RESUMO: a gestão escolar enfrenta novos
desafios com a proposta da educação inclusiva, principalmente no
que se refere inserção de sujeitos com Transtornos Globais do
Desenvolvimento (TGD). Em virtude das dificuldades específicas no
processo de escolarização desses educandos, a gestão escolar deve
repensar sua atuação para que de fato sejam oportunizados a esses
indivíduos alternativas metodológicas eficazes para seu processo
de aprendizagens escolares.
Palavras-chave: gestão escolar; inclusão escolar; TGD;
Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Resumen: La escuela se enfrenta a nuevos retos con la propuesta
de la educación? Integrador, especialmente con respecto a la
inserción? Los sujetos con trastornos generalizados del desarrollo
(PDD). Debido a las dificultades de especificaciones? Tú te quedas
en el proceso de la enseñanza? De los estudiantes, la
administración? La escuela debe repensar sus actos? Para el hecho
de que está dando oportunidades a los niños Alternativas de
Residuos proceso? Metodolgicas eficaces de aprendizaje escuela.
Palavras-chave: gestión; trastornos generalizados del
desarrollo (PDD); proceso de la enseñanza.
Em virtude de novos discursos a respeito da educação inclusiva,
a Escola, vem passando por um processo de transformação
conceitual, procedimental e atitudinal. De fato, a gestão escolar
(corpo diretivo e docente), muitas vezes, não está preparada para
receber e atender os sujeitos que possuem necessidades específicas
de aprendizagem, decorrente da falta de formação e/ou capacitação
para atuar junto a esses indivíduos.
Podemos ressaltar que as dificuldades são ainda maiores quando
nos referimos às necessidades especiais caracterizadas como
condutas típicas. Dentro dessa parcela se encontram sujeitos que
possuem Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Esses
indivíduos, conforme as características de sua condição orgânica e
social apresentam dificuldades de interação com o meio,
principalmente quanto às relações sociais. Aspecto que acentua e
problematiza a atuação da gestão escolar ao atendimento desses
indivíduos. De esse modo o presente artigo objetiva discutir
aspectos referentes à gestão escolar e seu trabalho quanto ao
processo de inclusão do sujeito que possui Transtornos Globais do
Desenvolvimento (TGD). Por conseguinte, com enfoque nas
necessidades e dificuldades enfrentadas pela gestão escolar no
processo de inclusão de indivíduos que possuem transtorno global
do desenvolvimento e destacar posicionamento que primem pela
reflexão da profissão docente frente a esta realidade.
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) sujeitos que apresentam
Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são sujeitos que
necessitam de Atendimento Educacional Especializado (AEE) por
apresentarem aspectos específicos em seu processo de aprendizagem,
principalmente pela falta de interação social. Diante dessa
proposta, não só com AEE, mas também com trabalho conjunto com
profissionais da escola, esses sujeitos necessitam de adaptações
específicas necessárias para que possam ter êxitos em seu processo
de aprendizagens escolares. Sob esse prisma que marca a Educação
Inclusiva, transcendendo ao campo de atuação da Educação Especial,
configurando-se como uma responsabilidade de todos os
profissionais no âmbito escolar.
Em acordo com Coll et al (2004) os Transtornos Globais do
Desenvolvimento (TGD) caracterizam-se por representar um atraso
significativo no desenvolvimento de crianças , principalmente sob
aspecto da linguagem e interação social. Essa terminologia
refere-se a quadros sintomáticos semelhantes, que se subdividem
em: Transtorno Autista, Transtorno Asperger, Transtorno
Desintegrador da Infância e TGD sem outra especificação, que
abarcam uma gama de sintomas, dentre eles a dificuldade
comunicativa e de interação social prevalece. Esse quadro de falta
de comunicação (linguagem expressiva e, por vezes compreensiva)
pode ser fator condicionante ao insucesso desses indivíduos quando
ingressam na escola. Uma vez que além do atraso significativo em
seu desenvolvimento, as dificuldades de interação social
promovidas pela escolarização podem ocasionar situações de surto
nesses indivíduos, pois não buscam o contato afetivo como as
demais crianças quando inseridas no contexto de ensino. Dessa
forma, o professor para proporcionar um ambiente propício à
aprendizagem desses sujeitos, precisa além de conhecer as
características específicas do TGD, estabelecer estratégias
metodológicas que proporcionem a esses educandos segurança para
“aprender a aprender” e desenvolver, dentro de suas
potencialidades, a interação comunicativa e expressiva.
Para que possamos enlaçar os aspectos relacionados a proposta
desse artigo, primeiramente devemos pontuar a concepção de gestão
escolar que subsidia nosso fazer e pensar pedagógico bem como
elucidar o que significa a proposta de educação inclusiva segundo
as diretrizes adotadas em nosso país. Em acordo com Lück (2000), a
educação, quanto ao contexto escolar, é complexa e exige uma maior
organização do trabalho educacional, com também da participação da
comunidade, visto que o estabelecimento de ensino deve promover a
aprendizagem desses indivíduos sob prisma cognitivo, social e
emocional. De modo a possibilitar que o aluno possa compreender a
vida, a si mesmo e o meio que o cerca, assim, tornando-se agente
em seu processo de aprendizagem significando e ressignificando o
conhecimento e sua atuação dentro da sociedade. Portanto é direito
de todo o acesso e permanência no ensino, já que a escola, como
citado anteriormente vem atribuindo outros significados aos
processos de aprendizagem (seja cognitivo, social e emocional).
Vejamos a citação abaixo:
É no contexto desse entendimento que emerge o conceito de
gestão escolar, que ultrapassa o de administração escolar, por
abranger uma série de concepções não abarcadas por este outro,
podendo-se citar a democratização do processo de construção social
da escola e realização de seu trabalho, mediante a organização de
seu projeto político-pedagógico, o compartilhamento do poder
realizado pela tomada de decisões de forma coletiva, a compreensão
da questão dinâmica e conflitiva e contraditória das relações
interpessoais da organização, o entendimento dessa organização
como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma atuação especial
de liderança e articulação, a compreensão de que a mudança de
processos educacionais envolve mudanças nas relações sociais
praticadas na escola e nos sistemas de ensino (Lück,2000, p. 16),
Diante desse contexto, a proposta de educação inclusiva vem em
oposição aos paradigmas vivenciados na história da educação,
principalmente da educação especial em nosso país, pois percebe e
repudia as práticas excludentes seja em âmbito escolar quanto
social. Desse modo a escola passa a introduzir técnicas e
alternativas metodológicas que possibilitem ao individuo
atendimento que respeite suas características formas/estilos de
aprendizagem. Em outras palavras, a educação inclusiva:
[...] constitui um paradigma educacional fundamentado na
concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença
como valores indissociáveis, e que avança em relação à idéia de
eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da
produção da exclusão dentro e fora da escola. (BRASIL, 2008, p. 5)
A inclusão, como consta nos parâmetros políticos, como por
exemplo, no decreto n° 6.094/2007, garante a todos os indivíduos
acesso e permanência no ensino regular, para tanto, os alunos com
necessidades educacionais especiais devem ser contemplados com
atendimento especializado que compreenda e possibilite seu
desenvolvimento potencial. Essas afirmativas são pressupostos
básicos para fortalecimento da inclusão nas escolas públicas
(Brasil, 2008). Segundo a Política Nacional de Educação que
descreve quem é o alunado de educação especial, esta apresenta
que:
“[...] É aquele que por apresentar necessidades próprias e
diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens
curriculares correspondentes à sua idade requer recursos
pedagógicos e metodologias educacionais específicas. Genericamente
chamados de portadores de necessidades educacionais específicas,
classificam–se em: portadores de deficiência (mental, auditiva,
visual, física e múltipla), (portadores de condutas típicas e
problemas de conduta e portadores de altas habilidades
(superdotados)”. (MEC/SEESP, 1994, pág. 13).
Reflexões acerca do processo de inclusão vem tomando
diferenciados rumos, enfoques que dão subsídios à prática
realizada. De fato, a política é bem clara, e descreve quem é
alunado da educação especial e as necessidades de acontecer à
inclusão, entretanto, como tal política foi outorgada, podemos
perceber que esse processo caminha lentamente. Isso é decorrente
do não preparo da comunidade escolar diante do processo de
inclusão, visto que ela enfrenta dificuldades quanto à formação
e/ou capacitação da gestão escolar (professores, direção escolar e
coordenação pedagógica) para atuar com os alunos que possuem
necessidades educacionais especiais, sobretudo no que diz respeito
aos sujeito que possuem condutas típicas, ou seja, Transtornos
Globais do Desenvolvimento (TGD).
Como todo processo, pouco se tem inferido a respeito da
inclusão de sujeitos que TGD, isso decorre pela dificuldade que
professores tem em trabalhar com esses alunos em decorrência de
suas características particulares quanto ao processo de interação
social. Desse modo, espera-se que a gestão escolar esteja
preparada para compreender e proporcionar condições de
aprendizagem á todos os sujeitos, respeitando suas
particularidades (limitações) do modo a promover o desenvolvimento
potencial e inseri-los junto á comunidade escolar. Assim, é
exigida desses profissionais, no âmbito educacional, uma maior
flexibilidade para compreender o processo de aprendizagem e
interlocução da gestão escolar (corpo docente, diretivo e
coordenação pedagógica) para atuarem de forma conjunta
viabilizando um processo de aprendizagem significativa seja em
âmbito individual, social ou cultural. Vejamos a citação abaixo
que reafirma a discussão que nos propomos desenvolver
Considera-se que as pessoas se modificam continuamente
transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige
uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de
exclusão, enfatizando a importância de ambientes heterogêneos que
promovam a aprendizagem de todos os alunos (MEC/SESP, 2008, p.
15).
Como consta nos PCNs da Educação devem ser realizadas
adaptações necessárias ao processo de aprendizagem é dentro do
mesmo currículo, a fim de que sejam respeitadas as diferenças e
estilos de aprendizagem de cada indivíduo. Portanto podemos
ressaltar que “Conforme Kosik (1976, p. 18) evidenciou, a
realidade pode ser mudada só porque e só na medida que nós mesmos
a produzimos, e na medida que saibamos que é produzida por nós” (Lück,
2000, pág.17). A compreensão dessa premissa é fundamento da gestão
democrática que está implicada na concepção de participação, ou
seja, de trabalho associado, análise e decisão de situações
tomadas em conjunto. Portanto, atividade que emerge do coletivo,
refletindo no compromisso e competência da escola com seus alunos
e sociedade em geral.
Em outras palavras, podemos inferir que a gestão escolar como
um todo, tem muito acrescer diante da proposta que se discute: a
educação e inclusiva se considerar os pressupostos citados
anteriormente. Visto que aceso à escola a escola é um direito de
todos, e responsabilidade na qualidade do ensino sob aspecto
cognitivo, social e cultural demanda organização capaz de perceber
além “do quadrado” e não aquém.
Em face disso, as reuniões pedagógicas devem possibilitar a
reflexão a respeito dos aspectos que são geradores de
"resistência” por parte dos professores ao atendimento desses
sujeitos. Problematizando a atuação da gestão escolar,
principalmente das alternativas do corpo diretivo e coordenação
pedagógica para motivar a equipe docente frente às dificuldades do
processo de aprendizagem e inclusão educacional desses indivíduos.
Uma vez que a produção do conhecimento deve atrelar se às
discussões que emergem da cotidianidade vivenciada no espaço
escolar e sua relação dialética com a prática, produzir novos
discursos que embasem novas práticas educacionais. Portanto,
primando pelo respeito à diversidade e qualidade no ensino a todos
os sujeitos que desfrutam do ensino, seja em qualquer de suas
modalidades.
REFERÊNCIAS
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de educação Especial: livro 1/MEC/SEESP- Brasília: a
Secretaria, 1994.
BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional
de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.
Brasília, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf
COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento
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2008. Disponível em: http://www.rizoma.ufsc.br/html/343-of4-st2.htm.
Acesso em 29/10/2008.
[*]Graduada em Educação Especial/UFSM; Mestranda em Educação/UFSM;
Especializanda em Gestão Educacional/UFSM; Graduanda em Letras -
Habilitação Espanhol/UFSM; e-mail: karinesperoni@gmail.com