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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 20:07:11                                               

 
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EDUCAÇÃO

Espacialidades Geográficas na Escola Básica

   

Clézio Santos1

publicado em 21/12/2009

          

Resumo

No presente artigo, destacamos a relevância do estudo do espaço geográfico como lócus das interações sociais, assim, sendo fundamental compreender os princípios locacionais para que possamos agir de forma consciente, a partir dos conhecimentos de escala, legendas, mapas e outros instrumentos.

Palavras-chave: ensino de geografia, cartografia, escola, linguagem.


 

Abstract

In the present article, we detach the relevance of the study of the geographic space as lócus of the social interactions, thus, being basic to understand the locality principles so that let us can act of conscientious form, from the knowledge of scale, legends, maps and other instruments.

Keywords: education of geography, cartography, school, language.


 


 

Para o ensino de Geografia na escola básica é importante trabalhar-mos na perspectiva da construção de novas espacialidades geográficas e elas se fazem presentes como o uso e o domínio de diferentes linguagens pelo professor e pelos alunos. A cartografia entendida como linguagem contribui para a construção das novas espacialidades no contexto escolar.

No ensino de Geografia a percepção dos componentes da paisagem local e de outras paisagens pode se ampliar na medida em que o aluno aprende a observar de forma intencional e orientada. Assim, a atividade cartográfica nasceu como manifestação de uma utilidade imediata e sobre a pressão de necessidades, tais como a de saber onde estamos e que relações espaciais podemos estabelecer.

Desta forma, a necessidade da orientação espacial promove o trabalho da cartografia, desde as séries iniciais, quando o alunado começa a distinguir entre o espaço vivido, o espaço percebido e o espaço concebido.

A linguagem do mapa é recurso fundamental para o ensino e a pesquisa de Geografia Escolar, pois, possibilita a representação dos diferentes recortes do espaço e na escala que convém para o ensino. Sendo assim, a linguagem do mapa se fundamenta na leitura e representação do espaço, permitindo, pois a visualização maior desse espaço, onde o aluno entenderá como está inserido neste espaço que pode ser local, regional e global. Através de mapas e outros recursos saberá distinguir os mais diferentes e distantes locais, possibilitando uma visão mais crítica da realidade na qual pertence, pois:


 

“A importância do aprendizado no contexto sócio-cultural da sociedade moderna, como instrumento necessário à vida das pessoas, pois esta exige certo domínio de conceitos e de referências espaciais para deslocamento e ambientação; e mais do que isso, para que as pessoas tenham uma visão consciente e crítica do seu espaço social”. (ALMEIDA, 2001:10),


 

De acordo com os PCNs de Geografia (1999), o aprendizado por meio de diferentes formas de representação e escalas cartográficas deverá estar contemplado, nesse momento, em que se inicia o aluno nos estudos geográficos, como também ensinar a realizar estudos analíticos de fenômenos em separado mediante os mapas temáticos, tais como: clima, vegetação, solo, cultivos e agrícolas, etc.

Os mapas, segundo PASSINI (1994) são “representação simbólica de um espaço real”. Na educação cartográfica é importante lembrar que não é através de cópias de mapas que o aluno aprende a fazer uso desse recurso, mas através da produção dos referidos. Para isso, “na ação de mapear, o objeto a ser mapeado deve ser o espaço conhecido do aluno, o espaço cotidiano, onde seus elementos (casa, escola, padaria, rua, etc.) lhe são familiares”.

Inicialmente, ocorre na criança uma evolução no que se refere à noção de espaço. Primeiro é o esqueleto corporal, resultado da relação entre o espaço postural e o espaço ambiente e o segundo é a lateralidade. Segundo Almeida (2001), “O meio ambiente é lateralizado a partir dos vetores do esquema corporal: frente-atrás, direita-esquerda, acima-embaixo”. O princípio da lateralização leva ao conhecimento, primeiro no próprio corpo e depois o do próximo.

Posteriormente, “O espaço é apreendido pela criança através de brincadeiras ou de outras formas de percorrê-lo, delimitá-lo ou organizá-lo segundo seu interesse”. (ALMEIDA e PASSINI, 2001). De acordo com as autoras:


 

“Às primeiras relações espaciais que a criança estabelece são as chamadas relações espaciais topológicas elementares” que são construídas na seguinte: a) vizinhança, correspondente ao nível onde as figuras (elementos) são percebidos – o que está ao lado; b) Separação, corresponde a fronteiras e limites; c) Ordem, antes? depois; d) Envolvimento, o espaço que está em torno de; e) Continuidade, recorte do espaço do qual a área em questão corresponde”.


 

Enquanto nas relações topológicas o referencial para localização é o próprio corpo da criança, nas relações projetivas e euclidianas a localização dos objetos ocupa posições uns relacionados aos outros. Segundo ALMEIDA (2001), “a principal diferença entre as relações topológicas e euclidianas está na maneira de coordenar as figuras entre si. O espaço topológico é interior a cada figura, não há um espaço total que incluam todas elas”. Cada espaço é considerado em si, sem haver a organização dos objetos em uma só estrutura.

Quando as operações mentais da criança passam a ser descentração espacial e orientação de corpo tendo eles mais cuidado com as perspectivas, as medidas e as distâncias, o aluno desenvolve a percepção do espaço Projetivo e Euclidiano. Aqui as estruturas são situadas por meio de projeções euclidianas. Aqui as estruturas são mais complexas, os objetos são as coordenadas geográficas e a escala, construindo noções de proporcionalidade, horizontalidade e verticalidade, podendo assim ler mapas projetivos e euclidianos. Sendo assim, os conhecimentos cartográficos, a localização e a orientação quando bem orientada pelo educador, permitirá ao aluno atingir, ou seja, alcançar uma nova organização e configuração do espaço, desde que identifique as diferenças entre os espaços representados através dos mapas, plantas, croquis, etc.

A proposta de alfabetização cartográfica visa desenvolver com os alunos a construção de estruturas que ofereçam as condições necessárias ao uso cotidiano e não somente escolar, pois a cartografia é uma das formas de se entender o mundo. Como a geografia é a ciência que se preocupa com a espacialização dos fenômenos de forma mais categórica, sem dúvida o mapa como instrumento é muito requisitado nas aulas devendo o seu uso ser estimulado.

Diante das bruscas transformações em que o mundo do trabalho hoje enfrenta, dada a rapidez da evolução tecnológica tornam-se necessário uma nova postura pedagógica tanto de profissionais que produzem o material geográfico e cartográfico, quanto os que vão adotá-lo. O sistema educacional requer mudanças metodológicas e pedagógicas para que a partir do reconhecimento da importância da cartografia nas séries iniciais, possa construir os conceitos capazes de emancipar o cidadão no seu “espaço”.

O presente artigo reforça algumas formas de abordar a cartografia em sala de aula, procurando por meio da apreensão das espacialidades geográficas, uma leitura de forma mais eficaz e prazerosa no ensino de Geografia na escola básica brasileira.


 

Referências:

ALMEIDA, R. D. de. Do desenho ao mapa: iniciação cartográfica na escola. São Paulo, Contexto, 2001. (Caminhos da Geografia).

ALMEIDA, R. D; PASSINI, E.Y. Espaço geográfico. São Paulo, Contexto, 2001.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais; Geografia (5ª a 8ª séries). Brasília, MEC/ SEF, 1999.

PASSINI, E.Y. Alfabetização cartográfica e o livro didático: uma análise crítica. Belo Horizonte de, 1994.

SANTOS, C; TUNES, R. H. Geografia Escolar: Construções e desconstruções. São Paulo, NEGE, 2001.


 

 

1 Graduado em Geografia pela Universidade de São Paulo (1996), mestre em Geografia (Geografia Humana) pela Universidade de São Paulo (2002), mestre (2000) e doutor em Geociências pela Universidade Estadual de Campinas (2009). Professor titular do Colegiado de Geografia do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA) e do curso de Geografia da Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Ensino de Geografia e em Cartografia, atuando principalmente nos seguintes temas: ensino de geografia, geografia, cartografia, cartografia escolar, turismo e formação de professores.
 


 

Como Citar este artigo:
SANTOS, C. Espacialidades Geográficas na Escola Básica P@rtes. Dezembro de 2009. Disponível em: <http://partes.com.br/educacao/espacialidadesgeograficas.asp> Acesso em __/__/__.

 

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