Resumo:
Refletindo sobre a
importância existente no tema fracasso escolar para pais, estudantes
e professores, escreve-se este artigo para, com ele, tentar
solucionar algumas dúvidas que se tem sobre o tema, destacando
alguns fatores que podem influenciar a não aprendizagem dos
estudantes e, consequentemente, o fracasso escolar. Além disso, o
foco principal é tentar auxiliar na compreensão de que não adianta
procurar culpados para esta questão, o que tem que ser feito é
buscar soluções para que se resolva ou amenize o problema em
questão.
Palavras-chave:
Fracasso escolar, aprendizagem, culpados, soluções.
School Failure: Discussions And Possibilities
Abstract: Reflecting on the importance in
the subject school failure for parents, students and teachers, I
write this article to try to resolve some questions that the people
have on this issue, highlighting some factors that can influence the
not learning of students and, hence, the school failure. Moreover,
my main focus is try to assist in the understanding that no use
looking for guilty to this issue, which has to be done is to seek
solutions that solve or alleviate the problem in question.
Key-
words: School failure, learning, guilty,
solutions.
Primeiras Discussões
A educação é um dos
assuntos mais discutidos dentre as questões apontadas como
importantes para o desenvolvimento do Brasil e, dentre seu amplo
repertório de assuntos questionados, o fracasso escolar aparece com
grande destaque.
Há muitas perguntas que
cercam as discussões sobre fracasso escolar, sendo que a maioria, ou
todas, podem ter inúmeras respostas. Quais os motivos para o
fracasso escolar acontecer? Como impedir que ele aconteça? Há alguém
ou algo que seja o culpado ou causador do fracasso escolar?
É muito comum procurar
culpados para as coisas que se percebe não funcionarem ou estarem
erradas. Em relação ao fracasso escolar percebe-se que muitos dizem
que a culpa é da avaliação, outros, que é dos métodos, da
metodologia, ora do professor, ora do estudante, da escola, da
família, da situação econômica, de problemas psicológicos dentre
outros.
Procurando “culpados”
acaba-se, algumas vezes, acusando os professores pelo fracasso do
estudante. Porém, se sabe que a aula não existe somente com o
professor, não basta que o professor queira ensinar, é preciso que
os estudantes também participem da aula e queiram aprender. É
essencial que professor e estudantes dialoguem e se dediquem à aula,
participando e construindo-a com base na linguagem, na comunicação,
para que, assim, aconteça a produção do conhecimento.
Chaves e Santos afirmam
que,
É imprescindível a
compreensão do educador sobre os fatores que interferem na
aprendizagem do aluno, refletindo constantemente as questões
internas (cognitiva, psicomotora e afetiva) e externas (escola,
família) que atingem o processo de construção do conhecimento
(CHAVES; SANTOS, 2002, p. 11).
É importante ressaltar o
papel essencial do professor em perceber
esses diversos fatores que cercam o estudante no dia-a-dia, já que
sua aprendizagem sofre interferência destes o tempo todo. A
aprendizagem do estudante é afetada diretamente por seus problemas
familiares e afetivos tanto quanto pelos problemas cognitivos e
psicomotores, sendo necessário conhecer e dar importância ao que
acontece fora da sala de aula. O estudante carrega consigo uma
grande “bagagem” de conhecimentos que devem ser valorizados pelo
professor, já que o contexto cultural e social em que os estudantes
vivem interferem em suas atitudes e aprendizado. Chaves e Santos
reforçam essa idéia, afirmando que “O aluno é um ser social com
cultura, linguagem e valores específicos. Quando apresenta
dificuldades de aprendizagem deve ser levado em conta sua
individualidade [...]” (CHAVES; SANTOS, 2002, p.20).
Outro “fantasma” que ronda
o problema do fracasso escolar é a questão dos recursos destinados
pelo governo à educação, ou melhor, de como os recursos destinados a
educação estão sendo aplicados na melhoria da qualidade do ensino. O
Ministério da Educação afirma que
O Brasil
gasta, em média, 5,5% do Produto Interno Bruto - PIB em programas de
educação, incluindo os gastos públicos e os investimentos privados.
Esse valor é alto. Só para se ter idéia, os Estados Unidos destinam
5,3% de seu PIB com educação e a Inglaterra, 5,5%. O problema que o
Brasil enfrenta é a distribuição desigual dos recursos nos
diferentes níveis de ensino. Aos alunos de nível superior é
destinada uma quantidade muito maior de recursos do que para os do
ensino fundamental (Ministério da Educação – IBGE).
Como se pode perceber, o
Brasil investe em educação, e investe bastante, porém, os recursos
não são bem distribuídos, o que faz com que alguns níveis
educacionais sofram mais do que outros, acentuado o “fracasso
escolar” nos níveis básicos de ensino.
Além da questão dos
recursos destinados à educação e do “papel” do professor no ensino
dos estudantes, a família também tem sua participação no processo de
aprendizagem da criança, já que esta, não aprende somente na sala de
aula, mas também em casa, seguindo exemplos e modelos dos pais,
avós, tios e amigos. Complementando, Princhatti, afirma que
A influência familiar é
decisiva na aprendizagem dos alunos. Os filhos de pais extremamente
ausentes vivenciam sentimentos de desvalorização e carência afetiva,
[...] sérios obstáculos à aprendizagem escolar (PRINCHATTI, 2002, p.
11).
A aprendizagem é um
processo que envolve diversos fatores, não podendo, assim, nomear
alguém pelo seu “fracasso”. Existe um contexto que envolve o ser
estudante, o aprender e o ensinar. Existe uma sociedade com padrões
e princípios, normas, leis e valores que cercam todos que nela
vivem, sendo necessário considerar este contexto, também, ao se
falar de fracasso escolar.
Contextualizando
A sociedade segue um
padrão. Quem está fora dos modelos impostos pela maioria, é
excluído, é fracassado. Na aprendizagem percebe-se essa padronização
em momentos em que um estudante não acompanha os demais porque tem
outro ritmo. Muitas vezes não se considera o progresso do estudante,
já que, se ele estiver fora dos “padrões” da turma e não responder
às exigências da instituição será reprovado. Esta situação de
reprovação pode ser decisiva para e estudante, pois ele sente-se
desestimulado a continuar progredindo, pois percebe que seus
esforços estão sendo em vão.
É relevante lembrar que
não defende-se aqui que todos os estudantes sejam aprovados, somente
destaca-se a importância de que cada caso seja avaliado de forma
distinta, para que injustiças não sejam cometidas e que não
comprometa-se um estudante que poderia ter um grande progresso no
ano seguinte. Além disso, é necessário se considerar que
Quem aprende espera
atingir seus objetivos, mas sempre corre o risco de fracassar. [...]
Aprender é arriscar e expor-se [...]. Sabe-se, por sinal, que,
algumas vezes, crianças se recusam a aprender por medo de fracassar,
de serem devoradas, destruídas (BOIMARE, 1999). Esse medo é tanto
maior quando já viveram a experiência de fracasso, humilhação e
desvalorização de si mesmas (IRELAND, 2007, p. 23).
Relacionando esta questão
da reprovação com o fracasso escolar, percebe-se também sua ligação
com a evasão. Um estudante que reprova vários anos pode se
desestimular e largar a escola. Será que ele desistiu porque ele era
um fracassado? Ou será que ele não encontrou na escola estímulos
suficientes que o fizessem acreditar que ele poderia ser um
“vencedor”? Segundo Gottardo “[...] O que se percebe é que apesar
dos esforços e pesquisas que tentam elencar subsídios que
proporcionem uma prática pedagógica menos excludente, a escola ainda
age de uma forma seletiva e classificatória [...]” (GOTTARDO, 2006,
p. 53).
Portanto, reforça-se a
idéia de que um dos problemas na escola é querer que todos os
estudantes sigam um padrão de “conhecimento”, sendo responsável, às
vezes, por ajudar a rotulá-los e contribuir para o fracasso escolar.
Além disso, sabe-se que é a escola, ou, particularmente, o
professor, que faz com que o estudante tenha gosto pelo estudar,
pelo aprender, ou o oposto, sendo essencial que os rótulos sejam
destruídos e que se perceba o estudante como ele realmente é.
Sobre esta questão,
Libâneo e Pimenta afirmam que:
[...] Transformar as escolas e suas práticas e culturas tradicionais
e burocráticas – as quais, por meio da retenção e da evasão,
acentuam a exclusão social – em escolas que eduquem as crianças e os
jovens, propiciando-lhes um desenvolvimento cultural, científico e
tecnológico que lhes assegure condições para fazerem frente às
exigências do mundo contemporâneo, exige esforço do coletivo da
escola [...], dos sindicatos, dos governantes e de outros grupos
sociais organizados (LIBÂNEO; PIMENTA, 1999, p. 260).
Assim,
percebe-se que não é uma pessoa que mudará a escola e as práticas
que a envolvem, depende dos professores, funcionários, diretores,
pais e órgãos do governo buscar fazer da escola um ambiente de
aprendizado, desenvolvimento e preparação dos estudantes para
enfrentar o mundo competitivo e cada vez mais avançado
tecnologicamente.
Considerações
Desde os tempos antigos
existe um “padrão” a ser seguido pela sociedade. Quem se destoa da
maioria sendo melhor, tem mais sucesso. Discutiu-se neste artigo que
esta questão de padronização também existe nas escolas,
especificamente, nas salas de aula, em que quem consegue acompanhar
os “conteúdos” que a professora ensina seguirá para o próximo ano,
quem não os acompanhar reprovará, ou mesmo, fracassará.
Assim, concluindo estas
reflexões acerca
das questões sobre fracasso escolar, percebe-se a importância de não
procurar ou apontar um culpado por tal fracasso, afinal, assim como
a aprendizagem é influenciada por diversos fatores e pessoas, a não
aprendizagem também é.
Portanto, cabe aos
professores, instituição escolar e família, contribuir para o
crescimento do estudante, percebendo suas individualidades e suas
potencialidades, indo de encontro ao fracasso dos mesmos. Ao
estudante, cabe estudar e se dedicar a crescer e se desenvolver cada
dia mais, alcançando seus objetivos e produzindo conhecimentos; aos
governantes, cabe a tarefa de investir cada vez mais nas escolas,
organizando e distribuindo melhor os recursos destinados ao ensino,
propiciando um ambiente de estudos com mais “qualidade”.
Referências
CHAVES, S. da S; SANTOS,
S. B. dos. Problemas de aprendizagem: Fracasso Escolar. De
quem aprende, ou de quem ensina? Belém-Pa, 2002.
GOTTARDO, Edelar Carlos.
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http://www.ceedo.com.br/agora/edelarfracassoescolar.pdf.
Acesso
em: 02 fev 2009.
IRELAND, Vera Esther (coord.).
Repensando a escola: um estudo sobre os desafios de
aprender, ler e escrever. Brasília: UNESCO, MEC/INEP, 2007.
Disponível em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001512/151253POR.pdf. Acesso
em: 04 fev 2009.
LIBÂNEO, José Carlos;
PIMENTA, Selma Garrido. Formação de profissionais da educação: visão
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revista quadrimestral de Ciência da Educação. Centro de Estudos
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Acesso em: 04 fev 2009.
PRINCHATTI, Roseli. A
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http://recantodasletras.uol.com.br/trabalhosacademicos/806102.
Acesso em: 02 fev 2009.