1 INTRODUÇÃO
“Perder tempo em coisas que não interessam, priva-nos em descobrir
coisas interessantes”.
Carlos Drummond de Andrade
Por que elementos que deveriam privilegiar o ser humano em sua
totalidade, promovendo a condição de cidadão, como o acesso e
permanência na escola, e o conhecimento dela dialogado, apenas
compõem um cenário social sem movimento? Formular e arquitetar que
caminhos promovam a cidadania é o intuito deste, numa tentativa de
colocar movimento neste cenário num “vir-a-ser constante que move as
coisas” (SANTOS, 2005, p. 23) tornando-o de fato profícuo.
2 IDENTIFICANDO OS CONTEXTOS
“Basta pensar em sentir, para sentir em pensar”.
Fernando Pessoa
Na discussão das propostas do como fazer ou estabelecer a parceria
entre os elementos que constituem o cenário profícuo para a
cidadania é necessário primeiramente identificar qual é cada
elementos deste cenário.
2.1 A escola
Pensar em escola é pensar não apenas na estrutura física que acomoda
pessoas em um prédio, mas é pensar em um conjunto de atividades que
nela deve ser desenvolvida, na efervescente função de compartilhar o
que se apropriou socialmente e que será transmitido a comunidade, na
forma pela qual é feita essa transmissão e a própria forma em que
está organizada, se será “uma escola para ricos ou outra para os
pobres” (HARPER, 2000, p. 33), voltando a perpetuar uma segregação
social, já vista em outros tempos ou será uma escola democrática em
que todos tenham as mesmas oportunidades.
A escola deve cumprir a proposta curricular implantada por cada
sistema de ensino, com base em uma diretriz nacional, além de estar
atenta à realidade do que acontece lá fora, do cotidiano e da
realidade política. (HARPER, 2000, p. 62).
2.2 O conhecimento
O conhecimento como cognição, condição de aprender entre outras
definições, deve ser entendido em seus múltiplos aspectos, lembrando
Bacon (1561-1626) “o conhecimento em si mesmo é poder” entendendo
que a colocação do filósofo é enquanto “controle da natureza” e não
como “vantagem pessoal ou política”.
Um aspecto importante a ser abordado é que não se adquire apenas
conhecimento na escola, mas no conjunto do que se formula na escola
se aprende normas, valores e comportamento. (HARPER, 2000, 82).
Se a nossa capacidade de raciocinar é entendida como conhecimento, e
ele é dividido em empírico, científico, filosófico e teológico, é
necessário adequar o que se procura entender e buscar as
fundamentações para tais argumentos. Pensando em educação é possível
traçar as formas pelas quais se deve dialogicamente estruturar e
agir na condução de uma formação cidadã, onde se privilegie as
várias faces do conhecimento.
O pensar numa sociedade do conhecimento, onde as mudanças ocorrem
rapidamente, estando em constante alteração, atuando na vida
profissional, na economia e em outros aspectos do cotidiano; faz-se
necessário uma atualização do que se propõe a uma sociedade em
desenvolvimento e que reflita o que se produz, sabendo para que e
como será utilizado num senso de coletividade.
2.3 O desenvolvimento humano
Apresentando o desenvolvimento humano como elemento da formação
cidadã, que o compreende a Psicologia ao buscar entender o ser
humano em sua complexidade, Morin (2000) acredita que esse
desenvolvimento deve ser pautado numa educação do futuro onde o ser
humano se conecta com o planeta terra, ele entende o significado do
estar aqui, do por que fazer, do compartilhar, entre outros.
Se os aspectos observados forem que cada indivíduo, em sua
peculiaridade, seu interesse e seu ritmo, avança pela mudança que
ocorre fora dos padrões pré-estabelecidos, é necessário que se tenha
uma interesse coletivo de sociedade para que os direitos e deveres
permeiem esse pensar, onde “a definição de regras do jogo da vida
democrática” também deve ser considerada. (VIEIRA, 1997, p. 41).
Todo mudança para o ser humano é gradativa; ocorre no passo-a-passo,
mas é possível considerar os aspectos de conquistas de onde se
estava, onde se está e onde se pretende chegar, parando para
refletir, sobretudo na educação, a cerca do caminho percorrido.
2.4 Entrelaçando os contextos
Nos elementos apresentados, o que se tem em comum é a forma pela
qual a cidadania está inserida; é o conjunto de ações que promovam o
pensar onde a individualidade é considerada em seus aspectos
peculiares e complementares, visando uma construção de sociedade, de
isonomia perante a lei.
A intenção de educar e por que educar, numa visão de construção da
sociedade é o que impulsiona o conhecimento no contexto escolar; do
ponto de vista do compromisso do profissional da educação, o que de
socialmente deve ser compartilhado para a discussão e avanço do
conhecimento é sistematizado na escola. O pensar individual com o
propósito no coletivo é o que de fato se constrói o que se sonha, na
coletividade.
Os elementos aqui entrelaçados reforçam a perspectiva de uma
finalidade, reconhecendo o caminho percorrido, os desafios
enfrentados sem perder o foco da formação que se pretende ao final:
a cidadania.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
“É difícil se convencer de que se é feliz,
assim como é fácil achar que sempre falta algo”.
Cecília Meireles
Escola, conhecimento e desenvolvimento humano pelo caminho traçado
no trabalho reforçam a necessidade de um elo que acentue cada função
no conjunto da formação da cidadania, onde aspectos do papel de cada
um sejam considerados como elementos complementares, que um
desencadeie no outro.
O professor Carvalho (2002) destaca que não se conhecer os direitos
e não fazer deles valer é como não exercitar em sua plenitude o que
foi proposto aos indivíduos. É o que chama de cidadania inconclusa,
onde um direito é mais importante que outro e não se tem uma
dimensão do conjunto, prejudicando então a cidadania.
Então o que fazer? Qual é a proposta de movimento do cenário social
para uma parceria profícua para a cidadania? Acreditamos que colocar
em prática o que foi proposto para cada elemento – respeito às
peculiaridades individuais, socialização do conhecimento e
identificação da realidade social -, cada um com sua importância,
sendo unidos por serem elementos que em conjunto promovam a
cidadania pela prática cotidiana.
4 REFERÊNCIAS
HARPER, Babette. Cuidado, Escola! : desigualdade,
domesticação e algumas saídas. Tradução Letícia Cotrim. São Paulo:
Brasiliense, 2000.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Minidicionário Houaiss
da língua portuguesa. 2. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2004.
MADJAROF, Rosana. Afinal, o que é conhecimento? Disponível
em: <http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei22.htm> Acesso em:
19 abr. 2008.
SANTOS, César Sátiro dos. Ensino de Ciências: abordagem
histórico-crítica. Campinas, SP: Armazém do Ipê (Autores
Associados), 2005.
TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de
Piaget. Disponível em:
<http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm>.
Acesso em: 12 abr. 2008.
VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro:
Record, 1997.
Mestrando em Ciência da Educação, University of Cambridge
e Instituto Saber. E-mail: ed_benicio@yahoo.com.br
Mestranda em Ciência da Educação, University of Cambridge
e Instituto Saber. E-mail:
michelle.arcurio@anac.gov.br