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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 22:21:04                                               

 
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EDUCAÇÃO

Desenvolvimento e povos indígenas: o caso da etnia gavião de Rondônia

   

Genivaldo Frois Scaramuzza*

publicado em 18/02/2009

  

Resumo: A proposta do presente texto é comunicar saberes referentes aos resultados preliminares de estudos que viabilizam a construção de dissertação de Mestrado em Geografia na Universidade Federal de Rondônia UNIR - Porto Velho, Brasil, intitulado: lugar e identidades em transformações.  Através de revisões bibliográficas, bem como observação participante, apresentamos alguns aspectos referentes ao processo de desenvolvimento na Amazônia bem como, os impactos dos ideais desenvolvimentistas, junto à população indígena Gavião situado na Terra Indígena Igarapé Lourdes no município de Ji-Paraná – RO.

 

Palavras chave: Povos indígenas. Desenvolvimento. Impactos. Resistências.   

 

Historicamente, o conceito de desenvolvimento tem sido apontado como uma nova forma de percepção do “eu” e do “outro” tendo como parâmetro para essa percepção, o alto grau com que se implementa a transformação de recursos disponíveis na natureza em capital financeiro. Considerando as perspectivas propostas, o conceito de desenvolvimento é extremamente recente, embora as continuidades históricas que embasam o seu surgimento perdem ser identificadas no século XVII mediante a revolução industrial Inglesa.  

Diante disso questionamos: quais os impactos advindos da idéia de desenvolvimento foram e são implementados no âmbito das sociedades etnicamente diferenciadas? Quais foram às conseqüências dos projetos desenvolvimentistas para estas sociedades? No intuído de refletir sobre as questões citadas, propomos este texto que objetiva  oportunizar um encontro de vários pensamentos que perpassam a questão do desenvolvimento, bem como analisar  como parte destes impactos atingiram e atingi a etnia  indígena Gavião, localizada da Terra Indígena Igarapé Lourdes no Município de Ji-Paraná – RO.

A Amazônia, sempre esteve dentro das estratégias de planejamento bem como, fazendo parte das discussões de desenvolvimento brasileiro, ou seja, “tanto no contexto da colonização, como na política de integração, veio sendo marcada pela tentativa de enquadrar um espaço com potenciais econômicos no sistema de mercado” (BRITO 200. p, 116). 

Uma leitura nos textos produzidos no momento em que se pensavam o início dos grandes projetos a serem desenvolvidos na Amazônia permite-nos compreender como era pensada este espaço após a segunda metade do século XX. 

 

 

 

 

Em viagem pela Amazônia no início da década de sessenta, Carvalho (1964), ao descer com seu monomotor em aeroporto da cidade de Belém evidenciou: “Cremos não poder ser melhor o início desta longa visita ao rincão selvagem que tem excitado a imaginação do mundo e, para o brasileiro, é antes de tudo um espaço enormíssimo a desafiar-lhe a capacidade de luta, de trabalho e organização” (p.7).  Neste sentido, apontamos também a fala de outro aventureiro que ao passar pela região em 1959 evidenciou, “o triunfo virá ao fim de trabalhos incalculáveis, em futuro remotíssimo, ao arrancarem – se os derradeiros véus da paragem maravilhosa” (JUNIOR, 1959, p. 19).

No sentido de compreendermos as mais diversas falas sobre o pensamento produzido no imaginário Brasileiro para a Amazônia na primeira metade do século XX, basta compreender os ideais embutidos nas falas produzidas na época, ou seja, “luta”; “trabalhos incalculáveis”; “organização”; “triunfo”, no ápice do debate, o que fica evidente é justamente as mais diversas possibilidades em se transformar a Amazônia em espaçosprodutivos pelos quais oportunizasse ao Brasil agregar a Amazônia aos valores de mercado e assim, encurtar o caminho rumo ao desenvolvimento. São estes fatores que impulsionam a fala de Carneiro (1956, p. 77) sobre a Amazônia, quepara prosperas e constituir-se fator de riqueza, qualquer empreendimento, tem que ser forçosamente um núcleo de produção

Considerando o momento histórico das décadas de cinqüenta e sessenta, a Amazônia se destacava do cenário nacional tendo em vista sua imensa área permeada por um sistema biota que poderia ser agregado ao capital. É neste cenário que Moraes (1959, p. 176) evidenciou que a Amazônia deveria ser,

Aplicada na produção de alimentos e de matérias primas; na exploração de riquezas energéticas e minerais; na transformação da economia extrativista em agrícola e industrial, no fomento a riqueza, na organização racional de um sistema de transporte Para que a Amazônia se possa realizar algo de proveitoso, de construtivo é imprescindível que haja com que atender-lhe as inevitáveis despesas   

 

 Retira-se desse entendimento a lógica que permeia essas formas discursivas, ou seja, na Amazônia não havia nada de proveitoso e construtivo, a economia extrativista era um entrave ao projeto desenvolvimentista, era preciso pensar um espaço onde a produção atendesse as demandas incorporadas pelo capital. Neste cenário era preciso produzir uma organização da Amazônia aparentemente desorganizada, sendo que através de esforços intermináveis alcançaria - se o desenvolvimento.

Grande parte das questões antes posta referia-se a visão social produzidas no centro-oeste e no sudeste sobre a Amazônia. Primeiro, era idealizada como um imenso vazio demográfico a ser habitado, ou seja, “sendo o lugar do universo onde se deu o encontro dramático das águas e das florestas, é, no entanto o maior, o mais triste deserto do mundo” (JUNIOR, 1959, p. 7). O deserto a que o autor faz alusão refere-se ao vazio demográfico a que a Amazônia representava no imaginário Brasileiro naquele dado momento, neste sentido, basta compreendermos a fala de que “a expansão demográfica num país como o Brasil sobe de importância, é um ponto vital em virtude de sua extensão geográfica, da necessidade de sua ocupação, integração e defesa”.[1]

         Grande parte das justificativas que permeavam a ocupação da Amazônia apontava para a necessidade de oportunizar ao homem amazônico uma ascensão ao desenvolvimento. Desta forma, uma das primeiras medidas a serem feitas para a Amazônia, tratava-se de promover a retirada da floresta, sendo que, o homem Amazônico não poderia se desenvolver porque a floresta representava um entrave, neste sentido entendia-se que para o caboclo Amazônico “a mata que enterra suas raízes na lama palustre do igarapé marca a fronteira de sua vida, da curiosidade de seus passos: é um muro que eles não transpõem nem destrói” (JUNIOR, 1959, p. 20).

         Diante de tal cenário a marcha sobre a floresta é viabilizada, tendo em vista de que os discursos preconizados na época, evidenciavam que as populações tradicionais e indígenas não dispunham de elementos capazes de transformar a floresta em recursos essenciais ao capital. Os caboclos amazônicos neste cenário, por exemplo, possuíam sérios inimigos pelos quais os faziam uma espécie supostamente preguiçosa, ou seja, “a ignorância, a pobreza, a subalimentação, a malaria, a cachaça e a verminose” (idem, 1959, 21), potencializavam ao homem Amazônico não promover o desenvolvimento. Diante disso, evidenciava-se quemuitos caboclos da Amazônia nada faz, além de vegetar a espera de algum biscate propício que lhe dinheiro para umas calças de brim grosso, espoleta e chumbo para a espingarda, sal e tabaco para o cigarro” (CARNEIRO, 1956, p.35). Da mesma forma em que o caboclo, é identificado como preguiçoso e em estado vegetativo, tornando viável a destruição da floresta, o índio Amazônico também pertencia ao mesmo cenário, ou seja, “o índio é de uma raça sem alegria e sombrio” (JUNIOR 1959, p. 32).  

             O processo de desenvolvimento pensado para a Amazônia, não prevê os custos ambientais, e muito menos os impactos das incorporações nacionais sobre os espaços das comunidades tradicionais e indígenas.  Compreendendo estas prerrogativas a “Amazônia entra na órbita dos planejamentos oficiais, como conseqüência começa a adotarem medidas a curto e longo prazo, para que deixe de constituir apenas paisagem física, para transformar-se em campo de ação criadora do homem [2] 

         De forma bastante precisa, podemos identificar na fala antes posta que a Amazônia se quer possuía um contingente demográfico, simplesmente não era habitada. Não se tratava de compreender a Amazônia como um espaço diferenciado, e povoado por populações tradicionais e indígenas, tratava-se em compreende – como uma região apenas constituída de espaços físicos que dependiam da ação criadora do homem do centro - este, ou seja, a ação do desenvolvimento. Nesta forma de compreender, direciona - se o entendimento da Amazônia através dos mecanismos de um processo geopolítico em que o espaço deveria ser ocupado de forma a assegurar as estruturas do poder e da soberania nacional.

De acordo com Becker (1982), as estruturas espaciais têm impacto direto no que se vem entendendo como processo de desenvolvimento e nesse sentido, o espaço vem adquirindo um significado peculiar no que tange a noção de capacidade econômica e política dos estados seja por isso, que “existe padrões para o investimento no espaço” (p. 53). A partir de entendimentos como estes, a Amazônia veio se caracterizando pelo que Becker denominou de “fronteira de recursos”, evidenciando uma postura em que através da utilização dos recursos disponíveis, era possível transformá-la em riqueza para o mercado financeiro.

         Diferentemente de todas as concepções anteriores, a nova percepção do espaço Amazônico começa a se configurar  a partir dos anos sessenta, isso  torna-se evidente “ no momento em que o centro dinâmico do pais, fortalecido dinâmica e economicamente, decide lançar-se a conquista definitiva da Amazônia” ( Idem, 1982, p 61). Nesta forma de compreender, é possível observarmos que existiam fatores que impulsionaram a decisão em ocupar a Amazônia, ou seja, “a expansão dessa fronteira não foi puramente espontânea ou automática, ma frutos de política explícitas” ( Miranda, 1990, p. 35). 

         A nova percepção da Amazônia assume um caráter prioritário com referência as implementações de propostas de políticas de ordem externa. Neste cenário a integração regional é vista como sendo capaz se potencializar e promover o equilíbrio geopolítico do Brasil ao passo que ofereceria uma solução rápida para os problemas demográficos, tanto do sudeste com o alto índice de migração para São Paulo e Rio de Janeiro, como também para a Amazônia que era um território efetivamente inóspito e quando não, habitado por pessoas supostamente incapazes.

         Os cenários do desenvolvimento na Amazônia nos últimos cinqüenta anos não podem ser desconsiderados, tendo em vista que este projeto veio acompanhado do estabelecimento “dos chamados eixos e pólos de desenvolvimento, apropriação de terras para projetos agropecuários e reforma agrária, mineração e mais recentemente, produção e exportação de grãos” (ALVES, 2001, p. 159). Ou seja, o espaço atual é nada mais que um espaço que havia sido pensado durante as décadas de cinqüenta e sessenta, como evidenciou Moraes (1958), sobre os ideais a serem construídos na Amazônia.   A intensificação dos projetos modernizadores para a Amazônia se fortalece diante milhares de hectares de florestas que cederam lugar a pastagem e/ou grandes extensões de áreas para a efetivação de monoculturas.

Situação como esta pode ser identificada no Estado de Rondônia. Considerando a perspectiva de que o Estado se caracteriza (ou deveria se caracterizar), pela grande quantidade de etnias existente, e da mesma forma pelas extensões territoriais de ocupação[3] dessas etnias, o processo de desenvolvimento desencadeou sérias invasões no âmbito dos territórios pertencentes a essas populações, diga-se, por exemplo, o caso específico da etnia Gavião localizado no município de Ji-paraná – RO.

A trajetória histórica dos indígenas Gavião evidencia que durante muito tempo esta sociedade propiciou a sobrevivência do grupo cultivando plantas de forma simples e apenas com os conhecimentos tradicionais, entretanto, com o processo de colonização da Amazônia intensificado a partir da década de sessenta, foram arremessados a cultivar uma lavoura de monocultura em escala comercial. A mudança ocorrida nesse processo possibilita a afirmação de que, o manejo tradicional, forma de domínio empírico das condições de sobrevivências desenvolvidas por esta população de tecnologias não intensivas, adentraram a um processo de mudança e de substituição por extensões arrojadas de monoculturas. Diante dos ideais em promover o desenvolvimento no âmbito deste grupo étnico, os empreendimentos foram implementados sem que se conhecessem as formas de vidas “das populações tradicionais índias e de suas formas de ocupabilidade de caráter inventivo de criação de suas fronteiras físicas e políticas,” (SILVA, 2001. p, 29). Tal situação afirmou que muitas das políticas pensadas para a Amazônia, se deram a distância e sem nenhum conhecimento de como funcionava a vida das populações locais.   

Considerando as diversas situações decorrentes no âmbito da sociedade indígena Gavião, o primeiro impacto foi à presença do estranho em seus territórios, bem como as diversas explorações não permitidas pela população indígena. Entretanto, durante muito tempo tais impactos foram aceitos e permitidos, e quando não, postulados como políticas públicas, por exemplo, as propostas para a mudança no conceito das formas produtivas das várias aldeias indígena – mudanças dos sistemas de plantações de consócios e de subsistências por modelos de monoculturas com finalidades de comercialização. Tal evento possibilita a afirmação de que:

O modelo especializado, monocultural, tipicamente europeu, tornou-se dominante. Sua introdução tem sido conflitava sob ponto de vista sócio – ambiental [...] esta imposição de modelos culturais agrícolas é parte importante das razões do insucesso de tais projetos de desenvolvimento, que pretendem transformarem agricultores de floresta em produtores agrícolas comerciais em maior escala. Inclusive porque as populações tradicionais não têm práticas de gestão de estoques alimentares ou monetários.  (LEONEL, 1998. p, 217)

 

        Na verdade a sociedade considerada moderna criou uma expectativa de desenvolvimento sem precedentes, que ainda é preciso questionar, tendo em vista que existe um consenso em grande parte da sociedade não-indígena de que todas as culturas produzem desenvolvimento assentados nos princípios capitalistas, e, portanto também vivem (assim como a cultura capitalista), da transformação de natureza em capital financeiro. A tentativa de impor modelos de desenvolvimento para as sociedades que não integram e não compartilham os modelos ocidentais, apontam para diversos problemas, pois o olhar sobre e para a floresta da sociedade não indígena é, antes de tudo um olhar capitalista, ao passo que o olhar indígena é o da proteção, do mito, da fartura, que são nestes territórios que se manifesta a cultura de seu povo. Nesse sentido, podemos compreender a fala de Santos, para quem os olhares diferenciados sobre a natureza, produzem “um conflito que se agrava entre o espaço local, espaço vivido por todos os vizinhos, e um espaço global, habitado por um progresso racionalizador e um conteúdo ideológico de ordem distinta e que chega a cada lugar com objetivos e normas estabelecido” (SANTOS, 2005, p. 143). Desta forma, é possível que os olhares diferenciados sobre a natureza, justifiquem compreendermos que os modos produtivos da sociedade global são desenvolvidos para atender a uma lógica de mercado e pode ser qualificado em uma perspectiva macro em contraposição a uma perspectiva micro. Neste sentido, a implantação de modelos macros advindas de processos modernizadores em sociedades que se originam de modelos micros, podem provocar mudanças substanciais, ou seja, “os modos de vida produzidos pela modernidade desvencilham todos os tipos tradicionais de ordem social de uma maneira que não tem precedente” (GIDDENS, 1991, p.14).

       Diante do que expomos fica evidente, que as formas de pensar o desenvolvimento e a própria noção de modernidade devem ser analisadas, tendo em vista uma melhor compreensão dos impactos advindos desses processos no âmbito das sociedades etnicamente diferenciadas de pequena escala e desta forma, compreender o que é a modernização do lugar, marcados por mudanças de tempo, de ritmos, de fluxos de percepção de espaço e modelos de sobrevivência.

 

Referências:

ALVES, Diógenes S. O processo de desmatamento na Amazônia. Revista. Parcerias estratégicas, nº 12, p. 25 – 32. Set. 2001.

BECKER, Berta K. Geopolítica da Amazônia: a nova fronteira de recursos. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1982.

BECKER, Berta K; MIRANDA, Mariana; MACHADO, Lia O. Fronteira Amazônica: questão sobre a gestão do território. Rio de Janeiro: Editora da Universidade Federal do rio de Janeiro, 1990.

BRITO, Augusto de. Pensando o planejamento regional. São Paulo: Dpa,1991.

CARNEIRO, Edson. A conquista da Amazônia. São Paulo: Mauá, 1956.

CARVALHO, Wilson de. Flashes da Amazônia. São Paulo: EDANEE, 1964.

GIDDENS, Antony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.

JUNIOR, Peregrino. Panorama cultural da Amazônia. Bahia: Progresso, 1960.

MORAES, Orlando. Amazônia Espoliada. Rio de Janeiro: NAP, 1959        

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp, 2004.

SILVA, Maria Laura. Espaço pós moderno ou espaço modernizado? Desconstrução ou enredo? Um exemplo de globalização na Patagônia norte ( argentina). In: revista de geografia, v.13: UNESP, 1996.

LEONEL. Mauro. A morte social dos rios. São Paulo: Perspectiva, 1998.

 

* Mestrando no Programa de Mestrado em Geografia da Fundação Universidade Federal de Rondônia. Pesquisador colaborador no Grupo de Pesquisa em Educação na Amazônia/ Bolsista CAPES. 
 

[1] O texto supracitado refere-se a uma análise desenvolvida pela CNDDA, Comissão Nacional de Defesa e Pelo Desenvolvimento da Amazônia em Agosto de 1970 sobre a Amazônia. De acordo com a referida Comissão, a implantação de grandes projetos na Amazônia poderia permitir a abertura de novas frentes de trabalho para a população Brasileira no mundo Amazônico, situação que foi são verificada em anos posteriores.

[2] CNDDA – Comissão Nacional de Defesa e Pelo Desenvolvimento da Amazônia.

[3] Diga-se por extensões de ocupação, tanto as reservas legalmente demarcadas e reconhecidas em lei  em que muitas etnias foram deslocadas/alocadas/mantidas, como também as extensões territoriais que não foram demarcadas por lei, mas que através de  processos históricos, por disputas interétnicas e legados transmitidos pela tradição dessas etnias fazem desses territórios seus lugares de origem, e que portanto, as pertence ou deveria as pertencer.

 

 

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