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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 21:20:34                                               

 
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EDUCAÇÃO

Porque ensinar uma geografia crítica

   

Alexandre Luís Ponce Martins[i]*

publicado em 05/02/2010

Resumo

A geografia ao longo do século XX esteve presa a uma questão relacional à memorização, de modo que, houve maior ênfase aos recursos físicos em relação à dinâmica humana. Este artigo procura enfatizar uma visão mais crítica ao ensino da geografia, onde o aluno em questão estará apto a desenvolver um senso crítico por si mesmo. Ainda no mesmo serão apresentadas demonstrações de didáticas pouco usuais, como uma nova forma de se desenvolver o estágio obrigatório e ainda com aplicar a cartografia para a melhor orientação dos alunos.

Palavras chave: Geografia, Senso Crítico, Didática, Cartografia.

 

Abstract

The geography during the 20th century was tied to the memorization in a way that there was more emphasis in the physics resources regarding the humane dynamics. This article emphasizes a vision more critical about the teaching in geography, where the student concerned would be able to develop a critic thinking themselves. still,  in the same article, will be presented the demonstrations of a less usual didactics, just as a new way to develop the obligatory stage and yet how to apply the cartography to improve the students orientation.

Keywords: Geography, Critical sense, didactic, cartography.

 

Como já enfatizado a geografia no século XX passou por uma didática que pregava uma maior memorização, fato que Brabant (1989) chama de enciclopedismo:

O enciclopedismo contribuiu para a abstração crescente do discurso geográfico, ao mesmo tempo que alimentou o tédio das gerações de alunos que classificaram a geografia entre as matérias a se memorizar.

         Para Brabant (1989), a geografia entra em uma crise dentro de sua própria finalidade, onde perde espaço para o que chama de disciplinas mais modernas, como a sociologia e economia, pois não consegue lidar com as lutas do espaço.

         A geografia física é de demasiada importância para o desenvolvimento da disciplina, o peso da descrição e das análises quantitativas é relevante, todavia, vagas sem um discurso crítico a partir das suas interferências em um dado espaço.  Como ensinar geografia e relacionar os dois âmbitos que a mesma abrange? Por um lado as discussões críticas em uma sala de aula podem trazer desinteresse por parte de alguns alunos e o ensino pragmático, descritivo somente, pode cair em um enciclopedismo, formando alunos ‘‘decorebas’’. Partindo de um ponto de vista crítico, Oliveira (1989) acredita que a geografia deve ser o um produto de transformação da sociedade, segundo o autor: ‘‘Esse processo em marcha, porém, tem que ser um processo de comprometimento com a transformação da sociedade.’’

            A abordagem materialista de Oliveira (1989) deve ser muito apurada, a visão de mundo muitas vezes não condiz com a realidade do aluno, e essa realidade pode assustar. Segundo Santos (1994), ‘‘o mundo que nós conhecemos não é o mundo verdadeiro. Ele não existe. Ele é o mundo que nos fazem acreditar existir’’. O ensino deve ser crítico, porém o aluno deve descobrir sozinho as contradições que o envolvem, ou seja, não se deve jogar explicitamente o que está acontecendo, muito menos esconder a realidade, o mais correto é dar condições ao indivíduo descobrir sozinho essas mesmas contradições existentes.

Para se realizar uma abordagem crítica devem ser levadas em consideração as contradições que ditam o espaço geográfico, pois se não, o ensino cai em uma tendência funcionalista, onde a geografia será finalmente dividida em física e humana. Com o avanço da globalização, influenciada pelo progresso das tecnologias da informação, a comunicação tornou-se o meio de controle de orientação das massas, controle esse determinado pelas classes dominantes, geralmente donas dos meios de comunicação. Um aprendizado crítico permite ao cidadão diferir essas informações, de forma que saiba se orientar com criticidade e não sair acreditando em tudo que vê. Para Castrogiovanni (2001):

A mídia eletrônica e a imprensa, mais do que nunca delineiam a conduta do cidadão. Geram o esquecimento de que exercer cidadania é estar no gozo dos direitos civis e políticos estabelecidos no âmbito do Estado e é desempenhar os deveres para com este.

         Fica em aberto uma séria questão, por que ensinar geografia? Além dos problemas que professores e alunos encontram a partir da relação com a disciplina, a questão referida, envolve ambos, sendo o professor aquele que deve transmitir o conhecimento. Por que ensinar geografia para seu aluno? E o aluno, por que aprender geografia?

            A maneira como se desenvolve o ensino de geografia deve estar intimamente ligada à didática. O modo como se aplica os conhecimentos de determinada disciplina são diretamente proporcionais ao sucesso do aprendizado.

         A cartografia como atividade para desenvolver a orientação de alunos do ensino fundamental é de grande importância, saber se orientar em dado espaço é um começo para delinear a expansão do indivíduo. Os mapas são indispensáveis para o dia- dia dos estudantes.  Segundo Castrogiovanni (2001):

Os mapas não podem ser vistos apenas como a forma mais prática de comunicação e representação de orientação e compreensão política social. Podem, inclusive, servir para dominar. Devem ser práticos e informativos - claros e precisos -, fascinantes e surpreendentes dentro da proposta a que forem construídos.’

            Percebe-se que os trabalhos escolares referentes à cartografia devem condizer com a idade dos estudantes. Nada de mapas muito elaborados, de difícil compreensão ou com mais informações do que necessita a proposta. Dentro das noções de alunos que freqüentam o ensino fundamental, dar-se-á maior ênfase à questão da orientação, fazendo exercícios de descrição, de paisagens, da cidade ou mesmo o caminho de sua casa. Dentro de um ensino médio, a abordagem deve ser mais crítica, principalmente a estes fatores: título, escala, legenda, observação, descrição e decodificação do mapa. E a partir deste momento inserir o senso crítico; porque as paisagens têm determinadas características? No que os fatores presentes no mapa influenciam suas vidas em âmbito local, social? São questões que alunos nessa faixa etária devem saber discorrer. A introdução da cartografia nas escolas deve ser de maneira consciente para que não seja uma matéria entediante, havendo assim maior atenção dos alunos e melhor aprendizagem.

         No que se refere ao estágio, parte do que se trata este artigo, Pontuschka e Oliveira (1989), acreditam ter de haver uma maior interação alunos/estagiários, uma vez que, segundo os autores, os estagiários são um corpo estranho dentro da sala de aula, onde fica clara a curiosidade dos estudantes quanto aos visitantes. Este período da curiosidade se dá ante a observação. Segundo os autores esse modelo clássico de estágio vem a ser defasado onde se mantendo a fórmula, acaba o jovem professor saindo com uma didática defasada:

Que aprendizagem prática tem um estagiário tradicional, além da confirmação do mito da desnecessidade do estagiário? Diretamente, talvez, apenas a reprodução do exercício pedagógico, que na maioria das vezes caracteriza-se com estagnado, inconsciente e, até mesmo irresponsável. Formando, assim, mais um ciclo vicioso na escola, onde o novo professor já entra envelhecido.

            A proposta de Pontushka e Oliveira seria os alunos entrarem no estágio para realizar uma maior interação com os alunos, professores e a própria escola, de modo que, cada aluno teria de produzir uma pesquisa no ensino de geografia, ou seja, torna-se um aluno-pesquisador.

         Depois de expor várias idéias, quanto a um modo de transmitir a cartografia, ou de relacionar melhor os alunos com os estagiários, transformando o trabalho deste em uma pesquisa científica. Fica evidente o porquê de ensinar a geografia, sendo uma disciplina de grande importância, a partir do momento que, sob um aspecto físico, pode ajudar na orientação, localização e conhecimento; e ainda unido com a criticidade da geografia humana, desenvolve indivíduos mais livres e detentores de opinião própria, para perceber a dialética que envolve as relações do mundo globalizado.

A escola necessita de novas formas de ensino, principalmente na geografia, os professores detêm o poder de formar gerações, o modo de ensinar uma disciplina onde se adere o fator interdisciplinar, agregando as questões de tempo-espaço, economia, política, globalização, meio ambiente, sustentabilidade entre outros, pode-se afirmar que não estando todos relacionados nessa disciplina, a mesma não é geografia.

 

Referências Bibliográficas

FERNANDES, Florestan. Fundamentos empíricos da explicação sociológica. 4ª edição. São Paulo: T.A.Queiroz, 1980.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino et al. Para Onde Vai O Ensino de Geografia. 8ª edição. São Paulo: Editora Contexto, 1989.

BRABANT, Jean Michel, Crise da geografia, crise da escola. In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos et al. Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 3ª edição. Porto Alegre: Editora da Universidade, 2001.

CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos; E agora, como fica o ensino da geografia com a globalização? In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org.). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 3ª edição. Porto Alegre: Editora da Universidade, 2001.

SANTOS, Milton. Técnica espaço tempo: globalização e meio técnico – cientifico informacional. São Paulo: Hucitec, 1994

CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos, O misterioso mundo que os mapas escondem. In: CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org.). Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 3ª edição. Porto Alegre: Editora da Universidade, 2001.

PONTUSCHKA, Nídia Nacib; OLIVEIRA, Christian D. M. de. Repensando e refazendo um prática de estágio no ensino de geografia. In: VESENTINI, J. W. (Org.). Geografia e Ensino - Textos críticos. 4ª edição. Campinas: Papirus, 1989. 


*Graduando em geografia na Universidade Estadual de Maringá, com habilitação em licenciatura. Contato: poncemartins@hotmail.com.

 

Como citar este artigo:

PONCE MARTINS, A. L.; Porque ensinar uma geografia crítica. Revista P@rtes (São Paulo). V.00. P.eletrônica. Fevereiro de 2010. ISSN 1678-8419. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/ensinargeografiacritica.asp>.

 

 

 
  

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