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Este artigo
tem como objetivo
sintetizar
acerca da evolução
das concepções de currículo
e proposta pedagógica
na educação infantil.
Discutimos como
esses significados se
apresentam em alguns
trabalhos
de autores da área
do
currículo. Essa discussão integra
uma pesquisa em
desenvolvimento
no município de Caicó-RN, que
envolve, entre outros
aspectos, questões
sobre
o currículo e as propostas
pedagógicas na educação infantil.
As
propostas
pedagógicas das
instituições
de
educação
infantil
não
contam
com
um
campo
específico
de
estudos
e
produções
teóricas.
Apesar
disso, abrangem
muitos
temas,
tais
como
o
currículo,
as diversas
interações
entre
os
segmentos
que
compõem a
comunidade
escolar,
a
formação
de
seus
profissionais,
as
concepções
de
criança,
infância,
conhecimento,
desenvolvimento
e aprendizagem
que
se manifestam
direta
e
indiretamente
no
cotidiano
das
práticas
educativas.
As
discussões
sobre
a
educação
infantil
ampliam-se de
forma
significativa,
modificando –
pelo
menos
no
plano
teórico
e
legal
– uma
trajetória
de
omissão
e de
equívocos
quanto
ao
entendimento
de
sua
função
social
e de
seu
papel
no
contexto
educacional.
Isso
não
acontece de
forma
linear,
mas
num
processo
de
idas
e
vindas,
avanços
e recuos
que
se fazem
presentes,
ainda
no
contexto
atual
de
reconhecimento
legal
e de
políticas
públicas nessa
área.
Simultaneamente,
também
se modificam as
formas
de
conceber
a
criança,
a
qual
é
hoje
entendida
como
um
ser
histórico
e
social,
sujeito
de
direitos,
pessoa
com
especificidades.
Considerar
esses
aspectos
nos
remete às
formas
de
organização
das
instituições
educativas.
De
acordo
com
Silva (2005) ao tentarmos
definir
o
significado
de
currículo
teremos
sempre
uma redução,
pois
qualquer
definição
que
adotarmos
nos
revelará
apenas
o
que
uma
determinada
teoria
ou
concepção
de
currículo
pensa
que
seja o
currículo.
Dessa
forma,
a
busca
pela
resposta
ontológica,
o “ser”
do
currículo
será
sempre
uma
resposta
histórica,
ou
seja, o
que
em
determinado
contexto
histórico
uma
teoria
do
currículo
defende
como
tipo
de
ideal
de
conhecimento
a
ser
ensinado
em
detrimento
de
outros.
Nas
palavras
do
autor:
O
currículo
é
sempre
o
resultado
de uma
seleção:
de
um
universo
mais
amplo
de
conhecimentos
e
saberes
seleciona-se aquela
parte
que
vai
constituir,
precisamente,
o
currículo.
As
teorias
do
currículo,
tendo
decidido
quais
conhecimentos
devem
ser
selecionados,
buscam
justificar
por
que
‘esses
conhecimentos’
e
não
‘aqueles’
devem
ser
selecionados.
(SILVA, 2005, p.15).
Outro
aspecto
importante
é
que
em
toda
teoria
de
currículo
está
subjacente
uma
concepção
de
homem,
de
sociedade,
a
qual
definirá o
tipo
de
conhecimento
que
deverá
ser
ensinado
para
que
aqueles
indivíduos
venham a tornarem-se desejáveis e úteis àquela
sociedade
– o
ideal
humanista,
o
modelo
competitivo neoliberal, o
ideal
de
cidadania
do estado-nação, o
indivíduo
crítico
das
teorias
educacionais
críticas
- constituindo-se, dessa
forma,
em
questão
de
identidade
e de subjetividade,
bem
como
em
questões
de
poder
ao
delimitar
o
tipo
de
conhecimento
a
ser
ensinado, o
qual
buscará
ativamente
obter
e
manter
a
hegemonia
de
seus
preceitos,
contribuindo
sobremaneira
para
definir
o
que
somos e
aquilo
no
que
nos
tornaremos.
Nessa
perspectiva,
todas as
teorias
educacionais,
embora
não
sejam
assim
nomeadas,
são
teorias
do
currículo.
Mais
especificamente,
estudos
na
área
(GIROUX, 1986; APPLE, 1989;
COSTA,
2001; SILVA, 2005; MOREIRA e SILVA, 2005) definem as
teorias
do
currículo
como:
tradicionais¹,
críticas²
e pós-críticas³.
Sacristán (2000) considera
que
a teorização
sobre
currículo
não
se
encontra
sistematizada de
forma
adequada, aparecendo
ora
como
conceitos
técnicos
de uma
prática
a posteriori,
ora
como
a
explicação
dos pressupostos dessa
prática.
Analisa diversas
definições
e aponta
que
o
currículo
traz
em
si
a
prática
educativa
institucionalizada e as
funções
sociais
da
escola,
sendo
reflexo
de
um
modelo
educativo
determinado
que
[...] relaciona-se
com
a instrumentalização
concreta
que
faz da
escola
um
determinado
sistema
social,
pois
é
através
dele
que
lhe
dota de
conteúdo,
missão
que
se
expressa
por
meio
de
usos
quase
universais
em
todos
os
sistemas
educativos,
embora
por
condicionamentos
históricos
e
pela
peculiaridade
de
cada
contexto,
se expresse
em
ritos,
mecanismos,
etc.,
que
adquirem
certa
especificidade
em
cada
sistema
educativo.
(SACRISTÁN, 2000, p. 15).
O
mesmo autor
aponta que o currículo
pode ser analisado a partir de
cinco
âmbitos diferenciados: 1) do ponto
de vista de sua
função
social como
ponte
entre a sociedade e a
escola; 2) como
projeto ou
plano educativo,
pretenso
ou real, envolvendo
aspectos
como experiências,
conteúdos, etc.; 3) como a
expressão
formal e material
desse projeto que
deve apresentar sob
determinado
formado, os conteúdos, as
orientações
e as seqüências para
abordagem; 4) sob o
entendimento
como um
campo
prático analisando-o como:
campo prático,
território
de intersecção de práticas diversas e,
sustentação
do discurso entre
a teoria
e a prática; ainda
como
um tipo de
atividade
discursiva e acadêmica.
Etimologicamente, a
palavra
“currículo”
vem do
latim
currere
que
significa “correr”.
Contudo,
Berticelli (2001)
alerta
que
ao buscarmos a
origem
da
palavra
currículo,
na
forma
como
a entendemos
hoje
– na
dupla
dimensão
de
documento
escrito
e daquilo
que
é
educativo
– mergulhamos num emaranhado
semântico
e
histórico
que
de
forma
muito
lenta
vem sendo
esclarecidos
e
como
contribuição
nessa
trajetória
indica a
seguinte
definição
enciclopédica:
Currículo,
do
ponto
de
vista
pedagógico,
é
um
conjunto
estruturado de
disciplinas
e
atividades,
organizado
com
o
objetivo
de
possibilitar
seja alcançada
certa
meta,
proposta,
fixada
em
função
de
um
planejamento
educativo.
Em
perspectiva
mais
reduzida, indica a adequada estruturação dos
conhecimentos
que
integram
determinado
domínio
do
saber,
de
modo
a
facilitar
seu
aprendizado
em
tempo
certo
e
nível
eficaz.
(Enciclopédia
Mirador
Internacional,
apud
BERTICELLI, 2001, p.161).
Considerando
esses
aspectos,
os
quais
vão
delineando
que
o
currículo
não
se constitui
meramente
como
a
técnica
de
definição
de
conteúdos,
nem
se
esgota
no
documento
explícito,
mas
sim
como
um
instrumento
sistematizado
para
o ordenamento do
espaço
de
relações
dinâmicas
e
sociais
que
se efetivam na
prática
do
ato
educativo,
entendemos
que
buscar
compreender
as
questões
curriculares envolve
identificar
e
compreender
o
conceito
de
proposta
pedagógica,
sendo o
currículo
um
dos
itens
dessa
proposta
e ao
mesmo
tempo
em
que
o
currículo
permeia
todo
o
fazer
escolar,
compreendido nessa
dimensão
ampla
apregoada
pelos
autores,
sendo o “pulsar”
da
instituição
- na
sala
de
aula,
nos
espaços
recreativos,
nas
relações
entre
os
diversos
segmentos
institucionais.
Assim,
se faz
necessário
precisar
o
que
estamos considerando
como
proposta
pedagógica.
Para
essa
compreensão,
é de
substancial
importância
nos
remeter
ao
documento
elaborado
pelo
Ministério
da
Educação
e
Cultura
(MEC),
em
1996,
que
tem
como
objetivo,
entre
outros
aspectos,
contribuir
com
estados
e
municípios
na
análise,
elaboração
e
implementação
de
suas
propostas
pedagógicas
ou
curriculares, sendo apresentadas
contribuições
de
diversos
estudiosos
consultados
para
esse
fim
e de uma
forma
explícita
ou
não
recorrem as
questões
do
currículo
para
compreensão
do
conceito
de
proposta
pedagógica.
Machado
(BRASIL, 1996) reconhece a diversidade de
termos
que têm sido usados para
indicar
as propostas das |