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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:46:12                                               

 
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EDUCAÇÃO - Resenha

Analisando a obra "Educação Comunicação Anarquia: procedências da sociedade de controle no Brasil

   

Franciele Roos da Silva Ilha; Hugo Norberto Krug

publicado em 18/07/2009

        

 

A obra “Educação comunicação anarquia: procedências da sociedade de controle no Brasil” de Guilherme Carlos Corrêa1 é uma tese de Doutorado que retrata criticamente como a comunicação, com seu vasto campo de aplicação, se insere na Educação, contribuindo na formação de indivíduos disciplinados, dóceis e aptos a serem treinados e moldados pelos interesses do Estado.


 

No entendimento de Corrêa (2006), a escola cumpre a função de fazer parar o corpo e o pensamento, nesse sentido nos imobiliza perante a vida em sociedade. Tudo que se processa nesta instituição, suas tarefas, seus afazeres, são próprios da arte de governar. Na visão do autor, se quisermos tentar reverter essa realidade podemos trabalhar sobre os agentes que atuam nesse processo, já que educar deveria se configurar numa proposta crítica de ensino, principalmente no que se refere aos padrões e normas impostas pelo Estado.
 


 

Assim, este estudo teve como objetivo problematizar a relação entre Educação e comunicação através do embasamento em um conjunto de livros. Esses livros-bloco chamados por Corrêa (2006) são superados hoje, mas o autor traz inclusive trechos desses, porque os entende como uma arquitetura relevante que proporciona o estranhamento dos leitores.
 


 

Corrêa (2006) realiza vários questionamentos, dentre eles pergunta: Por que será que mesmo antes de entrarmos na escola, já sabemos por auto como ela se configura e se apresenta? Ressalta que sabemos por que desde a vivência familiar somos determinados a cumprir horários, ter disciplina e estar sempre ouvindo dos pais e outros membros da sociedade a seguinte frase: se você quer ser alguém na vida tem que estudar, por isso precisa ir à escola! No entanto, retrata que nós não sabemos nem ao menos definir o conceito de escola, tendo em vista que ela nunca está em questão.
 


 

Em contrapartida, sinaliza que a pesquisa utiliza muito a escola como campo de análise ao mesmo tempo em que propõe soluções para seus problemas. Porém, destaca que ela encontra-se sempre em crise. Nessa perspectiva, percebe que a pesquisa educacional tem muito a evoluir. Tendo em vista que ela objetiva principalmente reformular práticas educacionais, melhorar os métodos, efetivar a aprendizagem, mas que, no entanto, não se percebe que existe um laço muito forte que influencia o processo chamado escolarização. Este que define as leis, os conteúdos, a formação do professor, as estratégias de ensino, tudo pensado e planejado a partir dos interesses de manutenção do programa de governo do Estado. Nesse processo é importante que exista e se promova o diálogo entre educador e educando, da mesma forma que se estabeleçam relações dos conteúdos com a problemática e a realidade dos alunos (FREIRE apud CORRÊA, 2006). O autor acredita que uma proposta possível de modificar esse processo escolarizante são as oficinas que abrem espaços para o desconhecido, caracterizando-se por tentativas de desconstruir com a máquina de produção de cidadãos.
 


 

Corrêa (2006) realiza algumas reflexões sobre o livro de Campos “O Estado Nacional” que trata do processo em que a Educação foi sendo apropriada pelo Estado. Retrata a questão problemática da Educação à procura de seus métodos, já que os métodos tradicionais foram postos de lado e ainda não se conseguiu descobrir os novos métodos. Trazendo à tona a dificuldade encontrada em tratar com êxito dos problemas que não podemos prever, assim como a difícil adaptação das instituições educacionais em acompanhar os avanços da sociedade, de modo a promover um ensino motivador e satisfatório.
 


 

Após uma seleção criteriosa dos livros-blocos, Corrêa (2006) busca descrevê-los ao compor um mapa de linhas da Educação que nos habitua às situações de comunicação. Ele destaca que a teoria de comunicação, que utiliza em suas reflexões, difere em alguns pontos dos seus idealizadores e pesquisadores. Para ele, o foco se dá na apropriação que os governos norte-americanos e os Estados ditatoriais latino-americanos fazem das pesquisas. Corrêa (2006) demonstra sua indignação ao relatar que não consegue ver os resultados das ciências cognitivas associadas à Educação brasileira, ao contrário de outros campos de conhecimento como a física e a química. Sabendo que as obras do contexto educacional quando propõe algum caminho, o fazem de forma limitada.
 


 

O livro-relatório elaborado pela UNESCO apresentado numa conferência em 1965 estabelece metas a serem alcançadas em longo prazo, com vistas a promover o uso da comunicação espacial. Dessa forma, se objetivou o livre fluxo de informações, a disseminação da Educação e o aumento do intercâmbio cultural. Dentre as discussões realizadas começaram a surgir questões problemáticas como as incoerências de costumes e valores entre as nações, no âmbito do Direito Internacional. Porém, se estava visando uma unificação cultural através dos meios de comunicação. Uma cultura científica, os países possuidores de cultura levariam esta aos desprovidos, sendo os últimos os países do hemisfério sul. Muitas seriam as conseqüências desse processo, bem como a utilização de uma língua mundial de base; o fim da era das cidades; o fim da era do homem selvagem; e redução das horas de sono, já que não se admitiria que um terço de nossos amigos e conhecidos estivessem dormindo. Com certeza, estas situações se dariam em favor de grandes lucros e da afirmação do poder dos Estados que as propõem. Nessa linha de pensamento, foi se pensando em mecanismos que promovessem uma Educação de massa através da comunicação para o desenvolvimento econômico, educar a todos e a cada um (CORRÊA, 2006).
 


 

Como destaca Dines (apud CORRÊA, 2006, p.97) “Se o sertanejo é antes de tudo um forte, por que não o fazer mais rijo ainda, tornando-o bem informado”. Diante disso, várias propostas metodológicas foram desenvolvidas a fim de serem utilizadas através de programadores de computador. Estes programas visavam atingir o indivíduo, educando para a obediência e para a harmonização da convivência social pacífica. As propostas limitavam a capacidade criadora dos alunos e definiam de cima para baixo como deveriam ser entendidas as situações de ensino-aprendizagem.
 


 

É evidenciado nos escritos desse livro, à crítica feita às ações destinadas a produzir Educação atrelada a comunicação na busca de difundir os valores de uma racionalidade científica e capitalista ligada a governamentalização do Estado, já que, o professor é visto como um funcionário, o qual teve suas asas cortadas e agora tem a tarefa de cortar as dos outros (STIRNER apud CORRÊA, 2006). A inclusão das tecnologias de informação na matriz curricular das escolas é o passo decisivo para a instauração da era de controle. A informação na sociedade de controle representa o açúcar refinado em nossos hábitos alimentares. As máquinas codificadoras e decodificadoras de mensagens estão cada vez mais mediando às relações entre homem-homem, se confundindo ainda na relação homem-informação, reduzindo os sujeitos em corpos imóveis, receptores e emissores das mesmas (CORRÊA, 2006).

 


 

Para o autor, se vive numa época de crise, principalmente na Educação, na qual há uma busca constante por mudanças e transformações que possam agir eficazmente para um ensino de qualidade. Dentre essas alternativas está à promessa da comunicação e suas novas tecnologias em promover a cooperação internacional para educar a aldeia global. O computador se destaca, já que oferece inúmeros mecanismos atrativos e inovadores estando cada vez mais acessíveis a população. Entretanto, essa máquina de ensinar, não investe numa Educação de base e sólida para a vida dos educandos, simplesmente deposita conhecimentos e raramente os avalia. Este tipo de informação não desenvolve a reflexão, a análise crítica, a autonomia, questões tão importantes para a emancipação dos sujeitos. Também, quem gostaria de formar indivíduos com tais características? A sociedade de controle? Com certeza não.

 


 

As soluções apresentadas para as crises na escola visam apenas uma instituição reformada, renovada, democratizada, sem perceber que ela não é o problema. Em vez de uma problematização, ocorre sempre uma rearticulação, um reajustamento para camuflar o problema, acalmar os ânimos e manter o dispositivo do sistema com sua função estratégica. É preciso evocar o fora desses dispositivos, pois não podemos mais agir neles, mas devemos transpô-los. Com a vontade de construir novos princípios, tiveram no Brasil as escolas anarquistas que faziam da verdade científica a peça chave contra a ignorância. Não esperavam revoluções, mas sabiam da importância em inventar espaços de liberdade, sem hierarquias, fazendo emergir atitudes libertadoras. No entanto, sua utopia educacional científica perdeu força, cansou da vontade de verdade Deste modo, com a intenção de socializar e problematizar a pesquisa é necessário produzir efeitos anarquizantes nas relações de poder. Ao desconstruir a estrutura hierárquica dispostas nas instituições de ensino, estaremos contribuindo com a quebra dos enunciados e das visibilidades. Devemos evitar que a Educação para o que der e vier se instale em nossos contextos educativos, pelo menos no âmbito de nossa comunidade. Se assim for, estaremos fazendo nossa parte na luta contra a era de controle (COORÊA, 2006).



 

Realizar uma apreciação crítica desta obra representa uma tarefa complexa, pois o autor traz pontos bastantes significativos referentes ao processo educacional ao mesmo tempo em que nos faz refletir e desconstruir com alguns entendimentos, até então, equivocados, a respeito de vários aspectos que permeiam o contexto da Educação. É um livro indicado para os profissionais da Educação em geral, no momento em que desenvolve um olhar crítico e reflexivo sobre a sociedade em que vivemos, considerada por Corrêa como uma “sociedade de controle”. Essa denominação se dá à medida que, estamos sendo influenciados e direcionados na direção de objetivos alheios aos nossos, bem como aos da maioria da sociedade.


 

Resenha da obra: CORRÊA, Guilherme Carlos. Educação comunicação anarquia: procedências da sociedade de controle no Brasil. São Paulo: Cortez, 2006.


 

Especialista em Gestão Educacional e Educação Física Escolar na UFSM; Mestranda em Educação na UFSM; Professora da rede municipal de ensino de Caçapava do Sul. franciele.ilha@yahoo.com.br


 

Doutor em Educação e Ciência do Movimento Humano; Professor Adjunto da UFSM; Coordenador do GEPEF/UFSM (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física). hnkrug@bol.com.br


 

1 Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004); Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Maria. Atua principalmente com os seguintes temas: comunicação, educação, governamentalidade, escolarização.

 

 

 

 
  

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