Resumo
A geografia ao longo do século XX esteve presa a uma
questão relacional à memorização, de modo que, houve maior
ênfase aos recursos físicos em relação à dinâmica humana.
Este artigo procura enfatizar uma visão mais crítica ao
ensino da geografia, onde o aluno em questão estará apto a
desenvolver um senso crítico por si mesmo. Ainda no mesmo
serão apresentadas demonstrações de didáticas pouco usuais,
como uma nova forma de se desenvolver o estágio obrigatório
e ainda com aplicar a cartografia para a melhor orientação
dos alunos.
Palavras chave: Geografia, Senso Crítico, Didática,
Cartografia.
Abstract
The geography during the 20th century was tied to the
memorization in a way that there was more emphasis in
the physics resources regarding the humane dynamics. This
article emphasizes a vision more critical about the teaching
in geography, where the student concerned would be able to
develop a critic thinking themselves. still, in the same
article, will be presented the demonstrations of a less
usual didactics, just as a new way to develop the
obligatory stage and yet how to apply the cartography to
improve the students orientation.
Keywords:
Geography, Critical sense, didactic, cartography.
Como já enfatizado a geografia no século XX passou por uma
didática que pregava uma maior memorização, fato que Brabant
(1989) chama de enciclopedismo:
O enciclopedismo contribuiu para a abstração crescente do
discurso geográfico, ao mesmo tempo que alimentou o tédio
das gerações de alunos que classificaram a geografia entre
as matérias a se memorizar.
Para Brabant (1989), a geografia entra em uma crise
dentro de sua própria finalidade, onde perde espaço para o
que chama de disciplinas mais modernas, como a sociologia e
economia, pois não consegue lidar com as lutas do espaço.
A geografia física é de demasiada importância para
o desenvolvimento da disciplina, o peso da descrição e das
análises quantitativas é relevante, todavia, vagas sem um
discurso crítico a partir das suas interferências em um dado
espaço. Como ensinar geografia e relacionar os dois âmbitos
que a mesma abrange? Por um lado as discussões críticas em
uma sala de aula podem trazer desinteresse por parte de
alguns alunos e o ensino pragmático, descritivo somente,
pode cair em um enciclopedismo, formando alunos ‘‘decorebas’’.
Partindo de um ponto de vista crítico, Oliveira (1989)
acredita que a geografia deve ser o um produto de
transformação da sociedade, segundo o autor: ‘‘Esse processo
em marcha, porém, tem que ser um processo de comprometimento
com a transformação da sociedade.’’
A abordagem materialista de Oliveira (1989) deve ser muito
apurada, a visão de mundo muitas vezes não condiz com a
realidade do aluno, e essa realidade pode assustar. Segundo
Santos (1994), ‘‘o mundo que nós conhecemos não é o mundo
verdadeiro. Ele não existe. Ele é o mundo que nos fazem
acreditar existir’’. O ensino deve ser crítico, porém o
aluno deve descobrir sozinho as contradições que o envolvem,
ou seja, não se deve jogar explicitamente o que está
acontecendo, muito menos esconder a realidade, o mais
correto é dar condições ao indivíduo descobrir sozinho essas
mesmas contradições existentes.
Para se realizar uma abordagem crítica devem ser levadas em
consideração as contradições que ditam o espaço geográfico,
pois se não, o ensino cai em uma tendência funcionalista,
onde a geografia será finalmente dividida em física e
humana. Com o avanço da globalização, influenciada pelo
progresso das tecnologias da informação, a comunicação
tornou-se o meio de controle de orientação das massas,
controle esse determinado pelas classes dominantes,
geralmente donas dos meios de comunicação. Um aprendizado
crítico permite ao cidadão diferir essas informações, de
forma que saiba se orientar com criticidade e não sair
acreditando em tudo que vê. Para Castrogiovanni (2001):
A mídia eletrônica e a imprensa, mais do que nunca delineiam
a conduta do cidadão. Geram o esquecimento de que exercer
cidadania é estar no gozo dos direitos civis e políticos
estabelecidos no âmbito do Estado e é desempenhar os deveres
para com este.
Fica em aberto uma séria questão, por que ensinar
geografia? Além dos problemas que professores e alunos
encontram a partir da relação com a disciplina, a questão
referida, envolve ambos, sendo o professor aquele que deve
transmitir o conhecimento. Por que ensinar geografia para
seu aluno? E o aluno, por que aprender geografia?
A maneira como se desenvolve o ensino de geografia deve
estar intimamente ligada à didática. O modo como se aplica
os conhecimentos de determinada disciplina são diretamente
proporcionais ao sucesso do aprendizado.
A cartografia como atividade para desenvolver a
orientação de alunos do ensino fundamental é de grande
importância, saber se orientar em dado espaço é um começo
para delinear a expansão do indivíduo. Os mapas são
indispensáveis para o dia- dia dos estudantes. Segundo
Castrogiovanni (2001):
Os mapas não podem ser vistos apenas como a forma mais
prática de comunicação e representação de orientação e
compreensão política social. Podem, inclusive, servir para
dominar. Devem ser práticos e informativos - claros e
precisos -, fascinantes e surpreendentes dentro da proposta
a que forem construídos.’
Percebe-se que os trabalhos escolares referentes à
cartografia devem condizer com a idade dos estudantes. Nada
de mapas muito elaborados, de difícil compreensão ou com
mais informações do que necessita a proposta. Dentro das
noções de alunos que freqüentam o ensino fundamental,
dar-se-á maior ênfase à questão da orientação, fazendo
exercícios de descrição, de paisagens, da cidade ou mesmo o
caminho de sua casa. Dentro de um ensino médio, a abordagem
deve ser mais crítica, principalmente a estes fatores:
título, escala, legenda, observação, descrição e
decodificação do mapa. E a partir deste momento inserir o
senso crítico; porque as paisagens têm determinadas
características? No que os fatores presentes no mapa
influenciam suas vidas em âmbito local, social? São questões
que alunos nessa faixa etária devem saber discorrer. A
introdução da cartografia nas escolas deve ser de maneira
consciente para que não seja uma matéria entediante, havendo
assim maior atenção dos alunos e melhor aprendizagem.
No que se refere ao estágio, parte do que se trata
este artigo, Pontuschka e Oliveira (1989), acreditam ter de
haver uma maior interação alunos/estagiários, uma vez que,
segundo os autores, os estagiários são um corpo estranho
dentro da sala de aula, onde fica clara a curiosidade dos
estudantes quanto aos visitantes. Este período da
curiosidade se dá ante a observação. Segundo os autores esse
modelo clássico de estágio vem a ser defasado onde se
mantendo a fórmula, acaba o jovem professor saindo com uma
didática defasada:
Que aprendizagem prática tem um estagiário tradicional, além
da confirmação do mito da desnecessidade do estagiário?
Diretamente, talvez, apenas a reprodução do exercício
pedagógico, que na maioria das vezes caracteriza-se com
estagnado, inconsciente e, até mesmo irresponsável.
Formando, assim, mais um ciclo vicioso na escola, onde o
novo professor já entra envelhecido.
A proposta de Pontushka e Oliveira seria os alunos entrarem
no estágio para realizar uma maior interação com os alunos,
professores e a própria escola, de modo que, cada aluno
teria de produzir uma pesquisa no ensino de geografia, ou
seja, torna-se um aluno-pesquisador.
Depois de expor várias idéias, quanto a um modo de
transmitir a cartografia, ou de relacionar melhor os alunos
com os estagiários, transformando o trabalho deste em uma
pesquisa científica. Fica evidente o porquê de ensinar a
geografia, sendo uma disciplina de grande importância, a
partir do momento que, sob um aspecto físico, pode ajudar na
orientação, localização e conhecimento; e ainda unido com a
criticidade da geografia humana, desenvolve indivíduos mais
livres e detentores de opinião própria, para perceber a
dialética que envolve as relações do mundo globalizado.
A escola necessita de novas formas de ensino, principalmente
na geografia, os professores detêm o poder de formar
gerações, o modo de ensinar uma disciplina onde se adere o
fator interdisciplinar, agregando as questões de
tempo-espaço, economia, política, globalização, meio
ambiente, sustentabilidade entre outros, pode-se afirmar que
não estando todos relacionados nessa disciplina, a mesma não
é geografia.
Referências Bibliográficas
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sociológica. 4ª edição. São Paulo: T.A.Queiroz, 1980.
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Para Onde Vai O Ensino de Geografia.
8ª edição. São Paulo: Editora Contexto, 1989.
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sala de aula: práticas e reflexões. 3ª edição. Porto
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Carlos (Org.). Geografia em sala de aula: práticas e
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SANTOS, Milton. Técnica espaço tempo: globalização e meio
técnico – cientifico informacional. São Paulo: Hucitec,
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CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos, O misterioso mundo que os
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Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 3ª
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PONTUSCHKA, Nídia Nacib; OLIVEIRA, Christian D. M. de.
Repensando e refazendo um prática de estágio no ensino de
geografia. In: VESENTINI, J. W. (Org.). Geografia e
Ensino - Textos críticos. 4ª edição. Campinas: Papirus,
1989.
*Graduando
em geografia na Universidade Estadual de Maringá, com
habilitação em licenciatura. Contato: poncemartins@hotmail.com.