E lá vou eu
seguindo, para o que alcunham de escola, “centros de saber” podem
chamar de tortura pois tudo que sei não cabe no “valorometro” de
lá.
Ávida por novas
informações e oportunidades, com sede de aprender enfrentarei todos
os dragões mitológicos que forjo em meu inconsciente e de lança
afiada entre os dedos, azul, preta e grafite me armo bravamente e
como escudo, às matérias que se sobrepõe em pauta de um caderno
novinho pedindo para ser tingindo de saberes.
A freqüência é
estranhamente alta, o ambiente é tenso poderia dizer inóspito,
paredes muito fechadas , banheiros inimagináveis, curais humanos
...
HUMMM!!!! Mas
continuo animada curiosa principalmente por ter ficado tantos anos
sem estudar brutalizada pelas necessidades mais urgentes na vida e
distante da educação escolar.
E ao retornar
fui atropelada por termos e novas leis, é como se tudo o que eu
considerava saber, houvesse mudado, e é um tal de PCN’s, e
linguagens técnicas que soam abstratas a mim e que nenhum dos
meus iguais sabem explicar o que são na desconversa dos ditos
eruditos da educação dos pé no chão.
Como viver nesse
novo mundo que eu nem sabia existir com tantos termos novos tão
urgentes de saberes?
Eu que era de um
tempo do respeito silencioso, da tácita obediência muda, do jamais
questionar, do supremo senhor dos saberes o professor de decorar
noites a fio para a lição repetir certinha em ordem no dia seguinte
para o mestre sem me questionar o porque .
E lembro até de
um tempo de palmatórias [já viu que sou mesmo antiga!] aquecendo
minhas resposta certas na palma da minha mão ,carteiras geminadas,
hino com a mão no peito datas e feriados eternos saias de pregas
blusa branca sapatos brilhantes de tão limpos na noite anterior,
cadernos encapados em papel madeira .
Algo aconteceu? E
esse mundo não existe mais, onde eu estava? Enquanto todo esse mundo
ruía? Só lembranças agridoces? Marcadas, marcantes.
E como
utilizá-los, só voltando ao mundo da escolarização? Mas como?
Supletivo, avançar educação de jovens e adultos livros internet,
revistas, pesquisar, tenho que ler, ver jornais e tv, saber ouvir,
para filtrar o que de fato querem dizer,vestibular virou obrigação
mas antes tem o Enem.
Depois de tanto
tempo é quase impossível me enquadrar, química, física e matemática
podem me exterminar como armas de feixes de laiser dos desenhos
animados. Dos Mib’s o que fazer?
Capacitar-me,
tornar-me capaz, tenho o desejo à vontade de aprender , agora é só
arrumar tempo ,estabelecer metas e trabalhar sério . Dá até vontade
de rir!
laptop, palmtop,
iPod, MP4, um mundo novo é realmente novo como vivi até hoje sem
usá-los em minha vida nem percebi o delivery, o citbanc , o
hometheater .
Me embaralho só
nas raízes articulares com os catetos subjacentes como consegui
até hoje respirar?
Se o ar está
contaminado pelo monóxido de carbono , como andei pelas ruas
incauta sem tropeçar no buraco de ozônio, como ? Tantos como’s
tenho hoje? Que até neste estantinho nem sonhava em saber era um ser
alienado, alheio e dominado subjugado pela globalização ,do
neoliberalismo em expansão? Como?
E como o Popeye
engolir apressadamente o espinafre e arrumar uma super força que me
tornará capaz de lutar contra todos os obstáculos que se impõem
a minha frente mas estes estão sutilmente disfarçados e as mais
novas pesquisam indicam que o espinafre tão afamado não é o que
outrora falavam ...
Há dias, que com
a minha própria cara, quando olho no espelho pela manhã após uma
noite mal dormida revirada entre livros e trabalho, filhos e netos a
sua moda que choram atenção, o relógio que insiste em me empurrar
para fora tão rápido, e os outros também disfarçados como amigos ,
parentes, como meu chefe, que ao me ver com um caderno vem fervendo
aos berros questionando a qualidade de meu trabalho ,que tenho que
priorizar o que realmente é importante afinal ainda tenho um
emprego. Neste mundinho de velhos dinossauros em um nano mundo
digital.
Logo ele que nas
reuniões vomita o discurso da importância de cada um se aprimorar
.
Vontade, de abrir
a mente de me “antenar” não me falta, mas sei que vai ser uma
jornada longa e dura , principalmente solitária.
Às vezes sinto-me
o Pink bobo e atrapalhado e as vezes o Cérebro, solitário e com um
único objetivo “-dominar o mundo” esse novo mundo que até pouco nem
sabia que existia .
Com isso fiquei
imaginando como outros estudantes devem se sentir um tipo Jonny
Bravo uma casca bonita e vazios, onde um certificado nas mãos não
representa realmente nada de conteúdo e não os instrumentaliza
para o mundo.
Parecidos
comigo? Ou tão piores nem tão melhores que eu? Em meio a um
mundo tecnológico, sem nexo fora do contexto mutante , e eles
traídos e atraídos pela “mutação”, despreparados colocados a
parte de tudo; sub-seres, sub-cerébros, “por fora!“
E eu que pendurei
na parede um dia, meu diploma de datilografia, tenho pressa quero
correr para cassa e jogá-lo no fundo da coisas que sumiram no
tempo e rezar para que ninguém tenha percebido o quanto eu estou
ultrapassada neste mundo Ciber!
A escola tem sido
assim um tipo de dragão com asas que solta fogo por bocas
gigantescas mas lá no fundo tem um bom coração, e “sem querer
querendo” coloca o mundo dos alunos mais por fora de que em
meio ao turbilhão de informações, contraditório?
Vamos ser
francos em alguns centros de educação, estão a anos luz do mundo
real como eu ?
É mas tirando
as raras exceções quem quer !quem busca! Autonomamente romper os
grilhões que os aprisionam a torres da idade média a seus cintos
de castidade intelectual, sei que enquanto muitos mandam
desligar a tv e estudar , decorar os livros, limitam o máximo a
participação em nome da disciplina em um mundo em que a informação
duplica a cada hora, quero dizer minuto ,quero dizer segundo ....Já
triplicou!
Eu sugiro
abrir os livros e ligar a tv confrontar , analisar e quando as
dúvidas surgirem trazer para sala de aula e saudavelmente sem medo
discutir ,ouvir e ser ouvido, fazer várias leituras sobre o mesmo
tema perceber os nuances e as diversidades, humanizar os
brutalizados competitivos.
É um conto de
fadas ... Só que nos contos de fadas nunca se fala o que aconteceu
depois que a Cinderela casa-se com o príncipe encantado “e foram
felizes para sempre”, na vida real vemos o depois primeiro!
O mundo não vai
parar para eu falar de Rintitin dos anos 70 do tempo que eu tinha
“tempo para ver tv“.
Eu tenho que me
conectar as novidades tão rapidamente como também me
desconectar, ver o que está no top de linha no momento sem perde
a criticidade, se não!!!
Eu irei viver
como os teletoobs “denovo!denovo!”
E nem embarcar
nos modismos consumistas da mídia como dizem os Tribalistas,
[Marisa Monte, Arnaldo Antunes e C. Brown] *já sei chutar a bola
agora só me resta ganhar.
É um mundo
mutante, e nós juntos, trabalhando lendo as imagens desse mundo
compreendendo, criticando tendo opiniões próprias, e quem sabe
reescrevendo nossa história e a do nosso país sobre um novo
prisma.
Mas para estar
antenado como profissional, como cidadão, como gente é preciso mudar
paradigmas, mudar-me , mudar o mundo a minha volta .
Poder analisar e
criticar, avaliar e saber efetivamente o que ocorre no mundo que me
rodeia .
Poder intermediar
o que cidadãos deste mundo falam, pensam e sentem, também tenho
que ver tv, clipes, enlatados , desenhos comerciais e não dizer
simplista - mente...*não tenho paciência pra televisão não sou
audiência para solidão.
Mas se meu mundo
ficar solitário em frente a tv não haverá contextualização , e
cadê a práxis ?
É necessário
viver, ver, sentir, refletir, questionar para dizer *só me falta
sonhar!
Sem os sonhos
não a vida, viramos espectadores passivos, é melhor ser ator
coadjuvante na nossa história mas esta em cena de que não atuar.
Não quero ser
platéia de minha vida da vida do meu país, sou um ser global.*não
sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo e meu também !
É necessário
rever a educação , rever o como? O porque ? e o para que? Mas
principalmente o quem?
A história é
construída pelos homens e mulheres e os fatos que esses vivem
.
A vida é
construída vivendo , atuando , interagindo transformando e sendo
transformado .
E por que não
deixar a vida ser vivida, ser livre dar-nos o livre arbítrio
, indicar caminhos e possibilidades, chega de tantos limitações
e cerceamentos , devemos possibilitar a oportunidade de viver e
assumir nossas próprias atitudes e responsabilidades, pois
enquanto estivermos lutando para impor limitar e rotular o
resultado será exíguo, limitado , infecundo .
Quando dermos
as ferramentas para que possamos construir o nosso mundo , a
principio poderá haver uma desordem[isso faz parte do equilíbrio
natural das coisas] e aos poucos cada um ao seu modo
encontrará seu caminho e em pouco tempo um dínamo estará
instaurado .-o do aprender por prazer e sabendo o porque?.
A maior
motivação é a empregabilidade do conhecimento , não entendo
para que decorar a tabela periódica da química , decorada, prova
feita tudo esquecido
O mais importante
é saber quando poderei usar esse conhecimento, um filme de
espionagem ou ficção científica pode mostrar caminhos para cada um
encontrar suas respostas para os seus porquês interiores.
Eu quero que a
vida tenha algum sentido, e quero poder abrir as portas para
que o compreender de cada dia, o sentido , o porque? O para que?
Mas preciso de
alguém que ao longo do meu caminho.
diga-me : “-eu
estarei aqui para apoiar ou ouvi-la quando tudo estiver sem
sentido, confuso , quando cada coisa estiver buscando o seu lugar.
Quero ser quem
ajuda a questionar e faz outra vez pensar. Eu sou seu Professor!
E como os meus
iguais eu grito ao vento, mas quero que me ouçam, não me deixem
abandonada a própria sorte :-ajudem-me,legisle as leis, proponham,
abram o debate escutem-nos não só aos empresários ou tecnocratas.
Eu quero fazer
uma leitura do novo mundo que se vislumbra a minha frente, mas me
sinto despreparada, oriente-me que portas devo bater? Que livros,
Site devo abrir? O mais importante eu tenho é à vontade, eu não
quero sair de cena sem ter atuado, quero ter um papel uma fala,
uma personagem num contexto, quero emocionar, tocar, seduzir,
atuar, só preciso de uma porta aberta, uma seta sinalizando o
caminho, as pedras e abismos deste caminho eu percorrerei mas qual
o caminho ?
A trilha sonora
desta atuação não deve ser aterrorizante, deve ser leve alegre, e
mesmo nos momentos mais difíceis ao final deve -se ouvir sinos, e
pássaros ,e mesmo os maiores abismos saberei que é “cromaki” a
iluminação brilhante e deve ter a melhor fotografia possível , e
mesmo nos taques mais escuros a luz deve possibilitar o encontro
e a identificação das personagens, eu não quero um monólogo, são
sempre os diálogos que mais apresenta dinamismo ao texto.
E principalmente
a direção da cena deve ser firme, para não se fugir ao texto mais
aberta a inovações e ”cacos “ que livremente os atores inserem
nos diálogos quase co-autores.
E ao final do
espetáculo de pé ser ovacionada por ter feito o melhor papel de
minha vida.
Uma aprendiz!