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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:45:47                                               

 
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EDUCAÇÃO
A formação do professor: novas perspectivas  
Alexandra Rosa Silva*

publicado em 15/01/2009

  

A formação deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça aos professores os meios de um pensamento autônomo e que facilite as dinâmicas de autoformação participada

(Nóvoa, 1992, p.25)

 

A formação docente se apresenta seguramente como um dos desafios mais frequentes postos à educação nos dias de hoje. É nas questões que envolvem a formação de professores para o ensino básico que se destaca a reflexão da prática docente como um dos requisitos básicos para a formação do professor reflexivo e para a educação continuada do mesmo.

Durante muito tempo o professor foi considerado um técnico reprodutor de conhecimentos e um mero executor de tarefas preestabelecidas. Nessa perspectiva, a formação de professores tinha como preocupação a instrumentalização técnica, concebida como um fim em si mesma e considerada como um elenco de procedimentos a serem dominados, para serem “aplicados” em situações de ensino-aprendizagem, na maioria das vezes, de forma descontextualizada.

Nas últimas décadas, a questão da formação de professores e da profissão docente tem sido central nas propostas de reformas educacionais, na tentativa de romper com o modelo da racionalidade técnica e com a concepção do ensino como um processo técnico. Nesse sentido, faz-se necessário refletir sobre a formação do professor como profissional reflexivo, buscando superar a relação linear e mecânica entre o conhecimento científico e a prática na sala de aula.

Portanto, é necessário um novo conceito de formação de professores, que deve romper com as práticas exercidas até o momento. O professor deve converter-se em um profissional que participe ativa e criticamente no verdadeiro processo de inovação e mudança, a partir de e em seu próprio contexto, em um processo dinâmico e flexível. Com isso, “a formação pretende obter um profissional que deve ser, ao mesmo tempo, agente da mudança, individual e coletivamente, e embora seja importante saber o que deve fazer e como, também é importante saber por que deve fazê-lo” (IMBERNÓN, 2004, p. 38).

Os professores têm de se assumir como produtores de sua profissão, mas sabemos hoje que não basta mudar o profissional é preciso mudar também os contextos nos quais eles atuam, isto é, as escolas não podem mudar sem o comprometimento dos professores; e estes não podem mudar sem a transformação das instituições de formação em que trabalham e se formam. É preciso, de acordo com Nóvoa (1992), trabalhar no sentido da diversificação dos modelos e das práticas de formação, instituindo novas relações dos professores com o saber pedagógico e científico.

Desta forma, Nóvoa (1992, p.25), propõe a formação de professores numa perspectiva que denomina crítico-reflexiva, que “forneça aos professores os meios de um pensamento autônomo e que facilite as dinâmicas de autoformação participada, com vista à construção de uma identidade profissional”. Diante disso, considera três aspectos na formação docente: produzir a vida do professor (desenvolvimento pessoal), produzir a profissão docente (desenvolvimento profissional) e produzir a escola (desenvolvimento organizacional).

Produzir a vida de professor implica proporcionar aos professores espaços de interação entre as dimensões pessoais e profissionais, ou seja, permitindo aos professores que, ao se apropriarem de conteúdos de sua formação, possam transpor esses conhecimentos para suas práticas e para suas experiências compartilhadas. A experiência como lugar de produção do saber e de aprendizagem, passa a considerar que o professor constrói o seu saber ativamente ao longo da vida, por isso, “é importante investir a pessoa e dar um estatuto ao saber da experiência”.

Produzir a profissão docente se dá por meio de uma formação que promove a preparação de professores reflexivos, que assumem a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento profissional e que participam como sujeitos na implementação das políticas educacionais. É preciso investir nos saberes de que o professor é possuidor, trabalhando-os do ponto de vista teórico e conceitual. Os problemas enfrentados pelos professores na prática profissional não são meramente instrumentais, todos eles ocorrem em situações problemáticas que obrigam a tomada de decisões num terreno de grande complexidade, incerteza, singularidade, conflitos e valores.

Produzir a escola consiste em conceber a escola como um espaço de formação e atuação o que implica a formação como um processo permanente, integrado no dia-a-dia dos professores e da escola.

Nessa perspectiva, ser professor ou tornar-se professor perpassa caminhos incertos, ambíguos e desconhecidos, aonde cada um vai construindo sua maneira de ser e estar na profissão.

 

“(...) Ser professor requer saberes e conhecimentos científicos, pedagógicos, educacionais, sensibilidade, indagação teórica e criatividade para encarar as situações ambíguas, incertas, conflituosas e, por vezes, violentas, presentes nos contextos escolares e não escolares. É da natureza da atividade docente proceder à mediação reflexiva e crítica entre as transformações sociais concretas e a formação humana dos alunos, questionando os modos de pensar, sentir, agir e de produzir e distribuir conhecimentos” (SEVERINO e PIMENTA apud PIMENTA e ANASTASIOU, 2005).

 

         A formação autônoma do professor faz diferença diante das situações, nas quais, ele deve decidir o que, o como, o quando e qual atitude tomar, visando a mudança e a qualidade da educação. Desta forma, é interessante compreender que os processos de formação apresentam um caráter dinâmico, instável, incerto e ambíguo, onde a homogeneização e as estratégias normativas de ação e intervenção cedem lugar à necessidade e atitude reflexiva em que a capacidade de dialogar com as situações e de diagnosticá-las sustentam ações construtivas no processo.

Considerando a importância da reflexão na trajetória de formação e atuação docente é que esboçamos eixos norteadores dos processos formativos, sabendo que a formação reflexiva envolve tanto atitudes, saberes como competências que proporcionem condições para que os profissionais desempenhem um papel ativo na elaboração de objetivos, estratégias, avaliações, enfim, práticas que emanem da cabeça e das mãos dos professores, por meio de um ensino reflexivo que instigue nos mesmos o desejo de aprender e de ensinar sempre levando em consideração as responsabilidades do professor em sua prática, com a clareza de que se situa, estabelecendo parâmetros de ações contextualizadas e críticas, problematizando-as permanentemente.

Assim, coloca-se em evidência a indiscutível contribuição da perspectiva da reflexão na formação inicial de professores bem como no exercício da docência. A reflexividade se insere como um dos elementos de formação inicial e/ou continuada, compreendida como um processo articulado de ação-reflexão-ação, ou seja, um processo que começa com a prática, posteriormente com a reflexão e se traduz em ação concreta, imprimindo uma nova reflexão e um novo fazer diferenciado.

 

Referências Bibliográficas

 

IMBERNÓN, F. Formação docente e profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 4ªed. SP: Cortez, 2004.

 

NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: A. Nóvoa (org.). Os professores e sua formação. Lisboa: Nova Enciclopédia, 1992.

 

PIMENTA, S. G.; ANASTASIOU, L. G. C. Docência no ensino superior. 2ª ed. SP: Cortez, 2005.

 


 

* Licenciada em Educação Física (CEFD/UFSM), especialista em Ciência do Movimento Humano (CEFD/UFSM), mestranda em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação (CE/UFSM). E-mail: alexandranaidon@yahoo.com.br

 

 

 
  

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