema despertou interesse por parte de alguns
profissionais da área educativa incluindo a cidade circunvizinha
(Juazeiro Bahia) que faz parte do público freqüentador do cinema
local. A
professora Rose Mary Rodrigues da Escola Normal de Juazeiro - BA,
responsável pela disciplina Gestão comportamental, onde trabalha,
fortemente a ética, a moral, a preservação do meio ambiente e
outros temas transversais com os alunos adolescentes.
A educadora pretende implantar a idéia neste ano de
2010 por meio de um projeto que tem como temática: O comportamento
de adolescentes em sessões de cinema numa cidade interiorana do
Vale do São Francisco.
A temática do projeto a ser executado, é semelhante ao
do presente artigo, e que por sua vez, podem ser vistos (projeto e
artigo) como desabafo de uma cidadã, mãe e educadora. E a
oportunidade da especialização em Pedagogia Social, veio
fortalecer o estudo, o aprofundamento, a construção, o registro e
a divulgação do material (fundamentação teórica), que também é
caracterizada como um tema urgente na sociedade local, ou seja, é
um considerado transversal. Vale ressaltar que os Temas
Transversais são decorrentes dos Parâmetros Curriculares Nacionais
e contribuem com a abordagem de problemáticas sociais.
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Transversalidade, Qual é a diferença? In: Educação 2010: As mais
importantes tendências na visão dos mais importantes educadores;
p.18. Editora Multiverso/ Humana Editorial.
¹* Pós - Graduanda
em Pedagogia Social, pela FINOM; Especialista em
Interdisciplinaridade pela FACINTER; Graduada em Pedagogia pela
UPE (Universidade de Pernambuco). Publicações: “Reforço Escolar,
p. 125-127, livro “Educação 2009”; “Interdisciplinaridade e
Transversalidade, qual é a diferença”, p.
17-20, livro “Educação 2010”,
ambos da
Humana Editorial/ Multiverso;
“Dinâmica em Sala de Aula: Instrumento da Ação Pedagógica”,
52p. Juazeiro Bahia: Acervo bibliográfico da UNEB, campus III, CDD
301.114. e-mail:
raylenerego@hotmail.com/
www.raylenerego.blogspot.com