Resumo:
A
proposta
do
presente
texto
é
comunicar
saberes
referentes
aos
resultados
preliminares
de
estudos
que
viabilizam a
construção
de
dissertação
de
Mestrado
em
Geografia
na
Universidade
Federal
de Rondônia
UNIR
-
Porto
Velho,
Brasil, intitulado:
lugar
e
identidades
em
transformações.
Através
de
revisões
bibliográficas,
bem
como
observação
participante, apresentamos
alguns
aspectos
referentes
ao
processo
de
desenvolvimento
na Amazônia
bem
como,
os
impactos
dos
ideais
desenvolvimentistas,
junto
à
população
indígena
Gavião
situado na
Terra
Indígena
Igarapé
Lourdes no
município
de Ji-Paraná – RO.
Palavras
–
chave:
Povos
indígenas.
Desenvolvimento.
Impactos.
Resistências.
Historicamente, o
conceito
de
desenvolvimento
tem sido apontado
como
uma
nova
forma
de
percepção
do “eu”
e do “outro”
tendo
como
parâmetro
para
essa
percepção,
o
alto
grau
com
que
se
implementa
a transformação de
recursos
disponíveis
na
natureza
em
capital
financeiro.
Considerando as
perspectivas
propostas,
o
conceito
de
desenvolvimento
é
extremamente
recente,
embora
as continuidades históricas
que
embasam o
seu
surgimento
perdem
ser
identificadas
já
no
século
XVII
mediante
a
revolução
industrial
Inglesa.
Diante
disso questionamos:
quais
os
impactos
advindos da
idéia
de
desenvolvimento
foram e
são
implementados no
âmbito
das
sociedades
etnicamente diferenciadas?
Quais
foram às
conseqüências
dos
projetos
desenvolvimentistas
para
estas
sociedades?
No intuído de
refletir
sobre
as
questões
já
citadas, propomos
este
texto
que
objetiva
oportunizar
um
encontro
de
vários
pensamentos
que
perpassam a
questão
do
desenvolvimento,
bem
como,
analisar
como
parte
destes
impactos
atingiram e atingi a
etnia
indígena
Gavião,
localizada da
Terra
Indígena
Igarapé
Lourdes no
Município
de Ji-Paraná – RO.
A
Amazônia,
sempre
esteve
dentro
das
estratégias
de
planejamento
bem
como,
fazendo
parte
das
discussões
de
desenvolvimento
brasileiro,
ou
seja, “tanto
no
contexto
da colonização,
como
na
política
de
integração,
veio
sendo marcada
pela
tentativa
de
enquadrar
um
espaço
com
potenciais
econômicos
no
sistema
de
mercado”
(BRITO 200. p, 116).
Uma
leitura
nos
textos
produzidos no
momento
em
que
se pensavam o
início
dos
grandes
projetos
a serem
desenvolvidos
na Amazônia permite-nos
compreender
como
era
pensada
este
espaço
após
a
segunda
metade
do
século
XX.
Em
viagem
pela
Amazônia no
início
da
década
de sessenta,
Carvalho
(1964), ao
descer
com
seu
monomotor
em
aeroporto
da
cidade
de Belém evidenciou: “Cremos
não
poder
ser
melhor
o
início
desta
longa
visita
ao
rincão
selvagem
que
tem excitado a
imaginação
do
mundo
e,
para
o
brasileiro,
é
antes
de
tudo
um
espaço
enormíssimo a desafiar-lhe a
capacidade
de
luta,
de
trabalho
e
organização”
(p.7). Neste
sentido,
apontamos
também
a
fala
de
outro
aventureiro
que
ao
passar
pela
região
em
1959 evidenciou, “o
triunfo
virá ao
fim
de
trabalhos
incalculáveis,
em
futuro
remotíssimo, ao arrancarem – se os
derradeiros
véus
da
paragem
maravilhosa”
(JUNIOR, 1959, p. 19).
No
sentido
de compreendermos as
mais
diversas
falas
sobre
o
pensamento
produzido no
imaginário
Brasileiro
para
a Amazônia na
primeira
metade
do
século
XX,
basta
compreender
os
ideais
embutidos
nas
falas
produzidas na
época,
ou
seja, “luta”;
“trabalhos
incalculáveis”;
“organização”;
“triunfo”,
no
ápice
do
debate,
o
que
fica
evidente
é
justamente
as
mais
diversas possibilidades
em
se
transformar
a Amazônia
em
espaços
“produtivos”
pelos
quais
oportunizasse ao Brasil
agregar
a Amazônia aos
valores
de
mercado
e
assim,
encurtar
o
caminho
rumo
ao
desenvolvimento.
São
estes
fatores
que
impulsionam a
fala
de
Carneiro
(1956, p. 77)
sobre
a Amazônia,
que
“para
prosperas e constituir-se
fator
de
riqueza,
qualquer
empreendimento,
tem
que
ser
forçosamente
um
núcleo
de
produção”
Considerando o
momento
histórico
das
décadas
de cinqüenta e sessenta, a Amazônia se destacava do
cenário
nacional
tendo
em
vista
sua
imensa
área
permeada
por
um
sistema
biota
que
poderia
ser
agregado
ao
capital.
É neste
cenário
que
Moraes
(1959, p. 176) evidenciou
que
a Amazônia deveria
ser,
Aplicada na
produção
de
alimentos
e de
matérias
primas;
na
exploração
de
riquezas
energéticas
e
minerais;
na transformação da
economia
extrativista
em
agrícola
e
industrial,
no
fomento
a
riqueza,
na
organização
racional
de
um
sistema
de
transporte.
Para
que
a Amazônia se possa
realizar
algo
de
proveitoso,
de
construtivo
é
imprescindível
que
haja
com
que
atender-lhe as
inevitáveis
despesas
Retira-se desse
entendimento
a
lógica
que
permeia
essas
formas
discursivas,
ou
seja, na Amazônia
não
havia
nada
de
proveitoso
e
construtivo,
a
economia
extrativista
era
um
entrave
ao
projeto
desenvolvimentista,
era
preciso
pensar
um
espaço
onde
a
produção
atendesse as
demandas
incorporadas
pelo
capital.
Neste
cenário
era
preciso
produzir
uma
organização
da Amazônia
aparentemente
desorganizada, sendo
que
através
de
esforços
intermináveis
alcançaria - se o
desenvolvimento.
Grande
parte
das
questões
antes
posta
referia-se a
visão
social
produzidas no
centro-oeste
e no
sudeste
sobre
a Amazônia.
Primeiro,
era
idealizada
como
um
imenso
vazio
demográfico a
ser
habitado,
ou
seja, “sendo o
lugar
do
universo
onde
se deu o
encontro
dramático
das
águas
e das
florestas,
é, no
entanto
o
maior,
o
mais
triste
deserto
do
mundo”
(JUNIOR, 1959, p. 7). O
deserto
a
que
o
autor
faz
alusão
refere-se ao
vazio
demográfico a
que
a Amazônia representava no
imaginário
Brasileiro
naquele
dado
momento,
neste
sentido,
basta
compreendermos a
fala
de
que
“a
expansão
demográfica num
país
como
o Brasil sobe de
importância,
é
um
ponto
vital
em
virtude
de
sua
extensão
geográfica,
da
necessidade
de
sua
ocupação,
integração
e
defesa”.
Grande
parte
das
justificativas
que
permeavam a
ocupação
da Amazônia apontava
para
a
necessidade
de oportunizar ao
homem
amazônico
uma
ascensão
ao
desenvolvimento.
Desta
forma,
uma das primeiras
medidas
a serem
feitas
para
a Amazônia, tratava-se de
promover
a
retirada
da
floresta,
sendo
que,
o
homem
Amazônico
só
não
poderia
se
desenvolver
porque
a
floresta
representava
um
entrave,
neste
sentido
entendia-se
que
para
o
caboclo
Amazônico
“a
mata
que
enterra
suas
raízes na
lama
palustre
do
igarapé
marca
a
fronteira
de
sua
vida,
da
curiosidade
de
seus
passos:
é
um
muro
que
eles
não
transpõem
nem
destrói” (JUNIOR, 1959, p. 20).
Diante
de
tal
cenário
a
marcha
sobre
a
floresta
é viabilizada, tendo
em
vista
de
que
os
discursos
preconizados na
época,
evidenciavam
que
as
populações
tradicionais e
indígenas
não
dispunham de
elementos
capazes
de
transformar
a
floresta
em
recursos
essenciais
ao
capital.
Os
caboclos
amazônicos
neste
cenário,
por
exemplo,
possuíam
sérios
inimigos
pelos
quais
os faziam uma
espécie
supostamente
preguiçosa,
ou
seja, “a
ignorância,
a
pobreza,
a
subalimentação,
a malaria, a
cachaça
e a
verminose”
(idem,
1959, 21), potencializavam ao
homem
Amazônico
não
promover
o
desenvolvimento.
Diante
disso, evidenciava-se
que
“muitos
caboclos
da Amazônia
nada
faz,
além
de
vegetar
a
espera
de
algum
biscate
propício
que
lhe
dê
dinheiro
para
umas
calças
de
brim
grosso,
espoleta
e
chumbo
para
a
espingarda,
sal
e
tabaco
para
o
cigarro”
(CARNEIRO,
1956, p.35). Da
mesma
forma
em
que
o
caboclo,
é identificado
como
preguiçoso
e
em
estado
vegetativo, tornando
viável
a
destruição
da
floresta,
o
índio
Amazônico
também
pertencia ao
mesmo
cenário,
ou
seja, “o
índio
é de uma
raça
sem
alegria
e
sombrio”
(JUNIOR 1959, p. 32).
O
processo
de
desenvolvimento
pensado
para
a Amazônia,
não
prevê os
custos
ambientais, e
muito
menos
os
impactos
das
incorporações
nacionais
sobre
os
espaços
das
comunidades
tradicionais e
indígenas.
Compreendendo estas
prerrogativas
a “Amazônia entra na
órbita
dos
planejamentos
oficiais,
como
conseqüência
começa
a adotarem
medidas
a
curto
e
longo
prazo,
para
que
deixe de
constituir
apenas
paisagem
física,
para
transformar-se
em
campo
de
ação
criadora do
homem”
De
forma
bastante
precisa,
podemos
identificar
na
fala
antes
posta
que
a Amazônia se
quer
possuía
um
contingente
demográfico,
simplesmente
não
era
habitada.
Não
se tratava de
compreender
a Amazônia
como
um
espaço
diferenciado, e
já
povoado
por
populações
tradicionais e
indígenas,
tratava-se
em
compreende –
lá
como
uma
região
apenas
constituída de
espaços
físicos
que
dependiam da
ação
criadora do
homem
do
centro
-
este,
ou
seja, a
ação
do
desenvolvimento.
Nesta
forma
de
compreender,
direciona - se o
entendimento
da Amazônia
através
dos
mecanismos
de
um
processo
geopolítico
em
que
o
espaço
deveria
ser
ocupado
de
forma
a
assegurar
as
estruturas
do
poder
e da
soberania
nacional.
De
acordo
com
Becker (1982), as
estruturas
espaciais
têm
impacto
direto
no
que
se vem entendendo
como
processo
de
desenvolvimento
e nesse
sentido,
o
espaço
vem adquirindo
um
significado
peculiar
no
que
tange a
noção
de
capacidade
econômica
e
política
dos
estados
seja
por
isso,
que
“existe
padrões
para
o
investimento
no
espaço”
(p. 53). A
partir
de
entendimentos
como
estes,
a Amazônia
veio
se caracterizando
pelo
que
Becker denominou de “fronteira
de
recursos”,
evidenciando uma
postura
em
que
através
da
utilização
dos
recursos
disponíveis,
era
possível
transformá-la
em
riqueza
para
o
mercado
financeiro.
Diferentemente
de todas as
concepções
anteriores,
a
nova
percepção
do
espaço
Amazônico
começa
a se
configurar
a
partir
dos
anos
sessenta,
isso
torna-se
evidente
“ no
momento
em
que
o
centro
dinâmico
do
pais,
fortalecido
dinâmica
e economicamente, decide lançar-se a
conquista
definitiva
da Amazônia” (
Idem,
1982, p 61). Nesta
forma
de
compreender,
é
possível
observarmos
que
existiam
fatores
que
impulsionaram a
decisão
em
ocupar
a Amazônia,
ou
seja, “a
expansão
dessa
fronteira
não
foi
puramente
espontânea
ou
automática,
ma
frutos
de
política
explícitas” ( Miranda, 1990, p. 35).
A
nova
percepção
da Amazônia assume
um
caráter
prioritário
com
referência
as
implementações
de
propostas
de
políticas
de
ordem
externa.
Neste
cenário
a
integração
regional
é
vista
como
sendo
capaz
se
potencializar
e
promover
o
equilíbrio
geopolítico
do Brasil ao
passo
que
ofereceria uma
solução
rápida
para
os
problemas
demográficos,
tanto
do
sudeste
com
o
alto
índice
de migração
para
São
Paulo e
Rio
de
Janeiro,
como
também
para
a Amazônia
já
que
era
um
território
efetivamente
inóspito
e
quando
não,
habitado
por
pessoas
supostamente
incapazes.
Os
cenários
do
desenvolvimento
na Amazônia
nos
últimos
cinqüenta
anos
não
podem
ser
desconsiderados, tendo
em
vista
que
este
projeto
veio
acompanhado
do
estabelecimento
“dos chamados
eixos
e
pólos
de
desenvolvimento,
apropriação
de
terras
para
projetos
agropecuários e reforma
agrária,
mineração e
mais
recentemente,
produção
e
exportação
de
grãos”
(ALVES, 2001, p. 159).
Ou
seja, o
espaço
atual
é
nada
mais
que
um
espaço
que
já
havia sido pensado
durante
as
décadas
de cinqüenta e sessenta,
como
evidenciou
Moraes
(1958),
sobre
os
ideais
a serem construídos na Amazônia. A
intensificação
dos
projetos
modernizadores
para
a Amazônia se fortalece
diante
milhares
de
hectares
de
florestas
que
cederam
lugar
a
pastagem
e/ou
grandes
extensões
de
áreas
para
a efetivação de
monoculturas.
Situação
como
esta pode
ser
identificada no
Estado
de Rondônia. Considerando a
perspectiva
de
que
o
Estado
se caracteriza (ou
deveria se
caracterizar),
pela
grande
quantidade
de
etnias
existente, e da
mesma
forma
pelas
extensões
territoriais
de
ocupação
dessas
etnias,
o
processo
de
desenvolvimento
desencadeou sérias
invasões
no
âmbito
dos
territórios
pertencentes a essas
populações,
diga-se,
por
exemplo,
o
caso
específico
da
etnia
Gavião
localizado no
município
de Ji-paraná – RO.
A
trajetória
histórica
dos
indígenas
Gavião
evidencia
que
durante
muito
tempo
esta
sociedade
propiciou a
sobrevivência
do
grupo
cultivando
plantas
de
forma
simples
e
apenas
com
os
conhecimentos
tradicionais,
entretanto,
com
o
processo
de colonização da Amazônia intensificado a
partir
da
década
de sessenta, foram arremessados a
cultivar
uma
lavoura
de
monocultura
em
escala
comercial.
A
mudança
ocorrida nesse
processo
possibilita a afirmação de
que,
o
manejo
tradicional,
forma
de
domínio
empírico
das
condições
de sobrevivências desenvolvidas
por
esta
população
de
tecnologias
não
intensivas, adentraram a
um
processo
de
mudança
e de
substituição
por
extensões
arrojadas de
monoculturas.
Diante
dos
ideais
em
promover
o
desenvolvimento
no
âmbito
deste
grupo
étnico,
os
empreendimentos
foram implementados
sem
que
se conhecessem as
formas
de
vidas
“das
populações
tradicionais índias e de
suas
formas
de ocupabilidade de
caráter
inventivo
de
criação
de
suas
fronteiras
físicas
e
políticas,”
(SILVA, 2001. p, 29).
Tal
situação
afirmou
que
muitas das
políticas
pensadas
para
a Amazônia, se deram a
distância
e
sem
nenhum
conhecimento
de
como
funcionava a
vida
das
populações
locais.
Considerando as diversas
situações
decorrentes no
âmbito
da
sociedade
indígena
Gavião,
o
primeiro
impacto
foi à
presença
do
estranho
em
seus
territórios,
bem
como
as diversas
explorações
não
permitidas
pela
população
indígena.
Entretanto,
durante
muito
tempo
tais
impactos
foram aceitos e permitidos, e
quando
não,
postulados
como
políticas
públicas,
por
exemplo,
as
propostas
para
a
mudança
no
conceito
das
formas
produtivas das várias
aldeias
indígena
– mudanças dos
sistemas
de
plantações
de consócios e de
subsistências
por
modelos
de
monoculturas
com
finalidades
de
comercialização.
Tal
evento
possibilita a afirmação de
que:
O
modelo
especializado, monocultural, tipicamente
europeu,
tornou-se
dominante.
Sua
introdução
tem sido conflitava
sob
o
ponto
de
vista
sócio
– ambiental [...] esta
imposição
de
modelos
culturais
agrícolas
é
parte
importante
das
razões
do
insucesso
de
tais
projetos
de
desenvolvimento,
que
pretendem transformarem
agricultores
de
floresta
em
produtores
agrícolas
comerciais
em
maior
escala.
Inclusive
porque
as
populações
tradicionais
não
têm
práticas
de
gestão
de
estoques
alimentares
ou
monetários.
(LEONEL, 1998. p, 217)
Na
verdade
a
sociedade
considerada
moderna
criou uma
expectativa
de
desenvolvimento
sem
precedentes,
que
ainda
é
preciso
questionar,
tendo
em
vista
que
existe
um
consenso
em
grande
parte
da
sociedade
não-indígena de
que
todas as
culturas
produzem
desenvolvimento
assentados
nos
princípios
capitalistas,
e,
portanto
também
vivem (assim
como
a
cultura
capitalista),
da transformação de
natureza
em
capital
financeiro.
A
tentativa
de
impor
modelos
de
desenvolvimento
para
as
sociedades
que
não
integram e
não
compartilham os
modelos
ocidentais,
apontam
para
diversos
problemas,
pois
o
olhar
sobre
e
para
a
floresta
da
sociedade
não
indígena
é,
antes
de
tudo
um
olhar
capitalista,
ao
passo
que
o
olhar
indígena
é o da
proteção,
do
mito,
da
fartura,
já
que
são
nestes
territórios
que
se
manifesta
a
cultura
de
seu
povo.
Nesse
sentido,
podemos
compreender
a
fala
de
Santos,
para
quem
os
olhares
diferenciados
sobre
a
natureza,
produzem “um
conflito
que
se
agrava
entre
o
espaço
local,
espaço
vivido
por
todos
os
vizinhos,
e
um
espaço
global,
habitado
por
um
progresso
racionalizador e
um
conteúdo
ideológico de
ordem
distinta
e
que
chega
a
cada
lugar
com
objetivos
e
normas
estabelecido” (SANTOS,
2005, p. 143). Desta
forma,
é
possível
que
os
olhares
diferenciados
sobre
a
natureza,
justifiquem compreendermos
que
os
modos
produtivos
da
sociedade
global
são
desenvolvidos
para
atender
a uma
lógica
de
mercado
e pode
ser
qualificado
em
uma
perspectiva
macro
em
contraposição
a uma
perspectiva
micro.
Neste
sentido,
a
implantação
de
modelos
macros
advindas de
processos
modernizadores
em
sociedades
que
se originam de
modelos
micros,
podem
provocar
mudanças
substanciais,
ou
seja, “os
modos
de
vida
produzidos
pela
modernidade desvencilham
todos
os
tipos
tradicionais de
ordem
social
de uma
maneira
que
não
tem precedente” (GIDDENS, 1991, p.14).
Diante
do
que
já
expomos fica
evidente,
que
as
formas
de
pensar
o
desenvolvimento
e a
própria
noção
de modernidade devem
ser
analisadas, tendo
em
vista
uma
melhor
compreensão
dos
impactos
advindos desses
processos
no
âmbito
das
sociedades
etnicamente diferenciadas de
pequena
escala
e desta
forma,
compreender
o
que
é a modernização do
lugar,
marcados
por
mudanças de
tempo,
de
ritmos,
de
fluxos
de
percepção
de
espaço
e
modelos
de
sobrevivência.
Referências:
ALVES,
Diógenes S. O
processo
de
desmatamento
na Amazônia.
Revista.
Parcerias
estratégicas, nº 12, p. 25 – 32.
Set.
2001.
BECKER, Berta
K.
Geopolítica
da Amazônia: a
nova
fronteira
de
recursos.
Rio
de
Janeiro:
Zahar
Editores,
1982.
BECKER, Berta
K; MIRANDA,
Mariana;
MACHADO,
Lia
O.
Fronteira
Amazônica:
questão
sobre
a
gestão
do
território.
Rio
de
Janeiro:
Editora
da
Universidade
Federal
do
rio
de
Janeiro,
1990.
BRITO,
Augusto
de. Pensando o
planejamento
regional.
São
Paulo: Dpa,1991.
CARNEIRO,
Edson. A
conquista
da Amazônia.
São
Paulo: Mauá, 1956.
CARVALHO,
Wilson de.
Flashes
da Amazônia.
São
Paulo: EDANEE, 1964.
GIDDENS,
Antony. As
conseqüências
da modernidade.
São
Paulo: Unesp, 1991.
JUNIOR,
Peregrino.
Panorama
cultural da Amazônia.
Bahia:
Progresso,
1960.
MORAES,
Orlando. Amazônia Espoliada.
Rio
de
Janeiro:
NAP, 1959
SANTOS,
Milton. A
natureza
do
espaço:
técnica
e
tempo,
razão
e
emoção.
São
Paulo: Edusp, 2004.
SILVA, Maria
Laura.
Espaço
pós
–
moderno
ou
espaço
modernizado?
Desconstrução
ou
enredo?
Um
exemplo
de
globalização
na Patagônia
norte
( argentina).
In:
revista
de
geografia,
v.13: UNESP, 1996.
LEONEL. Mauro. A
morte
social
dos
rios.
São
Paulo:
Perspectiva,
1998.
*
Mestrando
no Programa de
Mestrado
em
Geografia
da Fundação
Universidade
Federal
de Rondônia.
Pesquisador
colaborador no
Grupo de Pesquisa
em
Educação
na Amazônia/
Bolsista
CAPES.