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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 31 de julho de 2008 20:01:08                                               

 
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EDUCAÇÃO
Repudia Candanga - A saga de um recomeço escolar  

Valdicleia  Gleise da Silva Costa

publicado em 01/08/2008

 

E lá vou eu seguindo, para  o que  alcunham de escola, “centros de saber” podem chamar de tortura pois tudo  que sei não cabe  no “valorometro” de lá.

Ávida por novas informações  e oportunidades, com sede de aprender enfrentarei todos os dragões mitológicos que forjo em meu inconsciente e de lança afiada entre os dedos, azul, preta e grafite me armo bravamente e como escudo, às matérias que se sobrepõe em pauta de um caderno novinho pedindo para ser  tingindo de saberes.

A freqüência é estranhamente alta, o ambiente é tenso poderia dizer inóspito, paredes muito fechadas , banheiros  inimagináveis, curais humanos ...

HUMMM!!!! Mas continuo animada curiosa principalmente por ter ficado tantos anos sem estudar brutalizada pelas necessidades mais urgentes na vida e distante da  educação escolar.

E ao retornar fui  atropelada por termos  e novas leis, é como se tudo  o que  eu considerava  saber, houvesse  mudado, e é um tal de PCN’s, e linguagens técnicas  que soam abstratas  a mim e que  nenhum dos meus  iguais  sabem  explicar o que são na desconversa dos ditos eruditos da educação dos pé no chão.

Como viver nesse novo mundo que  eu nem sabia existir com tantos termos novos tão urgentes de saberes?

Eu que  era de um tempo do respeito silencioso, da tácita obediência muda, do jamais questionar, do supremo senhor dos saberes o professor de decorar  noites a fio para a lição repetir certinha em ordem no  dia seguinte para o mestre sem me questionar o porque .

E lembro até de um tempo de palmatórias [já viu que sou mesmo antiga!] aquecendo minhas resposta  certas na palma da minha mão ,carteiras geminadas, hino com a mão no peito  datas e feriados  eternos  saias de pregas blusa branca sapatos brilhantes de tão limpos na noite anterior, cadernos encapados em papel madeira .

Algo aconteceu? E esse mundo não existe mais, onde eu estava? Enquanto todo esse mundo ruía? Só lembranças agridoces? Marcadas, marcantes.

E como utilizá-los, só voltando ao mundo da escolarização? Mas como?  Supletivo, avançar educação de jovens e adultos livros internet, revistas, pesquisar, tenho que ler, ver jornais e tv, saber ouvir, para filtrar o que de fato querem dizer,vestibular virou obrigação mas antes tem o Enem. 

Depois de tanto tempo é quase  impossível me enquadrar, química, física e matemática podem me  exterminar como armas de feixes de laiser dos desenhos  animados. Dos Mib’s o que fazer?

Capacitar-me, tornar-me capaz, tenho o desejo  à vontade de aprender , agora é só arrumar tempo ,estabelecer metas e trabalhar sério . Dá até vontade de rir!

laptop, palmtop, iPod, MP4, um mundo  novo é realmente novo  como vivi até hoje sem   usá-los  em minha vida nem  percebi o delivery, o citbanc , o hometheater .

Me embaralho  só nas  raízes  articulares com os catetos subjacentes  como consegui até hoje respirar?

Se o ar  está contaminado  pelo monóxido de carbono , como andei pelas ruas incauta sem tropeçar  no buraco de ozônio, como ? Tantos como’s tenho hoje? Que até neste estantinho nem sonhava em saber era um ser alienado, alheio e dominado  subjugado pela globalização ,do neoliberalismo em expansão? Como?

E como o Popeye engolir apressadamente o espinafre e arrumar uma super força que me tornará capaz de lutar  contra todos  os  obstáculos que se impõem a  minha frente mas estes estão sutilmente disfarçados e as mais novas pesquisam indicam que o espinafre  tão afamado  não é o que outrora falavam ...

Há dias, que com a minha própria cara, quando olho no espelho pela manhã após uma noite mal dormida revirada entre livros e trabalho, filhos e netos a sua  moda que choram atenção, o relógio que insiste  em me  empurrar para fora tão rápido, e os outros também disfarçados como amigos , parentes, como meu chefe, que ao me ver com um caderno vem fervendo aos berros  questionando  a qualidade de meu trabalho ,que tenho que priorizar o que realmente é importante afinal ainda tenho um emprego. Neste mundinho de velhos dinossauros em um nano mundo digital.

Logo ele que  nas reuniões  vomita o discurso da importância de cada um  se aprimorar .

Vontade, de abrir a mente de me “antenar” não me falta, mas sei que vai ser uma  jornada longa e dura , principalmente solitária.

Às vezes sinto-me o Pink  bobo e atrapalhado  e as vezes o Cérebro, solitário e com um único objetivo “-dominar o mundo” esse novo mundo que até pouco nem sabia que existia .

Com isso fiquei imaginando como outros estudantes devem se sentir um tipo Jonny Bravo  uma casca bonita e vazios, onde um certificado nas mãos não representa realmente nada de conteúdo  e não os instrumentaliza  para o mundo.

Parecidos comigo?  Ou  tão piores nem tão melhores  que  eu?  Em meio a um mundo tecnológico, sem nexo fora do contexto  mutante , e eles  traídos e atraídos  pela “mutação”, despreparados   colocados  a parte  de tudo;  sub-seres, sub-cerébros, “por fora!“

E eu que pendurei na parede um dia, meu diploma de datilografia,  tenho pressa quero correr para cassa e jogá-lo  no fundo  da   coisas que sumiram no tempo  e rezar para que ninguém tenha percebido o quanto eu estou ultrapassada neste mundo Ciber!

A escola tem sido assim um tipo de dragão com  asas que solta fogo por bocas gigantescas  mas lá no fundo tem um bom coração, e “sem querer querendo”  coloca  o mundo  dos  alunos  mais por fora  de que  em meio ao turbilhão de informações, contraditório?

Vamos ser francos  em alguns centros de educação, estão a anos luz do mundo real  como eu ?

É mas tirando  as  raras exceções quem quer !quem busca!  Autonomamente romper  os grilhões  que os aprisionam a  torres da idade média  a seus cintos de castidade intelectual, sei que  enquanto  muitos mandam  desligar  a tv  e  estudar  , decorar os  livros, limitam o máximo a participação em nome da disciplina em um mundo em que a informação duplica a cada hora, quero dizer minuto ,quero dizer segundo  ....Já triplicou!

 Eu  sugiro  abrir os livros e ligar  a tv confrontar , analisar  e  quando as  dúvidas  surgirem  trazer para sala de aula e saudavelmente sem medo discutir ,ouvir e ser ouvido, fazer várias leituras sobre o mesmo tema  perceber os nuances e as diversidades, humanizar  os brutalizados  competitivos.

É um conto de fadas ... Só que  nos contos de fadas nunca se fala o que aconteceu depois que  a Cinderela  casa-se com o príncipe encantado “e foram felizes para sempre”, na vida  real vemos  o depois  primeiro!

O mundo não vai parar para eu falar de Rintitin dos anos 70  do tempo que  eu tinha “tempo para ver tv“.

Eu tenho que  me  conectar  as novidades   tão rapidamente como também  me desconectar, ver o   que está  no top de linha  no momento sem perde a criticidade, se não!!!

Eu irei viver como os teletoobs “denovo!denovo!”

E nem  embarcar nos  modismos  consumistas  da   mídia  como dizem os Tribalistas, [Marisa Monte, Arnaldo Antunes e C. Brown] *já sei chutar a bola  agora só me resta ganhar.

É um mundo mutante, e nós juntos,  trabalhando  lendo as imagens desse mundo compreendendo, criticando tendo opiniões próprias, e quem sabe reescrevendo nossa  história e a do nosso país  sobre  um novo prisma.

Mas para estar  antenado como profissional, como cidadão, como gente é preciso mudar paradigmas, mudar-me , mudar o mundo a minha volta .

Poder analisar e criticar, avaliar e saber efetivamente o que  ocorre no mundo que me rodeia .

Poder intermediar o que cidadãos deste mundo falam,  pensam e sentem,  também tenho que ver tv,  clipes, enlatados , desenhos comerciais e não  dizer simplista - mente...*não tenho paciência pra televisão não sou audiência para solidão.

Mas se meu mundo ficar solitário  em frente  a tv   não haverá  contextualização , e cadê a práxis ?

 É necessário viver, ver, sentir, refletir, questionar para dizer  *só me falta sonhar!

Sem os  sonhos  não a vida, viramos espectadores passivos, é melhor ser ator coadjuvante na nossa história  mas esta em cena  de que não atuar.

Não quero  ser platéia de minha vida da vida do meu país, sou um ser global.*não sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo  mundo e meu também !

 É necessário rever  a educação , rever o como?  O porque ? e o para que?  Mas principalmente o quem?

A história é construída  pelos  homens e mulheres  e os  fatos   que esses  vivem .

A vida é construída  vivendo , atuando , interagindo transformando e sendo transformado .

E por que não deixar  a vida ser vivida,   ser livre  dar-nos  o livre  arbítrio ,  indicar caminhos  e possibilidades,  chega de tantos  limitações  e cerceamentos , devemos  possibilitar  a oportunidade  de viver  e assumir  nossas próprias   atitudes e responsabilidades, pois  enquanto  estivermos  lutando para  impor  limitar  e rotular  o resultado  será  exíguo, limitado , infecundo .

Quando  dermos  as  ferramentas  para  que possamos  construir o nosso mundo , a principio poderá  haver uma  desordem[isso faz parte do equilíbrio  natural  das coisas]   e aos poucos    cada  um  ao seu  modo encontrará  seu caminho  e  em pouco tempo  um dínamo   estará  instaurado .-o do aprender por  prazer e sabendo o porque?.

A maior motivação  é  a empregabilidade  do conhecimento , não entendo   para que decorar  a tabela periódica  da química , decorada, prova feita tudo esquecido

O mais importante é saber quando  poderei usar esse conhecimento, um filme de espionagem ou ficção científica  pode mostrar caminhos  para cada um encontrar  suas respostas para os seus porquês interiores.

Eu  quero que  a vida  tenha  algum  sentido, e quero poder  abrir  as portas  para  que  o compreender de cada dia, o sentido , o porque? O para que? 

Mas preciso de alguém que ao longo do meu caminho.

diga-me : “-eu estarei aqui  para   apoiar ou ouvi-la  quando tudo estiver sem  sentido, confuso , quando  cada coisa estiver buscando o seu lugar.

Quero ser quem ajuda a questionar e faz outra vez pensar. Eu sou seu Professor!

E como os meus iguais eu grito ao vento, mas quero que me ouçam, não me deixem abandonada a própria sorte :-ajudem-me,legisle as leis, proponham, abram o debate escutem-nos não só aos empresários ou tecnocratas.

Eu quero fazer uma leitura do novo mundo que se vislumbra a minha frente, mas me sinto  despreparada, oriente-me  que portas devo bater? Que livros, Site devo abrir? O mais importante  eu tenho é  à vontade, eu  não quero  sair de cena  sem ter  atuado, quero  ter um papel uma fala, uma personagem  num contexto, quero emocionar,  tocar, seduzir,  atuar, só  preciso  de uma porta aberta, uma seta sinalizando o caminho, as pedras e abismos deste caminho eu percorrerei  mas qual o caminho ?

A trilha sonora  desta atuação não  deve ser  aterrorizante, deve ser leve alegre, e mesmo nos momentos  mais difíceis  ao final deve  -se ouvir sinos, e pássaros ,e mesmo os maiores abismos  saberei que é “cromaki”  a iluminação  brilhante  e deve ter a melhor fotografia  possível , e mesmo  nos taques mais  escuros  a luz deve possibilitar o encontro e a identificação das personagens,  eu não quero um monólogo, são sempre os diálogos  que   mais apresenta dinamismo  ao texto.

E principalmente a direção da cena deve ser firme, para não se fugir ao texto mais aberta a inovações e ”cacos “ que livremente os  atores inserem   nos diálogos  quase co-autores.

E ao final do espetáculo de pé ser ovacionada por ter feito o melhor papel de minha vida.

Uma aprendiz!

 

 

 

 
  

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::sobre o autor::

Valdicleia  Gleise da Silva Costa é especialista em educação pós-graduada pela UFRPE, graduada pela UNICAP,escritora publicada pelas edições Bagaço de Recife e professora  de História   da Rede Pública Estadual / Municipal e privada em Recife /Pernambuco

 

 

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