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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:46:29                                               

 
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EDUCAÇÃO
Contar e Recontar Histórias: Um recurso pedagógico eficiente na construção de sentidos entre alunos do Ensino Infantil    

Josefa da Conceição Silva[*], Max Leandro de Araújo Brito*

publicado em 07/03/2011

 

 

Resumo

Viajar pelas páginas da Literatura Infantil pressupõe mergulhar num universo pleno de personagens e histórias maravilhosas que povoam o universo infantil desde épocas remotas. A cada personagem que conhecemos descobrimos um mundo novo em que podemos apreender e perceber inúmeras aventuras que nos convidam a enveredar, cada vez mais, pelo prazer de ler e ouvir histórias. Nesse sentido, ela representa a ponte que nos leva ao fantástico mundo da nossa imaginação. 

 

Palavras-chave: Literatura Infantil; aventuras; imaginação

 

Abstract

Traveling through the pages of Children's Literature requires diving into a universe full of wonderful stories and characters that populate the universe of children since ancient times. Every character that we know we discover a new world in which we can grasp and understand countless adventures that invite us to embark, increasingly, for the pleasure of reading and listening to stories. In this sense, it represents the bridge that leads us to the fantastic world of our imagination.

 

Key-words: Children's Literature; adventures; imagination

Introdução

 

Através da arte de ouvir e contar histórias, crianças do mundo inteiro têm aguçado seu potencial criativo mediante a elaboração de cenários imaginários, onde reis e rainhas, gnomos e gigantes, princesas e plebéias, príncipes e gente do povo tem sempre algo a oferecer, seja uma reflexão sobre os valores éticos, estéticos, políticos e religiosos, seja uma aventura que só pode ser vivida através das asas da imaginação.

Autores/atores conhecidos ou anônimos se debruçam sobre a criação e/ou contação de contos e histórias infantis tendo em vista a ampla gama de conhecimentos implícitos e explícitos dessa obra que encanta crianças e adultos de todas as idades.

Nessa perspectiva, a narrativa do conto de fadas tem como objetivo principal atingir propensões consoladoras mediante a manipulação de significados simbólicos, acima de tudo, intra e interpessoais. Cada personagem, cada enredo, cada detalhe faz parte de uma trama complexa que visa atender aos apelos do inconsciente humano frente às mais variadas situações. Ela representa para a criança a possibilidade de lidar com questões que, para ela, parecem difíceis de resolver, um instrumento de transvasamento das fronteiras inetriores, constituindo-se uma busca pelo “respeito à natureza lúdica que a infância demanda” (Amarilha,1997 p.55).

 

A eficiência do trabalho com os contos infantis

 

Ainda de acordo com Amarilha (ibidem), existem pesquisas realizadas com crianças de até oito anos de idade que comprovam a eficiência do trabalho com os contos infantis na promoção de sucesso das crianças no campo da auto-estima, da identidade cultural, da independência e da capacidade de lidar com o mundo a sua volta. Para tanto, a autora firma:

 

 

A linguagem e os enredos literários proporcionam à criança possibilidade de sucesso em duas dimensões. Uma, que é a subjetiva, a criança pode viver no livro aquilo que mais lhe atrai, sem receio de ser assistida, principalmente, por um adulto e pode lidar com seus problemas em tempos e espaços que são todos seus; por outro lado, mantém-se relacionada ao real, ela tem consciência de que não deixa de ser leitor. Essa duplicidade de atividade intelectual familiariza a criança com o simbólico e com suas possibilidades intelectuais dando-lhe, portanto, auto-estima e identidade psicológica e social (loc. cit.).

 

 

Através da narrativa maravilhosa dos contos de fadas, as tensões dos relacionamentos interpessoais, assim como questões internas do desenvolvimento psíquico da própria criança são reorganizadas interiormente para que não lhe pareçam tão ameaçadoras.

A natureza da narrativa maravilhosa permite à criança lidar com seus medos em um ambiente que lhe é próprio que é o do jogo simbólico, onde os personagens, embora tenham algumas de suas características preservadas, assumem formas condensadas ou até distorcidas, conforme o desejo ou a necessidade psíquica dela.

Nesse caso específico, iremos realizar uma análise da história “Os três porquinhos”, cujo enredo ensina à criança pequena, da forma mais dramática e deliciosa possível, que não devemos nos entregar aos prazeres e esquecermos das nossas obrigações. Que não devemos levar as coisas “na flauta” (BETTELHEIM, 2005 p. 53), do contrário, pereceremos.

Ensina também que a realização de um trabalho firmado em um planejamento e uma previsão responsável e inteligente poderá assegurar a nossa vitória, até mesmo contra o nosso inimigo mais voraz.

Diferentemente das fábulas que procuram apresentar o significado moral dos seus ensinamentos de forma explícita e impositiva, a narrativa dos contos de fada representam a possibilidade de decisão por parte do leitor ou do expectador (no caso de uma contação de histórias), que pode escolher que significado esta história vai assumir em sua vida.

Os dois primeiros porquinhos, à semelhança da cigarra (da fábula de Esopo) e da própria criança, estão inclinados à diversão, com pouca ou nenhuma preocupação com o futuro.

Conforme anunciado anteriormente, no caso da fábula, a criança, que é convidada a identificar-se com a cigarra, passa a conviver com um conflito insolúvel: para ela (cigarra) que se entrega aos prazeres e esquece-se das responsabilidades só resta a condenação da sociedade (formiga).

Já no conto de fadas, embora a criança também seja convidada a identificar-se com os porquinhos brincalhões, é oferecida a ela “possibilidade de progresso do princípio do prazer para o princípio da realidade” (Op. cit. p. 55), personificada no terceiro porquinho, que, embora brincalhão, representa o resultado de um processo de organização interno, coroado pela vitória contra o seu pior inimigo: o lobo. Pela sua esperteza e inteligência, consegue vencê-lo em sua astúcia, e o lobo que queria devorá-lo, recebe como recompensa um caldeirão cheio de água quente.

No texto recontado pelos alunos do I Período do Centro Municipal de Educação Infantil Joaquim Lopes Pequeno, Cruzeta/RN (Fig. 01), encontramos outro ponto interessante: As crianças, tomando como base a sua própria experiência, apresentam uma possibilidade de o porquinho desvencilhar-se do lobo e encontrar um lugar para se esconder. O lobo, percebendo o malogro, fica atônito e quer saber: “_Onde está este porquinho?” (CMEIJLP, 2005). Tal leitura representa a capacidade que as crianças desenvolvem de organizar a narrativa conforme sua forma de compreender o mundo. Como se tratam de crianças muito pequenas (3-4 anos), pensar em uma fuga longa até a casa do irmão mais velho não lhes parece uma solução muito eficaz. Sua solução precisa ser mais imediata. Então esconder-se em um lugar próximo já seria bastante eficaz.

 

 

 

Figura 01 – Texto elaborado a partir de reconto da História pelos alunos do I Período (3-4 anos), do Centro Municipal de Educação Infantil Joaquim Lopes Pequeno, Cruzeta/RN

 

Outro ponto interessante nessa narrativa, seja em sua versão original ou não, diz respeito à saída dos porquinhos da casa de sua mãe, cujo objetivo é demonstrar para a criança que ela precisa desvencilhar-se de sua dependência de uma pessoa adulta e começar a gerenciar suas próprias emoções e ações. Porém, para isto, (o restante da narrativa é bastante enfática), ele precisa evoluir do princípio do prazer para o princípio da realidade.

Em uma alusão filogenética, o conto apresenta o material utilizado na construção das casas, que parte de uma choça de palha até a construção de uma casa de alvenaria, representando o progresso e evolução da própria humanidade.

 

Considerações Finais

 

A versão original deste conto demonstra uma visão bastante “realista” da vida pois os porquinhos são devorados pelo lobo e somente o que consegue adiar seu desejo de brincar e constrói uma casa mais sólida tem sucesso contra o lobo. Esta versão, embora apresente uma questão difícil da criança entender a curto prazo, oferece a ela uma esperança de que ela tem capacidade de sair-se bem sozinha de determinadas situações, mesmo contra um oponente bem mais forte, desde que desenvolva sua inteligência, capacidade de planejamento e responsabilidade.

As versões atuais, cujos objetivos vão ao encontro da concepção de educação atual de alguns pais de nossa época, buscam “suavizar” esse impacto que a criança poderia ter em relação à morte e apresenta-lhe um atenuante: os porquinhos brincalhões não são devorados, embora passem por maus bocados, conseguem se safar do lobo e correr para a casa do irmão mais velho. Tais versões desconhecem a potencialidade das narrativas dos contos e subestimam a capacidade da criança de ressignificar as situações em seu próprio proveito, quando da formação de sua personalidade. Parece representar uma apologia ao hedonismo, próprio dos adultos desta geração. Elas parecem dizer: “Pode se divertir! No final, sempre se dá um jeito!”.

De qualquer modo, seja qual for a versão apresentada à criança, o conto de fadas tem representado bem seu papel na aprendizagem pessoal e social das crianças ao longo do tempo, oferecendo a possibilidade de sublimação de seus desejos inconscientes, numa narrativa onde os elementos podem ser manipulados por ela em um ambiente simbólico, próprio dessa etapa da vida humana.

 

 

Referências Bibliográficas

AMARILHA, M. Estão mortas as fadas?: Literatura infantil e prática pedagógica. Petrópolis/RJ, Vozes, 1997.

 

 

BETTELHEIM, B. & ZELAN, K. Psicanálise da alfabetização: um estudo psicanalítico do ato de ler e aprender. Porto Alegre/RS: Artmed, 1984.

 

SANTOS, M. A. (Org.). Nossas Histórias Preferidas: Reescrita das Histórias dos Irmãos Grimm. Cruzeta/RN: CMEIJLP, 2005.

 

 

 

[*] Mestranda em Ciências da Educação, Turma 4, FIP - Brasil, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – ULHT. Campo Grande, 376, 1749-024 Lisboa, Portugal. E-mail: jose_fada@hotmail.com 

[*]Mestrando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: maxlabrito@yahoo.com.br.

Como ser citado:

SILVA, Josefa da Conceição; BRITO, Max Leandro de Araújo. Contar e Recontar Histórias: Um recurso pedagógico eficiente na construção de sentidos entre alunos do Ensino Infantil. P@rtes, São Paulo, Março de 2011. Disponível em: <http://www.partes.com.br/educacao/contarhostorias.asp>.
Acesso em _/_/_/

 

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Mestranda em Ciências da Educação, Turma 4, FIP - Brasil, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – ULHT. Campo Grande, 376, 1749-024 Lisboa, Portugal. E-mail: jose_fada@hotmail.com

 
Max Leandro de Araújo Brito é especialista em Educação a Distância pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC, e bacharel em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. E-mail: maxlabrito@yahoo.com.br
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