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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:45:41                                               

 
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EDUCAÇÃO

O papel da gestão escolar frente ao contexto de inclusão escolar de sujeitos com transtornos globais de desenvolvimento (TGD): uma discussão pertinente

 

Karine Sefrin Speroni[*]

publicado em 12/07/2010

 

 
RESUMO: a gestão escolar enfrenta novos desafios com a proposta da educação inclusiva, principalmente no que se refere inserção de sujeitos com Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Em virtude das dificuldades específicas no processo de escolarização desses educandos, a gestão escolar deve repensar sua atuação para que de fato sejam oportunizados a esses indivíduos alternativas metodológicas eficazes para seu processo de aprendizagens escolares.

Palavras-chave: gestão escolar; inclusão escolar; TGD; Transtornos Globais do Desenvolvimento.

 

Resumen: La escuela se enfrenta a nuevos retos con la propuesta de la educación? Integrador, especialmente con respecto a la inserción? Los sujetos con trastornos generalizados del desarrollo (PDD). Debido a las dificultades de especificaciones? Tú te quedas en el proceso de la enseñanza? De los estudiantes, la administración? La escuela debe repensar sus actos? Para el hecho de que está dando oportunidades a los niños Alternativas de Residuos proceso? Metodolgicas eficaces de aprendizaje escuela.

Palavras-chave: gestión; trastornos generalizados del desarrollo (PDD); proceso de la enseñanza.

 


Em virtude de novos discursos a respeito da educação inclusiva, a Escola, vem passando por um processo de transformação conceitual, procedimental e atitudinal. De fato, a gestão escolar (corpo diretivo e docente), muitas vezes, não está preparada para receber e atender os sujeitos que possuem necessidades específicas de aprendizagem, decorrente da falta de formação e/ou capacitação para atuar junto a esses indivíduos.

Podemos ressaltar que as dificuldades são ainda maiores quando nos referimos às necessidades especiais caracterizadas como condutas típicas. Dentro dessa parcela se encontram sujeitos que possuem Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Esses indivíduos, conforme as características de sua condição orgânica e social apresentam dificuldades de interação com o meio, principalmente quanto às relações sociais. Aspecto que acentua e problematiza a atuação da gestão escolar ao atendimento desses indivíduos. De esse modo o presente artigo objetiva discutir aspectos referentes à gestão escolar e seu trabalho quanto ao processo de inclusão do sujeito que possui Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD). Por conseguinte, com enfoque nas necessidades e dificuldades enfrentadas pela gestão escolar no processo de inclusão de indivíduos que possuem transtorno global do desenvolvimento e destacar posicionamento que primem pela reflexão da profissão docente frente a esta realidade.

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) sujeitos que apresentam Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são sujeitos que necessitam de Atendimento Educacional Especializado (AEE) por apresentarem aspectos específicos em seu processo de aprendizagem, principalmente pela falta de interação social. Diante dessa proposta, não só com AEE, mas também com trabalho conjunto com profissionais da escola, esses sujeitos necessitam de adaptações específicas necessárias para que possam ter êxitos em seu processo de aprendizagens escolares. Sob esse prisma que marca a Educação Inclusiva, transcendendo ao campo de atuação da Educação Especial, configurando-se como uma responsabilidade de todos os profissionais no âmbito escolar.

Em acordo com Coll et al (2004) os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) caracterizam-se por representar um atraso significativo no desenvolvimento de crianças , principalmente sob aspecto da linguagem e interação social. Essa terminologia refere-se a quadros sintomáticos semelhantes, que se subdividem em: Transtorno Autista, Transtorno Asperger, Transtorno Desintegrador da Infância e TGD sem outra especificação, que abarcam uma gama de sintomas, dentre eles a dificuldade comunicativa e de interação social prevalece. Esse quadro de falta de comunicação (linguagem expressiva e, por vezes compreensiva) pode ser fator condicionante ao insucesso desses indivíduos quando ingressam na escola. Uma vez que além do atraso significativo em seu desenvolvimento, as dificuldades de interação social promovidas pela escolarização podem ocasionar situações de surto nesses indivíduos, pois não buscam o contato afetivo como as demais crianças quando inseridas no contexto de ensino. Dessa forma, o professor para proporcionar um ambiente propício à aprendizagem desses sujeitos, precisa além de conhecer as características específicas do TGD, estabelecer estratégias metodológicas que proporcionem a esses educandos segurança para “aprender a aprender” e desenvolver, dentro de suas potencialidades, a interação comunicativa e expressiva.

Para que possamos enlaçar os aspectos relacionados a proposta desse artigo, primeiramente devemos pontuar a concepção de gestão escolar que subsidia nosso fazer e pensar pedagógico bem como elucidar o que significa a proposta de educação inclusiva segundo as diretrizes adotadas em nosso país. Em acordo com Lück (2000), a educação, quanto ao contexto escolar, é complexa e exige uma maior organização do trabalho educacional, com também da participação da comunidade, visto que o estabelecimento de ensino deve promover a aprendizagem desses indivíduos sob prisma cognitivo, social e emocional. De modo a possibilitar que o aluno possa compreender a vida, a si mesmo e o meio que o cerca, assim, tornando-se agente em seu processo de aprendizagem significando e ressignificando o conhecimento e sua atuação dentro da sociedade. Portanto é direito de todo o acesso e permanência no ensino, já que a escola, como citado anteriormente vem atribuindo outros significados aos processos de aprendizagem (seja cognitivo, social e emocional). Vejamos a citação abaixo:

É no contexto desse entendimento que emerge o conceito de gestão escolar, que ultrapassa o de administração escolar, por abranger uma série de concepções não abarcadas por este outro, podendo-se citar a democratização do processo de construção social da escola e realização de seu trabalho, mediante a organização de seu projeto político-pedagógico, o compartilhamento do poder realizado pela tomada de decisões de forma coletiva, a compreensão da questão dinâmica e conflitiva e contraditória das relações interpessoais da organização, o entendimento dessa organização como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma atuação especial de liderança e articulação, a compreensão de que a mudança de processos educacionais envolve mudanças nas relações sociais praticadas na escola e nos sistemas de ensino (Lück,2000, p. 16),

Diante desse contexto, a proposta de educação inclusiva vem em oposição aos paradigmas vivenciados na história da educação, principalmente da educação especial em nosso país, pois percebe e repudia as práticas excludentes seja em âmbito escolar quanto social. Desse modo a escola passa a introduzir técnicas e alternativas metodológicas que possibilitem ao individuo atendimento que respeite suas características formas/estilos de aprendizagem. Em outras palavras, a educação inclusiva:

[...] constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. (BRASIL, 2008, p. 5)

A inclusão, como consta nos parâmetros políticos, como por exemplo, no decreto n° 6.094/2007, garante a todos os indivíduos acesso e permanência no ensino regular, para tanto, os alunos com necessidades educacionais especiais devem ser contemplados com atendimento especializado que compreenda e possibilite seu desenvolvimento potencial. Essas afirmativas são pressupostos básicos para fortalecimento da inclusão nas escolas públicas (Brasil, 2008). Segundo a Política Nacional de Educação que descreve quem é o alunado de educação especial, esta apresenta que:

“[...] É aquele que por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à sua idade requer recursos pedagógicos e metodologias educacionais específicas. Genericamente chamados de portadores de necessidades educacionais específicas, classificam–se em: portadores de deficiência (mental, auditiva, visual, física e múltipla), (portadores de condutas típicas e problemas de conduta e portadores de altas habilidades (superdotados)”. (MEC/SEESP, 1994, pág. 13).

Reflexões acerca do processo de inclusão vem tomando diferenciados rumos, enfoques que dão subsídios à prática realizada. De fato, a política é bem clara, e descreve quem é alunado da educação especial e as necessidades de acontecer à inclusão, entretanto, como tal política foi outorgada, podemos perceber que esse processo caminha lentamente. Isso é decorrente do não preparo da comunidade escolar diante do processo de inclusão, visto que ela enfrenta dificuldades quanto à formação e/ou capacitação da gestão escolar (professores, direção escolar e coordenação pedagógica) para atuar com os alunos que possuem necessidades educacionais especiais, sobretudo no que diz respeito aos sujeito que possuem condutas típicas, ou seja, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD).

Como todo processo, pouco se tem inferido a respeito da inclusão de sujeitos que TGD, isso decorre pela dificuldade que professores tem em trabalhar com esses alunos em decorrência de suas características particulares quanto ao processo de interação social. Desse modo, espera-se que a gestão escolar esteja preparada para compreender e proporcionar condições de aprendizagem á todos os sujeitos, respeitando suas particularidades (limitações) do modo a promover o desenvolvimento potencial e inseri-los junto á comunidade escolar. Assim, é exigida desses profissionais, no âmbito educacional, uma maior flexibilidade para compreender o processo de aprendizagem e interlocução da gestão escolar (corpo docente, diretivo e coordenação pedagógica) para atuarem de forma conjunta viabilizando um processo de aprendizagem significativa seja em âmbito individual, social ou cultural. Vejamos a citação abaixo que reafirma a discussão que nos propomos desenvolver

Considera-se que as pessoas se modificam continuamente transformando o contexto no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica voltada para alterar a situação de exclusão, enfatizando a importância de ambientes heterogêneos que promovam a aprendizagem de todos os alunos (MEC/SESP, 2008, p. 15).

Como consta nos PCNs da Educação devem ser realizadas adaptações necessárias ao processo de aprendizagem é dentro do mesmo currículo, a fim de que sejam respeitadas as diferenças e estilos de aprendizagem de cada indivíduo. Portanto podemos ressaltar que “Conforme Kosik (1976, p. 18) evidenciou, a realidade pode ser mudada só porque e só na medida que nós mesmos a produzimos, e na medida que saibamos que é produzida por nós” (Lück, 2000, pág.17). A compreensão dessa premissa é fundamento da gestão democrática que está implicada na concepção de participação, ou seja, de trabalho associado, análise e decisão de situações tomadas em conjunto. Portanto, atividade que emerge do coletivo, refletindo no compromisso e competência da escola com seus alunos e sociedade em geral.

Em outras palavras, podemos inferir que a gestão escolar como um todo, tem muito acrescer diante da proposta que se discute: a educação e inclusiva se considerar os pressupostos citados anteriormente. Visto que aceso à escola a escola é um direito de todos, e responsabilidade na qualidade do ensino sob aspecto cognitivo, social e cultural demanda organização capaz de perceber além “do quadrado” e não aquém.

Em face disso, as reuniões pedagógicas devem possibilitar a reflexão a respeito dos aspectos que são geradores de "resistência” por parte dos professores ao atendimento desses sujeitos. Problematizando a atuação da gestão escolar, principalmente das alternativas do corpo diretivo e coordenação pedagógica para motivar a equipe docente frente às dificuldades do processo de aprendizagem e inclusão educacional desses indivíduos. Uma vez que a produção do conhecimento deve atrelar se às discussões que emergem da cotidianidade vivenciada no espaço escolar e sua relação dialética com a prática, produzir novos discursos que embasem novas práticas educacionais. Portanto, primando pelo respeito à diversidade e qualidade no ensino a todos os sujeitos que desfrutam do ensino, seja em qualquer de suas modalidades.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de educação Especial: livro 1/MEC/SEESP- Brasília: a Secretaria, 1994.

BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf

COLL, C.; MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento psicológico e educação.trad. Fátima Murad – 2ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2004).

LIBÂNEO, José Carlos, OLIVEIRA, João Ferreira; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação escolar –políticas, estrutura e organização, 2. ed. São Paulo: Cortez, 2005.

LÜCK, Heloisa. Gestão Educacional. Concepções e Processos Democráticos de Gestão Educacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

_______.Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à Formação de seus Gestores. Em Aberto, Brasília, v. 17, n. 72, p. 11-33, fev./jun. 2000.

TEZZARI, Mauren; BAPTISTA, Claudio. Vamos brincar de Giovanni? A integração escolar e o desafio da psicose. In: BAPTISTA, Claudio Roberto; BOSA, Cleonice (org.) Autismo e educação: reflexão e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2002. P.145-156.

TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo. Atlas, 1987.

VASQUES, Carla. & BAPTISTA, J. Transtornos Globais do Desenvolvimento:Educação:um Discurso sobre Possibilidades, 2008. Disponível em: http://www.rizoma.ufsc.br/html/343-of4-st2.htm. Acesso em 29/10/2008.

 

[*]Graduada em Educação Especial/UFSM; Mestranda em Educação/UFSM; Especializanda em Gestão Educacional/UFSM; Graduanda em Letras - Habilitação Espanhol/UFSM; e-mail: karinesperoni@gmail.com

Como ser citado:
SPERONI, K. S. Reflexões a cerca do processo de leitura e escrita: compreender para transformar o ensino. P@rtes.V.00 p.eletrônica. Julho de 2010. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/processodeleituraeescrita.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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