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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:46:03                                               

 
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EDUCAÇÃO

Escola, conhecimento e desenvolvimento humano:

Uma parceria profícua para a cidadania

 

Edgard Ricardo Benício* 

Michelle Salgado Ferreira Arcúrio**

publicado em 05/12/2008

  

1 INTRODUÇÃO

“Perder tempo em coisas que não interessam, priva-nos em descobrir coisas interessantes”.

Carlos Drummond de Andrade

Por que elementos que deveriam privilegiar o ser humano em sua totalidade, promovendo a condição de cidadão, como o acesso e permanência na escola, e o conhecimento dela dialogado, apenas compõem um cenário social sem movimento? Formular e arquitetar que caminhos promovam a cidadania é o intuito deste, numa tentativa de colocar movimento neste cenário num “vir-a-ser constante que move as coisas” (SANTOS, 2005, p. 23) tornando-o de fato profícuo.

2 IDENTIFICANDO OS CONTEXTOS

“Basta pensar em sentir, para sentir em pensar”.

Fernando Pessoa

Na discussão das propostas do como fazer ou estabelecer a parceria entre os elementos que constituem o cenário profícuo para a cidadania é necessário primeiramente identificar qual é cada elementos deste cenário.

2.1 A escola

Pensar em escola é pensar não apenas na estrutura física que acomoda pessoas em um prédio, mas é pensar em um conjunto de atividades que nela deve ser desenvolvida, na efervescente função de compartilhar o que se apropriou socialmente e que será transmitido a comunidade, na forma pela qual é feita essa transmissão e a própria forma em que está organizada, se será “uma escola para ricos ou outra para os pobres” (HARPER, 2000, p. 33), voltando a perpetuar uma segregação social, já vista em outros tempos ou será uma escola democrática em que todos tenham as mesmas oportunidades.

A escola deve cumprir a proposta curricular implantada por cada sistema de ensino, com base em uma diretriz nacional, além de estar atenta à realidade do que acontece lá fora, do cotidiano e da realidade política. (HARPER, 2000, p. 62).

2.2 O conhecimento

O conhecimento como cognição, condição de aprender entre outras definições, deve ser entendido em seus múltiplos aspectos, lembrando Bacon (1561-1626) “o conhecimento em si mesmo é poder” entendendo que a colocação do filósofo é enquanto “controle da natureza” e não como “vantagem pessoal ou política”.

Um aspecto importante a ser abordado é que não se adquire apenas conhecimento na escola, mas no conjunto do que se formula na escola se aprende normas, valores e comportamento. (HARPER, 2000, 82).

Se a nossa capacidade de raciocinar é entendida como conhecimento, e ele é dividido em empírico, científico, filosófico e teológico, é necessário adequar o que se procura entender e buscar as fundamentações para tais argumentos. Pensando em educação é possível traçar as formas pelas quais se deve dialogicamente estruturar e agir na condução de uma formação cidadã, onde se privilegie as várias faces do conhecimento.

O pensar numa sociedade do conhecimento, onde as mudanças ocorrem rapidamente, estando em constante alteração, atuando na vida profissional, na economia e em outros aspectos do cotidiano; faz-se necessário uma atualização do que se propõe a uma sociedade em desenvolvimento e que reflita o que se produz, sabendo para que e como será utilizado num senso de coletividade.

2.3 O desenvolvimento humano

Apresentando o desenvolvimento humano como elemento da formação cidadã, que o compreende a Psicologia ao buscar entender o ser humano em sua complexidade, Morin (2000) acredita que esse desenvolvimento deve ser pautado numa educação do futuro onde o ser humano se conecta com o planeta terra, ele entende o significado do estar aqui, do por que fazer, do compartilhar, entre outros.

Se os aspectos observados forem que cada indivíduo, em sua peculiaridade, seu interesse e seu ritmo, avança pela mudança que ocorre fora dos padrões pré-estabelecidos, é necessário que se tenha uma interesse coletivo de sociedade para que os direitos e deveres permeiem esse pensar, onde “a definição de regras do jogo da vida democrática” também deve ser considerada. (VIEIRA, 1997, p. 41).

Todo mudança para o ser humano é gradativa; ocorre no passo-a-passo, mas é possível considerar os aspectos de conquistas de onde se estava, onde se está e onde se pretende chegar, parando para refletir, sobretudo na educação, a cerca do caminho percorrido.

2.4 Entrelaçando os contextos

Nos elementos apresentados, o que se tem em comum é a forma pela qual a cidadania está inserida; é o conjunto de ações que promovam o pensar onde a individualidade é considerada em seus aspectos peculiares e complementares, visando uma construção de sociedade, de isonomia perante a lei.

A intenção de educar e por que educar, numa visão de construção da sociedade é o que impulsiona o conhecimento no contexto escolar; do ponto de vista do compromisso do profissional da educação, o que de socialmente deve ser compartilhado para a discussão e avanço do conhecimento é sistematizado na escola. O pensar individual com o propósito no coletivo é o que de fato se constrói o que se sonha, na coletividade.

Os elementos aqui entrelaçados reforçam a perspectiva de uma finalidade, reconhecendo o caminho percorrido, os desafios enfrentados sem perder o foco da formação que se pretende ao final: a cidadania.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo”.

Cecília Meireles

Escola, conhecimento e desenvolvimento humano pelo caminho traçado no trabalho reforçam a necessidade de um elo que acentue cada função no conjunto da formação da cidadania, onde aspectos do papel de cada um sejam considerados como elementos complementares, que um desencadeie no outro.

O professor Carvalho (2002) destaca que não se conhecer os direitos e não fazer deles valer é como não exercitar em sua plenitude o que foi proposto aos indivíduos. É o que chama de cidadania inconclusa, onde um direito é mais importante que outro e não se tem uma dimensão do conjunto, prejudicando então a cidadania.

Então o que fazer? Qual é a proposta de movimento do cenário social para uma parceria profícua para a cidadania? Acreditamos que colocar em prática o que foi proposto para cada elemento – respeito às peculiaridades individuais, socialização do conhecimento e identificação da realidade social -, cada um com sua importância, sendo unidos por serem elementos que em conjunto promovam a cidadania pela prática cotidiana.

4 REFERÊNCIAS

HARPER, Babette. Cuidado, Escola! : desigualdade, domesticação e algumas saídas. Tradução Letícia Cotrim. São Paulo: Brasiliense, 2000.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. 2. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

MADJAROF, Rosana. Afinal, o que é conhecimento? Disponível em: <http://www.mundodosfilosofos.com.br/vanderlei22.htm> Acesso em: 19 abr. 2008.

SANTOS, César Sátiro dos. Ensino de Ciências: abordagem histórico-crítica. Campinas, SP: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2005.

TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget. Disponível em: <http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm>. Acesso em: 12 abr. 2008.

VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro: Record, 1997.

 


 

* Mestrando em Ciência da Educação, University of Cambridge e Instituto Saber. E-mail: ed_benicio@yahoo.com.br

** Mestranda em Ciência da Educação, University of Cambridge e Instituto Saber. E-mail:

 

 

 
 
  

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