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O
artigo
centra-se na
preocupação
em
como
trabalhar
a
geomorfologia,
uma
ciência
dentro
do
que
podemos
classificar
como
ciências
da
terra
ou
geociências, no
ensino
fundamental
por
meio
da
atividade
trabalho
campo
procurando
trabalhar
com
as
questões
relacionadas a
geomorfologia
e ao
meio
ambiente.
Palavras-chave:
trabalho
de
campo,
ciências
da
terra,
geografia,
geomorfologia,
meio
ambiente.
Abstract
The article is centered in the concern in as
to work the geomorphology, a science inside of that we can
classify as sciences of the land or geosciences, in basic
education by means of the activity work field looking for to
work with the related questions the geomorphologic and to
the environment.
Key words:
work of field, sciences of the land, geography,
geomorphology, environmen.
Introdução
No Brasil
como
nos
demais
países
do
mundo
temos
dois
profissionais
que
se destacam
em
trabalhar
com
a
geomorfologia.
São
os
geógrafos
e os
geólogos.
Podemos
citar
mais
espaçadamente os
engenheiros,
biólogos,
agrônomos,
arquitetos,
entre
outros
profissionais.
Porém
dentre
esta
gama
de
profissionais
que
trabalham
com
a
ciência
geomorfológica pouquíssimos
estudos
são
feitos
em
relação
ao
ensino
fundamental.
O
conteúdo
de
geomorfologia
é incorporado no
ensino
fundamental
de
forma
desconexa,
sendo explorado
nos
livros
didáticos
de
geografia
e de
ciências.
As
denominações
mais
comuns
são:
o
relevo
brasileiro,
a classificação do
relevo
brasileiro,
a
superfície
terrestre,
a
crosta
terrestre,
entre
outras
denominações.
O
conteúdo
é apresentado
sem
relações
diretas
com
as
propostas
curriculares de
geografia
e de
ciências.
Não
acreditamos
que
tudo
deva
estar
rigorosamente
preso
ao
currículo,
porém
deve
apresentar
conexões
e
relações
úteis
para
o
ensino
fundamental
e a
conseqüente
formação
do
aluno.
Os
conteúdos
de
geomorfologia
são
apresentados
como
informações
secundárias
nos
livros
didáticos
de
geografia
e de
ciências.
Aparecem
nos
capítulos
que
tratam de
rochas,
da
Terra,
da
Geologia
ou
nos
capítulos
que
falam
sobre
o
relevo,
intitulados: o
relevo
brasileiro,
a classificação do
relevo,
mapa
do
relevo,
orografia,
topografia,
entre
outras
denominações.
A
geomorfologia
no
ensino
superior
também
é
pouco
explorada e
conhecida,
poucos
cursos
trabalham
com
seus
conhecimentos.
Destacam-se a
Geografia
e a
Geologia.
Embora
tenha sido Hutton,
um
Geólogo,
considerado o
pai
da
Geomorfologia
moderna,
segundo
CRHISTOFOLETTI (1972) e
PENTEADO
(1974). Os
Geógrafos
tem na
atualidade
se
destacado
nas
pesquisas
em
Geomorfologia.
A
Geografia
tendo
em
seu
corpo
estrutural o
conhecimento
geomorfológico,
proporcionou
maior
abertura
a essa
ciência,
do
que
a
Geologia.
Todavia
ainda
temos
muito
a
avançar
nas
aplicações
da
Geomorfologia,
principalmente
no
que
diz
respeito
ao
ensino
fundamental.
Necessitamos
um
maior
conhecimento
desta
ciência
para
que
sua
aplicação
proporcione
um
melhor
entendimento
do
meio
ambiente
em
que
vivemos.
Objetivos
Não
pretendemos
discutir
a
questão
epistemológica da
geomorfologia
e a
sua
dissociação
em
relação
à
geografia
ou
à
geologia.
Pretendemos
sim,
trabalhar
alguns
conteúdos
inerentes
a
geomorfologia
e
sua
relação
com
o
meio
ambiente
por
meio
do
trabalho
de
campo
no
ensino
fundamental.
Apresentamos algumas
possíveis
colaborações
da
ciência
geomorfológica e
como
ela
pode
auxiliar
o
ensino
fundamental,
com
conhecimentos
específicos
e
com
relações
com
outros
conhecimentos.
O
trabalho
de
campo
é
visto
como
atividade
integradora
entre
os
aspectos
geomorfológicos e os
demais
aspectos
do
meio
ambiente
para
sua
maior
compreensão.
O
trabalho
procura
apresentar
uma
nova
forma
de
lidar
com
o
trabalho
de
campo,
enfatizando a
percepção
do
ambiente
e
principalmente
a
cognição
do
ambiente.
1. Discutindo
sobre
trabalho
de
campo
no
ensino
fundamental
PASCHOALE (1984) discuti o
papel
epistemológico do
ensino
de
Campo,
relacionando
diretamente
o "aprender"
uma
Ciência
e
fazer
a
própria
Ciência.
PASCHOALE critica a
procura
dos
exemplos
de
um
enunciado
ou
o
conteúdo
ideal.
Sua
linha
de
trabalho
entra na da
Semiótica
ou
da
Semiologia,
nomenclatura
que
depende da
corrente
teórica
seguida:
americana
ou
européia. Fica
claro
e
evidente,
na
obra
de PASCHOALE (1990)
sua
fundamentação
nas
teorias
do filósofo e
lógico
norte-americano
Charles
Sanders Peirce.
Segundo
PASCHOALE (1984:246), "A
prática,
ou
fazer
Geologia,
é
um
processo
de
construção
de
interpretantes,
de
produção
de
signos".
Podemos
aplicar
essa
idéia
a todas as
Ciências
da
Terra,
inclusive
à
Geomorfologia.
A
medida
que
são
atribuídos
significantes
ao
conteúdo
estudado, estamos aumentando
nosso
conhecimento
sobre
o
objeto,
seja a
Terra
pela
Geologia,
o
Espaço
pela
Geografia
ou
o
Relevo
pela
Geomorfologia,
dentre
muitos
outros
objetos
das Geociências.
Para
as Geociências a
geração
de
conhecimento,
nasce da
observação
da
natureza.
O
que
poderíamos
chamar
de
percepção
do
ambiente,
porém
optaremos
por
chamar
de
cognição
da
natureza,
ou
mesmo
cognição
do
ambiente.
Concordamos
com
a
visão
do
Campo
apresentada
por
COMPIANI (1991, p.12), “não
podemos
perder
de
vista
o
papel
de
campo
como
fonte
de
conhecimento...enquanto
prática,
o
campo
representa
tanto
o
local
onde
se extraem es
informações
para
as
elaborações
teóricas,
como
o
local
onde
tais
teorias
são
testadas".
Vários
autores
destacam o
Trabalho
de
Campo,
sendo ao
mesmo
tempo,
fonte
de
informação
e
crítica
da
produção
científica.
Ver
PASCHOALE (1984), COMPIANI & GONÇALVES (1984), COMPIANI
(1991),
entre
outros.
O
Trabalho
de
Campo
deve
ser
entendido
de
forma
abrangente. O
Campo
não
é
local
apenas
de "visitas",
ele
significa o
contato
direto
com
os
objetos,
as "concritudes", e o
meio
ambiente.
De
posse
dessa
definição
de
Campo,
podemos
discutir
a
relevância
pedagógica
das
atividades
de
Campo
no
ensino
das Geociências.
Para
COMPIANI (1991:14), "o
campo
pode
ser
um
fio
condutor
de
conhecimentos,
processos
e
conceitos.
Pode
ser
gerador
de
problemas
e
também
pode
ser
agente
integrador das Geociências, construindo uma
visão
abrangente da
natureza
e do
meio
ambiente".
O
Campo
é
um
excelente
ambiente
de
ensino,
que
rompe
com
o "autoritarismo"
da
sala
de
aula,
onde
o
professor
estrategicamente domina
sua
sala
de
aula.
O
Campo
é
impossível
de
ser
dominado e fechado,
ele
é
imprevisível,
não
aceita
discursos
prontos
e é desafiador
tanto
para
o
aluno
como
para
o
professor.
Porém,
o
Campo
é o
fio
condutor
e integrador do
desafio
do
conhecimento
das Geociências e
sua
relação
com
a
natureza.
A
Geomorfologia
como
Ciências
da
Terra
pode
oferecer
um
caminho
para
melhor
entender
o
meio
ambiente,
proporcionando o
que
considera COMPIANI (1991): O
campo
como
o
lugar
onde
o
conflito
entre
o
real
(o
mundo,
o
exterior)
e o
interior
(as
idéias,
as
representações)
ocorre
com
toda
intensidade.
COMPIANI &
CARNEIRO
(1993), classificam as
excursões
geológicas de
acordo
com
seus
papéis
didáticos.
Tendo
como
base
e
parâmetros
para
análise
os
objetivos
do
trabalho
de
Campo,
modelo
de
ensino,
empenho
e
questionamento
de
modelos
científicos
atuais,
métodos
de
ensino,
a
relação
professor-aluno, e
finalmente
a
lógica
predominante no
processo
aprendizagem.
As
excursões
geológicas,
que
assumiremos
como
Trabalhos
de
Campo
em
Geociências,
são
classificadas
em:
ilustrativa,
indutiva,
motivadora, formativa e investigativa.
Relembrando a
conceituação
que
COMPIANI &
CARNEIRO
(1993, p.94) faz
sobre
o
termo
classificação e
qual
utilizaremos é: "um
exercício
teórico
e uma
generalização,
do
que
um
exercício
teórico
e uma
generalização,
do
que
uma
esquema
ideal.
É
instrumento
de
indagação
ou
categorização
formal,
abstrata,
que
auxilia e orienta
nossa
observação,
como
também
reúne
propriedades
comuns
aos
constituintes
do
objeto
de
investigação".
Outra
classificação
mais
genérica
é apresentada
por
SUERTEGARAY (1996),
onde
reconhece: as
excursões
(reconhecimento
pontual
de
elementos
ou
fenômenos
no
campo),
levantamentos
de
campo
(o
reconhecimento
de
lugar
a
partir
da
seleção
a priori de procedimentos
que
impliquem
levantamento
de
informações
por
parte
do
grupo
envolvido) e
por
meio
das
fotografias
e/ou
imagens
(o
reconhecimento
no
campo
de
padrões
observados
em
imagens
de
lugares).
Devemos
Ter
claro
que
tanto
as classificações
propostas
pelos
Geólogos
COMPIANI &
CARNEIRO
(1993),
como
a
proposta
pela
Geógrafa
SUERTEGARAY (1996),
não
são
excludentes,
necessitam
sim,
serem articuladas
em
projetos
maiores
de
investigação
orientados
sobre
diferentes
disciplinas
que
compõem as
Ciências
da
Terra.
O
Trabalho
de
Campo
é
fundamental
na
orientação
para
a
prática
social
dos
cientistas
da
terra,
bem
como
todos
os
cidadãos.
2. O
Trabalho
de
Campo
em
Geologia
COMPIANI (1991, p.4), situa as
atividades
de
Campo
como
produtores
de
conhecimento
no
ensino
de
Geologia
em
relação
aos
aspectos
epistemológicos
determinados
pelas
características
da
Geologia
como
Ciência.
A
Geologia
na
concepção
de COMPIANI (1991)
que
concorda
com
POTAPOVA (1968), é o
Campo
do
conhecimento
onde
um
todo
e de
suas
várias
camadas
pode
ser
realizada. Falamos do
processo
Histótico-Geológico,
visão
do
pensamento
geológico
a
qual
concordamos.
A
preocupação
com
a
Terra
pela
Geologia
em
seu
todo
e
com
seu
processo
geral
de
desenvolvimento
natural,
integrado e
em
evolução.
É
um
das
características
para
encarar
o
trabalho
de
campo
em
Geologia
como
algo
mais
abrangente.
Não
procuraremos no
Campo
evidências
do
que
vimos
nos
livros,
o
que
PASCHOALE (1984, p.247)
evidência
com
a
passagem
do
granito
e
seu
enunciado;
onde
o
granito
encontrado no
Campo
não
tem
nada
a
ver
com
o
exemplo
bonito
do
livro
ou
do
quadro
negro.
A
contradição
do
modelo
ideal
e o
real
ficam exemplificados no
Campo.
Segundo FERNANDO, et. al.(1981,p.216), o
Campo é o principal lugar dos Geólogos testarem as suas
hipóteses. Reformulam e incrementam seus trabalhos e suas
teorias. Razão pela qual não pode ser encarado apenas como
descrição, ilustração ou exemplificação de teorias expostas
na sala de aula.
Porém, não quer dizer que o Campo é o único
local de construção do conhecimento geológico. Segundo
COMPIANI (1991,p.13), "significa, porém, que somente através
das atividades de Campo nos aproximamos da prática
científica do geólogo, de uma atitude investigativa e
atualista, não mascarando a complexidade deste conhecimento.
Ou seja, é impossível simular em atividades de campo de um
ou dois dias uma prática científica tão complexa. Por outro
lado, o campo é essencial no entendimento dos princípios e
métodos desta prática científica, que por sinal, estes, são
fundamentais para compreendermos as possibilidades didáticas
das atividades de campo."
A importância do Trabalho de Campo no ensino
de Geologia é citada por vários autores dentre eles: ANGUITA
& ANCHOVA (1981), PASCHOALE (1984), COMPIANI & GONÇALVES
(1984), COMPIANI (1988, 1991), BRUSI (1992), COORAY (1992),
COMPIANI & CARNEIRO (1993), dentre outros.
3. O Trabalho de Campo em Geografia
Quando analisamos a construção do
conhecimento geográfico podemos observar que o Trabalho de
Campo está inserido, ainda que de forma diferenciada
neste processo (SUERTEGARAY,1996).
Na história clássica da Geografia, a
compreensão da organização dos lugares sempre foi
fundamental para os Geógrafos, sendo necessário os Trabalhos
de Campo, chamados de viagens exploratórias, expedições ou
excursões científicas. Segundo CORRÊA(1996) em realidade o
Trabalho de Campo constituí-se uma tradição cuja importância
é reconhecida por todos e, muito especialmente, por aqueles
que tem na paisagem natural ou cultural a objetivação da
Geografia.
LACOSTE (1985,p.15), também frisa o Trabalho
de Campo como sendo fundamental para os Geógrafos. Em seu
texto LACOSTE retoma a crítica ao Geógrafo Pierre Gourou,
questionando sua suposta imparcialidade quando não relata em
um dos seus trabalhos sobre o Delta do Rio Vermelho (parte
asiática que sofria com constantes invasões e guerras com o
governo francês). A crítica não é dirigida à ridicularizarão
deste Geógrafo, e sim a Geografia "oficiosa" que o Trabalho
de Campo acabava sendo cúmplice. LACOSTE (1985) e KAISER
(1985), situam a importância do Trabalho de Campo com
instrumental político e não ferramenta para a ação dos
Geógrafos. Ambos , frisam a atuação política que o Trabalho
de Campo proporciona, trazendo uma característica até então,
negligência total ou parcialmente pelos Geógrafos e demais
profissionais que o praticavam no final do séc. XVIII e
início do séc. XIX, acreditando na neutralidade do cientista
e conseqüentemente da Ciência.
CORRÊA (1996), nos Chamam a atenção da
incapacidade em distinguir a essência da aparência
constituindo-se em equívoco que o Trabalho de Campo pode
permitir. Contudo, ele é essencial para o Geógrafo, ainda
que não seja suficiente para se desenvolver uma clara e
lúcida visão crítica da realidade.
A questão da escala que KAISER (1985) e
SUERTEGARAY (1996) discutem, apresentam o perigo da não
conexão entre a escala local, base espacial e escala global;
pode induzir em grandes erros de interpretação da realidade.
Constituindo-se num problema para o Trabalho de Campo e
também um desafio.
Dentre os Geógrafos que discutem o Trabalho
de Campo em Geografia, destacamos: JONES & SAUER (1915),
SAUER (1919), CHOLLEY (1942), LACOSTE (1985), KAISER (1985),
OLIVEIRA (1985), SUTEGARAY (1996), CORRÊA (1996), ALVES
(1997), entre outros.
Concordamos com a afirmação de CORRÊA (1996),
“o Trabalho de Campo não deve se tornar uma armadilha para o
Geógrafo a partir de paisagens relações espaciais cada vez
mais complexas e escamoteadoras. Deve ser, agora de forma
mais crítica e teoricamente fundamentada, como foi no
passado, um dos principais meios através do qual o geógrafo
aprende a ver, analisar e refletir sobre o infindável
movimento de transformação do homen em sua dimensão
espacial”.
4. O Trabalho de Campo em Geomorfologia
Apresentamos anteriormente as idéias que
compõem o conhecimento e relação ao Trabalho de Campo como
um todo, e entre o Trabalho de Campo em Geologia e o
Trabalho de Campo em Geografia. Primeiro pela falta de uma
bibliografia específica sobre o tema, poucos trabalhos
enfatizando o Trabalho de Campo em Geomorfologia e em
segundo lugar, quem tem trabalhado com essa Ciência são os
Geógrafos e Geólogos. A Geomorfologia é vista como pano e
fundo ou como complemento das preocupações da Ciência
geológica, como também da Ciência geográfica. Pretendemos
estar atenta a especificidade do conhecimento geomorfológico
e ao seu objeto de estudo.
Destaca SUERTEGARAY (1996): “é comum, em
particular na Geografia Física (Geomorfologia) a
observação/exposição sobre cortes encontrados em estradas,
afloramentos objetivando sua identificação e caracterização.
Trata-se de um estudo de detalhe que deverá ser inserido em
escalas menores de observação”.
Este procedimento no Trabalho de Campo em
Geomorfologia, que SUERTEGARAY (1996) apresenta, trata-se de
uma atividade de observação e ilustração. Não negamos esta
forma de Trabalho de Campo, porém acreditamos em um
potencial maior dessa atividade, onde a Geomorfologia possa
colaborar mais no entendimento do meio ambiente.
Segundo ORELLANA (1976,p.4), “no setor de
ensino e pesquisa, são as Ciências da Terra as que maior
contribuições podem oferecer ao planejamento do meio
ambiente pelo seu campo de ação e objeto próprio. Dentre as
disciplinas especialmente atuantes, a Geomorfologia tem
importante papel pelo seu objeto de específico – o estudo
das formas do relevo e dos processos de sua elaboração.
Conhecendo as causas de deteriorização do meio, ela pode
oferecer meios para corrigir falhas evitando hecatombes”.
Apesar da quase inexistência de bibliografia
que relacione trabalho de Campo e Geomorfologia, pode-se
citar alguns trabalhos que começam a despontar como
experiências que apresentam uma reflexão sobre a
Geomorfologia e o Trabalho de Campo, fugindo aos conhecidos
relatórios descritivos e cansativos que dominam o
conhecimento geomorfológico. Apresentamos as experiências de
alguns professores e alunos do curso de Geografia e da
disciplina Geomorfologia, são: OLIVEIRA, et. al. (1997) e
GALVÃO & OLIVEIRA (1997).
Os trabalhos estão preocupados não apenas
aplicar conhecimentos geomorfológicos e sim desenvolver
esses conhecimentos, colocando o Trabalho de Campo como
instrumento de principal,. Segundo OLIVEIRA, et.al.
(1997,p.207), “tendo em vista a grande importância da
prática de trabalho de campo, julgamo-nos com
responsabilidade e obrigação de socializar os conhecimentos
adquiridos através da produção de material didático, que
venha a contribuir satisfatoriamente para a formação de
alunos do 1º, 2º e 3º graus”.
Estas são algumas das experiências que vão se
juntando, com o propósito de discutir a relação Trabalho de
Campo em Geomorfologia e meio ambiente.
5. Desenho e Trabalho de Campo: da percepção
visual ao desenvolvimento da cognição.
Segundo Jacqueline GOODNOW (1983, p.40), os
desenhos infantis são formados por unidades combinadas de
diversas forma. As variações podem ser quanto: Ao tipo
(linhas retas, curvas,...), número (um ou mais
ovóides, uma ou duas linhas retas,...) ou podem combinar,
quanto ao modo que estão unidas entre si (por meio de
contorno comum que rodea).
GOODNOW (1983), evidencia dois grandes grupos
de pesquisa: um se interessa pela produção infantil,
sobre tudo, pelo processo de um estado de desenvolvimento ao
seguinte. O outro, focaliza a natureza geral da arte,
acomposição e o modo como certos conjuntos se estruturam.
A articulação e a preocupação de verificar as
unidades que formam os desenhos infantis e os dois grandes
grupos de pesquisa sobre o desenho, se justificam como
complementares no trabalho que propomos (Trabalho de Campo
em geomorfologia e meio ambienta). Mas, acima de tudo,
servem como referências básicas para lidarmos com qualquer
tipo de Trabalho de Campo que envolva desenho. Não
detalharemos como podemos utilizar o desenho no Trabalho de
Campo em Geomorfologia, porque o faremos mais adiante.
Pretendemos agora evidenciar o papel do desenho, como forma
única de expressão e comunicação no Campo.
Para ARNHEIM (1980), a busca da estrutura e
os limites do vocabulário gráfico podem fundamentar um
aspecto assinalado nos desenhos infantis (exemplo, é a
repetição da mesma unidade gráfica). Temos uma relação entre
os conjuntos de conceitos que dispõe o vocábulo visual, como
se uma pessoa repetisse a mesma palavra para várias coisas.
O destaque da unidade gráfica que ARNHEIM
(1980), nos chama a atenção, é muito comum nos Trabalhos de
Campos dos alunos da universidade. O vocabulário visual é
restrito e a mesma forma, ou linha, é repetida várias vezes
para representar várias coisas. Já com alunos do ensino
fundamental, podemos perceber uma liberdade maior, ou mesmo,
um vocabulário mais desenvolvido (poderíamos chamar de menos
inibidos). A ênfase na linguagem escrita que nosso sistema
educacional prioriza, impede e dificulta o desenvolvimento
da linguagem gráfica. Continuaremos em nosso texto,
evidenciando alguns conceitos relevantes para tratarmos o
desenho como instrumental importante na apreensão e
representação do meio ambiente. GOODNOW (1983), cita a
pesquisadora Rhoda Kellogg que trabalha com a idéia de uma
ordem visual primária. Segundo a pesquisadora, teríamos um
ordenamento visual primário em nossas mentes. Os fatos
seriam estruturados primeiramente por ordem e
equilíbrio e depois por uma base de ordenações, onde
as formas podem ser adaptadas. Em qualquer estágio de
desenvolvimento, as unidades e as ordenações,
refletem o ocorrido em estágios anteriores.
Já para ARNHEIM (1980), as unidades e
ordenações se fazem principalmente determinadas pela
necessidade da estrutura, na busca de ordem e a presença de
conceitos visuais. ARNHEIM estabelece um pouco de ordem em
um mundo de complexidade.
O refletir unidades e ordenações, ou,
perceber um ordenamento na complexidade que GOODNOW (1983,
p.46) e ARNHEIM (1980) exploram, transporta-nos para um “etapismo
de desenhos”. Teríamos os diagramas simples
(os básicos círculos, retângulos,...), a união de pares
de diagramas em combinações e os agregados que
combinam duas ou mais combinações (representam objetos e
pessoas), o ordenamento tendo como base a proposta de Kellog,
citado por GOOODNOW (1983).
Na visão do que chamamos de etapismo de
desenhos, as formas são recordadas e repetidas no
processo de construção do desenho. O etapismo pode ser
confundido com o processo de ensino-aprendizagem da teoria
Piagetiana, todavia, não é nossa proposta tal ligação e nem
mesmo dos autores trabalhados até o momento neste tópico.
Procuramos mostrar um ordenamento e um modo de pensar.
Reforçamos com a obra de GOOODNW (1983, P.50), o sentido de
unidades componentes do desenho e raciocínio, como também, a
importância de interrogarmos como as crianças chegam a
selecionar determinadas unidades e ordenações
de unidades (grifo nosso).
O desenho no Trabalho de Campo corre o risco
de ser utilizado com o raciocínio da teoria intelectualista,
que apresenta ARNHEIM (1980, p.155): “afirma que os desenhos
de crianças, bem como outra arte em estágios iniciais,
derivam-se de uma fonte não visual, isto é, de conceitos
‘abstratos’. O termo abstrato tem como objetivo
definir o conhecimento não perceptivo”.(grifo e destaque do
autor).
O abstrato corre o risco de fixar na forma de
modelos na mente dos alunos. Devemos insistir na percepção
do meio ambiente e posteriormente na representação deste,
por meio de desenhos. Procuramos evitar a abstração do meio
ambiente. Principalmente quando estamos num Trabalho de
Campo. Acreditamos que desta forma o desenho no Trabalho de
Campo tem um papel fundamental de apreender problemas,
levando diretamente para a cognição destes.
MAGALEF (1987, p.64), retoma as teorias
ecológicas de Gibson, que explica o ato perceptivo como
simples extração de informação disposta no ambiente, seja o
ambiente natural ou ambiente antropizado. A percepção é
vista como resposta imediata do mundo físico. A teoria de
Gibson nos fala do que se passa na mente do perceptor, uma
relação psicofísica entre receptor e mundo. MARGALEF
(1987), trabalha com a complexidade da atividade perceptiva,
reconsiderando alguns termos que Gibson utiliza:
percepção e sensação e principalmente o que vamos
considerar também em nosso trabalho: percepção e cognição.
A importância de rever estes termos
prende-se ao fato de termos vários tipos de percepção, desde
a global até a seletiva, além das relações
perceptivas intermodais (tátil, motora, sinestésica,
auditiva), como destaca MARGALEF (1987).
As preocupações de OLIVEIRA
(1978), ARNHEIM (1980), GOODNOW (1983), MARGALEF (1987), DEL
RIO & OLIVEIRA (1996), entre outros, são importantes para
que possamos trabalhar melhor os desenhos nos Trabalhos de
Campo como também dentro das salas de aula. O desenho ganha
nova conotação dentro do processo de ensino, quando ele é
entendido.
6. Trabalho de Campo e a cognição do meio
ambiente
O estudo dos processos mentais relativos à
percepção ambiental é fundamental para compreendermos
melhores as inter-relações entre homem e meio ambientes,
seja ele natural ou construído, geram conseqüências que
afetarão a qualidade de vida de várias gerações.
Segundo DEL RIO & OLIVEIRA (1996), notamos
que as manifestações mais constantes de insatisfação da
população se revelam, por meio de condutas agressivas em
relação a elementos físicos e/ou arquitetônicos,
principalmente os reconhecidos como públicos ou localizados
junto a lugares públicos. Outra conduta é o desconforto
psicológico de cada indivíduo .
Essas condutas, são resultados expressos das
percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e
expectativas de cada indivíduo.
Devemos lidar com o conceito de percepção
no sentido mais amplo possível, a exemplo do vem sendo
adotado pela maioria dos pesquisadores ambientais. A
psicologia situaria nossas preocupações dentro do escopo da
cognição. Mas o que vem a ser a cognição? Usaremos
uma definição que concordamos e também defendemos em nosso
trabalho. Segundo DEL RIO & OLIVEIRA (1996): cognição é o
processo mental mediante
o qual, a partir do interesse e da
necessidade, estruturamos e organizamos nossa interface com
a realidade e o mundo, selecionando as informações
percebidas, armazenado-as e conferindo-lhes significado.
Seguindo este enfoque é que pretendemos
trabalhar com a cognição nos Trabalhos de Campo, onde a meta
não é apenas a percepção do meio ambiente, e sim a
cognição do meio ambiente.
Apontamentos finais
Devemos ter cuidado quando falamos de coisas
muito amplas, para não sermos apenas panorâmicos no assunto.
Se falássemos apenas de Geomorfologia, já seria um grande
perigo, agora imagine relacionar a Ciência Geomorfologia com
o meio ambiente? Porém é um risco que devemos correr. Espero
que o panorâmico seja no mínimo informativo.
Por definição de CHRISTOFOLETTI (1972),
PENTEADO (1974), CASSETI (1994): A Geomorfologia é a ciência
que estuda as formas do relevo do modelado terrestre e na
visão de GEORGE(1984, p.9), a definição de meio ambiente
como sendo uma realidade científica, um tema de agitação,
objeto de um grande receio, uma diversão, uma especulação.
Tudo ao mesmo tempo. Ele é ao mesmo tempo um meio e um
sistema de relações. É com essas definições e entendimentos
que pretendemos tratar a Geomorfologia e o meio ambiente em
nosso Trabalho de Campo no Pico do Jaraguá (SP).
GEORGE (1984), trabalha com a idéia de que o
homem destrói inconscientemente, mas com um poderio temível,
o seu próprio clima, e se arrisca a colocar-se numa situação
irreversível de autodestruição. Mas, o que caracteriza a
espécie humana é ser capaz de compreender os mecanismos que
põem em risco a sua conservação, temos a consciência.
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