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Resumo:
O artigo que
apresentamos é decorrente de vivências ocorridas na Educação a Distância
– EAD, da Universidade Federal de Santa Maria, no curso de Educação
Especial a Distância, no primeiro semestre de 2007, na extinta
plataforma virtual de aprendizagem do e-proinfo. Constituindo-se em uma
primeira parte destas experimentações, problematiza a modalidade de
educação à distância juntamente com os relatos de experiências docentes,
destacando elementos contraditórios entre a legislação do período e as
práticas vivenciadas.
Palavras-Chaves: Educação a Distância – Educação – História - Tecnologia
Resumen:
El
artículo presenta los resultados de las experiencias que han ocurrido en
la Educación a Distancia - Educación a Distancia, Universidad Federal de
Santa María, en el curso de Aprendizaje Especial de Educación a
Distancia, en el primer semestre de 2007, la plataforma virtual ahora
difunto para e-ProInfo. Convirtiéndose así en el primero de estos
ensayos, se analiza la modalidad de educación a distancia, junto con las
cuentas de las experiencias de la enseñanza, destacando los elementos
contradictorios de la época entre la legislación y las experiencias
prácticas.
Esqueça todas as formas e procedimentos que marcaram sua vida
educacional. Suas primeiras descobertas quando criança. Seu primeiro dia
na escola. Uma multidão de pessoas novas, desconhecidas, estranhas ao
seu convívio. Centenas de crianças misturadas em uma diversidade de
cores, formas, gestos, sentidos a serem vivenciados. Um mundo
imensamente novo e totalmente hostil as minhas expectativas. Esqueça o
espaço da escola, ela não existe mais.
O que há no lugar dela? Em que devo pensar quando me recordo de uma
infância escolar? Onde está à casinha que ficava nos fundos da Escola
Santíssimo Nome de Jesus, em Caçapava do Sul? Cadê as pequenas cadeiras
de madeiras que serviram como meus alicerces educacionais? Não consigo
avistar a Professora Raquel, com toda sua cordialidade e delicadeza
enxugando minhas lágrimas enquanto me desesperava com a possibilidade de
ter de ficar ali.
Bem, se foi tão conturbada minha adaptação à escola, a este espaço
escolar, há quem pudesse acreditar que para meu desenvolvimento pleno e
saudável talvez fosse melhor não freqüentá-la. Eu poderia ter continuado
vivenciando minhas primeiras descobertas em casa, sem precisar me
deslocar para novos ambientes sociais. Se isto tivesse acontecido, eu
não precisaria hoje me recordar das lágrimas derramadas e nem mesmo da
doce professora Raquel. Claro, que neste caso, também não lembraria dos
divertidos e empolgantes piqueniques de fim de ano. E muito menos do meu
primeiro amor. E das saborosas merendas que minha mãe preparava. E das
estrelinhas que enfeitavam meus cadernos. Simplesmente porque não
haveria necessidade de ter um caderno ou cartilha. Meio difícil de
acreditar considerando a época, meados da década de 1980, que ao invés
de hoje, no qual tenho duas caixas enormes de papelão recheadas de
trabalhos; provas; desenhos; livros; pinturas; folhas mimeografadas;
cartões para a mãe e o pai; eu teria apenas um – pen-drive –,
enfeitando minha parede ao lado do meu diploma de alfabetização!
É assim que me senti quando experimentei a EAD – Educação a Distância.
Toda minha vivência escolar poderia não ter passado de meros circuitos
eletrônicos perdidos no cyber – espaço. E seria desesperador ter de me
recordar do meu primeiro computador e de como chorei quando ele acusou
um erro. Ah! Que gentil e meiga era àquela tutora, que não me recordo de
seu rosto por causa da péssima resolução da foto. Eu teria aprendido
tanto! Como teria aprendido a reconhecer as feições humanas! Assim a
tutora estava brava, deste jeito feliz e desse modo, bem, desse modo
ainda não aprendi a operar este novo programa.
Recordações a parte, estamos falando de uma realidade virtual, logo, não
concreta. Se já acreditava ser difícil interpretar os signos da escrita,
os números, de construir minhas noções espaciais e temporais, o que
dizer de pensar algo que é virtual, que não é palpável? Foge dos meus
sentidos a possibilidade de trocar informações com uma máquina,
acreditando que tudo o que vejo, escuto, leio e até converso com este
objeto, não ultrapassa a barreira de minha imaginação. Como acreditar
que a linguagem, símbolo máximo da “superioridade” humana frente
os demais animais, é reduzida a um conjunto infinito de combinações
binárias tentando me convencer que são reais?
É esta a definição que dou a EAD – Ilusão Virtual –, o esforço máximo de
compreender que ao invés de haver educador – educandos e educandos –
educador uns com os outros, presentes, conversando, trocando idéias,
reconhecendo em suas faces seus desejos, sentimentos, compreensões de um
mundo individual abrindo-se a novas formas coletivas de vida, frente a
frente; temos em contrapartida, uma máquina fria, incapaz de transmitir
sentimentos, muda, neutra, me fazendo crer que isso é a educação de
qualidade que a legislação vigente garante a qual eu dependo desde o
primeiro dia em que pisei na escola.
A Educação a Distância é uma das modalidades especiais de educação
brasileira. Esta vem reforçar as finalidades da educação, no que confere
ao pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para a cidadania e sua
qualificação para o trabalho, aliado ao princípio do ensino sobre a
igualdade de acesso e permanência na escola. Aqui, a Educação a
Distância – EAD – nos remete a idéia de um esforço em oferecer uma
educação de qualidade, visto sua obrigatoriedade legal por parte da
União. Dessa forma, salvo nos locais que não apresentam infra-estrutura
adequada, acesso a transportes ou que carecem de muitas horas para seu
percurso, a EAD é dirigida como uma ferramenta de trabalho na difusão da
liberdade de aprender e ensinar (LDB, 1996, ART.3).
De acordo com a lei nº. 9394/96 – LDB, em seu artigo nº. 80: “O poder
Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de
ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de
educação continuada.”:
§ 1°. A educação à
distância, organizada com abertura e regimes especiais, será oferecida
por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2°. A União
regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de
diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3°. As normas para
produção, controle e avaliação de programas de educação à distância e a
autorização para sua implementação caberão os respectivos sistemas de
ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes
sistemas. § 4°. A educação a distância gozará de tratamento
diferenciado, que incluirá: 1 – Custos de transmissão reduzidos em
canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; 2 –
Concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 3 –
Reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos
concessionários de canais comerciais.
Este aspecto legal reafirma a possibilidade do oferecimento desta
modalidade especial de educação, mas seu enfoque não concentra sua
atuação em apenas uma plataforma virtual de estudos, ao contrário,
estabelece um arcabouço de possibilidades para ‘complementar’ a
educação formal – presencial. Certas isenções aos cofres públicos,
aparecem como incentivos para torná-la possível, não de maneira tão
clara em letras legais, mas subentendidamente corroborando com um dos
princípios do ensino: ser oferecida tanto a instituições privadas como
públicas, sendo desta última, a prerrogativa de ser gratuita.
Dentre os vários materiais produzidos pelo MEC e pela SEaD,
destaco uma série de estudos sobre a EAD. Dos vários artigos publicados,
faço menção a apenas dois, para ilustrar o panorama dos discursos desta
modalidade a nível global.
Estas publicações, em sua maioria, analisam de forma positiva a EAD,
destacando, entretanto, pontos a serem observados quanto a sua execução
e qualidade. De acordo com Benno Sander:
Não se trata
evidentemente de substituir o complexo sistema de comunicação social que
constitui o ensino tal como o conhecemos. Esse sistema desempenha
funções múltiplas e, por isso, tem demonstrado uma notável capacidade se
sobrevivência ao longo dos séculos. Trata-se, contudo, de combinar
diversas tecnologias disponíveis, com o propósito de melhorar o ensino
convencional, ou de supri-lo em regiões de população rarefeita ou de
difícil acesso, nas quais a presença do professor, apesar de necessária,
nem sempre é factível. Trata-se ainda de oferecer programas para os
quais há clientelas específicas em todos os níveis de ensino,
especialmente no da educação superior, capazes de dispensar o modelo
presencial – ou dispostas a isso – para atingir determinados objetivos
acadêmicos ou profissionais. (SANDER, In: SEED, 1998, p.16).
Acompanhando seu raciocínio, a EAD teria sua oferta como um incremento
na melhoria da educação brasileira, auxiliando a educação convencional,
salvo em locais e condições insuficientes de operacionalizar a educação
presencial. Quando se refere ao ensino superior, não delimita se sua
extensão é pública ou privada.
Seguindo seu discurso, Sander esforça-se em convencer os expectadores de
sua fala, que a EAD substitui com maestria a educação presencial:
Se a escola
tradicional é importante para a socialização e para o estabelecimento de
vínculos afetivos que redundam em maiores oportunidades de inserção na
vida social, a escola virtual também ostenta vantagens. A possibilidade
de ter acesso a professores e cursos altamente especializados, de acordo
com a programação pessoal do interessado, pode traduzir-se em benefícios
reais para o estudante. A feliz combinação dos recursos da computação
com as telecomunicações pode permitir que se tire o melhor partido da
escola tradicional e, simultaneamente, da escola virtual, com suas
imensas possibilidades de aceso ao conhecimento geral e especializado. (SANDER,
In: SEED, 1998, p.18).
Esse fragmento proferido é contraditório, a fim de pintar um ambiente
altamente benéfico da EAD. Inicia-se com a expressão “escola
tradicional”, na tentativa de referir-se às práticas presenciais
como àquela concepção de educação duramente criticada e que marcou um
longo período na educação brasileira, estendendo-se ainda hoje. Mas
tenhamos atenção que neste caso, o termo ‘tradicional’ significa
práticas educativas comprovadas e exercidas por sábios docentes, que
mesmo sem terem ao seu alcance o tão profanado “computador”,
jamais esgotaram a característica que nos é nato – criatividade –, saber
lidar com as diferenças pessoais e com as mais variadas adversidades que
se impõe a esta categoria profissional.
Em segundo lugar, crer que o aluno terá ao seu alcance a escolha dos
programas e conteúdos antes destes lhes serem impostos, é mero devaneio
deste intelectual, que não se recordou que esta normativa esta presente
em todos os manuais e legislações educacionais brasileiras, e nem mesmo
nas instituições presenciais foi possível na integra a sua realização. O
que dizer do espaço onde se corta por completo a relação dialógica entre
educador – educandos e educandos – educador, tendo apenas como opção,
clicar sobre o que acredita ser de seu interesse e não do que
pode tornar-se seu interesse.
Diferentemente das abordagens e pesquisas realizadas a nível educacional
no Brasil, sobre as práticas educativas presenciais, os manuais do MEC
qualificam apenas como favoráveis e arriscam previsões, ou talvez, não
sejam previsões, que a EAD soluciona muitos problemas enfrentados pela
educação formal. Aspectos negativos ou tópicos há serem modificados ou
melhorados não aparecem em seus discursos. Com certa estranheza, um
artigo escrito por um estudioso da Costa Rica alerta para uma questão
social não característica apenas de nosso país, mas que convive conosco
em todos os setores e estruturas da sociedade, sejam elas sociais;
políticas; culturais ou econômicas.
Recién hace dos semanas se realizó em Costa Rica el VII Congreso
Internacional sobre Tecnologia y Educación a Distancia, cuyo tema guía
fue La Educación a Distancia como una solución de calidad para el siglo
21 y escuchamos todo tipo de perspectivas en la educación a distancia
con posiciones tan radicales, como la que la universidad ya no debe ser
um centro para el aprendizaje y la creacíon del conocimiento, sino una
empresa más que vende productos que lê interesan a los empleadores,
hasta lãs que consideran que la tecnología está dejando de lado la
intererrelación entre lãs personas, el aprender a trabajar em equipo, la
democratizacíon de la enseñanza al demandar del estudiante recursos para
el aprendizaje cada vez más restringidos y es entonces cuando meditamos
si em nuestra realidad latinoamericana, de la cual Brasil no se sustrae,
podemos seguir promoviendo la adopción y apropiacíon de nuevas
tecnologías cuando se roba a los niños la oportunidad de aprender por
provenir de hogares donde la realidad económica impone la prioridad de
alimentarse antes que la de educarse o donde la falta de recursos de
aprendizaje em las aulas o los bajos salários y la falta de capaciación
de los docentes contribuyen a una educación deficitária, sin
oportunidades para promover um recurso humano capaz de desempeñarse em
un mundo con una economía globalizada.(SOLOIS, In: SEED, 1998, p.85).
De acordo com suas ponderações, seu agravamento se dá pela existência de
uma das piores distribuições de renda do planeta, acarretando mais uma
vez a necessidade de se pensar: será que estamos preparados para a
adesão maciça e a substituição total (ou parcial, considerando os custos
e a necessidade de uma economia forte em todos os setores sociais) da
educação formal por práticas exclusivas de educação a distância? Estes
estudos, analisados de maneira verticalmente, integram de maneira
colossal todas as frentes de trabalho desenvolvidas pelos mais variados
profissionais da educação brasileira?
Com base nestas reflexões e, fazendo referência ao título, desta
primeira parte, segue ainda, de forma breve, algumas experimentações
em EAD. Frente
às limitações de um artigo, não seria capaz de abarcar na integra todas
as variadas práticas vivenciadas. Entretanto, gostaria de pronunciar
algumas palavras sobre a relação docente – discentes e nossas formas de
comunicação – ‘Diálogo’.
Destacando que tal modalidade se efetuou no nível de ensino superior,
público e gratuito, utilizando como plataforma de estudos ambientes
informatizados, capacitados e organizados pelo Ministério da Educação,
denominado E-PROINFO. Essas experiências são decorrentes do primeiro
semestre de 2007, quando ainda se utilizava a plataforma e-proinfo,
hoje, substituída pelo AVEA
do moodle.
O ‘contato’ entre discentes e docentes se fez por meio de um
terminal de micro-computador interligado a outros, tendo como via de
acesso a internet. Contou-se com um calendário, programado pela
Universidade e pelos docentes que ministravam as disciplinas do
semestre, destinados aos acadêmicos da EAD. Assim, se dispunham de uma
agenda geral e uma específica de cada cadeira, para poderem se programar
quanto aos horários que teriam suas aulas virtuais e os seus demais
acessos permanentes de estudos.
Quanto a esta organização, destaco um alto grau de descontentamento dos
discentes em relação às atividades distribuídas. Em sua maioria, as
críticas concentravam-se na quantidade de trabalhos exigidos e na falta
de opção de escolha por parte dos acadêmicos. Também, pela insuficiência
de horários pessoais para suas realizações, ocasionando atraso na
entrega das atividades e desvalorização da ‘nota’ = conceito da
atividade.
Considerando os argumentos defendidos pelo MEC, que certos programas e
conteúdos seriam ‘escolhidos’ de acordo com os interesses dos
envolvidos no processo de ensino-aprendizagem, isso na prática não se
concretizou. Fato comprovado pela incompreensão frente às atividades e
suas realizações, e por comentários como: “para que esta disciplina
vai me ser útil, se não irei me graduar em ...?!” Ademais, a
preocupação com a ‘nota’ era tamanho, que por alguns cuidados observados
pelos acadêmicos ao longo do semestre, ao alcançarem nas avaliações peso
equivalente ou próximo a sete (7,0), automaticamente alguns discentes
afastavam-se dos diálogos com determinadas disciplinas. Estando em nível
de ensino superior e sabendo que este lhe possibilitaria uma formação
abrangente na área escolhida, muito além da ‘nota’, pensar nestes
termos, é, na acepção mais simples, desperdício do dinheiro público. Uma
vergonha que se repete a nível presencial, e que não conseguiu ser
superado na educação a distância.
Contava-se ainda com e-mails e outros espaços de interação, como
bibliotecas, para alocar as referências bibliográficas e
materiais produzidos ou selecionados, tanto pelos docentes como pelos
discentes; diários de bordo, sendo esta uma ferramenta útil na
troca de informações e tira-dúvidas das disciplinas. Vale destacar
ainda, que de acordo com a organização da agenda específica de cada
disciplina, o docente tinha a oportunidade de trocar informações em
tempo real com os acadêmicos, por meio de salas de bate-papo virtuais –
‘chats’. Cada discente dispunha de um terminal de
micro-computador, seja este disponível no Pólo de estudo ou mesmo onde
tinha acesso a internet. Todo trabalho do docente era ‘auxiliado’, se
não o contrário, pelos tutores, que acompanharam de perto a prática do
professor e os estudos dos acadêmicos.
Nota-se neste aspecto, que estando o tutor auxiliando o professor em um
“diálogo” entre os acadêmicos por meio da sala virtual, este
mesmo tutor teria de ter – pelo menos se esperava por isso – domínios do
conteúdo, pois, apresentava autonomia para responder e mesmo coordenar
as atividades ou discussões propostas. No caso do curso de graduação
em Educação Especial
a distância, ofertado pela Universidade Federal de Santa Maria, cada
professor (a) era responsável por três (3) Pólos de estudo (Bagé,
Santanna do Livramento e Uruguaiana), sendo que para cada um destes, era
mediada sua prática com o trabalho dos tutores.
No caso da EAD, para este curso de Graduação, tutores eram graduandos
(a) desta Universidade, que por meio de processo seletivo, ingressavam
nestas atividades. No caso de disciplinas de metodologias específicas,
como com a História, as experiências nesta área do conhecimento eram
frutos dos estudos desenvolvidos nesta cadeira, ofertada em sua
graduação; portanto, não eram acadêmicos específicos deste campo de
ensino.
Sendo assim, exigia-se do professor titular da disciplina, constantes
coordenações, seja para conduzir os estudos da graduação a distância
como para aperfeiçoar os domínios dos tutores. Estes, por sua vez,
tinham duas escolhas: ou apresentavam conhecimentos além dos
disponibilizados nesta disciplina em sua graduação e coordenavam as
atividades em conjunto com o professor, ou, desenvolviam sua tutoria
como ‘técnicos administrativos’, ou seja, respondiam e enviavam
e-mails, anotavam dúvidas e responsabilizavam-se em solucioná-las,
estruturando as salas de bate-papo virtuais, enfim, oferecendo suporte
técnico ao docente.
O DIÁLOGO COMEÇA NA
BUSCA DO CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. Daí que, para esta concepção como
prática da liberdade, a sua dialogicidade comece, não quando o educador
– educando se encontra com os educandos – educadores em uma situação
pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai
dialogar com estes. Esta inquietação em torno do conteúdo do diálogo é a
inquietação em torno do conteúdo programático da educação. Para o
“educador – bancário”, na sua antidialogicidade, a pergunta, obviamente,
não é a propósito do conteúdo do diálogo, que para ele não existe, mas a
respeito do programa sobre o qual ele dissertará a seus alunos. E a esta
pergunta responderá ele mesmo, organizando o seu programa. [...]
Para o educador – educando, dialógico, problematizador, o conteúdo
programático da educação não é uma doação ou uma imposição – um conjunto
de informes a ser depositado nos educandos –, mas a devolução
organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que
este lhe entregou de forma desestruturada. (FREIRE, 1987, p.83-84).
Para dar um pouco de esperança a EAD, contava-se ainda com a
disponibilidade de uma aula presencial nos Pólos de estudo, onde os
gastos da viagem e custos que o docente vinha a ter eram subsidiados
pela Universidade. Programada na agenda da disciplina, a aula presencial
era um dos pontos culminantes, pois podiam anteceder a semana das
avaliações, sendo possível fazerem um resgate do conteúdo trabalhado e
sanar de maneira coletiva e formal as dúvidas, além de esclarecer certos
conceitos e entendimentos.
As aulas presenciais ocorriam nos mesmos dias que se realizavam as aulas
nas salas de bate-papo virtuais, só que não apenas nas duas horas
noturnas destinadas, e sim nos quatro períodos. Portanto, no momento que
estavam sendo realizadas as aulas presenciais, os docentes que
continuavam na cidade de Santa Maria, não tinham acesso às salas
virtuais, visto que, outro docente estava presencialmente no Pólo.
Um professor tinha acesso via internet aos três pólos no mesmo dia. No
caso da aula presencial, este encontrava-se em um único Pólo por vez.
Assim elaborava-se a agenda de maneira que neste mesmo dia outro docente
estivesse trabalhando presencialmente
em outro Pólo,
podendo em uma mesma semana, haverem três ou mais professores
diretamente nos Pólos.
Essa forma de organização fez com que ocorre-se um período de
comunicações apenas via e-mail, diário de bordo e biblioteca, já que as
salas virtuais eram substituídas pelas aulas presenciais. Portanto, além
de ficarem limitados sem a conversação em tempo real, não se podia pedir
nenhuma atividade dos alunos, para que pudesse estes, terem maiores
aproveitamentos de suas aulas presenciais.
Finalizada essa etapa, logo se encaminhava para o encerramento do
semestre. A rotina seguia a mesma a cada período letivo, carregando
consigo ainda, alunos (a) que não haviam alcançado a média e que se
encontravam em situação incompleta.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Analisando a questão, gostaria de frisar que a aula presencial era um
momento aclamado pelos discentes e, no meu caso enquanto docente,
ansiosamente aguardado e desesperadoramente limitado, frente à
necessidade crucial de diálogo professor – alunos e alunos – professor.
Os comentários pessoais denotavam a vontade de aulas deste tipo, desta
presença, da necessidade de conversas, trocas e construção de saberes.
Pelo pedido de retorno, dos recursos de vídeo – conferência e das
gravações de áudio, ficava claro a necessidade de resgatar um pouco da
característica inata do humano.
Não sejamos tolos! Não estavam pedindo formas diferenciadas de conduzir
a EAD, estavam sim pedindo docentes, gritando por educação!
Milhares de anos para alcançarmos nossa posição bípede e nos
diferenciarmos dos demais seres vivos, para voltarmos a nos curvarmos
frente o peso do conhecimento.
Das experiências obtidas através da disciplina de História, não nos
basta apenas ler, e guardar para si sua bagagem intelectual. História é
uma área do conhecimento desenvolvida por homens, é o reflexo e o
resultado das ações humanas, vivendo o seu tempo e espaço, em contextos
sociais, políticos, culturais, econômicos e de idéias antagônicas as
nossas, que precisam ser discutidas, debatidas, compreendidas e
desmistificadas de possuir a “Verdade Absoluta”.
Em qual contexto educacional estamos vivendo? Voltamos há pensar como no
século XIX? Estamos idolatrando personagens e descrevendo datas perdidas
na imensidão do processo histórico como se fosse possível estabelecer
uma fita métrica em nossas vidas, linearmente solidificada, estável e
repleta de prazeres?
Ao compactuarmos com esta modalidade de educação, entregamos de badeja
nosso suor e sangue derramado pela conquista da educação brasileira.
Nossa independência de idéias, nosso aprimoramento pessoal, profissional
e coletivo. As idéias que perpassam esta especialidade vão além do
discurso terno e inocente de acesso e permanência, de liberdade e
igualdade.
Voltar os olhos para nossa realidade, a da escola, do aluno e da
comunidade, gozar dos princípios de cooperação. Para tanto, dialogar;
debater; sentir; olhar; tocar; viver o coletivo. Substituir as barreiras
da tecnologia, pelo uso democrático e consciente dos recursos que
podemos dispor e destes desenvolver os profissionais que almejamos e que
figuram em nossas práticas discursivas. Não abandonarmos o que foi
conquistado, ao mesmo tempo em que não precisamos se apegar ao
‘tradicional’, como via de regra, mas reconhecer nesta forma de
educação, o próprio significado da expressão presencial, ou seja –
Presença!
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FREIRE, Paulo.
Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro, JR: Editora Paz e Terra, 17ª
Edição, 1987.
Perspectivas da
Educação a Distância: América Latina, Seminário de Brasília,
1997/Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da
Educação e do Desporto, SEED, 1998. Série de Estudos. Educação a
Distância.
Graduado em História – Licenciatura Plena pela Universidade Federal
de Santa Maria. Especialista em História do Brasil/UFSM, Mestrando
em Educação/UFSM. Professor Pesquisador I da UAB/UFSM. Membro do
Grupo de Estudos e Pesquisas
em Imaginário
Social – GEPEIS – UFSM.
decioluciano@yahoo.com.br
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