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É público e notório que vivemos numa sociedade altamente
tecnológica, onde a quantidade de conhecimentos acumulados pelo homem
dobra em questão de poucos anos – muito diferente do que acontecia há
cem ou duzentos anos atrás.
Isto tende a gerar um ambiente multi-cultural, sem
fronteiras e imprevisível, onde as certezas absolutas perderam e perdem
sua razão de ser, bem como as antigas fórmulas de resolução de problemas
não mais se verificam com a exatidão tamanha com a qual se verificavam –
num passado não muito distante.
Concomitantemente, o processo de tecnológico trouxe
consigo um grande temor, advindo da excessiva mecanização da sociedade;
contudo, hoje parece cada vez mais claro e evidente que o computador
(símbolo máximo da automação) pode ser “humanizado”. É bem verdade que
esta tecnologia, ao ser usada no setor produtivo da sociedade, gera
desemprego e novas regras na relação entre capital e trabalho. Todavia,
a tônica desta discussão passa pela maneira como o homem e a tecnologia
se relacionam e interagem na construção de trabalhos e processos
educativos, e não pelo impacto social decorrente do uso destes recursos.
Nesta perspectiva, o ensino da História deve estar atento
para as mudanças advindas dessa nova realidade, possibilitando ao
educando ser capaz de compreender, de ser crítico, de poder ler o que se
passa no mundo, qualificando-o para ser, dentro deste processo, um
cidadão pleno, consciente e preparado para as novas relações
trabalhistas. Para que isto aconteça, a atividade de ensinar deve estar
em sintonia com o nosso tempo.
“Oxigenar” a prática docente. Talvez seja esse o grande
triunfo das novas tecnologias que se apresentam à educação. Entre elas,
destaca-se o papel desenvolvido pela Educação à Distância. Contrariando
os tradicionais modelos de transmissão do saber – que ainda insistem em
se autodenominar “modernos” – os novos modelos – dos quais a Educação à
Distância faz parte – tendem a ser se firmar como abordagens mais
democráticas, flexíveis e dialéticas. O que ocasiona, portanto, um
rompimento do monopólio do saber escolástico, acadêmico e formal, ou
seja, a escola não é mais a detentora absoluta do saber, bem como o
professor deixa de ser o único baluarte máximo do conhecimento humano.
Essa nova conjuntura confere a oportunidade do aluno
seguir seu próprio caminho, ser o construtor e o maior responsável pela
aquisição contínua do conhecimento que ele próprio julga necessário
obter. Entretanto, o professor, precisa se adequar às novas regras do
jogo, ou seja, precisa achar uma nova maneira e estratégia de readquirir
sua importância – e este processo, naturalmente, não estará livre de
estranhamentos iniciais, acidentes de percursos, erros, acertos,
derrotas, vitórias, resistências, etc.
Mister se faz ressaltar que o interesse e motivação dos
educandos aumentam sempre quando eles se tornam responsáveis pelo seu
próprio processo de estudo. O ensino ativo permite que o aluno
desenvolva a sua capacidade de ser crítico, de se expressar, de
questionar, de criar e de ter uma auto-disciplina nas tarefas,
contribuindo para que da atividade individual parta para a construção
coletiva.
A metodologia ativa nesse contexto aplica-se também ao
ensino de História que, ao pautar-se nas contribuições da Escola dos
Annales que tem a preocupação de ter como eixo a aprendizagem desta área
de conhecimento dando conta das experiências vividas pelos homens,
valorizando a reflexão sobre o cotidiano, a sobrevivência, os prazeres e
os patrimônios culturais. Cada aluno poderá perceber como esse cotidiano
é um espaço de múltiplos projetos, lutas e disputas entre os homens.
Estaremos, portanto, falando de um ensino não mais ligado aos grandes
acontecimentos, nomes, datas e heróis, mas sim de um ensino onde seja
considerado o homem no seu dia a dia, criando, dessa forma, condições
para o educando se situar na história como um agente construtor do
processo histórico.
Apesar da manutenção de um ensino ainda centrado em uma
perspectiva conservadora e positivista da História, temos a
possibilidade não só de contestar e romper com esta lógica estabelecida,
mas, também, de propor mudanças de concepções que devem vir não só do
professor, como da História, do homem, da sociedade e da prática
pedagógica.
Estas mudanças podem acontecer com o uso das novas
tecnologias, pois a multimídia como forma de comunicação, a rede mundial
de computadores, como veículo, e a Educação à Distância como meio, têm a
propriedade de democratizar as informações e de atingir comunidades
maiores. Além disso, estas tecnologias vêm contribuindo decisivamente
para a superação das distâncias geográficas no mundo, ao mesmo tempo em
que aumenta, substancialmente, o interesse e a possibilidade de educar
através da interação entre o emissor e o receptor, tornando o processo
ativo em permanente diálogo.
Vejamos um exemplo:
Aprender história ficou mais fácil: já está disponível na
Internet o portal do Centro de Pesquisa e Documentação de História (CPDoc)
da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os pesquisadores colocaram disponíveis
na rede informações sobre um milhão de documentos provenientes de
arquivos pessoais de políticos e homens públicos - como Getúlio Vargas,
Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek e Ulisses Guimarães. Também
inseriram no site 35 mil fotos, entrevistas com personalidades e
verbetes do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. O acesso ao
endereço http://www.cpdoc.fgv.br é gratuito. De acordo com a diretora do
CPDoc, Marieta de Moraes Ferreira, “o objetivo é conquistar um público
novo, de gente que se interessa pela história contemporânea do Brasil
mas não é pesquisador ou historiador. O portal pode ser uma ótima
ferramenta de aprendizado”, afirma. Para facilitar as consultas, o
portal tem um link intitulado Fatos e imagens, que oferece 200 pequenos
resumos de fatos importantes da vida brasileira dos últimos 50 anos,
ilustrados por 300 fotografias. Por esse link, atualizado mensalmente, é
possível, por exemplo, descobrir o que foi o movimento tenentista, como
começou o Estado Novo ou quem foram os articuladores da Proclamação da
República. Os técnicos da FGV desenvolveram um software que permite o
acesso a documentos tão diversos como cartas, discursos, memorandos,
fotos e vídeos. Com isso, é possível, por exemplo, consultar on line os
bilhetes escritos pelo líder comunista Luiz Carlos Prestes ou pelo
ex-presidente Jânio Quadros.
Enfim, considerando os novos horizontes que se encontram,
aos poucos, delineando e tomando forma, precisamos realizar um esforço
conjunto a fim de conferir novos sentidos às práticas educativas, bem
como realizar concomitantemente uma revisão profunda nos atuais
processos de aquisição do conhecimento humano. Os professores precisam
sair de uma posição defensiva, partindo para uma fase de autocrítica e
de reconstrução de sua proposta pedagógica. Este, deve assumir seu papel
de agente histórico de transformação da realidade educacional,
articulando a realidade social mais ampla.
Assim, se realmente buscamos meios de adaptar a educação
aos meios tecnológicos disponíveis – e que se encontram incessantemente
surgindo – devemos ser capazes de, primeiramente, criar novas diretrizes
e práticas capazes de promover novas significações em nossos atuais
processos e modelos de transmissão do conhecimento, bem como compreender
e conferir flexibilidade às novas relações interpessoais que derivarão
destas transformações originadas.
Renovar o conteúdo programático curricular já desgastado
e enfraquecido frente às realidades atuais é uma necessidade mais do que
urgente. Até mesmo o mercado de trabalho demonstra mudanças drásticas,
exigindo currículos mais flexíveis, que permitam a aquisição do
conhecimento individual e independente, desafiando a filosofia
educacional predominante.
Necessário se faz lançar mão de tecnologias educacionais
que ultrapassem os meios de comunicação – como o Rádio, a TV –,
ampliando assim a possibilidade da educação ativa, onde a função
professor e aluno é ampliada, é repensada. A Educação à Distância é
peça-chave para tanto, pois com ela o educando vai deixar de ser
anônimo, podendo verbalizar sua posição sem receio de ser punido.
REFERÊNCIAS
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