Resumo
No presente artigo,
destacamos a relevância do estudo do espaço geográfico como
lócus das interações sociais, assim, sendo fundamental
compreender os princípios locacionais para que possamos agir de
forma consciente, a partir dos conhecimentos de escala,
legendas, mapas e outros instrumentos.
Palavras-chave: ensino
de geografia, cartografia, escola, linguagem.
Abstract
In the present article, we detach the
relevance of the study of the geographic space as lócus
of the social interactions, thus, being basic to understand the
locality principles so that let us can act of conscientious
form, from the knowledge of scale, legends, maps and other
instruments.
Keywords: education of geography,
cartography, school, language.
Para o ensino de
Geografia na escola básica é importante trabalhar-mos na
perspectiva da construção de novas espacialidades geográficas e
elas se fazem presentes como o uso e o domínio de diferentes
linguagens pelo professor e pelos alunos. A cartografia
entendida como linguagem contribui para a construção das novas
espacialidades no contexto escolar.
No ensino de Geografia
a percepção dos componentes da paisagem local e de outras
paisagens pode se ampliar na medida em que o aluno aprende a
observar de forma intencional e orientada. Assim, a atividade
cartográfica nasceu como manifestação de uma utilidade imediata
e sobre a pressão de necessidades, tais como a de saber onde
estamos e que relações espaciais podemos estabelecer.
Desta forma, a
necessidade da orientação espacial promove o trabalho da
cartografia, desde as séries iniciais, quando o alunado começa a
distinguir entre o espaço vivido, o espaço percebido e o espaço
concebido.
A linguagem do mapa é
recurso fundamental para o ensino e a pesquisa de Geografia
Escolar, pois, possibilita a representação dos diferentes
recortes do espaço e na escala que convém para o ensino. Sendo
assim, a linguagem do mapa se fundamenta na leitura e
representação do espaço, permitindo, pois a visualização maior
desse espaço, onde o aluno entenderá como está inserido neste
espaço que pode ser local, regional e global. Através de mapas e
outros recursos saberá distinguir os mais diferentes e distantes
locais, possibilitando uma visão mais crítica da realidade na
qual pertence, pois:
“A importância do
aprendizado no contexto sócio-cultural da sociedade moderna,
como instrumento necessário à vida das pessoas, pois esta exige
certo domínio de conceitos e de referências espaciais para
deslocamento e ambientação; e mais do que isso, para que as
pessoas tenham uma visão consciente e crítica do seu espaço
social”. (ALMEIDA, 2001:10),
De acordo com os PCNs
de Geografia (1999), o aprendizado por meio de diferentes formas
de representação e escalas cartográficas deverá estar
contemplado, nesse momento, em que se inicia o aluno nos estudos
geográficos, como também ensinar a realizar estudos analíticos
de fenômenos em separado mediante os mapas temáticos, tais como:
clima, vegetação, solo, cultivos e agrícolas, etc.
Os mapas, segundo
PASSINI (1994) são “representação simbólica de um espaço
real”. Na educação cartográfica é importante lembrar que não
é através de cópias de mapas que o aluno aprende a fazer uso
desse recurso, mas através da produção dos referidos. Para isso,
“na ação de mapear, o objeto a ser mapeado deve ser o espaço
conhecido do aluno, o espaço cotidiano, onde seus elementos
(casa, escola, padaria, rua, etc.) lhe são familiares”.
Inicialmente, ocorre
na criança uma evolução no que se refere à noção de espaço.
Primeiro é o esqueleto corporal, resultado da relação entre o
espaço postural e o espaço ambiente e o segundo é a
lateralidade. Segundo Almeida (2001), “O meio ambiente é
lateralizado a partir dos vetores do esquema corporal:
frente-atrás, direita-esquerda, acima-embaixo”. O princípio da
lateralização leva ao conhecimento, primeiro no próprio corpo e
depois o do próximo.
Posteriormente, “O
espaço é apreendido pela criança através de brincadeiras ou de
outras formas de percorrê-lo, delimitá-lo ou organizá-lo segundo
seu interesse”. (ALMEIDA e PASSINI, 2001). De acordo com as
autoras:
“Às primeiras
relações espaciais que a criança estabelece são as chamadas
relações espaciais topológicas elementares” que são construídas
na seguinte: a) vizinhança, correspondente ao nível onde as
figuras (elementos) são percebidos – o que está ao lado; b)
Separação, corresponde a fronteiras e limites; c) Ordem, antes?
depois; d) Envolvimento, o espaço que está em torno de; e)
Continuidade, recorte do espaço do qual a área em questão
corresponde”.
Enquanto nas relações
topológicas o referencial para localização é o próprio corpo da
criança, nas relações projetivas e euclidianas a localização dos
objetos ocupa posições uns relacionados aos outros. Segundo
ALMEIDA (2001), “a principal diferença entre as relações
topológicas e euclidianas está na maneira de coordenar as
figuras entre si. O espaço topológico é interior a cada figura,
não há um espaço total que incluam todas elas”. Cada espaço é
considerado em si, sem haver a organização dos objetos em uma só
estrutura.
Quando as operações
mentais da criança passam a ser descentração espacial e
orientação de corpo tendo eles mais cuidado com as perspectivas,
as medidas e as distâncias, o aluno desenvolve a percepção do
espaço Projetivo e Euclidiano. Aqui as estruturas são situadas
por meio de projeções euclidianas. Aqui as estruturas são mais
complexas, os objetos são as coordenadas geográficas e a escala,
construindo noções de proporcionalidade, horizontalidade e
verticalidade, podendo assim ler mapas projetivos e euclidianos.
Sendo assim, os conhecimentos cartográficos, a localização e a
orientação quando bem orientada pelo educador, permitirá ao
aluno atingir, ou seja, alcançar uma nova organização e
configuração do espaço, desde que identifique as diferenças
entre os espaços representados através dos mapas, plantas,
croquis, etc.
A proposta de
alfabetização cartográfica visa desenvolver com os alunos a
construção de estruturas que ofereçam as condições necessárias
ao uso cotidiano e não somente escolar, pois a cartografia é uma
das formas de se entender o mundo. Como a geografia é a ciência
que se preocupa com a espacialização dos fenômenos de forma mais
categórica, sem dúvida o mapa como instrumento é muito
requisitado nas aulas devendo o seu uso ser estimulado.
Diante das bruscas
transformações em que o mundo do trabalho hoje enfrenta, dada a
rapidez da evolução tecnológica tornam-se necessário uma nova
postura pedagógica tanto de profissionais que produzem o
material geográfico e cartográfico, quanto os que vão adotá-lo.
O sistema educacional requer mudanças metodológicas e
pedagógicas para que a partir do reconhecimento da importância
da cartografia nas séries iniciais, possa construir os conceitos
capazes de emancipar o cidadão no seu “espaço”.
O presente artigo
reforça algumas formas de abordar a cartografia em sala de aula,
procurando por meio da apreensão das espacialidades geográficas,
uma leitura de forma mais eficaz e prazerosa no ensino de
Geografia na escola básica brasileira.
Referências:
ALMEIDA, R. D. de.
Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola.
São Paulo, Contexto, 2001. (Caminhos da Geografia).
ALMEIDA, R. D; PASSINI,
E.Y. Espaço geográfico. São Paulo, Contexto, 2001.
BRASIL. Secretaria de
Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais;
Geografia (5ª a 8ª séries). Brasília, MEC/ SEF, 1999.
PASSINI, E.Y.
Alfabetização cartográfica e o livro didático: uma
análise crítica. Belo Horizonte de, 1994.
SANTOS, C; TUNES, R.
H. Geografia Escolar: Construções e desconstruções.
São Paulo, NEGE, 2001.