|
RESUMO
Este
artigo
pretende
analisar
a
inter-relação
da
Língua
Inglesa e
Psicologia
a
partir
da
observação
nas
práticas
docentes
no
grau
de
dificuldade
de Aprendizagem de
alunos
de
escolas
públicas no
município
de Belford
Roxo,
na
Baixada
Fluminense
do
Rio
de
Janeiro.
Para
tanto,
foi
observado
por
esta pesquisadora
que
os
educandos
apresentavam
dificuldades
de Aprendizagem e Déficit de
Atenção
e,
ainda,
com
o
agravante
de
salas
reduzidas
para
um
número
de
alunos
fora
do
parâmetro
estipulado
pelo
MEC.
Em
busca
de
respostas
para
as
inquietações
explicitadas ao
longo
do
artigo,
buscou -se a
contribuição
dos
teóricos
da
Psicologia
para
que
fosse
permitido
intercambiar
tais
conceitos
com
a
prática
e
exercício
da
Língua
Inglesa.
Palavras-chave
:
Língua
Inglesa –
Psicologia
–
Prática
docente
ABSTRACT
The purpose of this
article is to analyze the
interrelationship between the English
Language and Psychology, from
observations in the teaching practices
regarding the Learning difficulty degree
of public school in the county of
Belford
Roxo,
at
Rio
de
Janeiro’s
Baixada
Fluminense.
For such purpose, this
researcher has noticed that most
students presented Learning difficulties
and Attention
Deficit,
in addition to the small number of
classrooms for a
total
number of students much above the
parameter stipulated by Ministry of
Education and Culture.
In search of answers for
the disquiets described throughout the
article, a contribution was searched
from the Psychology theorists, in order
to exchange such concepts with the
practice and exercise of the English
Language.
1.
Desenvolvimento
Durante
minha
trajetória
acadêmica
entendi o
quanto
a
Língua
Inglesa seria
complexa,
porém
importante
para
o
ensino
Fundamental
e
Médio
mas,
sobretudo,
para
uma
população
que
mal
entendia
articular
a
Língua
Portuguesa.
Não
quero
dizer
com
isto
que
a
Língua
Portuguesa seja
privilégio
das
elites
brasileiras,
nem
tão
pouco
privilegiar
a
Língua
Inglesa
como
a
Universal.
Mas,
penso
que
a
observação
como
falante
das duas
línguas,
pertencem e fazem
parte
de
um
conjunto
de
signos
que
são
pertinentes
a
qualquer
cultura
e a
qualquer
comunidade
que
dependem do
saber
lingüístico
para
que
a
comunicação
se efetive.
Se a
lingüística
é
um
fenômeno
cultural e
social
como
forma
e
meio
de
comunicação
entendi
como
docente
que
sou, das duas
línguas
que
se fazem
como
comunicadoras
instrumentalizar
minhas
práticas
para
a
leitura
de
mundo.
Com
isso
pretende-se
abordar
a
função
social
que
a
língua
representa e
em
que
categoria
ela
está inserida
para
que
o
artigo
tome
corpo
e
forma.
2.
Um
percurso
em
busca
de
informações
Participei de
vários
cursos
os
quais
apresentaram
diferentes
metodologias
para
melhorar
o
processo
ensino-aprendizagem da
língua
inglesa e essas
metodologias
foram adaptadas à
realidade
e as
necessidades
que
os
alunos
vivenciavam no
seu
dia-a –dia,
e
principalmente
tendo uma
ação
dialógica.
Para
esta
expressão
vale
reconhecer
o
pensamento
de Freire
quando
diz
que
A dialogicidade
começa
quando
o educador-educando se
encontra
com
os educando-educadores
em
uma
situação
pedagógica,
mas
antes,
quando
aquele
se
pergunta
em
torno
do
que
vai
dialogar
com
estes.
Esta
inquietação
em
torno
do
conteúdo
do
diálogo
é a
inquietação
em
torno
do
conteúdo
programático da
educação
(FREIRE, 2001 – p 83)
A
partir
do
que
se explicita, entende-se
que
para
que
todo
aprendizado
fosse
um
ato
socialmente
construído
e
não
somente
a
reprodução
solitária
de
estruturas
lingüísticas,
tal
diálogo
deve
ser
um
ato
de
troca
entre
educandos
e
educadores
e
que
os
conteúdos
possam
dialogar
com
as
representações
do
educando.
Pois,
faz-me
premente
ressaltar
também
que,
os
conteúdos
referem-se
não
só
à aprendizagem de
conceitos
como
também
se faz
mister
ao
desenvolvimento
de uma
consciência
crítica
dos
valores
e
atitudes
em
relação
ao
papel
que
a
língua
estrangeira
(e neste
contexto,
a
língua
inglesa) representa no
país,
aos
seus
usos
na
sociedade,
ao
modo
como
as
pessoas
são
representadas no
discurso,
ao
fato
de
que
o
uso
da
linguagem
envolve necessariamente a
identidade
social
do
interlocutor.
3. As
informações
ganhando
corpo
e
forma:
os referenciais
teóricos
em
ação
No
ano
de 2003 procurei
amenizar
minhas
inquietações
não
somente
com
uma especialização
em
Língua
Inglesa,
mas,
sobretudo,
percebi
que
o
campo
da
psicologia
poderia
ser
uma
tentativa
de
responder
os
meus
questionamentos
relativos
a
Língua
Inglesa
como
disciplina
Oficial
no
currículo
das
escolas
do
Ensino
Fundamental
e
Médio.
Quanto mais refletia sobre a realidade e
minha prática docente mais acentuava-se
a necessidade de buscar mais
informações. Nesse sentido, resolvi
investir em um programa de pós-graduação
na Universidade Estadual do Rio de
Janeiro e que tinha como principal
objetivo as abordagens em relação as
Dificuldades de Aprendizagem e a
Psicopedagogia como instrumento de busca
de tais Dificuldades e Déficit de
Atenção.
Durante o panorama dos cursos de
Psicopedagogia e Dificuldades de
Aprendizagem as ementas mostraram-se
favoráveis as minhas ansiedades. Tal
constatação foi efetivada quando
trabalhamos no curso o interesse do
sujeito pelo ato que ele realiza, ou
seja, as atividades e conteúdos
propostos implicam unicamente em
responder necessariamente ao interesse
do aluno e o mundo que o cerca.
Portanto, nem todas as decisões do
educador em suas atuações são igualmente
determinadas do rumo de uma tarefa
concreta que a escola exige porque o
educador encontra-se numa rede de um
aparelho onde os educandos precisam ser
olhados não somente como números, mas
ser percebido as questões relativas à
produção da fala, a aquisição
fonológica, a aquisição morfológica etc.
Considerando esse ponto de vista, a
linguagem humana é definida como um
sistema de princípios que merece
atenção, pois a aquisição da linguagem
vem carregada de correlações
neuropsicológicas de distúrbios de
aprendizagem e tais distúrbios devem ser
verificados na determinação do uso da
língua, não tão somente, mas a linguagem
é um dos pontos que se apresentam como
ponto de partida de um estudo.
Avançando na minha jornada de estudos e
descobertas, os estudos em
psicopedagogia deram-me um olhar mais
detalhador e mais observador as
necessidades do meu aluno e
identificá-los ao estudo que fiz no
curso das dificuldades de aprendizagem e
psicopedagogia e como trabalhar com toda
a gama de “sintoma
escolar”(Bossa,2002,p.12), sendo que tal
termo produz um significado de
um entrave que faz sinal, onde há um
impedimento do fluir da aprendizagem.
Contextualizando a idéia de “sintoma
escolar” busca-se também em Vygostsky
sua instrumentalização que é percebida
com muita propriedade quando profere que
aprendizagem não é desenvolvimento;
entretanto, o aprendizado adequadamente
organizado resulta em desenvolvimento
mental e põe em movimento vários
processos de desenvolvimento que, de
outra forma, seriam impossíveis de
acontecer. Assim, o aprendizado é um
aspecto necessário e universal do
processo de desenvolvimento das funções
psicológicas culturalmente organizadas e
especificamente humanas” (VYGOSTSKY,
1991 p 101)
Trilhando os ensinamentos apreendidos
nestes dois cursos de pós, pude
aprofundar meu conhecimento em Winnicott,
pediatra e psiquiatra, o qual através de
estudos apresenta-nos a importância da
relação inicial entre a mãe e o seu bebê
para a saúde mental.
Fundamentei-me com Henri Wallon a
considerar o sujeito como “geneticamente
social” estudando, nesse sentido, a
criança contextualizada, nas relações
com o meio.
Partindo dessas construções de
conhecimento que foram elaboradas ao
longo dos encontros nos cursos e de
muitos outros assimilados, consegui
identificar razões que eram entraves
para que o meu aluno não entendesse
certos conteúdos da língua inglesa. Tais
questões lançaram-me a planejar e
elaborar as aulas levando em conta que
era preciso dar voz ao aluno de modo que
ele possa se constituir como sujeito
atuante do discurso e assim da
aprendizagem.
Considerando tais pressupostos e
resgatando a idéia de construção de
conhecimento e aprendizagem entende-se,
nesse sentido que
A elaboração própria torna-se, então,
atividade estratégica, em primeiro lugar
porque reflete a capacidade
reconstrutiva, de onde surge o impulso
para a autonomia. O que não se elabora,
fica ainda fora, adere por imitação, ou
seja, não entra. Neste sentido,
elaboração própria é a base da
aprendizagem ativa, através da qual o
aluno tenta, sob orientação do
professor, fazer-se autor, ter idéias
próprias, argumentar com autonomia,
entrar em polêmicas com capacidade de
argumentar, propor projetos próprios. De
quebra, aprenda a língua, já que
escrever bem advem sobretudo de fazer
isto sistematicamente. (DEMO, 2001,
p.95)
Em face do exposto, entende-se que não
se pode mais ter argumento decisivo,
quando isto ocorre percebo que
dificilmente os alunos têm autonomia,
modos de escrever , falar e tecer textos
de uma forma autônoma. A colaboração da
equipe com elaboração orientada pelo
professor é um ponto indicativo para que
os processos nasçam com identidade
própria.
Dado, portanto, o que foi explicitado
anteriormente, percebeu-se que o ensino
de uma língua estrangeira poder-se-á
aplicá-lo em dois pressupostos: as
descrições sobre a língua que explicitem
o seu funcionamento com a realidade do
educando e as orientações que facilitem
o exercício da prática do docente. Daí,
portanto, o convívio com a língua
estrangeira, especificamente o Inglês se
constituirá como um instrumento de
interações com o cotidiano do educando.
Continuando a idéia do ensino da língua
estrangeira, o professor sabe e deve
socializar com os educandos uma
organização e sistematização do
conhecimento para que se gradue,
efetivamente, o conteúdo a ser
explicado; do mais fácil para ao mais
difícil, do concreto para o abstrato,
para que, com essa operacionalização, se
possa avaliar concretamente o
entendimento do educando com relação,
por exemplo, das cores, dos dias da
semana, das perguntas na forma
interrogativa, como horas, estado de
espírito etc. Assim, neste ambiente de
trocas, o aluno é oportunizado a
construir, realiza-se concomitantemente
o desenvolvimento cognitivo, trabalha-se
o individual e o coletivo, realiza-se
experiências em Língua Inglesa a partir
das experiências do educando e do
domínio da língua que já possui e
reúne-se, portanto; o falar, o escrever
e o ler permitindo desta maneira os
estímulos cognitivos e as relações entre
significante e significado.
A Língua, nesse sentido, tem a
capacidade a ser desenvolvida através de
atividades que levem a criança à
reflexão e para que o interesse e
motivação sejam despertados, os
conteúdos devem ser relacionados à sua
vida, ao seu vocabulário, aos seus
brinquedos, às suas histórias.
Contextualizando as idéias de linguagem
e a capacidade de desenvolvê-la em sala
de aula, de modo a que os educandos
adquiram a compreensão da linguagem e o
interesse no sentido educativo, Freire
adverte que
toda ação educativa necessariamente
estar precedida de uma reflexão sobre o
homem e de uma análise do meio de vida
concreto do homem concreto a quem
queremos educar. Faltando uma tal
reflexão sobre o homem, corre-se o risco
de adotar métodos educativos e maneiras
de atuar que reduzem o homem a condição
de objeto.
Urge, portanto, que repensemos a prática
docente em Língua Estrangeira como um
sistema organizado de influências no
cotidiano, na leitura de mundo, de
transfigurar a existência do homem e
mudar a sua vida, pois quando muda-se, o
entendimento se efetiva.
A língua, portanto, se estabelece em um
conjunto de regularidades que tem de
estar presente quando se fala e escreve,
contextualizar-se com seu modo de pensar
e ver o que está em torno e a linguagem
é o resultado de interação entre os
homens; não é um produto acabado, mas em
permanente construção, acompanhando e
nascendo da evolução do homem e da
sociedade.
O professor, portanto, precisa conhecer
o desenvolvimento de seus alunos, suas
necessidades, suas histórias, para poder
ensiná-los. Aprendizagem gera
desenvolvimento, e este é sempre
dinâmico.
4. Considerações Finais
Lembro-me uns onze anos ao entrar em uma
sala de aula de uma escola pública e
olhar para os alunos que esperavam a
minha entrada. Senti nos ombros a
responsabilidade de cinqüenta e cinco
vidas ali naquela sala. Eu estava cheia
de conceitos que por serem dinâmicos,
dinamizaram-se ao longo dos meus vinte
anos de magistério e outros foram
descobertos graças às necessidades de
construir estratégias para que se
efetivasse minha prática como docente.
O que pretendi sem a pretensão do
correto foi ao longo do texto contribuir
com leitoras e leitores que
repetidamente desesperam-se no seu fazer
pedagógico diante da complexidade do que
nos espera: que é ser professora de uma
escola pública onde os espaços são
pequenos e as salas de aulas com excesso
de alunos.
Trabalhar com a Língua que não é oficial
ainda torna-se mais angustiante pela
falta de estrutura e livros didáticos
que não são fornecidos pelo Governo,
embora os livros não se fazem
dependentes das aulas, mas um recurso a
ser manuseado. Por outro lado, a
angústia nos faz buscar recursos e
arcabouços teóricos a fim de que nossa
prática não se torne neutra, pois se
neutra for, não há sentido de ser. A
busca foi solitária e incessante, mas
toda busca incessante nos refina para a
fundamentação do que se propõe. O fato
é que a Psicologia foi e é um grande
instrumento para tais práticas e não se
trata, porém de um único instrumento,
mas, sobretudo aquele que respondeu as
angústias e questionamentos como docente
que sou.
Foi essa busca constante e as
divergências encontradas que me
permitiram crescer como ser humano e
como profissional ativo, contribuindo
para que através da aquisição do
conhecimento de uma língua estrangeira e
as contribuições da psicologia passo a
ter novas lentes para olhar e respeitar
o que na minha visão parece ser
diferente, assim, aumento a
autopercepção do aluno como ser humano e
como cidadão, tendo sempre uma prática
reflexiva do eu e do mundo para que
tenhamos uma sociedade mais justa e
inclusiva.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BOSSA,N.A.
Fracasso
Escolar,
um olhar
psicopedagógico.
Porto Alegre,
Artmed,2002.
DEMO, Pedro. Saber
Pensar. São Paulo, Cortez Editora,
2001.
FREIRE, Paulo.
Pedagogia do Oprimido. São Paulo,
Paz e Terra, 2001.
_____, Paulo.
Conscientização: Teoria e Prática da
Libertação. São Paulo, Editora
Moraes, 2000.
VIGOTSKY, L. S.
Pensamento e Linguagem, São Paulo,
Martins Fontes, 1991.
WALLON, Henri. As
origens do pensamento da criança.
Nova Alexandria, 1995.
WINNICOTT, D. W. Os
bebês e suas mães. São Paulo, Martins Fontes.
Tradução: Jefferson Luiz Camargo, 1995.
|