Resumo
O artigo aborda a relevância das vivências da Terceira Idade para a
mudança de paradigmas frente à Educação Ambiental. Nesta
perspectiva, desenvolvemos uma oficina de artesanato, com utilização
de cascas de banana, para o Grupo de Terceira Idade da Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM). O objetivo desta oficina foi
estimular o referido Grupo à reflexão de suas práticas e à mudança
de paradigmas quanto às questões ambientais; bem como, induzir a
criatividade através da confecção artesanal, promovendo a
auto-estima dos mesmos.
Palavras-Chave:
Terceira Idade. Educação Ambiental. Mudança de Paradigmas.
Resumen
El artículo se acerca a la importancia de
las experiencias de la tercera edad para el cambio de paradigmas
afronta a la educación ambiente. En esta perspectiva, desarrollamos
un taller del artesanato, con el uso de las cortezas del plátano,
para el grupo de tercera edad de la universidad federal de Santa
María (UFSM). El objetivo de este taller era estimular al grupo
práctico citado a la reflexión del su y cambio de paradigmas cuánto
a las preguntas ambiente; así como, inducir la creatividad a través
de los dulces del artesano, promoviendo auto-estiman los mismos.
Palabra-Llave:
Tercera edad, educación ambiente, cambio de paradigmas.
1.
INTRODUÇÃO
Considerando que a Educação Ambiental fundamenta-se na mudança de
percepção que o indivíduo tem do ambiente em que está inserido,
percebemos a importância de se trabalhar a Educação Ambiental para a
Terceira Idade. Por serem mais velhos, os idosos são mais
inflexíveis e de difícil tratamento no que se refere à mudança de
paradigmas. Neste sentido, buscamos através de oficinas de
artesanato, reutilizar resíduos sólidos vegetais, em especial a
casca de banana com a finalidade de introduzir, através das
vivências obtidas na oficina, um novo olhar quanto às questões
ambientais aos participantes.
Os principais objetivos desta oficina estão embasados em estimular o
Grupo da Terceira Idade da UFSM à reflexão de suas práticas e à
mudança de paradigmas quanto às questões ambientais; bem como,
induzir os participantes à criatividade através da utilização de
matéria-prima biodegradável para confecção artesanal, além de
promover a auto-estima do Grupo. Nesta perspectiva, oportunizar aos
idosos a experiência de desempenhar um trabalho de Educação
Ambiental do qual terão que se utilizar da criatividade, estimula a
auto-estima e, consequentemente, a mudança de paradigmas. Visto que,
para que estes sujeitos compreendam a relevância da Educação
Ambiental e para que sua percepção de Meio Ambiente seja modificada,
necessário se faz que estes sujeitos tenham vivências nas quais eles
serão os próprios agentes modificadores dos paradigmas errôneos que
possuem quanto às questões ambientais.
Neste sentido, oportunizar ao Grupo de idosos da UFSM a vivência de
uma prática ambiental, através de um produto biodegradável com
matéria prima desenvolvida a partir de resíduos de cascas de banana,
é oportunizar vivências educativas. Através deste produto
(artesanato) os participantes tiveram um respaldo, ou seja, um
material concreto do que aprenderam sobre as questões ambientais.
Com esta ação, os idosos participantes da oficina tiveram a
possibilidade de transmitir aos netos, amigos e demais familiares as
noções básicas de reutilização de resíduos sólidos vegetais, o que
é, de certa forma, um início de mudança de comportamento frente ao
Meio Ambiente.
2.
EDucação Ambiental e a quebra de paradigmas
Mauro Guimarães (2005) afirma que o problema ambiental surge do
atual modelo de sociedade que é fragmentária, reducionista,
individualista, consumista, concentradora de riqueza e exploratória,
voltando-se assim para a degradação. Para este autor, o Meio
Ambiente e suas problemáticas são conteúdos básicos da Educação
Ambiental, sendo que é necessária uma interdisciplinaridade para um
dos tratamentos adequados ao seu processo pedagógico.
Na vivência de um processo
interdisciplinar em sua integralidade, em que novos conhecimentos
vão sendo construídos e que novos valores e atitudes podem ser
gerados, resultando em práticas sociais diferenciadas, essas
possibilidades de transformação são propícias ao processo educativo
que objetiva a formação da cidadania, mas uma cidadania em que seu
exercício seja resultado de práticas críticas e criativas de
sujeitos aptos a atuarem nesta sociedade mundializada. O atual
cidadão necessita dessa compreensão de totalidade para se situar e
ser eminentemente um agente social nesse mundo globalizado e
complexificado (GUIMARÃES, 2000 B. apud CUNHA & GUERRA,
2005).
Neste sentido, considerando os idosos como cidadãos que são, não
podemos esquecer que estas pessoas também fazem parte da sociedade e
que também devem exercer ações de preservação ambiental, sendo que
podem iniciar sua transformação de paradigmas através de vivências
diárias, tais como a reutilização de resíduos. Ao definir a Educação
Ambiental entendemos que esta abrange todos os setores da sociedade,
bem como todas as idades. Neste sentido, Noguera (2009), define
Educação Ambiental como:
Um processo contínuo e permanente
que busca a transformação de valores e atitudes e posicionamentos
pelos quais, a comunidade por intermédio do indivíduo esclarece
conceitos voltados para a conservação do ambiente. (Noguera ,
2009, P.xx)
Conservar o ambiente é um processo contínuo que deve ser efetuado
pela comunidade, e os idosos, mesmo sendo muitas vezes esquecidos
pelos demais membros da sociedade, também podem e devem desempenhar
um trabalho de Educação Ambiental. Ao trabalhar com a Terceira
Idade, devemos pensar em valorizar seus conhecimentos e vivências,
valorizar suas idéias e não forçar um ideal sem considerar o
ambiente no qual o idoso está inserido. Neste sentido, Ana Maria
Araújo Freire (2003), com base em Paulo Freire afirma:
As práticas libertadoras, pelas
quais devemos lutar, necessitam da comunicação que, para Paulo é a
antítese da extensão. Comunicação exige diálogo e não comunicados,
ordens ou prescrições. Práticas que demandam colaboração,
participação e objetivos delineados nas táticas da luta por esse
mundo melhor. [...] Prática libertadora implica troca. Em
horizontalidade. É negação da verticalidade e do autoritarismo
(FREIRE, A. M. A. 2003, p. 18).
Desta forma, entendemos que as práticas de Educação Ambiental com
Grupos de Terceira Idade devem ser embasadas na valorização da
história do indivíduo, no reconhecimento de suas vivências e no
respeito ao ser humano, indispensável em toda e qualquer prática,
seja ela com idosos ou não. Neste contexto, a autora reafirma a
valorização do outro nas práticas de Educação Ambiental:
[...]. Para isso se faz necessário
sobretudo o respeito e a valorização do outro(a). E este modo de
estar no mundo implica a aceitação da diferença. É o princípio
fundante do diálogo entre sujeitos e entre esses e o objeto passível
e almejado pelos sujeitos de ser conhecido. É o princípio gerador do
elogio da diferença (FREIRE, A. M. A. 2003, p. 18).
Ainda, a mudança de paradigmas nos grupos de Terceira Idade, como em
qualquer grupo e/ou sujeito, não se dá de forma impositiva, mas de
forma lenta e pacífica. Para que os idosos mudem a percepção de Meio
Ambiente e tornem-se disseminadores das questões ambientais e da
Educação Ambiental, necessário se faz que, através das práticas e do
exercício conjunto de transformação de resíduos sólidos em
artesanato, compreendam a importância da preservação ambiental.
Segundo Boff (1996),
Hoje estamos encontrando um novo
paradigma. Quer dizer, está emergindo uma nova forma de dialogação
com a totalidade dos seres e de suas relações. Evidentemente
continua o paradigma clássico das ciências com seus famosos
dualismos como a divisão do mundo entre material e espiritual, a
separação entre a natureza e a cultura, entre ser humano e mundo,
razão e emoção, feminino e masculino, Deus e mundo e a atomização
dos saberes científicos (BOFF, 1996. p. 29).
Nesta perspectiva, entendemos que o novo paradigma ao qual o autor
se refere vêm de encontro com as concepções equivocadas que a maior
parte da sociedade possui quanto às questões ambientais.
A metodologia utilizada nesta oficina visou reconhecer que o Grupo
da Terceira Idade da UFSM pode desenvolver produtos artesanais
utilizando-se de matéria prima biodegradável, desenvolvida a partir
de resíduos sólidos vegetais como a casca de banana.
3. CONCLUSÕES
Trabalhar para que haja uma mudança de paradigmas na Terceira Idade
é algo lento e contínuo, visto que essa transformação ainda
encontra-se em processo nos demais grupos, de diferentes idades,
existentes na sociedade atual.
A finalidade desta iniciativa foi a de propiciar a estes sujeitos um
conhecimento inicial das questões ambientais. Com isso, propomos uma
mudança lenta e contínua das concepções equivocadas a respeito do
Meio Ambiente em que a Terceira Idade está inserida.
Com estas práticas, a Educação Ambiental não foi imposta ao Grupo da
Terceira Idade, mas foi absorvida pelos participantes naturalmente,
por meio de pensamento reflexivo, de raciocínio quanto às questões
ambientais e com base na história de vida dos participantes.
Portanto, ao pensarmos em mudanças de paradigmas, em Educação
Ambiental e em Terceira Idade, devemos nos remeter à valorização das
vivências dos idosos, bem como compreender que esta mudança acontece
de forma lenta e gradativa.
3.
REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Ecologia – Grito da Terra, Grito dos Pobres.
2ª edição. São Paulo: Editora Ática, 1996.
CUNHA, Sandra Baptista da; GUERRA, Antonio José Teixeira. Org(s).
A Questão Ambiental: diferentes abordagens. 2ª edição. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
FREIRE, Ana Maria Araújo. O Legado de Paulo Freie à Educação
Ambiental. Artigo publicado no livro: NOAL, Fernando Oliveira;
BARCELOS, Valdo de Lima. Org(s).Educação Ambiental e
cidadania: cenários brasileiros. Santa Cruz do Sul: EDUNISC,
2003.
NOGUERA, Jorge O. Cuéllar. Definição de Educação Ambiental.
Educação Ambiental: Pós-Graduação. Disponível em: http://www.ufsm.br/educacaoambiental/
. Acesso em: 28/12/2009.
[i]
Graduada em Educação Especial
– Licenciatura Plena pela UFSM – Universidade Federal de Santa
Maria – Especializanda
em Educação
Ambiental
pela UFSM. Mestranda em Educação pela UFSM. e-mail:
miriam_maciel.ufsm@yahoo.com.br
** Graduado
em
Medicina Veterinária
pela PUCRS - Campus
Uruguaiana. Especializando em Educação Ambiental pela UFSM.
e-mail:
joeurobe@yahoo.com.br