Criou-se uma lenda muito grande em torno do ensino da
gramática normativa nas escolas, uma espécie de estrutura
ideológica de poder e de controle sobre as demais classes
sociais. Criando-se assim um pensamento errôneo, entre
todos, de que os falantes de uma língua precisam da
gramática normativa para se comunicar, como se ela fosse
uma espécie de mina d’água da qual brota à língua natural.
O uso da gramática normativa no ensino da Língua
Portuguesa nas escolas, em geral, vem gerando acirradas
polêmicas, entre os professores, ao longo dos últimos
anos.
Ora, se a função da escola é o ensino da
língua padrão, então, não é com teoria gramatical que ela
materializará seu objetivo. Tais questões levam os
estudantes ao desinteresse, quase que por completo, pelo
estudo da língua, pois quando pensam haver entendido o
conteúdo trabalhado em sala de aula, amarguram-se ao se
deparar com determinadas construções, pois não conseguem
entender o enunciado. Daí, resultam as frustrações,
reprovações, recriminações que começam pela própria escola
e o “preconceito lingüístico”
de que não sabe sua própria língua materna,
o português.
O ensino da língua portuguesa vem mudando
“vagarosamente” ao longo dos anos, quem de nós já não foi
repreendido por não redigir um texto de forma e formato de
acordo com o que o professor (a) estipula? Tentemos mudar
esse quadro. Um primeiro ponto para essa mudança vagarosa
é o professor começar a quebrar a distância entre o aluno
e o ensino da gramática dentro de sala de aula, tornado-se
assim prazeroso para o aluno e não somente obrigatório em
estudá-la, bem como a leitura de livros e textos. Pois
ele, só será realmente um professor quando, independente
do arsenal de conhecimento que possua, se puder transmitir
tais informações de forma interativa e criativa,
aluno-professor e professor-aluno, acreditando que o aluno
é capaz de aprender e compreender tudo o que lhe é
transmitido em sala.
No caso específico da gramática normativa, ela
está sempre ligada à produção de textos. Portanto não é
somente regra e teoria. O aluno somente interioriza o
conhecimento da estrutura, se ela for contextualizada em
situações ou contextos comunicativos. O professor pode
utilizar cartazes, textos de embalagens, revistas, jornais
etc. É importante despertar nos alunos a consciência da
funcionalidade da leitura e escrita.
E isso só será possível quando,
nós professores, começarmos a levar em conta a bagagem que
o aluno traz consigo a respeito da sua língua
materna. Tal relação ensino-aprendizagem só acontecerá de
forma plena quando a ponte entre aluno/professor estiver
concretizada.
Por
isso, acredito na possibilidade de conseguirmos unir norma
culta e norma coloquial sem criarmos traumas na
aprendizagem de nossos alunos, basta apenas que os
educadores busquem a formação, não apenas teórica, más,
também na prática e no contexto da realidade em que ele
esta inserido, respeitando as diferenças. E ainda que a
elite cultural se conscientize de que houve mudanças
profundas na língua padrão idealizada pela gramática
tradicional e que no Brasil já não se fala mais o
português de Portugal e, sim, o português brasileiro.
Leonardo
Vivaldo da Silva é graduado em Letras, pelo CESB/ICSH.
Professor de Inclusão Digital do CESB.