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Este artigo vem
ilustrar de forma sintética os principais pressupostos da teoria do
comportamento, mais conhecida como Behaviorismo1, tese
embasada na corrente filosófica empírica, onde trata do conhecimento
humano, incluindo a Aquisição da Linguagem, como sendo conseguido
através das experiências vividas por cada indivíduo.
Como
ocorre a aquisição da Linguagem? Que processos acontecem na mente de um
indivíduo, quando este está aprendendo a falar determinada língua? O que
está por trás desse processo de aquisição? O que influencia, favorece
e/ou desfavorece essa aquisição?
Essas perguntas tem
sido alvo de muitos estudos, desde muito cedo até hoje. E, como resposta
dessas perguntas tem-se um acervo de teorias. Todas vêm contribuindo
para novas descobertas, de uma maneira ou de outra, pois, a partir de
suas postulações vem se especular mais, e pode ser que se esteja
chegando cada vez mais próximo de responder com firmeza o que está em
questão.
Uma das
teses que se tem sobre a aquisição e o desenvolvimento da linguagem é a
tese Behaviorista. E esta teoria, assim como todas as correntes teóricas
“aquisicionistas” fazem ou fizeram suas especulações voltadas para fatos
lingüísticos infantis.
O Behaviorismo é
baseado numa proposta empirista cuja
...não considerava
a mente como um componente fundamental para justificar o processo de
aquisição. Para ela, importava o fato de o conhecimento humano ser
derivado da experiência e de a única capacidade inata que ele possuía
ser aquela de formar associações entre estímulos ou entre estímulos e
respostas (E-R). (DEL RÉ et al., 2006).
Ou seja, o
empirismo é uma corrente filosófica que afirma que todo e qualquer
conhecimento deriva das experiências vividas por cada indivíduo.
Burruhs F. Skinner,
psicólogo americano, um dos mais importantes behavioristas, acredita ter
encontrado a explicação para o processo de aquisição do conhecimento
humano de um modo geral, incluindo, certamente, o processo de aquisição
da linguagem. “Skinner propunha ser capaz de predizer e controlar o
comportamento verbal mediante variáveis que controlam o comportamento”2:
estímulo-resposta, imitação e reforço. Sendo indutivo, o processo de
aquisição do conhecimento.
Essa proposta afirma
que um estímulo provoca uma resposta externa. Se esta resposta for
reforçada positivamente, espera-se que esse comportamento se repita
várias vezes. Já no caso da resposta ser reforçada negativamente, este
comportamento tenderá a ser eliminado. E, no caso de não haver esforço
algum, o comportamento também propende a não se repetir mais.
Hipoteticamente, uma
criança deitada e acordada, ouve a voz de sua mãe (estímulo) e começa a
chorar (resposta). Sua mãe vem e a coloca nos braços (reforço positivo).
Essa ação da mãe faz com que a criança aprenda que, quando ela quiser ir
para sua mãe, ela deverá chorar.
Para se aprender a
falar o processo é o mesmo. Por exemplo, uma criança vê uma outra, mais
velha, comendo chocolate (estímulo), e diz “dá” (resposta); se a criança
mais velha lhe der um pedaço do chocolate, essa ação será, segundo
Skinner, um reforço positivo, o que fará com que ela mantenha esse
comportamento. Caso a criança mais velha não lhe ceda o chocolate
(reforço negativo), ela não mais agirá dessa forma quando desejar algo
semelhante.
O ambiente fornece
os estímulos - neste caso, estímulos lingüísticos - e a criança fornece
as respostas - tanto pela compreensão como pela produção lingüística. A
criança, por esta teoria, durante o processo de aquisição lingüística, é
recompensada ou reforçada na sua produção pelos adultos que a rodeiam
(VICENTE MARTINS)3.
A imitação também é
uma forma muito influente na aprendizagem da fala, já que as crianças
aprendem muitas palavras através da imitação da fala de outras pessoas
que falam próximo a ela. É muito comum ver crianças repetindo palavras
que adultos ou crianças mais velhas próximas a elas falam.
Dessa forma, o
Behaviorismo postula que o aprendizado da língua é semelhante ao de
qualquer outro aprendizado, sendo adquirido através de reforços e
privações.
A visão que os
behavioristas tinham sobre a aquisição da linguagem assumia a afirmativa
que as crianças nascem com comportamento inato preexistente, mas de
forma bem reduzido. Por exemplo, acreditavam que as crianças possuíam,
inativamente, algumas habilidades que seriam gerais.
Primeiramente, ela
seria capaz de vocalizar. Depois, seria capaz de processar a vocalização
de outros e presumivelmente, reconhecer similaridades entre essas e suas
próprias vocalizações. Em terceiro lugar, teria a capacidade de
relacionar a vocalização 'mamãe' com o contexto da mãe. Chamemos a isso
a capacidade de formar associações. Além disso, a criança nasceria com
impulsos básicos que a motivariam a formar associações. Por exemplo, um
desses impulsos seria a necessidade de alimentação. As associações reais
que se formariam, tais como entre a palavra ‘mamãe’, são resultados
dessa experiência. (INGRAM, 1989).4
Apesar da explicação
que o Behaviorismo oferece para entendermos a Aquisição da linguagem,
encontra-se fatos que esta teoria não explica. Um deles é o evento de se
conseguir produzir frases nunca ouvidas antes, como também
compreendê-la; outro, é a rapidez do processo, pois uma criança de
quatro anos, por exemplo, já utiliza um conjunto grandioso de regras da
língua-mãe; um outro ponto seria o caso que ocorre com praticamente
todas as crianças que estão aprendendo a falar que é o de dizer palavras
que elas nunca ouviram antes mas, percebendo-se que nestas palavras a
criança utiliza a forma regular em verbos irregulares, quando dizem, por
exemplo, as palavras sabo, fazeu. Todos os casos citados negam, de certa
forma, as postulações do Behaviorismo, fazendo crer que as crianças
analisam a língua que falam e a partir daí produzem novas palavras.
Enquanto não se
descobre qual a teoria certeira para explicar o processo de aquisição e
desenvolvimento da linguagem de forma completa, uma certeza já há: a
tese behaviorista trouxe grandes descobertas para os estudos da
Aquisição da Linguagem contribuindo consideravelmente para os estudos
envoltos a questão de como o ser humano adquire a língua que fala e como
esse processo se desenvolve, portanto, deve ser valorizada e tida como
grande tributária na caminhada de descoberta dessa grande “capacidade”
do ser humano.
NOTAS
1-
O termo
Behaviorismo deriva da palavra inglesa behavior que significa
comportamento.
2-
Esta
citação foi tirada de uma apostila que não possuía as referências
bibliográficas, inclusive o nome do autor.
3-
O ano da
publicação não foi colocado porque não conseguimos localizá-lo na fonte
pesquisada.
4-
Esta
citação é uma tradução feita pelos autores do artigo do qual ela foi
retirada, no entanto, a citação original é de autoria de INGRAM.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
AUGUSTO, M. R. A.
(jul./dez. 1995) Teoria gerativa e aquisição da linguagem. Feira
de Santana. p. 115-120.
MARTINS, V. A
teoria behaviorista da aquisição da linguagem. http://www.profala.com/arteducesp71.htm.
Acesso em: 22/01/2007.
RÉ, A. D. et al.
(2006). Aquisição da Linguagem uma abordagem psicolingüística.
Editora contexto. São Paulo.
Márcia Rejane Alves
Rodrigues e Maria Neuma Freire Araújo escreveram o presente artigo sob a
orientação do professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale
do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. |