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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 15 de julho de 2010 20:48:00                                               

 
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EDUCAÇÃO

O comportamento dos adolescentes em sessões de cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale do Rio São Francisco

 

Raylene Rêgo Braz Andrade Oliveira*

publicado em 03/07/2010

 

 

 

RESUMO 

Neste artigo estão abordadas questões ligadas, ao comportamento por parte de alguns adolescentes, telespectadores no cinema de uma cidade localizada no interior de PE. Tópicos relevantes como o que diz a Lei sobre o adolescente; o que significa adolescência; e qual o papel do Pedagogo Social diante dessa problemática são evidenciados. Ressalta-se, contudo que o tema defendido é decorrente da elaboração de um projeto de intervenção Pedagógica Social, que visa mobilizar os responsáveis pelo cinema da região, para que possam desenvolver ações que despertem e incentivem nos adolescentes, a importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros, a fim de que passem a conhecer e vivenciar os seus limites e alternativas, facilitando o seu próprio acesso e inserção no meio social.  

Palavras- chave: Adolescência, Comportamento, Pedagogo Social. 

 

INTRODUÇÃO

 

            A adolescência é considerada como uma fase que antecede a etapa adulta. È caracterizada, no entanto, por sub fases que envolvem, desenvolvimento físico significativo, oscilação no lado emocional, o sentimento de dúvida entre o amor e o ódio, maturação dos órgãos sexuais (reprodutores), incertezas diante das escolhas (dentre elas a profissional); o relacionamento com pessoas (grupos) que demonstrem as mesmas preferências, demonstram repúdio em relação aos limites impostos pela família, por considerarem autoritarismo, e muitas outras caracterizações. Diante dessa realidade, cabe aos adultos tentarem compreender e orientar os adolescentes cheios de idéias, inovações, medos, incertezas e que se encontram em constante transformação; porém, compreender não significa ceder a caprichos, nem se deixar seduzir pelos apelos dos adolescentes, mas sim refletir, ponderar, decidir de maneira flexível, sem abrir mão dos limites precisos e necessários à formação do futuro adulto, em especial, do cidadão.

            O presente artigo, no entanto, visa evidenciar a caracterização de adolescência e do adolescente; envolvendo o que diz a Lei, dando ênfase ao comportado de alguns adolescentes nos dias atuais, no cinema da cidade do interior pernambucano no vale do São Francisco. As fundamentações objetivam, dentre outros, divulgar como os adolescentes têm, usufruídos seus direitos, e como têm cumprido os seus deveres perante os espaços que freqüentam e a sociedade de maneira geral.

            Contudo, o tema tratado é decorrente de observações realizadas como telespectadora do cinema local. E na condição de Pós Graduanda em Pedagogia Social pela FINOM e por realizar trabalhos educativos como pedagoga; surgiu a necessidade de estudo e aprofundamento sobre a temática, incluindo o papel do Educador Social frente a essa realidade.  

 

1. ADOLESCÊNCIA X COMPORTAMENTO. 

 

            O termo adolescência quase sempre é substituído por juventude. E com isso “Podemos considerar, então, que a adolescência é uma fase típica do desenvolvimento do jovem de nossa sociedade”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2001, p. 293)

            De acordo com Içami Tiba, a Adolescência “está muito bem definida no desenvolvimento biológico pelo aparecimento dos pêlos pubianos, resultado da produção dos hormônios sexuais. Ela é marcadamente em processo biológico”. (2005, p.32).

            No entanto, a adolescência é caracterizada por um período em que o tanto garoto quanto a garota procuram se afastar dos seus próprios laços afetivos, da sua família, por preferirem a proximidade dos de colegas, de novos grupos. O adolescente faz suas próprias escolhas, decide com quem quer andar, que roupa usar, que lugares e diversões preferem. Contudo, a sua identidade está em constante movimento e o seu comportamento vai sendo marcado por situações e ações inusitadas.

            A respeito diz Bock; Furtado; Teixeira (idem, p. 207), “identidade é um processo de construção permanente, em contínua transformação – desde antes de nascer até a morte!”.

            No que se refere à identidade como processo em movimento, registra-se que, não só os adolescentes, mas todos os seres humanos passam por contínuas transformações e possuem comportamentos que na maioria das vezes caracterizam-se pela sua interação com o meio. Tais comportamentos de acordo com a psicologia são classificados como operantes. Portanto, o comportamento operante que também faz parte da vida do adolescente “inclui todos os movimentos de um organismo dos quais se possa dizer que, em algum momento, tem efeito sobre ou fazem algo ao mundo em redor”. (KELLER. 1972, p. 10).

            Vale ressaltar que inexistência de diálogo, da exposição e vivência de valores por parte dos pais em relação aos filhos contribui muitas vezes com a reprodução de comportamentos negativos. Os filhos (crianças e adolescentes) por se encontrarem em fase de imitação do adulto e do outro, acabam por seguir exemplos nada satisfatórios e contraditórios aos olhos da sociedade em que estão inseridos. A respeito evidencia-se: 

É na adolescência que o filho lança-se para ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele e socorrê-lo quando preciso. Também é da responsabilidade educativa dos pais interferir quando algo não vai bem, sob pena de estar negligenciando a educação”. (IÇAMI TIBA, 2005, P. 35) 

 

            É cabível evidenciar que a família atual, base de toda a educação, e as instituições tradicionais também desconhecem ou não desejam assumir o seu papel educativo. A família hoje, terceiriza a sua responsabilidade de várias maneiras e com isso o adolescente é a criança que ingressa na escola aos dois anos de idade. E assim, desde a mais tenra idade, passa mais tempo com pessoas estranhas e conseqüentemente mais distantes dos laços afetivos familiares.

            É sabido que a convivência com o outro é imprescindível e “que o ser humano só desenvolve potencialidades em contato com outras pessoas, com o meio social. A convivência no grupo, por sua vez, só é possível se o indivíduo acatar certas regras comuns a todos, se for capaz de “abrir mão” de alguns de seus desejos para ter outros, socialmente aceitos”. (Meksenas, 1994, p. 37). O autor reforça a idéia de respeito mútuo, de fazer valer os direitos e cumprimento de deveres individuais.

            Não se pretende com a fundamentação defendida, levantar uma bandeira em prol de imposições arbitrárias, por meio de regras rígidas para com os nossos adolescentes, mas sim, levá-los a conhecer limites, “[...] construir o conceito de patrimônio público, coletivo, tão importante para o exercício da cidadania”. (PCN, vol. 8, 2001).   

            O adolescente é conhecedor de que pode sonhar junto e assim transformar a sociedade. Diante disso, organiza-se em grupo para enfrentar seus anseios e concretizar idéias. “Para garantir esse ideal [...], o jovem organiza-se em grupos, como as gangues, os grupos de punks, os grupos de motoqueiros, os grupos de política estudantil etc., buscam uma subcultura e uma identidade própria”. (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, idem, p. 301).

 

Todas as diferenças existentes no comportamento modelado em sociedade resultam da maneira pela qual os homens organizam as relações entre si, que possibilitam o estabelecimento das regras de conduta e dos valores que nortearão a construção da vida social, econômica e política. (ARANHA, 1993, p. 37) 

 

           

            É importante registrar que os adolescentes têm necessidades curiosas, vontades estranhas, comportamentos imediatos, onde realizam antes mesmo de pensarem e a pressa se revela na vivência de cada momento como se fosse o último de suas vidas, atropelando regras e a supremacia dos valores.  Porém, os responsáveis por outras instituições que não sejam a família, a igreja, a escola não se atentam para tal realidade, e acreditam que não é de sua responsabilidade contribuir com intervenções mesmo que sejam informais. Isso se justifica por serem adultos que também não tiveram orientação precisa quando eram adolescentes e hoje desconhecem as melhores formas de lhe darem com os jovens.

 

 

2. O ADOLESCENTE: O QUE DIZ A LEI 

 

            A Constituição Federal (1988), Art. 227 também assegura os direitos do cidadão. E assim evidencia:

É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, a profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

 

            De acordo com o Estatuto da Criança e o Adolescente / ECA, Lei N. 8.069, “considera-se [...], adolescente aquele entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade”. (Art. 2º). Em seu Artigo 3º consta:

 

A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidade, a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade.

           

 

            Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece em seu Art. 1º. que “A educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações cultuais”.

            De acordo com Ramiro Marques (2000, p. 55) “A Lei de Bases do Sistema Educativo recomenda uma educação para a cidadania através da abordagem de temas transversais, [...]”. Tais temas são vistos como integrantes a todas esferas educativas: formal, informal, não formal; por serem classificados como temáticas urgentes sinalizados pela sociedade. Ou seja, os temas transversais estão ligados “à construção da cidadania por meio de temas da atualidade [...]*”.

            Analisando algumas Leis, entende-se que espaços de entretenimento também são ou deveriam ser favoráveis à educação do cidadão. Obviamente esses espaços não são responsáveis pela educação formal que está ligada a aprendizagem escolar. Mas, sim pela informal que é caracterizada pelo convívio familiar, com o vizinho, tios, primos, com diferentes grupos dentre outros e até mesmo por meio da não formal, que se dá de forma organizada, porém, fora dos âmbitos educacionais. Ou seja, essas instituições podem abrir espaço para que líderes, facilitadores, educadores da educação não formal desenvolvam atividades em paralelo ao local de entretenimento. Ressaltando ainda, que as ações da educação não formal não são vistas como atitudes de padronização de hábitos e de conduta, nem como ações de rigidez, de exigência, ou modelo a ser seguido. Mas sim, como alternativa de conscientização, de valorização a si próprio e ao outro. Para melhor compreensão registra-se:

 

A educação formal compreenderia instâncias de formação, escolares [...], onde há objetivos educativos explícitos e uma ação intencional institucionalizada, estruturada, sistemática. [...] A educação informal corresponderia a ações e influências exercidas pelo meio, pelo ambiente sócio cultural, e que se desenvolve por meio das relações dos indivíduos e grupos com seu ambiente humano, social, ecológico, físico e cultural das quais resultam conhecimentos, [...], mas que não [...] são intencionais e organizas. A educação não formal seria realizada em instituições educativas fora dos marcos institucionais, mas com certo grau de sistematização estruturação ¹.

 

            Diante da citação exposta, compreende-se que espaços como teatros e cinemas podem ser utilizados como auxiliares educativos informais e não formais. Podem enquadrar-se como locais que possibilitam o desenvolvimento moral e social, em condições de liberdade, e assim estará colocando em prática parte do Art. 2º do ECA, já citado anteriormente.

 

 

3. O ADOLESCENTE COMO TELESPECTADOR NO CINEMA DE UMA CIDADE INTERIORANA DO VALE DO SÃO FRANCISCO 

 

            O cinema do Vale do são Francisco assim como outros atende a diversos públicos por meio de programações pertinentes a cada faixa etária. No entanto, parte do público adolescente que freqüenta o local, vem desrespeitando o direito dos demais telespectadores, ao fazer uso de palavrões, gritarias, guerrinhas com sacos de pipoca amassados, dentre outros.

            “E o que diferencia o homem de todos os outros seres do mundo é a capacidade de buscar incessantemente, com base na virtude, na excelência, fazer melhor a vida dos outros”, diz Chalita (2009, p.36). Porém, esse diferencial humano, vem se revelando distante da realidade vivida por parte de alguns adolescentes da nossa região. E a comprovação da afirmativa se dá exatamente no ato de levar as crianças hoje ao cinema local, porque acabamos disponibilizando aos seus ouvidos, um vocabulário chulo e antiético, distanciando os valores morais que contribuem com o exercício da cidadania. Assistir a um filme hoje, estendido ao público infantil se tornou um tormento na cidade do interior de Pernambuco, uma vez que nos deparamos com adolescentes desconhecedores do senso ético, e para completar, o ar condicionado vem apresentando refrigeração precária.

            Sabe-se que a adolescência é uma fase confusa, momento de muitas descobertas e prazeres. Mas tem revelado também a inconseqüência comportamental. Ser adolescente não é ser prejudicial, não é ser negativo. Não se pretende denegrir a imagem do adolescente, mas sim tentar entendê-lo, incentivar a sociedade para que o compreenda, ajude-o a enxergar além das suas inquietações, contribuindo para que este, não apenas sinta as transformações, mas saiba o quão normal elas são e que conviver com tais mudanças não requer invadir o espaço do próximo, até porque “Os bons hábitos são fundamentais para a realização de atividades harmonizadas com a excelência porque boas ações precisam fazer parte do nosso dia-a-dia”. (idem, p.67).

            Vale complementar que, o adolescente vive em sociedade, convive com outros adolescentes, com crianças, com adultos, idosos. E para tanto, necessita conhecer regras e normas que pertinentes ao convívio social. É sabido, que não é uma tarefa fácil conscientizar o ser humano das leis, normas e regras, mas estas são indispensáveis para que os limites sejam reconhecidos, respeitados e praticados. Tornam-se importantes para que a moral e ética sejam realmente vivenciadas.             

            De acordo com o PCN (vol. 08, 2001, p.69) O ser humano vive e convive com outros seres humanos “e, portanto, cabe-lhe pensar e responder a seguinte pergunta: como deve agir perante os outros? Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da Ética.     Ressalta-se ainda que, no dia em que o homem, o adolescente, a criança, conseguirem a sua maneira responder a tal questionamento, muita coisa pode mudar. Se agirem com os outros como desejariam que agissem consigo, com certeza mudanças seriam significativas; os valores seriam preservados; e a ética seria melhor, compreendida”.

 

 

4. PAPEL DO PEDAGOGO SOCIAL DIANTE DESSA REALIDADE 

 

            A pedagogia social é uma área que envolve a educação: informal, formal e não-formal, bem como as relações existentes entre elas. Cabendo ao especialista da referida área desenvolver habilidades organizacionais que visem administrar os mais diversos conflitos advindos do trabalho em equipe, da convivência em grupo e até mesmo lidar com as dúvidas grupais ou individuais; buscando sempre a valorização e desenvolvimento das pessoas em prol da suas vivências sociais e melhoria do clima organizacional sejam em empresas ou em instituições, ou em grupos diferenciados, incluindo os adolescentes.

            A ação pedagógica é ampla e “perpassa toda a sociedade, extrapolando o âmbito escolar formal, abrangendo as esferas mais amplas da educação informal e não formal”, assim diz Libâneo (2007, p.28).

            Contudo, o papel do pedagogo social diante do comportamento por parte dos adolescentes, durante as sessões de cinema ocorridas no Shopping da região, deve buscar alternativas que visem desenvolver ações educativas que venham despertar e incentivar um bom comportamento. Um comportamento que respeite o direito do outro.

            Partindo do pressuposto de que os ambientes de lazer, entretenimento e cultura, o que inclui o cinema, também são agentes contribuintes educativos. Evidencia-se que, as sessões de cinema promovidas na cidade pernambucana, deveriam contar com o apoio de ações por meio de orientações que informem e sensibilizem o público antes de acessarem o espaço em que são projetados os filmes, fazendo valer a democracia.

 

A democracia é um processo que se constrói historicamente, e se aprimora ao longo do tempo, à medida que se amplia o poder de participação consciente e efetiva do povo nas questões que dizem respeito a todos. (MENEZES, Mindé; RAMOS, Wilse (org.) Coleção Magistério: Proformação, unid. 7, 2002, p. 61).

 

             Mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que, desenvolvam ações que venham despertar nos adolescentes que freqüentam as sessões, a importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; a fim de que conheçam e vivenciem os seus limites e alternativas, facilitando o seu próprio acesso e inserção no meio social de maneira democrática; podem ser vistas como responsabilidade do fazer pedagógico social, ou seja, ações a serem adotados pelo Pedagogo Social.

            Os espaços de lazer e entretenimento são campos “[...] de atividades, com possibilidades de gerar valores que ampliem o universo de manifestação [...]”. (Marcellino, 2005, p. 22). Por essa razão, surge a necessidade de intervenções pedagógicas sociais em locais como esses, para que sejam disponibilizadas informações que despertem e melhorem a sensibilidade, contribuindo com o crescimento pessoal e social. Até porque, “Com a descoberta do homem social, evidencia-se a importância de o homem ser simultaneamente criador e produto de sua sociedade e cultura”. (Manhães, 2009, p 22).

            Cabe por tanto, ao Pedagogo - Educador Social acrescer ao seu papel  de Educador, a ação de fomentar em cada individuo a importância de questionar a sua própria realidade social; de rever seus próprios valores morais, sociais e culturais para que então sejam reavaliadas e aprimoradas determinadas vivências. Como diz Forquin (1992, p. 37, apud Fonseca, 2003, p.34), “[...] é preciso reconhecer a autonomia relativa e a eficácia própria da dinâmica cultural [...] em relação às outras dinâmicas que coexistem no campo social”. Ou seja, é imprescindível valorizar e questionar tanto a realidade social quanto as dinâmicas dessa cultura social.

 

Questionar a realidade social em que está inserido, estabelecendo relações de diferença e semelhança, mudança e permanência entre as problemáticas identificadas e as questões vivenciadas por outros sujeitos, nas múltiplas dimensões da vida coletiva, em outros tempos e/ou espaços. (PANISSET, 2000).

 

            No entanto, o ato de questionar a realidade social em especial, a realidade em foco, se estende tanto aos adolescentes como aos proprietários dos estabelecimentos. Pois, quando se trata de educação, todos os envolvidos direta ou indiretamente no processo devem ser mobilizados, caso contrário, a problemática permanecerá com seus entraves. É cabível, entretanto, enfatizar que os responsáveis pelos espaços de entretenimento local devem ser alertados para a importância de se desenvolver ações tais como: distribuição de panfletos educativos, exposição de cartazes e sinalizações educativas que informem e incentivem aos freqüentadores do local a zelarem e respeitarem os locais destinados ao lazer e a descontração. Enfim, contribuam com aprendizagens significativa e conseqüentemente com o aprimoramento da educação, uma vez que tanto a aprendizagem, quanto à educação se dão de diferentes maneiras e por toda a vida.

Aprender é um processo interno que consiste em mudanças permanentes, que se integram ao comportamento do indivíduo, levando-o a agir diferentemente em situações novas posteriores. [...] A aprendizagem é um processo, ou seja, não acontece de uma vez, mas se realiza ao longo da vida do indivíduo a partir de suas experiências. (SENAC DN, 1997, p. 19)

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            A fundamentação discorrida não teve a pretensão de encontrar culpados com a formação dos nossos jovens, nem apontar defeitos diante do comportamento de crianças e adolescentes, mas sim despertar a necessidade de desenvolver atividades de intervenções direcionados ao público infantil- juvenil, com o intuito de despertar nestes, um novo olhar, uma nova postura, diante do meio social; como também, incentivar adultos que mantém contato com esse público jovem e profissionais da área educativa para que passem a perceber as situações surgidas de formas diferenciadas, com mais cautela, compromisso, atenção e respeito.

            “A vida humana é uma gradativa tomada de consciência de seu verdadeiro ser, de sua realidade mais profunda” (SAMPAIO, 2004, p. 46), portanto, fomentar a apoiar o processo amplo de intervenção educativa não formal e informal é uma alternativa que pode ser abraçada pelo Pedagogo Social e se estender a outros profissionais e voluntários que reconheçam a importância de repensar os valores éticos atuais vivenciados pela sociedade.

            Salienta-se, no entanto, que o artigo defendido, deseja desenvolver ações educativas que venham despertar e incentivar boas posturas comportamentais por parte dos freqüentadores das sessões de cinema, despertando-os para a importância de fazer valer os seus direitos e deveres, bem como os dos outros; e ainda mobilizar os responsáveis pelo cinema da região para que desenvolvam ações que contribuam com o acesso e a inserção de crianças e adolescentes no meio social.

            As ações informativas educativas por meio de intervenções não devem ser adotadas apenas pelos cinemas, mas envolver todos os ambientes freqüentados por crianças e adolescentes, uma vez que, ações dessa natureza podem contribuir com o repensar de ações e conseqüentemente transformar o modo de agir, fazendo valer as questões éticas de convivência em grupo e em sociedade.

            Registra-se ainda que, levantar questionamentos sobre a realidade que envolve o comportamento dos adolescentes em sessões de cinema na cidade pernambucana, no Vale do São Francisco foi de grande valia, uma vez que o tema despertou interesse por parte de alguns profissionais da área educativa incluindo a cidade circunvizinha (Juazeiro Bahia) que faz parte do público freqüentador do cinema local. A professora Rose Mary Rodrigues da Escola Normal de Juazeiro - BA, responsável pela disciplina Gestão comportamental, onde trabalha, fortemente a ética, a moral, a preservação do meio ambiente e outros temas transversais com os alunos adolescentes.

            A educadora pretende implantar a idéia neste ano de 2010 por meio de um projeto que tem como temática: O comportamento de adolescentes em sessões de cinema numa cidade interiorana do Vale do São Francisco.

            A temática do projeto a ser executado, é semelhante ao do presente artigo, e que por sua vez, podem ser vistos (projeto e artigo) como desabafo de uma cidadã, mãe e educadora. E a oportunidade da especialização em Pedagogia Social, veio fortalecer o estudo, o aprofundamento, a construção, o registro e a divulgação do material (fundamentação teórica), que também é caracterizada como um tema urgente na sociedade local, ou seja, é um considerado transversal.  Vale ressaltar que os Temas Transversais são decorrentes dos Parâmetros Curriculares Nacionais e contribuem com a abordagem de problemáticas sociais.

  

 

REFERÊNCIAS 

BOCK; FURTADO & TEIXEIRA. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001. 

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução, vol. 8/ Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3ed. Brasília: A Secretaria, 2001. 

BRASIL. Constituição Federal da República Federativa 1988. São Paulo: Saraiva, 2009. 

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA /Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Ministério da Educação, Assessoria de Comunicação Social.Brasília: MEC, ACS,2005. 

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB: Lei Nº 9.394/96/ Diário Oficial da União, de 23.12.1996.  Recife- PE: R.C. Editora, 1997. 

CHALITA, Gabriel. Os dez mandamentos da Ética. 2ª ed. Rio de Janeiro: Sem Fronteiras, 2009. 

FONSECA, Selva Guimarães. Didática e prática de ensino de História: experiências, reflexões e aprendizados. Campinas, SP: Papirus, 2003.  

KELLER, Fred S. A definição da Psicologia: uma introdução aos sistemas psicológicos. São Paulo: Herder, 1972. 

LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei N º 9.394, de 20.12.1996. Publicada no Diário Oficial da União do dia 23.12.1996. (Organização, Seleção e Índice: Edmir Régis). Recife: R. C. Editora. 1997. 

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? 9ª ed. São Paulo: Cortez, 2007. 

MANHÃES, Henrique. A Prática Pedagógica: Ação dialógica na construção da identidade. Rio de Janeiro: WAK, 2009. 

MARCELLINO, Nelson Carvalho. Pedagogia da Animação. 7ª ed. São Paulo: Papirus, 2005.

MARQUES, Ramiro. Dicionário breve de pedagogia. 1ª ed. Lisboa: Editorial Presença, 2000. 

MEKSENAS, Paulo. Sociologia da Educação: Introdução do estudo da escola no processo de transformação social. São Paulo: Loyola, 1994.

MENEZES, Mindé; RAMOS, Wilse (org.) Guia de Estudo, módulo I/ unidade 7: PROFORMAÇÃO, 4ªed. Brasília: MEC. FUNDESCOLA, 2002. 

PANISSET, Ulysses de Oliveira. Parâmetros Curriculares Nacionais (ensino médio): parte IV - Ciências Humanas e suas Tecnologias Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Brasília, 2000. 

SAMPAIO, Dulce Moreira. A Pedagogia do Ser: Educação dos sentimentos e dos valores humanos. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.

SENAC DN. O Processo ensino - aprendizagem./ Beatriz Maria A. de A. Pinheiro; Maria Helena B. Gonçalves. Rio de Janeiro: Ed.Senac Nacional, 1997. 80 p.  

TIBA, Içami. Adolescentes: quem ama educa! São Paulo: Integrare Editora, 2005.

 

 

¹ LIBÂNEO, Carlos José. Pedagogia e Pedagogos, para quê? Editora Cortez, 2007, p. 31.

* RÊGO, Raylene. Interdisciplinaridade e Transversalidade, Qual é a diferença? In: Educação 2010: As mais importantes tendências na visão dos mais importantes educadores; p.18. Editora Multiverso/ Humana Editorial.

 

 

¹* Pós - Graduanda em Pedagogia Social, pela FINOM; Especialista em Interdisciplinaridade pela FACINTER; Graduada em Pedagogia pela UPE (Universidade de Pernambuco). Publicações: “Reforço Escolar, p. 125-127, livro “Educação 2009”; “Interdisciplinaridade e Transversalidade, qual é a diferença”, p. 17-20, livro “Educação 2010”, ambos da Humana Editorial/ Multiverso; “Dinâmica em Sala de Aula: Instrumento da Ação Pedagógica”, 52p. Juazeiro Bahia: Acervo bibliográfico da UNEB, campus III, CDD 301.114. e-mail: raylenerego@hotmail.com/ www.raylenerego.blogspot.com

 

Como ser citado:
OLIVEIRA, Raylene Rêgo Braz Andrade O comportamento dos adolescentes em sessões de cinema: uma realidade vivenciada numa cidade interiorana do Vale do Rio São Francisco. P@rtes.V.00 p.eletrônica. Julho 2010. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/comportamento.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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