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Estive
em uma
Feira de
Conhecimento no
centro do
Recife, é uma
escola
Pública e tradicionalmente
formadora de
professores
para o
ensino
fundamental [Normal/Magistério],
mais
que
também tem algumas
turmas de
ensino
médio [segundo
grau
para
vestibular].
Questionada
por
alguns
colegas palestrantes
que acompanhavam-me
como
alienígenas vislumbrando o
novo-velho
mundo do
fazer
educação
para as
massas desprovidas e aviltadas.
Questionavam-me
sobre a
visão
ousada de “pobres”
que sonham
com
um
curso
superior.
-
Utopia?
Ou
direito
natural da
massa dos excluídos,
em
busca de
acessão
via escolarização.
Mas
com a
atual
escola
pública? -estes “coitados”
saem
mais do
que despreparados ao
longo da
jornada
escolar, fazem
só
volume
nos
anuários
estatísticos
para
alocar
recursos
para uma
educação de faz de
contas.
Uns
raros
por
competência
ou auto-didatismo
ou
pura
sorte na
loteria do
vestibular passam
pelo
estreito
funil,
para
lentamente serem derrubados ao
longo de
seus
cursos, fadadas ao
fracasso e ao
subemprego.
Mas
claro
que há os pouquíssimos
heróis
que superam as
adversidades
reais, e as
dificuldades do
imaginário
social dos
preconceitos, e vencem.
Esses
poucos muitas
vezes mascaram-se de
elite, escondendo
seu
passado de
aluno de
escola
pública.
Optam
por
discursos
que denigrem os
que superam as múltiplas
adversidades e conquistam uma
graduação,
para
que
suas
máscaras
não caiam e
seus
rostos
não sejam
vistos
com
suas verdadeiras
marcas.
Pessoas
que
são os
nossos verdadeiros
heróis,
anônimos e ocultos.
Envergonhados de
seu
passado,
ou
para
ser aceitos
em
seu
novo
status–quo escondem-se ao invés
de mostrar-se
como
elementos motivadores
para os
tantos
outros
que estão
em
meio à longas
jornadas, os
muitos
que
não aceitaram a aniquilação,
mais lutam
bravamente
anos
após
anos
apesar das precárias
condições das
escolas públicas, e ao
mesmo
tempo
graças à
escola
pública.
A
escola
pública é
para a
grande
maioria a
única
opção,
sem
ela
não há
opção!
Com
ela luta-se
apesar de
tudo,
esperançosamente
por
um
amanhã...
Havia
em
um dos stands uma
rica
apresentação
sobre o
aborto e o
direito da
mulher
sobre
seu
corpo.
Fotos belíssimas de
mulheres
saudáveis, malhando, abraçadas a
homens
bonitos,
todos
com
expressões
felizes, contrapostas a
imagens de
abortos
criminosos,
feitos
por
curiosos e
até
por pseudos
médicos .
Um
álbum
seriado foi sendo apresentado ao
público
presente
que
passivo assistia a
tudo
com
tanta
naturalidade
que chocava vê-las.Perninhas
arroxeadas, rostinhos desfigurados, e outras tantas
cenas dantescas e
inexplicáveis
em
grandes
ampliações fotográficas
estrategicamente
disposta
com o
objetivo de
romper o
sono
letárgico e
hermético,
que envolvem
muitos ao
abordar a
questão da
saúde da
mulher, o
direito a
vida.Mas
que
tipo de
vida? Foi
um
momento de
horror, as
imagens de corpinhos
esbranquiçados
pelo
éter
em
vidros de
maionese exibidos
em
público
como
rótulos de
cientificismo
vulgar.
Algo
inexplicável inquietava-me
palavras iam nebulando
minha
mente
com
letras,
sons e
imagens fundido-se
como
em
um
surto
psicodélico.
Questiono-me se o
estado de
letargia e
torpor de
todo o
público
que assistiu as
apresentações foi
baseado na
calosidade de
almas brutalizadas
pela
miséria e
violência de
um
país de
miseráveis?
Quando digo
miseráveis,
não
falo dos
famintos
que povoam as
ruas, das
crianças
que vendem buginguangas
ou vendem-se
nos
sinais das
grandes
avenidas, das
mães brutalizadas
pela
pobreza
que induz a
mentes frágeis
que precisam de
apoio e
segurança a pratica
pequenos
delitos
encobertos
pela
máscara do
pesadelo da
fome.Entorpecidos
pelo inebriante
cheiro da
cola de
sapateiro, e
pelo
efeito do “artame”, e do
medo.
Não
falo de
armas
em
mãos
tão
pequenas
que
mal podem
segurar e
apertar o
gatilho,
mais
que
tão sedo tem
que se
ver brutalizadas
pelo
aborto
social.
Falo da
miséria
humana
quando vejo
palafitas e
mocambos
casebres
paupérrimo
que
até os
ratos abandonam
por
tão
grande
precariedade, vejo
corpos estendidos no
chão ,assassinados! ,e as
bocas
que vomitam
expressões alicerçadas
pela
dominação ideológica
sem
refletir a
conjuntura
que impôs-se as
pequenas
vidas
sem
valor
que bradejam de
cima das
consciências acríticas “-
era
apenas
mais
um “bandido” “marginal”e
daí?” Prostrados no
chão crivados
pela
violência
social é
até “fácil”
atribuir-lhe
culpa, voltam-se
para o
berço
que
sempre os embalou as
ruas e todas as
mazelas
que os forjou
assim.
A
margem da
vida,
vida
sem
vida,sem
dignidade,
vítimas
ou
réus ?
quem as
poderia
julgar?
Eu?
um
também abandonado
pela
vida? o
senhor
que
por
motivos
diversos abandonou a
miséria
que o
cerca entrincheirado-se
em
condomínios guardados
por
seguranças
cães e
câmeras?
ou exilou-se
para
sobreviver e
resguardar
sua
integridade
mental e
moral fingindo–se
inatingível
com os frágeis
vidros fechados ? No
distanciamento
fugaz, volátil
mais
socialmente aceito
como
natural?
Não
nos compete julgar?
criticar ?
conscientizar?
Indignar?
modificar?
[ No Aurélio=
miséria é...1.estado
deplorável 2.desprezível,infame
3.perverso,malvado
4.próprio de
quem é
muito
pobre 5.Sem
valor,ínfimo.]
Digo do
país dos
Miseráveis, no
sentido da
miséria
humana da
mixórdia
administrativa do
lucro da
volúpia do
poder, de
corpos
sem
almas de
mentes
sem
consciência
que moldam
com
minudência os abortados
sociais , mata-se a
alma
em
corpos mutilados de uma
vida
real.
De
escolas
que deseducam,
ou
melhor reproduzem o
macro
mundo
que os cercam
onde a
violência
diária, o
descaso, e o
funesto
sentido de
aprender ,
são roubados, do
primeiro e
principal
direito
natural – O DA
VIDA!
Em
estado
deplorável de muitas
escolas,que
não
são
melhores
que
suas “casas”
reproduzindo o
autoritarismo e o
descaso
com o
progresso
pessoal, esperando tacitamente a
obliteração da
maioria, encubando
utopias de
desempenhar uma
função
social.
As
desprezíveis,infames,
políticas públicas
com
suas “incompetências”
de
leitura do
cotidiano das
mazelas
sociais ,que
tentam
moldar e
rotular a
todos e a
tudo
como
vidros de
remédios “placebos”
em
prateleiras empoeiradas da
botica metodológicas das
teorias
educacionais .
A
ação,
perversa,malvada,
de
insuflar
sonhos de
liberdade,
igualdade e prosperidade
como
em
um
slogan da
revolução francesa dos
trópicos , a
quem libertará a
formação
deficiente,
inexistente,
talvez a
fila dos
que buscam
empregos?, dos
que engrossam o
caldo dos
muitos
concursos
públicos ?, dos
que se sente enganados
pela
vida?
pela
falta de
oportunidades?,
mas
que na
realidade a
baixa qualificação de uma
escolaridade
que
não tem
em
seus
cabedal formativo os
elementos
para a
atual empregabilidade do
sujeito das
camadas
menos favorecidas.
Desprovidos dos
múltiplos
alimentos
que nutrem o
corpo e a
alma do
ser
humano, de
lazer e
recursos,
desprovidos de
ambiente e
estrutura, de
saberes
socialmente reconhecidos
como
fundamentais.
É
próprio de
quem é
muito
pobre, empobrecidos
na
senzala
contemporânea, envergonharia
Gilberto Freire, na
grande
senzala
moderna,
pais
escravos
filhos
escravos
ou no
máximo
Capitães do
Mato
tal
analogia envergonha-nos,
mais
lá no
fundo,
não terá
algo de
verossímil? Vejo brutalizados
homens e
mulheres
que
em
sua
maioria chegam ao
segundo
grau
analfabetos de
letras, de
números, de
humanidade.
Envergonhados esconde-se
em
capas de da
rigidez, da
agressão do vandalismo, da
evasão ,empobrecidos de
sonhos de
vida ,apegam-se a
fé , a
mitos a
ídolos a
políticos
eternos
salvadores de
consciências ingênuas
solucionadores de
todos os
problemas, “mandadores” de todas
as
ordens, decifradores de
todos os
destinos
criadores de todas as
oportunidades .
Falácias das
desesperanças,
crivo
real de
dominação de
seus
senhores ocultos, está na
pele
pálida, às
vezes gordas
ou magras,
opulência opugnável de
mazelas,
roupas
rotas ,
dentes
falhos,
mentes...
Sem
valor,
ínfimo, o
trabalho
empregado jogado
fora ,
que dá
muito
mais
trabalho e contunde
muito
mais
profundamente
que se
bem executado, o
quanto
custa
manter na
escola uma
criança dos
seis aos 18
anos
em
média ? quarenta
crianças
por
sala ?
quatro
horas
por
dia ? de
quatro a
cinco
semanas
por
mês? onze meses
por
ano ?
Instumentalizando–as
em
leitura e
interpretação ,
escrita ,
cálculo,
texto e
contexto
em
história,
geografia
ciências
literatura ,línguas,direitos
e
deveres
artes
ecologia
tecnologia.
De
dignidade
humana! Permitindo-lhes o
sagrado
direito de
sonhar, e
lutar
por
seus
sonhos, e
ver
seus
esforços recompensados
quando percebem
cidadões .
Custa
muito,
em
marginalidade,
em
oportunidades,
em
dignidade,
custa proporcionalmente a
policiais, a
presídios , a assistencialismos ,
a
saúde
pública ,
custa à
dignidade
custa ao turista ,
custa ao
país .
Sabemos
que há, e
sempre haverá
bons e
não
tão
bons
profissionais
em todas as
áreas ,mais
o
esforço de inúmeros dos
nosso
professores de
escolas públicas devem
ser reconhecido.
Trabalhando
em
condições precárias,
salários
vergonhosos,
sem
reconhecimento
nem
oportunidades, tem de
ligar os
dois
mundos e
criar
condições de
adequar o
melhor
possível às
legiões de
jovens ao
mundo de
regras rígidas do
saber
culto, e
tecnológico. Promovendo, o
respeito às
instituições e as
leis, o
amor
próprio, a
consciência
crítica, e a
competência dos
saberes
que os instrumentaliza
para a
vida
produtiva.
Quando defrontar-se no
próximo
semáforo
com
aqueles
grandes
olhos
brilhantes
que
seu
medo
não seja de
um
assalto,
mais do
que
eu,
você,
nós fizemos,
ou
melhor
nos omitimos e
por
omissão referendamos tacitamente.
Urge
transformar
este
país no
país de
homens
mulheres e
crianças o
país de
oportunidades se
não
iguais
mais
pelo
menos
mais amplas, o
país da
esperança.
Não
mais
um
país de
Miseráveis .
E
eu poderei
assistir a uma
feira de
conhecimentos
que
fala do
direito ao
aborto, do
direito da
mulher de
decidir
sobre
seu
corpo,
sem
segurar a
bolsa apavorada olhando
para os
lados,
sem
ficar chocada
com as
pichações, e
degradações das
instalações,
sem
ter uma
resposta
para
calar a
boca dos
que criticam a
incompetência dos
nossos verdadeiros
grandes
nomes
que constroem a
História
Real do Brasil
com
seus
esforços
pessoais, abandonados,
violentados
em
seus
direitos,
mais
guerreiros
que lutam, e forjam-se pelas
adversidades e
diferente dos
que se omitem e
são coniventes
com as
atrocidades existentes
co-participantes do
aborto
social
que vemos
ser
feito
em
massa
como
um
genocídio pós-moderno.
Pois estarei
assistindo
um
país
que aprendeu a
respeitar o
seu
povo propiciando
oportunidades
reais a
todos. E
não
bolsa
esmola, a
um
país
que percebeu
que
só resta-nos
um
caminho, a
EDUCAÇÃO de
qualidade
que propicia
oportunidades a
todos
independente de
seu estamento. |