A
escola pública não perdeu a qualidade, perdeu sim a vontade política
de se manter e aprimorar o conhecimento através de políticas
públicas necessárias para as exigências futuras de nossa cultura
\Educação\.
Até a
década de 60 para se ingressar no chamado curso ginasial, era
preciso participar de cursos preparatórios, hoje cursinhos e muitos
candidatos ficavam para a \segunda época\, outros não entravam.
Havia no curso ginasial, no Estado de São Paulo, além do exame de
admissão, duas avaliações anuais, em Junho e final do ano letivo.
Essas avaliações eram importantes para a promoção do aluno. Exame
escrito e Oral mediante uma banca examinadora. O produto final era o
aluno, então o centro, o alvo do aprendizado era o aluno!
Ao
terminar o Ginasial, a certificação era conhecida por
\BACHAREL\,
hoje título universitário. O colegial de hoje, era o Científico;
clássico e normal para a formação do magistério primário. As
conhecidas Normalistas! O avanço da tecnologia não pode ser
parâmetro para mesurar e justificar a queda no ensino público.
Imaginem o governo não atender o mínimo necessário por não conseguir
competir com todos os meios eletrônicos como dizem.
O
ensino público superior tem os maiores índices de aproveitamento
dentro da proposta \ensinar\. O orçamento para o superior é muito
grande e, assim mesmo, tem quem critique no momento da pesquisa.
Falta dinheiro para a pesquisa!? Tem muito dinheiro. Forma-se no
Brasil mais de seis (06) mil doutores todos os anos. Quanto mais,
melhor é claro, mas e a qualidade? Enfrenta-se hoje o problema da
absorção desses doutores e mestres, \mão de obra\ qualificada em
todos os setores, inclusive nas próprias universidades. Exagero?
Parece
que constroem prédios pelo telhado e não se preocupam com a
estrutura, o alicerce, a base de segurança de nosso futuro. A
educação de um País se faz com alunos bem preparados no fundamental
para que se chegue ao superior com o verdadeiro conhecimento ao
abraçar o verdadeiro axioma e o verdadeiro postulado. É preciso
urgentemente uma política de investimentos melhores no fundamental e
deixar como está o superior.
Incrível, mas eu vi comentários sobre separar vestibulares e
diferenciar os exames para alunos de rede pública. Isso é o fim da
cultura, discriminar para tentar solucionar. O mesmo que as famosas
cotas para certos alunos nas universidades.
Nas
décadas passadas, lecionavam-se idiomas desde o primeiro ano;
primeira série Ginasial e aprimorava-se no Clássico, Alemão; Inglês;
Francês; Espanhol; Grego e o esquecido Latim. Tempos das neolatinas
e Anglo Saxônicas. Isso tudo no Ginasial e Colegial. Assimilava-se
um conteúdo invejável em relação a atualidade.
Hoje
com toda a tecnologia e facilidade; internet; bibliotecas virtuais;
até bancas de jornais se adquire material para consultas e
pesquisas, estamos emburrecidos. Culpar professores? Culpar salários
dos professores? Não adianta Blá; Blá; Blá; culpar professores e
metodologia; dizer que a educação Européia era melhor; que a
remuneração era justa; tudo perca de tempo, pois seria mais uma
discussão inútil e esquecida depois de alguns dias. Culpar sim o
sistema falido nas mãos de grupos de interesse. Discutir fora do
orçamento necessário para se engrandecer e valorizar de imediato
nosso ensino \primário\, é pura inutilidade, é perder tempo. Só há
uma maneira, INVESTIR SERIAMENTE no ensino de base.
Na
cidade de Santos, SP, durante um Seminário de discussão sobre as
novas Diretrizes de Base da Educação, em 1972, um participante, que
considero profeta, levantou-se e disse em bom tom: -\NO
FUTURO PRÓXIMO TEREMOS FAXINEIROS COM FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA\.
E olhem que ele não era nenhum NOSTRADAMUS!
O que
se deve deflagrar é a conscientização em massa da necessidade de se
colocar na cabeça dos nossos governantes, a vontade política de
fazer a educação pública voltar a ser melhor que a privada. A
educação pública tem a obrigação de ser a melhor moralmente;
socialmente e legalmente. Vejam nossos jovens hoje e compare-os com
os das décadas passadas. Claro que a culpa é da má formação de base.
Ironia,
muito engraçado hoje. Até a década de 60 só pagava para estudar quem
não demonstrava capacidade para enfrentar o colégio público, pois
era o melhor dentro da excelência pretendida. O aluno do setor
público hoje é despesa para o estado e quanto mais rápida for a sua
promoção, dentro dos percentuais, é menos despesa.
O que
fazer para melhorar a Educação? É muito simples, acabar com os
Cartéis; Trustes; Monopólio; Corporativismo, que não acrescentam
nada além da ganância monetária em prol do sucateamento do ensino
público.