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Um começo de conversa...
O ensino de matemática torna-se a cada dia a disciplina que
mais reprova alunos no ensino fundamental. E essa realidade gera
inúmeras conseqüências nos diversos aspectos da formação desses alunos,
como: social, cognitivo, político, entre outros.
A partir do momento em que as crianças não compreendem a função
da matemática no seu cotidiano, a mesma perde o seu sentido e passa a
ser apenas mais uma disciplina obrigatória no currículo escolar.
Apresentaremos nesse sentido, alguns princípios que devem ser
considerados para um ensino de qualidade, no decorrer de toda educação
básica, para que realmente garanta uma aprendizagem significativa aos
alunos.
Vale destacar que esses princípios podem e devem ser
contemplados em outras disciplinas como: História, Geografia, entre
outras, promovendo assim, mudanças no processo de ensino-aprendizagem
que ocorrem na instituição escolar.
Alguns princípios significativos...
Para que o aluno construa seu conhecimento matemático, é
necessário que o professor organize momentos propícios para essa
construção. Nesse sentido, o professor precisa ter o domínio dessa
matemática, para que a partir dela, possa organizar situações adequadas
para que essa aprendizagem ocorra efetivamente.
É importante que o professor se coloque enquanto pesquisador,
pois assim, estará acompanhando toda a dinâmica da matemática, que é
considerada como uma área de conhecimento em constante processo de
construção.
Sobre a função do professor nesse processo de construção do
conhecimento matemático, é importante que o mesmo tenha consciência das
diversas metodologias que podem ser utilizadas, sabendo discernir entre
as mais adequadas para determinada realidade em que trabalha. Assim, não
podemos aderir a uma metodologia apenas por que é considerada por
estudiosos, como a melhor, mas, devemos ter claro qual o melhor caminho
para atingirmos nossos objetivos, independente de modismos.
Para que o professor tenha condições de analisar as melhores
situações para aprendizagem, ele precisa também considerar sua
experiência no magistério, que já deve lhe ter apontado momentos de
sucessos ou de fracassos. Faz-se necessário assim, uma maior
interlocução entre o que a teoria dos livros didáticos apresenta e a
prática que realmente acontece nas instituições escolares.
Uma boa formação continuada, também é um importante princípio
que deve ser considerado, pois como afirma Lorenzato (2006), a educação
recebe fortes influências dos avanços produzidos nas áreas de
informática, tecnologia educacional, ciências sociais e pesquisa
educacional, as quais influenciam nas áreas de currículo, livro
didático, legislação e avaliação dos alunos.
Não podemos deixar de mencionar a importância do diálogo entre
aluno-professor e aluno-aluno, pois através da discussão e da troca de
idéias, os alunos terão a oportunidade de confirmar ou rever seus
conceitos matemáticos. Kamii (1990) afirma que “um princípio
fundamental no âmbito lógico-matemático é o de evitar o reforço da
resposta certa e a correção das respostas erradas, mas, ao invés disso,
encorajar a troca de idéias entre as crianças” (p.61). Assim, melhor do
que o professor simplesmente corrigir o aluno, é necessário que eles
tenham a oportunidade de confrontar idéias em busca de uma possível
resposta certa.
O trabalho com a matemática deve partir do concreto, pois desde
a educação infantil, é possível desenvolver a percepção matemática,
através de situações em que as crianças possam lidar com objetos
físicos.
Piaget em seus estudos registrou que existem três tipos de
conhecimentos que são: conhecimento físico, conhecimento social e
conhecimento lógico-matemático. O conhecimento físico é externo ao
sujeito, sendo desenvolvido através dos sentidos; o conhecimento social
também é externo e é transmitido socialmente de geração para geração, já
o conhecimento lógico-matemático é interno, e não pode ser ensinado pelo
professor, mas “construído” pelo próprio aluno. Assim, ao professor cabe
a função de propiciar momentos para essa construção. A organização de
atividades com o concreto desenvolve o conhecimento físico, e
possibilitam um estímulo para o desenvolvimento do conhecimento
lógico-matemático, com sua abstração.
Lorenzato (2006) destaca um importante princípio, que considera
que o ensino da matemática “precisa ser planejado e ministrado tendo em
vista o complexo contexto de identificação de seus alunos, considerando
e respeitando a cultura deles, bem como suas cooperações, necessidades e
possibilidades” (p.21).
Não basta assim, apenas saber os conteúdos que serão
trabalhados, mas conhecer a realidade na qual os alunos estão inseridos
para a partir dela planejar o curso da disciplina, como destaca
Lorenzato (2006):
... ninguém vai a
lugar algum sem partir de onde está, toda a aprendizagem a ser
construída pelo aluno deve partir daquela que ele possui, isto é, para
ensinar é preciso partir do que ele conhece, o que também significa
valorizar o passado do aprendiz, seu saber extra-escolar, sua cultura
primeira adquirida antes da escola, enfim, sua experiência de vida
(p.27).
Considerando assim, a individualidade de cada aluno, com toda
sua singularidade, é possível desenvolvermos um ensino de qualidade, no
qual a aprendizagem será garantida.
Nessa perspectiva, a avaliação passa a ser um princípio fundamental para
o ensino de matemática, pois a partir dela podemos detectar as
facilidades e dificuldades dos alunos, em relação ao tema que está sendo
trabalhado. O erro passa assim, a ser considerado não como algo
negativo, mas como positivo, pois a partir dele o professor poderá
conhecer em que nível de aprendizagem em que o aluno se encontra.
É importante essa valorização do erro por parte dos professores de
matemática, pois a partir da análise dos mesmos será possível
redirecionar o trabalho pedagógico que está sendo desenvolvido.
Outro princípio que merece destaque, refere-se a compreensão da
matemática como instrumento utilizado no cotidiano das pessoas, e não
mais como uma mera disciplina, contemplada no currículo escolar.
Para Lorenzato (2006), é necessário que o professor se questione em cada
aula: “Para que servirá aos meus alunos aprender esse conteúdo? Quais
são os conceitos fundamentais desse conteúdo? De quais meios e
estratégias disponho para proporcionar a aprendizagem”? (p.51-52).
Com certeza, não é uma tarefa nada fácil, desenvolver um trabalho que
valorize o processo de desenvolvimento da aprendizagem e não somente o
produto, mas consegue obter resultados satisfatórios tanto para os
alunos, quanto para os professores, uma vez, que ambos encontram-se em
processo de aprendizagem.
A partir dos princípios apresentados nesse artigo, percebemos que o
aluno deixa de ter um papel de mero receptor passivo de informações,
para um construtor ativo de conhecimentos. Segundo Lorenzato (2006), o
diálogo, as discussões entre os grupos, devem ser uma constante nas
aulas de matemática, despertando com isso, o interesse dos alunos, por
uma disciplina odiada e temida por muitos indivíduos.
... É notório que,
em condições normais, as crianças se distinguem por sua capacidade de
fazer inúmeras e muitas vezes, para os adultos, esdrúxulas perguntas.
Com o passar do tempo, a fase das perguntas lamentavelmente dá lugar a
uma insensibilidade inquisitiva, pelo menos na escola. Uma das
explicações plausíveis diz respeito à dificuldade de muitos alunos para
se exporem à crítica de colegas, temendo parecerem ignorantes ou
incompetentes aos olhos deles. Tal situação indica que a questão do erro
ainda não foi convenientemente tratada com esses alunos. Outra
explicação para a ausência de questionamentos dos alunos refere-se às
atitudes dos professores que, preferindo imprimir condutas bastante
diretivas às atividades de sala de aula, não deixam margem para a
emergência de dúvidas e, menos ainda, para questionamentos (p.46).
A sala de aula passa nesse sentido, a ser um espaço dinâmico, aberto a
questionamentos, debates. O ensino também passa a ser compreendido de
outra forma. Não há mais uma matemática que exige apenas por parte dos
alunos a resolução de exercícios repetitivos e mecânicos, mas contempla
outras que privilegiam a história da matemática, ou quem sabe, histórias
da matemática, ou quem sabe, histórias do cotidiano. E esse é um
importante princípio que merece destaque: a matemática possui também uma
história, como menciona Lorenzato (2006):
Outro ponto de melhorar as aulas de matemática tornando-as mais
compreensíveis dos alunos é utilizar a própria história da matemática;
esta mostra que a matemática surgiu aos poucos, com aproximações,
ensaios e erros, não de forma adivinhatória, nem completa ou interna.
Quase todo o desenvolvimento do pensamento matemático se deu por
necessidades do homem, diante do contexto da época. Tal desenvolvimento
ocorreu em diversas culturas e, portanto, através de diferentes pontos
de vista (p.107).
Novamente cabe ao professor, a função de adequar essa história
matemática aos objetivos da disciplina, a realidade e aos interesses dos
alunos.
Algumas considerações
A partir dos princípios mencionados no decorrer do texto,
percebemos como o professor possui uma função primordial, de organizar e
propiciar momentos para que os alunos tenham oportunidade de construir
seus conhecimentos. E isso não é uma tarefa nada fácil, pelo contrário,
é um trabalho árduo, que exige desse profissional um constante processo
de formação, que inclui a necessidade de pesquisas e estudos referentes
a área da matemática. Além disso, o professor tem a incumbência de saber
não só os conteúdos que devem ser trabalhados, mas também os melhores
caminhos a serem seguidos para a realização dos objetivos propostos, a
partir dos conhecimentos prévios dos alunos e da realidade na qual estão
inseridos.
Bibliografia
ALVES, Eva Maria
Siqueira. A ludicidade e o ensino de matemática: uma prática
possível. Campinas, SP: Papirus, 2001. (Coleção Papirus Educação).
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KAMII, Constance.
A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget
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4 a
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Tradução de Regina A. de Assis. Campinas, SP: Papirus, 1990.
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(Coleção Formação de Professores)
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Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. São Pulo: Cortez,
1999.
SARAMAGO,
Guilherme e MALUSA, Silvana. A Matemática no Ensino
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