Segundo Meksenas (2002), a educação nasce quando se transmite e se
assegura as outras pessoas o conhecimento de crenças, técnicas e
hábitos que um grupo social já desenvolveu, a partir de suas
experiências de sobrevivência. Neste sentido, pode-se afirmar que o
nascimento da educação surge quando o ser humano sente a necessidade
de converter as suas práticas cotidianas ao seu semelhante.
A educação é uma das dimensões essenciais na evolução do ser humano,
pois em cada conquista rumo à civilização, faz-se presente junto a
esta, a necessidade de transmissão aos semelhantes. Assim, pode-se
dizer que a educação nasce como meio de garantir às outras pessoas
àquilo que um determinado grupo aprendeu.
Meksenas (2002), ainda afirma que, em uma visão funcionalista, a
educação nas sociedades tem a tarefa de mostrar que os interesses
individuais só se realizam plenamente através dos interesses
sociais. Sendo assim, a educação ao socializar o indivíduo, mostra a
este que sozinho, o ser humano não sobrevive, e que ele só pode
desenvolver as suas potencialidades estando em contato com o meio
social, ou seja, com as outras pessoas.
Com a educação, o homem pode se instrumentalizar culturalmente,
capacitando-se para transformações tanto materiais, quanto
espirituais. A educação é o cerne do desenvolvimento social. Sem
ela, até mesmo as sociedades mais avançadas retornariam ao estado
primitivo em pouco tempo. Ela oferece uma base de conhecimento para
todas as pessoas.
A educação reproduz a sociedade, pois a contradição e o conflito não
são tão manifestos na sociedade, porque a reprodução é dominante,
observando-se que a educação acaba por fazer o que a classe
dominante lhes
pede.
Como a sociedade, a educação é um campo de luta entre várias
tendências e grupos. Ela não pode fazer sozinha a transformação
social, pois ela não se consolida e efetiva-se sem a participação da
própria sociedade (GADOTTI, 1995).
Segundo Pinto (1986), a educação acaba transmitindo e reproduzindo
os mecanismos de dominação impostos pelo capitalismo. Por outro
lado, o setor educacional deve estar em busca da conscientização e
da libertação, através da qual se resgatam caminhos para uma ação
transformadora.
Conforme Gerhardt (2001), a educação libertadora ou transformadora,
é aquela que trabalha com uma visão de sujeitos potencialmente
autônomos, capazes de praticar a solidariedade, instruindo-se de
forma a promover a auto-reflexão. Neste sentido, a educação é
entendida como uma prática de libertação, que desperta no sujeito a
sua capacidade de promover a humanização, esforçando-se em uma
perspectiva conjunta para mudar o sistema escolar, social e
político. Para Steinberg, Paulo Freire aponta dois estágios da
pedagogia, como prática de libertação:
[...] o primeiro permite ao oprimido que perceba a condição de
opressão em que se encontra e engajar-se em sua transformação, o
segundo, reconhece que uma vez transformada a opressão, todas as
pessoas tornar-se-ão libertas, estarão permanentemente livres [...]
(STEINBERG, 2001, p.271).
Desta forma Steinberg (2001), afirma que dentro desta perspectiva
libertadora, Paulo Freire considera o poder político como essencial
para a libertação, a qual está fora do alcance do oprimido. Nesse
contexto, observa-se que as respostas a este dilema podem ser
encontradas na educação, a qual deve ser realizada por e com o
oprimido.
Pode-se dizer, ainda, que educação coincide com a própria existência
humana e suas origens se confundem com a origem do próprio homem.
Estudar a educação é, também, poder compreender que a escola, como
instituição, muitas vezes, não tem poder de modificar o que está
estabelecido - a estrutura social. Para Gadotti (1995, p.83), “a
força da educação está no seu poder de mudar comportamentos. Mudar
comportamentos significa romper com certas posturas, superar dogmas,
desinstalar-se, contradizer-se”. Nesse sentido, a força da educação
está na ideologia.
Portanto, um dos desafios encontrados atualmente no setor
educacional é a mudança de ideologia impregnada na sociedade, uma
alteração da concepção de ensino e do papel da escola enquanto
instituição social. Busca-se uma escola democrática, pluralista, que
venha valorizar a diversidade frente às problemáticas sociais
perpassadas pelo educador e educando.
Diante dos vários problemas da sociedade contemporânea, como:
desvalorização profissional, desemprego, violência, modificações das
relações familiares, etc, tem-se como papel fundamental da área
educacional, o de fornecer o conhecimento, para que as pessoas
possam ter possibilidades e autonomia de participar efetivamente das
políticas, continuando assim, a lutar por igualdade de direitos.
Nesse sentido, a educação, em termos de Brasil, deve ser tratada
como uma política social, que tem como compromisso fundamental à
garantia dos direitos do cidadão, ou, ainda a escola deve assumir um
novo papel frente à sociedade, que é o de propiciar ações para a
efetivação dos direitos sociais.
No Brasil, têm-se várias legislações como a Constituição Federal de
1988, a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB de 1996 e
o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA de 1990, que garantem o
direito à educação a criança e ao adolescente, direitos estes que
precisam ser perseguidos por todos os profissionais que atuam no
contexto escolar.
Porém, ao se deparar com o atual contexto brasileiro, percebe-se que
o ensino tem se mostrado insuficiente, no que se refere à quantidade
de vagas para o atendimento dos alunos, tendo como grande desafio a
melhoria de sua qualidade. E, esta qualidade é perpassada por várias
questões, tais como baixos salários dos professores, escolas
públicas sucateadas, ensino formalista e autoritário, o que gera,
conseqüentemente, desestimulo por parte dos professores e alunos.
No que se refere à melhoria da qualidade na escola brasileira,
principalmente no final do século XX, Nosella (2002), ressalta
quanto à necessidade de superação da política educacional populista
e corporativista introduzida no ensino brasileiro. A escola
brasileira precisaria rever questões como: o resgate da qualidade de
formação do profissional da educação, a expansão da escolarização
pelo sistema supletivo, especialmente aqueles em horários noturnos,
dentre outros, tendo a obrigação de, simultaneamente, fazer uma
constante avaliação que certamente garantirá a qualidade do ensino.
Uma outra questão pertinente a esta discussão, diz respeito à
leitura social do fracasso escolar, que segundo Amaro (1997), é uma
questão de classe social, que acaba por ser agravada na falta de uma
política educacional que seja comprometida com os interesses e
necessidades dos pobres. A escola não está sintonizada com a
realidade social de seus alunos, conseqüentemente de suas famílias,
causando desestímulo por parte do aluno e relações frias entre
educador e educando.
Abordando ainda sobre o fracasso escolar, Esteban (1999), afirma que
este se configura dentro de um quadro de múltiplas negações, dentre
as quais se coloca a negação da legitimidade de conhecimentos, de
forma de vida, formulados à margem dos limites socialmente definidos
como válidos. Tem-se, assim, a inexistência de um processo escolar
que possa atender as necessidades e particularidades das classes
populares, permitindo que estas possam fazer parte na construção do
processo de ensino.
Martins (1999), afirma que nos últimos anos, apesar do esforço, de
investimento técnico pedagógico nas escolas, a incidência dos fatos
tem revelado a violência existente no interior das escolas, que se
apresenta nos reflexos das questões sociais, as quais estão cada dia
mais presentes na escola. Todos esses fatores vêm dificultando o
cumprimento da sua finalidade maior enquanto escola, que é a de
contribuir na formação da cidadania dos brasileiros.
A escola tradicional de concepção positivista neoliberal, enraizada
na sociedade é entendida como aquela que é voltada para o mercado,
em que existe o tempo de ensinar e o tempo de avaliar, enquanto
momentos estanques, separados entre si. Os seus conteúdos escolares
são organizados de maneira linear, hierárquica e, previamente
determinado por bimestre, série, disciplina, etc, sendo justificados
como pré-requisito de outros. Nesta visão conservadora, a educação
sempre é planejada de cima para baixo, em que existe uma escola
burocrática e uniformizadora. Essa visão é excludente, e acaba por
tornar a escola incompetente em seus vários aspectos, como não ter
vagas para quem mais dela precisa, e estar desconectada da realidade
social do aluno.
A escola hoje, mais do que nunca, tem como papel diante da
sociedade, propiciar ações para a efetivação dos direitos sociais.
Neste contexto, o setor educacional tem o papel de possibilitar e de
oferecer alternativas para que as pessoas que estejam excluídas do
sistema possam ter oportunidade de se reintegrar através da
participação, bem como da luta pela universalidade de direitos
sociais e do resgate da cidadania.
Um dos maiores desafios apresentados à escola atual é trabalhar com
a reelaboração crítica e reflexiva do educando, a fim de prepará-lo
para a luta e o enfrentamento das desigualdades sociais presentes na
sociedade capitalista. Nesta ótica, a escola deve transcender o
sentido de ascensão material, que é dado à educação, transformando-a
não em só um meio de retorno financeiro, mas também em um
instrumento de crescimento pessoal. Neste sentido, afirma-se:
No tocante a educação, os pais reproduzem os valores ideológicos
presentes no discurso da sociedade, valorizando o estudo como a
única forma de obter ascensão social. Mas por não compreenderem a
dimensão e a complexidade da educação, atribuem aos filhos a culpa
pelo fracasso escolar, desmotivando-os para o estudo (MARTINS, 1999,
p.62).
A escola que se deseja, deve estar pautada na lógica de um espaço
ideal para a construção de uma sociedade sadia, uma escola
democrática com formação para a cidadania. Aquela que combata de
todas as formas a exclusão social e que entenda o aluno como ser
integral. E que possa, ao mesmo tempo, trabalhar a relação
escola-aluno-família, tendo-se assim a necessidade de incluir a
família em suas ações.
Para isso, devemos romper com as visões tradicionais, funcionalistas
ou sistêmico-mecanicistas da escola, superando a visão desta como um
depósito do saber, buscando assim uma escola includente, libertadora
e que valorize a diversidade.
REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra
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In: A pedagogia da libertação
em Paulo Freire.
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trabalho: perspectivas de final de século. 6. ed.
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