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Resumo
O estágio no
curso de licenciatura em geografia é um momento fundamental na
formação do futuro professor de geografia, dessa maneira deve
seguir uma orientação especial e uma contextualização cotidiana,
sobre o que é ensinar geografia no ensino fundamental e no
ensino médio. A concepção adotada prende-se no entendimento do
estágio como momento importante na formação do professor e na
construção de um mesmo ideal educacional onde o professor é
sujeito reflexivo e participante do mundo da Educação,
comprometido com suas mudanças, portanto, um pesquisador ativo
dessa realidade.
Palavras
chave: Estágio na licenciatura, formação de professores de
geografia, ensino de geografia.
Abstract
The period of training in the course of formation
of geography professors
is a basic moment in the formation of the future
professor of geography, in this way must follow a special
orientation and a daily context, on what it is to teach
geography in basic education and average education. The adopted
conception is arrested in the agreement of the period of
training as important moment in the formation of the professor
and the construction of one same educational ideal where the
professor is subject participant reflexive and of the world of
the Education, compromised to its changes, therefore, an active
researcher of this reality.
key-words: Period of training in the course of
formation professors, formation of geography professors,
education of geography.
Introdução
O artigo
apresenta em linhas gerais a concepção de estágio que é
trabalhada na disciplina Prática de Ensino de Geografia do
Ensino Fundamental e Médio do Colegiado e Geografia da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL) do Centro
Universitário Fundação Santo André (CUFSA), apresentado a
proposta de estágio a ser seguida pelos alunos da terceira de
série deste curso anual. Porém, apesar de seguir a legislação
recente de formação de professores, não a discute e não
apresenta as atividades previstas relacionadas à carga horária
prevista na legislação.
A concepção de
estágio que podemos denominar de “estágio participativo” vem
sendo efetivada desde 2004 no curso de licenciatura e de
bacharelado em Geografia. A estruturação utilizada é espelhada
com as devidas modificações na visão de estágio utilizada pelas
disciplinas do terceiro ano do curso de Pedagogia da mesma
instituição. O uso da mesma concepção prende-se no entendimento
do estágio como momento importante na formação do professor e na
construção de um mesmo ideal educacional onde o professor é
sujeito reflexivo e participante do mundo da Educação,
comprometido com suas mudanças, portanto, um pesquisador ativo
dessa realidade.
A preocupação
básica e central da presente concepção de estágio é a de que
este contribua para a formação de um professor de Geografia
comprometido com a escola pública, com a sua democratização e
com a busca da melhoria de sua qualidade. Esta preocupação
poderá ser concretizada, dentre outras ações, através da
possibilidade do aluno manter uma interlocução com a realidade
concreta e de nela interferir no sentido de transformá-la.
A concepção de
estágio se norteia por três características:
a) A realidade
a ser trabalhada é a da sala de aula, na disciplina escolar de
Geografia do Ensino Fundamental ou Médio, no interior da escola;
b) Os alunos
deverão ser capazes de investigação-ação, pois desta forma
poderão combinar duas atividades distintas, mas complementares,
a da pesquisa e a da ação pedagógica, por meio:
· Da
aproximação aos sujeitos que se encontram/desencontram no
interior da sala de aula. Desta forma, espera-se que os alunos
de Geografia da FSA ampliem a compreensão da importância de não
partirem de modelos de ação pedagógica previamente definidos, de
“fora para dentro” e de “cima para baixo”, uma vez que os
sujeitos a serem pesquisados não se constituem meros objetos de
sua ação, mas sim pessoas que pensam e que agem, que têm
necessidades e desejos, que são marcadas pelas suas histórias,
pelas possibilidades com as quais se deparam no presente e as de
construção do futuro;
· Da
aproximação aos conhecimentos da disciplina escolar Geografia
com a Geografia da academia. Esta aproximação ocorrerá, de um
lado, através das aulas que os alunos do 3o ano de
Geografia terão no interior do próprio curso e, de outro,
através da pesquisa junto a professores que ministram no ensino
fundamental II e ensino médio a disciplina Geografia. Os
conhecimentos específicos serão trabalhados de maneira
contextualizada, baseados nos conhecimentos acumulados pela
humanidade ao longo da história, em processo de produção
permanente e não como algo pronto e acabado. Desta forma, os
sujeitos que se encontram no interior da sala de aula poderão
ser incorporados ao processo ensino/aprendizagem como seres
ativos, capazes de pensar, criticar e apreender o conhecimento
como algo que passa pelas suas próprias estruturas;
· Da
proposição de práticas pedagógicas baseadas na pesquisa dos
sujeitos que se encontra na própria realidade da sala de aula e
da articulação de seus resultados com os conhecimentos
específicos.
c)
Os alunos do 3o.
Ano de Geografia deverão apresentar como produto final do
estágio um documento que deverá conter a proposta de prática
pedagógica em uma das áreas específicas de conhecimento
geográfico definidas neste projeto, que traduza a
investigação-ação realizada, perpassada pela teoria, e não como
um simples rol organizado de unidades e de atividades. Enfim,
este documento deverá ser revelador da capacidade do aluno do
terceiro ano de geografia explicitar seu perfil de
professor-pesquisador, capaz de produção de conhecimento.
Em torno
destas preocupações é que será construída a integração dos
conhecimentos envolvidos neste projeto, ou seja, o estágio será
transformado em espaço de investigação-ação com o
objetivo de que os alunos transformem a investigação num
elemento necessário para a produção, acompanhamento e avaliação
de propostas de prática educativa em torno da geografia
trabalhada no Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
Por meio desta
concepção segue-se na busca, que tem feito o Colegiado de
Geografia nos últimos anos (como outros Colegiados da FSA,
destacando o Colegiado de Pedagogia), de abandonar uma concepção
predominante de estágio como mero cumprimento de uma exigência
legal de um número determinado de horas, para dar lugar a um
espaço com outras práticas e reflexões que revelem a preocupação
de que;
“a formação
do professor, principalmente licenciado, seja reexaminada para
adequar-se a uma concepção de trabalho docente consentânea com
as responsabilidades sociais do trabalho no âmbito de uma
legislação que dá realce à autonomia da escola e à elaboração de
sua própria proposta pedagógica”
(AZANHA, 1997 apud ANCASSUERD, et. al. 2003:3)
Além do
envolvimento com as responsabilidades sociais rumo a uma ação
autônoma de uma proposta pedagógica, ressaltamos a relevância da
formação do professor-pesquisador para este fim.
Esta visão
sobre o papel do estágio para a formação do professor acompanha
a discussão realizada junto ao Colegiado de Pedagogia e
compartilha suas linhas mestras na realização dos estágios.
O Eixo do Trabalho
Esta proposta
de trabalho em torno do estágio é fruto das discussões, decisões
e deliberações do conjunto de professores do Colegiado de
Geografia tiradas no decorrer do processo de planejamento.
O planejamento
reforçou a necessidade de investir nas duas linhas de pesquisa
do Colegiado de Geografia: 1) Ensino de Geografia;
e 2) Planejamento do ABC Paulista e Baixada Santista.
Dessa forma, o estágio da disciplina Prática de Geografia do
Ensino Fundamental e Médio, foi pensado seguindo novos
parâmetros, colaborando com a linha de pesquisa Ensino de
Geografia.
O Colegiado de
Geografia definiu que a sala de aula deve ser um dos espaços
privilegiado de investigação-ação dos alunos deste curso,
porque estão sendo formados professores de geografia. Por isso,
os alunos de geografia devem ser colocados em contato com a sala
de aula do ensino fundamental e médio e os sujeitos que aí se
encontram/desencontram para pensar e propor práticas pedagógicas
voltadas ao ensino de geografia. Assim, o eixo do estágio é
“O Ensino de Geografia e o processo de investigação-ação”.
O Processo de
Investigação-Ação da Sala de Aula: Um Desafio
Para que os
alunos do 3o ano de geografia possam elaborar uma
proposta de prática pedagógica em torno de um conteúdo da
Ciência Geográfica, para uma série dentre o ensino fundamental
II e médio, e possam produzir um documento final deverão
realizar:
1)
Atividades de pesquisa
- todas no campo da pesquisa qualitativa, a saber: (a) história
de vida de professor que atua numa série do ensino fundamental,
buscando conhecer as visões, os sentimentos e os sentidos
atribuídos por este profissional área de conhecimento que
ministra suas aulas; (b) coleta de documentos fornecidos pelo
professor e (c) observação dos sujeitos em sala de aula, antes
e durante a realização de proposta de prática pedagógica;
2)
Atividades de produção, de implantação e
avaliação de prática pedagógica:
(a) realização
de estudos sobre determinado conteúdo geográfico a ser objeto da
prática; (b) elaboração de proposta de trabalho baseada nos
estudos feitos, nos resultados de atividades de pesquisa e na
interlocução com o professor pesquisado; (c) implantação da
proposta, a ser feita pelos alunos que fazem o estágio ou
proposta pelo professor que esta sendo observado; (d) avaliação
da prática desenvolvida;
3)
Atividade de produção de documento
- (a) estruturação do documento; (b) pesquisa bibliográfica; (c)
redação do documento no formato de um
artigo científico.
Atividades
Integradoras do Estágio
O Estágio em
Prática de Ensino de Geografia não será atividade meramente
burocrática. Dele fará parte um conjunto de atividades
acadêmicas obrigatórias para os alunos. A essas atividades serão
atribuídas horas de estágio e a algumas serão atribuídas notas,
que constituirão a média semestral do aluno.
Atividade1
Apresentação do projeto de estágio, um exemplo de
produção de conhecimento sobre um determinado conteúdo
geográfico.
Pretende-se
através desta atividade dar conhecimento e discutir com os
alunos a proposta de estágio de Prática de Ensino de
Geografia na sua totalidade, desde a sua concepção mais
geral até o cronograma de atividades a serem realizadas. Através
desta atividade, espera-se que os alunos compreendam as razões
que envolvem as diferentes etapas de trabalho, bem como possam
se situar diante de seus colegas e no tempo, para organizarem a
vida acadêmica. Ao apresentar o projeto na sua totalidade,
espera-se que os alunos tenham uma visão do processo bem como do
produto final que deverão produzir.
Atividade 2
Observação
e registro das aulas do professor de geografia que atua no
ensino fundamental II e/ou médio, de acordo com a vivência do
estagiário na escola.
Esta atividade
ocorrerá nos locais e horários que o aluno estagiário acertar
com o professor – sujeito de pesquisa – e ela é fundamental para
o desenvolvimento das demais etapas de trabalho. Por isso essa
atividade deve ser bem feita, com todo o rigor e dela se
responsabilizará cada aluno para garantir a coleta de dados da
maneira mais rigorosa possível. Essa atividade requer tempo e
paciência. As observações deverão ser registradas para posterior
sistematização dos dados (os registros devem ser feitos no
diário).
Atividade3
Discussão das
observações de sala de aula, análise e achados.
Esta atividade
é ainda de estudos e cumpre o papel de preparar os alunos para a
elaboração do relatório parcial e de todo trabalho nele
envolvido. Pode ser realizado em grupos de sistematização.
Dados não
falam por si, precisam ser organizados e analisados. Desse
trabalho os alunos deverão chegar aos achados. Trata-se
de:
“Um
esforço de abstração ultrapassando os dados, tentando
estabelecer conexões e relações que possibilitem a proposição de
novas explicações e interpretações. É preciso dar o ‘salto’ como
se diz vulgarmente, acrescentar algo ao já conhecido. Esse
acréscimo pode significar desde um conjunto de proposições bem
concatenadas e relacionadas que configurem uma nova perspectiva
teórica até o simples levantamento de novas questões e
questionamentos que precisarão ser mais sistematicamente
explorados em estudos futuros”. (LÜDKE e ANDRÉ, 1986: 49)
Ao chegarem
aos achados, os alunos deverão indicar o tema que norteará a
elaboração da proposta de prática pedagógica em geografia.
Atividade 4
Elaboração de proposta de prática pedagógica e
estudo teórico.
Execução da proposta de prática pedagógica e
observação
Tendo chegado aos “achados” e à definição do tema
da proposta de prática pedagógica, é hora de realizar um
levantamento bibliográfico que permita elaborar a proposta e
elaborar atividades para a ação em sala de aula.
Esta atividade
deverá ser feita em sintonia com o professor de Geografia do
ensino fundamental e/ou médio que participa deste projeto.
A execução da proposta será feita pelos alunos do
curso de Geografia ou pelo próprio professor da sala. A decisão
de quem executará a proposta dependerá de um acerto envolvendo,
necessariamente, o professor da sala.
Atividade 5
Redação de um texto final
Com a
atividade 5 pretende-se preparar os alunos para a produção de um
texto final (que terá o formato de um artigo científico para
divulgar melhor esse processo vivido).
Considerações finais
O estágio de
prática de ensino de geografia do ensino fundamental e médio
possibilita aos futuros professores de geografia, o envolvimento
com as responsabilidades sociais rumo a uma ação autônoma de
propostas pedagógicas que colaboram e contextualizam o ensino da
geografia no nível fundamental e no médio, ressaltando a visão
de professores-pesquisadores.
O contato com
a sala de aula do ensino fundamental e médio e os sujeitos que
aí se encontram/desencontram para pensar e propor práticas
pedagógicas voltadas ao ensino de geografia, resultaram em
práticas diferenciadas, mesmo ao lidar com temas tradicionais da
geografia como geomorfologia, climatologia, geografia urbana,
geografia econômica, cartografia, entre outros, norteados pelo
eixo do estágio
“O Ensino de Geografia e o
processo de investigação-ação”.
O resultado
dos trabalhos pode ser consultado nos três volumes publicados
pelo Colegiado de Geografia:
“O Ensino de Geografia e o
processo de investigação-ação – volumes 1, 2 e 3”,
contendo a coletânea dos trabalhos no laboratório de geografia
do Centro Universitário Fundação Santo André e em breve poderão
ser acessados no novo site do Colegiado de geografia, junto a
página principal da Fundação Santo André (http/www.fsa.br)
A concepção
principal dessa proposta de “estágio participativo” repousa na
construção sólida da formação de um professor de geografia
comprometido com as mudanças no mundo da Educação e com a busca
da melhoria de sua qualidade.
Referências
Bibliográficas
ANCASSUERD,
Marli; NAKANO, Marilena; VILLAR & VILLAR, Maria Elena;
CAVALEIRO, Maria Cristina; SANTOS, Clézio. Manual de estágio
para os 3os.Anos de Pedagogia. Santo André, FAFIL/CUFSA,
2003.
CARLOS, Ana
Fani A. (Org.) A geografia na sala de aula. São Paulo,
Contexto, 1999.
CASTROGIOVANNI,
Antonio C; CALLAI, Helena, C; SCHÄFFER, Neiva O; KAERCHER,
Nestor A. Geografia em sala de aula: práticas e
reflexões. Porto Alegre, AGB-PA, 1998.
LÜDKE, Menga &
ANDRÉ, Marli. Metodologia da Pesquisa
em Educação.
São Paulo: Cortez, 1986.
PONTUSCHKA,
Nídia N. e OLIVEIRA, Ariovaldo U. (Orgs.) Geografia em
perspectiva: ensino e pesquisa. São Paulo, Contexto, 2002.
SANTOS, Clézio.
A concepção de estágio na formação de professores de geografia
do ensino fundamental e médio. Expressão Geográfica, n.7,
Santo André, FAFIL/CUFSA, 2006 (12 a 16 p.)
SANTOS, Clézio.
Manual da disciplina de Prática de Ensino de Geografia.
Santo André, FAFIL/CUFSA, 2004.
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