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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 20:24:37                                               

 
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EDUCAÇÃO

Fracasso escolar: discussões e possibilidades

   

Bruna Pereira Alves*

publicado em 14/12/2009

 

 

       

Resumo:

Refletindo sobre a importância existente no tema fracasso escolar para pais, estudantes e professores, escreve-se este artigo para, com ele, tentar solucionar algumas dúvidas que se tem sobre o tema, destacando alguns fatores que podem influenciar a não aprendizagem dos estudantes e, consequentemente, o fracasso escolar. Além disso, o foco principal é tentar auxiliar na compreensão de que não adianta procurar culpados para esta questão, o que tem que ser feito é buscar soluções para que se resolva ou amenize o problema em questão.

Palavras-chave: Fracasso escolar, aprendizagem, culpados, soluções.

 

 

School Failure: Discussions And Possibilities

Abstract: Reflecting on the importance in the subject school failure for parents, students and teachers, I write this article to try to resolve some questions that the people have on this issue, highlighting some factors that can influence the not learning of students and, hence, the school failure. Moreover, my main focus is try to assist in the understanding that no use looking for guilty to this issue, which has to be done is to seek solutions that solve or alleviate the problem in question.

Key- words: School failure, learning, guilty, solutions.

 


 

Primeiras Discussões

A educação é um dos assuntos mais discutidos dentre as questões apontadas como importantes para o desenvolvimento do Brasil e, dentre seu amplo repertório de assuntos questionados, o fracasso escolar aparece com grande destaque.

Há muitas perguntas que cercam as discussões sobre fracasso escolar, sendo que a maioria, ou todas, podem ter inúmeras respostas. Quais os motivos para o fracasso escolar acontecer? Como impedir que ele aconteça? Há alguém ou algo que seja o culpado ou causador do fracasso escolar?

É muito comum procurar culpados para as coisas que se percebe não funcionarem ou estarem erradas. Em relação ao fracasso escolar percebe-se que muitos dizem que a culpa é da avaliação, outros, que é dos métodos, da metodologia, ora do professor, ora do estudante, da escola, da família, da situação econômica, de problemas psicológicos dentre outros.

Procurando “culpados” acaba-se, algumas vezes, acusando os professores pelo fracasso do estudante. Porém, se sabe que a aula não existe somente com o professor, não basta que o professor queira ensinar, é preciso que os estudantes também participem da aula e queiram aprender. É essencial que professor e estudantes dialoguem e se dediquem à aula, participando e construindo-a com base na linguagem, na comunicação, para que, assim, aconteça a produção do conhecimento.

 

Chaves e Santos afirmam que,

É imprescindível a compreensão do educador sobre os fatores que interferem na aprendizagem do aluno, refletindo constantemente as questões internas (cognitiva, psicomotora e afetiva) e externas (escola, família) que atingem o processo de construção do conhecimento (CHAVES; SANTOS, 2002, p. 11).

 

É importante ressaltar o papel essencial do professor em perceber esses diversos fatores que cercam o estudante no dia-a-dia, já que sua aprendizagem sofre interferência destes o tempo todo. A aprendizagem do estudante é afetada diretamente por seus problemas familiares e afetivos tanto quanto pelos problemas cognitivos e psicomotores, sendo necessário conhecer e dar importância ao que acontece fora da sala de aula. O estudante carrega consigo uma grande “bagagem” de conhecimentos que devem ser valorizados pelo professor, já que o contexto cultural e social em que os estudantes vivem interferem em suas atitudes e aprendizado. Chaves e Santos reforçam essa idéia, afirmando que “O aluno é um ser social com cultura, linguagem e valores específicos. Quando apresenta dificuldades de aprendizagem deve ser levado em conta sua individualidade [...]” (CHAVES; SANTOS, 2002, p.20).

Outro “fantasma” que ronda o problema do fracasso escolar é a questão dos recursos destinados pelo governo à educação, ou melhor, de como os recursos destinados a educação estão sendo aplicados na melhoria da qualidade do ensino. O Ministério da Educação afirma que

 

O Brasil gasta, em média, 5,5% do Produto Interno Bruto - PIB em programas de educação, incluindo os gastos públicos e os investimentos privados. Esse valor é alto. Só para se ter idéia, os Estados Unidos destinam 5,3% de seu PIB com educação e a Inglaterra, 5,5%. O problema que o Brasil enfrenta é a distribuição desigual dos recursos nos diferentes níveis de ensino. Aos alunos de nível superior é destinada uma quantidade muito maior de recursos do que para os do ensino fundamental (Ministério da Educação – IBGE).

 

Como se pode perceber, o Brasil investe em educação, e investe bastante, porém, os recursos não são bem distribuídos, o que faz com que alguns níveis educacionais sofram mais do que outros, acentuado o “fracasso escolar” nos níveis básicos de ensino.

Além da questão dos recursos destinados à educação e do “papel” do professor no ensino dos estudantes, a família também tem sua participação no processo de aprendizagem da criança, já que esta, não aprende somente na sala de aula, mas também em casa, seguindo exemplos e modelos dos pais, avós, tios e amigos. Complementando, Princhatti, afirma que

 

A influência familiar é decisiva na aprendizagem dos alunos. Os filhos de pais extremamente ausentes vivenciam sentimentos de desvalorização e carência afetiva, [...] sérios obstáculos à aprendizagem escolar (PRINCHATTI, 2002, p. 11).

 

A aprendizagem é um processo que envolve diversos fatores, não podendo, assim, nomear alguém pelo seu “fracasso”. Existe um contexto que envolve o ser estudante, o aprender e o ensinar. Existe uma sociedade com padrões e princípios, normas, leis e valores que cercam todos que nela vivem, sendo necessário considerar este contexto, também, ao se falar de fracasso escolar.


 

Contextualizando

A sociedade segue um padrão. Quem está fora dos modelos impostos pela maioria, é excluído, é fracassado. Na aprendizagem percebe-se essa padronização em momentos em que um estudante não acompanha os demais porque tem outro ritmo. Muitas vezes não se considera o progresso do estudante, já que, se ele estiver fora dos “padrões” da turma e não responder às exigências da instituição será reprovado. Esta situação de reprovação pode ser decisiva para e estudante, pois ele sente-se desestimulado a continuar progredindo, pois percebe que seus esforços estão sendo em vão.

É relevante lembrar que não defende-se aqui que todos os estudantes sejam aprovados, somente destaca-se a importância de que cada caso seja avaliado de forma distinta, para que injustiças não sejam cometidas e que não comprometa-se um estudante que poderia ter um grande progresso no ano seguinte. Além disso, é necessário se considerar que

 

Quem aprende espera atingir seus objetivos, mas sempre corre o risco de fracassar. [...] Aprender é arriscar e expor-se [...]. Sabe-se, por sinal, que, algumas vezes, crianças se recusam a aprender por medo de fracassar, de serem devoradas, destruídas (BOIMARE, 1999). Esse medo é tanto maior quando já viveram a experiência de fracasso, humilhação e desvalorização de si mesmas (IRELAND, 2007, p. 23).

 

Relacionando esta questão da reprovação com o fracasso escolar, percebe-se também sua ligação com a evasão. Um estudante que reprova vários anos pode se desestimular e largar a escola. Será que ele desistiu porque ele era um fracassado? Ou será que ele não encontrou na escola estímulos suficientes que o fizessem acreditar que ele poderia ser um “vencedor”? Segundo Gottardo “[...] O que se percebe é que apesar dos esforços e pesquisas que tentam elencar subsídios que proporcionem uma prática pedagógica menos excludente, a escola ainda age de uma forma seletiva e classificatória [...]” (GOTTARDO, 2006, p. 53).

Portanto, reforça-se a idéia de que um dos problemas na escola é querer que todos os estudantes sigam um padrão de “conhecimento”, sendo responsável, às vezes, por ajudar a rotulá-los e contribuir para o fracasso escolar. Além disso, sabe-se que é a escola, ou, particularmente, o professor, que faz com que o estudante tenha gosto pelo estudar, pelo aprender, ou o oposto, sendo essencial que os rótulos sejam destruídos e que se perceba o estudante como ele realmente é.

Sobre esta questão, Libâneo e Pimenta afirmam que:

 

[...] Transformar as escolas e suas práticas e culturas tradicionais e burocráticas – as quais, por meio da retenção e da evasão, acentuam a exclusão social – em escolas que eduquem as crianças e os jovens, propiciando-lhes um desenvolvimento cultural, científico e tecnológico que lhes assegure condições para fazerem frente às exigências do mundo contemporâneo, exige esforço do coletivo da escola [...], dos sindicatos, dos governantes e de outros grupos sociais organizados (LIBÂNEO; PIMENTA, 1999, p. 260).

 

Assim, percebe-se que não é uma pessoa que mudará a escola e as práticas que a envolvem, depende dos professores, funcionários, diretores, pais e órgãos do governo buscar fazer da escola um ambiente de aprendizado, desenvolvimento e preparação dos estudantes para enfrentar o mundo competitivo e cada vez mais avançado tecnologicamente.


 

Considerações

Desde os tempos antigos existe um “padrão” a ser seguido pela sociedade. Quem se destoa da maioria sendo melhor, tem mais sucesso. Discutiu-se neste artigo que esta questão de padronização também existe nas escolas, especificamente, nas salas de aula, em que quem consegue acompanhar os “conteúdos” que a professora ensina seguirá para o próximo ano, quem não os acompanhar reprovará, ou mesmo, fracassará.

Assim, concluindo estas reflexões acerca das questões sobre fracasso escolar, percebe-se a importância de não procurar ou apontar um culpado por tal fracasso, afinal, assim como a aprendizagem é influenciada por diversos fatores e pessoas, a não aprendizagem também é.

Portanto, cabe aos professores, instituição escolar e família, contribuir para o crescimento do estudante, percebendo suas individualidades e suas potencialidades, indo de encontro ao fracasso dos mesmos. Ao estudante, cabe estudar e se dedicar a crescer e se desenvolver cada dia mais, alcançando seus objetivos e produzindo conhecimentos; aos governantes, cabe a tarefa de investir cada vez mais nas escolas, organizando e distribuindo melhor os recursos destinados ao ensino, propiciando um ambiente de estudos com mais “qualidade”.

 


 

Referências

CHAVES, S. da S; SANTOS, S. B. dos. Problemas de aprendizagem: Fracasso Escolar. De quem aprende, ou de quem ensina? Belém-Pa, 2002.

GOTTARDO, Edelar Carlos. Fracasso Escolar: Família x Escola. In: Ágora- Revista Elerônica. Ano 01- nº 02. Jun. 2006. Disponível em: http://www.ceedo.com.br/agora/edelarfracassoescolar.pdf. Acesso em: 02 fev 2009.

IRELAND, Vera Esther (coord.). Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever. Brasília: UNESCO, MEC/INEP, 2007. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001512/151253POR.pdf. Acesso em: 04 fev 2009.

LIBÂNEO, José Carlos; PIMENTA, Selma Garrido. Formação de profissionais da educação: visão crítica e perspectiva de mudança. In: Educação e Sociedade: revista quadrimestral de Ciência da Educação. Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes). n. 68. Campinas: Cedes, 1999 – V. XX, f. VII. Pg. 239-277.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. O Investimento do Brasil em Educação. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/educacao/investimento.html>. Acesso em: 04 fev 2009.

PRINCHATTI, Roseli. A Alfabetização: Aprendizagem E Fracasso Escolar. In: Recanto das Letras. [s. l.], 2002. Disponível em: http://recantodasletras.uol.com.br/trabalhosacademicos/806102. Acesso em: 02 fev 2009.

 

* Graduada em Pedagogia Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Como ser citado:
ALVES, Bruna Pereira. Fracasso escolar: discussões e possibilidades. P@rtes.V.00 p.eletrônica. Dezembro de 2009. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/fracassoescolar.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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