spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 20:19:18                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO
Hipermídia Educacional e Flexibilidade Cognitiva no Processo de Ensino-Aprendizagem mediado por AVEA    

Fabiane Sarmento Oliveira Frueti Fábio da Purificação de Bastosii

publicado em 14/12/2009

 

RESUMO

Problematizamos a Educação Mediada por Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem e apresentamos estratégias tecnológico-educacionais para potencializar esse processo nos contextos educacionais semipresenciais e a distância, intencionando a produção colaborativa de hipermídia e flexibilidade cognitiva na escolaridade.

 

Palavras-chave: Tecnologias da Informação e da Comunicação; Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem; Hipermídia Educacional; Flexibilidade Cognitiva.
 


 

Educational Hypermedia and Cognitive Flexibility in Teaching-Learning Process mediated by AVEA
 

ABSTRACT

We problematize the Education mediated by Teaching-Learning Virtual Environment and we present technological-educational strategies in order to improve this process in semi-presence and distance educational contexts, with the intention to produce collaboratively hypermedia and cognitive flexibility in the schooling.
 

Keywords: Information and Communication Technology; Teaching-Learning Virtual Environment; Educational Hypermedia; Cognitive Flexibility.


 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
 

Com o avanço das tecnologias informáticas para a Internet, observa-se um grande aumento na ocorrência de cursos educacionais, tanto semipresenciais quanto a distância, mediados por Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem (AVEA). No entanto, a introdução desse ambiente no âmbito da educação não implica necessariamente novas práticas pedagógicas, uma vez que se pode apenas “vestir o velho com roupa nova”. Desse modo, entende-se que, se o AVEA não receber mediação pedagógica adequada, o alcance do projeto tende a não alterar o cotidiano de docentes e discentes, nem trazer contribuições ao processo de ensino-aprendizagemiii.
 

Devido a isso, é fundamental que os professores, ao mediarem a prática escolar por AVEA, estejam atentos a essa questão e procurem explorar ao máximo seu potencial tecnológico-educacional. Até porque, o mundo da “era digital” necessita que o conhecimento seja disponibilizado de maneira ativa, flexível, adaptável a situações que se alteram constantemente (COUTINHO, 2005).
 

Mas, qual é o potencial tecnológico-educacional do AVEA para a escolaridade? O que se acredita ser essencial para o processo de ensino-aprendizagem mediado pelo AVEA? Como organizar a prática docente mediada por AVEA, a fim de que ocorra ensino-aprendizagem hipermidiático e flexibilidade cognitiva? Como se pode disponibilizar o conteúdo escolar nesses AVEA, de modo que potencializem produção colaborativa do conhecimento escolar?
 

Como se pode notar, há várias problematizações no processo de ensino-aprendizagem mediado por AVEA. Como foi enfatizado anteriormente, esses, bem como outros recursos tecnológico-educacionais, “por si sós, não são capazes de trazer contribuições para a área educacional e que eles são ineficientes se usados como o ingrediente mais importante do processo educativo, ou sem a reflexão humana” (REZENDE, 2002, p.1).
 

Portanto, com vistas a problematizar essas questões, pretende-se apresentar estudos, versando sobre Hipermídia Educacional (HE) e Teoria da Flexibilidade Cognitiva (TFC), que estão sendo realizados com o objetivo de potencializar a educação mediada por AVEA, a fim de possibilitar a apropriação crítica do conhecimentoiv. Para esse estudo, o AVEA selecionado foi o Moodle (Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment), uma vez que este é o mediador de cursos educacionais de várias instituições universitárias, como a UAB (Universidade Aberta do Brasil), a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e a REGESD (Rede Gaúcha de Ensino Superior a Distância).
 

Além disso, o Moodle é um software livrev e nele tem-se a possibilidade de produzir conteúdos escolares hipermídia nas disciplinas dos cursos e disponibilizá-los na Internet. Segundo De Bastos et al. (2008), o Moodle também potencializa tanto a interaçãovi quanto a interatividadevii na comunicação mediada pelo computador.
 


 

1. HIPERMÍDIA EDUCACIONAL
 

A hipermídia é considerada uma nova linguagem e como “toda nova linguagem traz consigo novos modos de pensar, agir, sentir.” (SANTAELLA, 2001 apud SALGADO, 2008, p.3). Entende-se por hipermídia o acoplamento computadorizado de diferentes mídias (textos, hipertextos, imagens, vídeos, animações, simulações, entre outras) com um determinado propósito, interligadas, geralmente, por links (também chamado de hiperligação).
 

Segundo Rezende e Cola (2004), o conceito de hipermídia pode ser visto também como a interseção entre os conceitos de multimídia e hipertexto (Figura 1), na medida em que se trata de sistemas computacionais que ligam informações de forma não sequencial (não linear), como os sistemas de hipertexto e que utilizam múltiplas linguagens (visual, sonora, textual entre outras) para representar a informação, como os materiais multimídia.
 


 

Figura 1 - Relação entre hipertexto, multimídia e hipermídia (REZENDE E COLA, 2004).


 

Uma das características mais importantes da hipermídia, de acordo com Salgado (2008), é a possibilidade de interligar dados, por meio de diferentes formas de linguagem, de modo que se possa realizar a leitura conforme o interesse de cada sujeito. Isso proporcionará ao sujeito estudar o conteúdo de acordo com as suas necessidades e o seu próprio estilo de aprendizagem. (COUTINHO, 2005; CHAVERO et al., 1999).
 

Dessa forma, observa-se que a organização da hipermídia apresenta semelhanças com a maneira que os seres humanos pensam; ou seja, por associação. Bush (1945) foi quem realizou comparações entre o modo como se estrutura a mente humana e as possibilidades de associar variados dados armazenados em uma máquinaviii, sendo considerado um dos precursores a tratar da idéia de hipertexto.
 

Percebe-se, então, que para a realização da leitura problematizadora, a hipermídia proporciona uma operação por associação não linear e rápida, em que se pode organizar "trilhas" relacionadas entre si, como uma rede conceitual, o que potencializa a flexibilidade cognitiva. Assim, esse recurso tecnológico está associado a “velocidade de ação” (como leitura e compreensão), “seleção por associação” e “velocidade e flexibilidade”.
 

Salgado (2008), acredita que
 

(...) a hipermídia (...) não pode se limitar apenas em mostrar as informações e as conexões para o usuário [sujeito], nem se trata apenas de uma interface gráfica cheia de conexões pré-estabelecidas, mas pode ir mais além, expandir os limites e provocar conexões da mensagem hipermidiática para o pensamento. Trata-se de uma mensagem elaborada por uma linguagem especial, diferente das tradicionais, e principalmente uma mensagem que inter-relaciona o sonoro, o visual e o verbal sem determinar uma hierarquia entre eles. (p.5- observações entre colchetes nossos).
 


 

A não hierarquização conceitual é uma qualidade do pensamento humano. O que seleciona e determina as “trilhas” seguidas pelo sujeito é o conhecimento prévio sobre determinado assunto e também o contexto. De acordo com o autor, a não hierarquização entre as linguagens implica em não subordinação entre elas. Cada qual carrega em si qualidades e características que as mantém vivas quando isoladas, mas quando acopladas com as demais, no contexto e simultaneamente, geram novos e variados significados.
 

A hipermídia, portanto, “traz consigo uma potencialidade para articulação das linguagens sonora, visual e verbal de modo não hierárquico de forma inédita na história” (SALGADO, 2008, p.6), o que otimiza a comunicação e apresenta subsídios para potencializar o processo de ensino-aprendizagem no âmbito educacional mediado por AVEA. Nesse contexto, a hipermídia torna-se hipermídia educacional.
 

Marchionini (1988 apud Rezende e Cola, 2004) destaca duas características da hipermídia educacional: (1) o armazenamento de grande quantidade de informações representadas sob os mais diversos meios, permitindo que conteúdos extensos e variados sejam agrupados e disponibilizados aos estudantes; e (2) o alto nível de controle do sistema pelo sujeito, o que torna constante a tomada de decisões e a avaliação de progressos, permitindo o desenvolvimento de habilidades e a escolha de objetivos por parte deste.


 

2. TEORIA DA FLEXIBILIDADE COGNITIVA
 

A Teoria da Flexibilidade Cognitiva (TFC) (Spiro e outros, 1990, 2006), tem como objeto a aquisição de conhecimentos avançados em conteúdos complexos e mal estruturados. TFC é baseada em idéias sócio-construtivistas. No entanto, Pedro e Moreira (2002) salientam que


 

Uma grande diferença entre a teoria da flexibilidade cognitiva e as teorias construtivistas tradicionais é a mudança de ênfase do desenvolvimento de uma estrutura de conhecimento baseada no conhecimento pré-existente intacto para a adaptação flexível de conhecimento pré-existente por forma a satisfazer as necessidades de uma nova situação. (p.2).
 


 

Dessa maneira, para o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva o conhecimento tem que ser representado e aprendido de vários modos para favorecer a transferência para novas situações. Portanto, com a TFC, não se pretende,


 

(...) a mera memorização de um assunto. Pretende-se, (...), que o sujeito, quando deparado com uma situação detentora de novidade, seja capaz de reestruturar as suas estruturas de conhecimento por forma a solucionar um dado problema, isto é, adquira a flexibilidade cognitiva necessária para a transferência de conhecimento. (PEDRO e MOREIRA, 2000, p.31 – grifos em negrito nossos).


 

Para isso, TFC também apresenta algumas estratégias de ensino para potencializar a aquisição de conhecimento em níveis complexos de aprendizagem, evitando simultaneamente os problemas de aprendizagem que resultam da utilização indevida de abordagens de ensino simplificadoras.
 

Segundo Pedro e Moreira (2002), essas sugestões incluem 1) a ênfase na natureza intrincada e “tecida” do conhecimento, em vez da valorização de uma natureza compartimentada e isolada; 2) a utilização de representações múltiplas do conhecimento (temas, exemplos de casos, linhas de argumentação múltiplas, interpretações de origem diversificada); 3) o aconselhamento de ligações dinâmicas entre conhecimentos relevantes a partir de casos e fontes conceptuais diferentes (em vez de se valorizar a recuperação intacta de informação previamente memorizada); a ligação explícita dos conceitos à prática (situando o conhecimento conceptual em contextos que são semelhantes aos requeridos para a aplicação do conhecimento).
 

A TFC tem como principal instrumento o hipertexto e apresenta como metáfora central a idéia de atravessar “paisagens conceituais” através de leituras de um mesmo conteúdo em diversas direções. Permite assim, a construção de redes de conhecimento que proporcionam uma maior flexibilidade na forma como podem ser estruturados para serem compreendidos ou problematizados (SPIRO e JEHNG, 1990; CARVALHO e DIAS, 1994).
 

Além disso, Spiro e Jehng (1990) afirmam que, um ponto importante, na TFC, é a revisitação do mesmo material, em tempos distintos, em contextos rearranjados, com propósitos diferentes e a partir de diversas perspectivas conceituais, para que se adquira a compreensão do conhecimento e, consequentemente, a preparação para a transferência. Dessa forma,
 


 

(...) revisitar o sistema hipermídia segundo diferentes caminhos não é, assim, um processo simples e repetitivo somente para formar memórias mais duráveis de algo que alguém já conhece, mas a oportunidade de compor um quadro mais complexo e real dos fenômenos estudados. (REZENDE e COLA, 2004, p.7).


 

3. ENSINO-APRENDIZAGEM MEDIADO PELO MOODLE: HIPERMÍDIA EDUCACIONAL E FLEXIBILIDADE COGNITIVA NA PERSPECTIVA SÓCIO-CONSTRUTIVISTA
 

O Moodle apresenta subsídios para potencializar o processo de ensino-aprendizagem, ao possibilitar a produção de conteúdos escolares hipermídia, bem como poder disponibilizá-los nas disciplinas dos cursos. Propicia a interação, a interatividade e o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva.
 

Acredita-se ser importante que o conteúdo escolar seja disponibilizado de forma hipermidiática nos AVEA, uma vez que esta possibilita uma organização mais flexível do conhecimento escolar, além de proporcionar um acesso não-linear a esse. Assim, pode ser estruturado de modo semelhante à operação da mente humana, a qual opera por associação cognitiva. Essa estruturação possibilita “o desenvolvimento de habilidades mentais (SILVA e ELLIOT, 1997, p.263), a promoção de “mais metacognição (pensar acerca do pensar) que as mídias lineares” (DEDE, et al, 1991, apud PEDRO e MOREIRA 2001, p.754); ou seja, promove a flexibilidade cognitiva e potencializa o processo de ensino-aprendizagem na perspectiva dialógico-problematizadora (FREIRE, 1986).
 

A potencialidade hipermidiática, por integrar diferentes formas de linguagem, nos escopos da flexibilidade cognitiva, segundo Fruet (2008) permite a organização de múltiplas representações do conteúdo escolar, para ser explorado de acordo com diferentes percursos e com perspectivas conceituais distintas. Considera-se assim, os diversos estilos cognitivos dos estudantes, ao permitir uma leitura não-linear. Assim,
 


 

(...) ao estabelecer elos e determinar trajetos, ele redimensiona seu conhecimento ativamente, conforme a sua estrutura cognitiva, que, por sua vez, é determinada pelas suas experiências e habilidades previamente desenvolvidas. (REZENDE e COLA, 2004, p.4).
 


 

A figura 2 ilustra o potencial da hipermídia educacional, ou seja, a integração de diversas formas de linguagem para representar o conteúdo escolar e, consequentemente, os diferentes caminhos que podem ser seguidos para a realização do estudo e uma posterior apropriação conceitual.
 

Figura 2 – Potencial da hipermídia educacional nos escopos da flexibilidade cognitiva.


 


 

A TFC, segundo Nelson e Palumbo (1992 apud Rezende, 2002), tem como corolário admitir que não há uma seqüência ideal para apresentação de qualquer conteúdo organizado. Em um sistema hipermídia, a sequência é controlada muito mais pelo leitor do que pela estrutura das mídias. A base de conhecimento do sujeito é que determina a seqüência ideal para ele. Se o estudante tem estruturas de conhecimento próprias baseadas em suas experiências prévias e habilidades, a forma que ele irá escolher para acessar, interatuar e inter-relacionar a informação contida na base de dados irá variar. Dessa forma, passam a ser responsáveis tanto pela estruturação cognitiva quanto pelo cognoscente vivido.


 

Porém, é importante ressaltar que para os conteúdos escolares hipermídia estarem de acordo com os pressupostos da TFC, estes necessitam, (1) empregar casos e exemplos ricos [contextualizados e significativos]; (2) usar múltiplas formas de representação do conhecimento; (3) ligar conceitos abstratos a exemplos; (4) demonstrar complexidades e irregularidades conceituais [não simplificando os conceitos]; (5) enfatizar a natureza inter-relacionada e a forma de teia do conhecimento; (6) encorajar a reunião do conhecimento a partir de fontes conceituais diferentes e (7) promover a aprendizagem ativa. (JACOBSON, 1994 apud REZENDE, 2002, p.9 – observações entre colchetes nossos).


 

Também entende-se que, no processo de ensino-aprendizagem mediado pelo Moodle, é essencial a interação dialógico-problematizadora entre os envolvidos (professor, tutores e alunos). O correio eletrônico – mensagem, o chat, o fórum e o wiki são exemplos de ferramentas de interação colaborativa nesse AVEA.


 

O papel da interação é central na perspectiva sócio-construtivista, uma vez que, de acordo com Vygotsky (1991), é nas interações com os outros sujeitos que se constroem os conhecimentos, os quais permitem o desenvolvimento mental e social, sendo que


 


 


 

(...) a apropriação se dá por processos internos ao sujeito, se referindo a um longo período de apropriação e transformação de conhecimentos, que ocorre na atividade mediada com os outros. Portanto, a forma e o conteúdo do seu pensamento, antes de serem individuais, são sociais. Assim, podemos dizer que a qualidade das aquisições individuais está diretamente ligada à forma e ao conteúdo priorizados nas interações sociais, decorrendo daí as diferenças qualitativas no desenvolvimento. A escolha dos conteúdos a serem trabalhados e a forma como eles serão ensinados, será decisiva no desenvolvimento qualitativo-escolar dos alunos. (ALBERTI e DE BASTOS, 2008, p,4).


 


 


 

Abaixo apresentamos uma Rede Conceitual que elaboramos com os conceitos hipermídia, associação, interatividade, não-linearidade, interação, não hierarquização, hipermídia educacional, sócio-construtivista e flexibilidade cognitiva, com o intuito de sintetizar as referências teóricas que constam nesse artigo.


 

Figura 3 – Rede conceitual: Hipermídia Educacional e Flexibilidade Cognitiva no contexto-Sócio Construtivista.


 

No entanto, além do que foi apresentado anteriormente, é fundamental que ocorra a ação diretiva, na qual o professor oriente e conduza os estudantes em todo o processo escolar, despertando condutas curiosas, investigativas, criativas, e observe o desenvolvimento desse grupo na perspectiva do ensino-aprendizado colaborativo. Considera-se também ser essencial o planejamento de atividades pelo docente em torno da organização conceitual da aula, ou seja, é essencial que este aconteça


 


 

(...) de forma dialógico-problematizadora. Assim, o planejamento através de situações-problema envolverá os alunos no diálogo em torno da organização conceitual da aula e mobilizará o interesse dos mesmos para com sua aprendizagem, tornando-a significativa. (ALBERTI e DE BASTOS, 2008, p.4)
 


 

Nesse sentido, concorda-se com Belloni (2003) que educação precisa problematizar o saber, contextualizar os conhecimentos, colocá-los em perspectiva, para que os alunos possam apropriar-se deles e utilizá-los em outras situações. No âmbito da educação mediada por hipermídia educacional com intencionalidade de flexibilização cognitiva, o movimento cognoscente do ser mais ganha mais potencialidade nos AVEA livres e abertos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
 

Tem-se notado que “quando os estudantes concebem os seus documentos hipermídia tem benefícios que excedem largamente a aquisição de conteúdos porque desenvolvem capacidades adicionais de pesquisa, interpretação e comunicação da informação.” (COUTINHO, 2005, p.3). De acordo com Jonassen (1996), quando os estudantes colaboram entre si para o desenvolvimento de sistemas hipermídia, eles provavelmente aprenderão mais do que apenas estudando em mídias impressas e lineares.
 

Por isso, Chavero et al (1999) afirmam que é mais interessante para os estudantes prepararem e produzirem colaborativamente uma hipermídia, seguindo a síntese da própria realidade deles. Nesse processo, eles desenvolverão habilidades cognitivas e capacidades de socialização. Segundo os autores, a potencialidade da hipermídia e a produção dos estudantes podem encorajar processos de apropriação do conhecimento de forma significativa. Além disso, a produção de uma hipermídia pelos estudantes encorajam procedimentos de pesquisa, seleção e organização da informação, estimulando a conexão do conteúdo escolar com a vida real.
 

Observa-se que a ferramenta de atividade wiki do Moodle permite a produção colaborativa no âmbito da hipermídia entre os envolvidos (professor, tutor e estudantes) no processo de ensino-aprendizagem mediado por AVEA. Isso porque esta potencializa a construção de páginas hipermidiática, possibilitando criar várias situações significativas de aprendizagem e promover a observação de pontos de vista diversos.
 

Portanto, acredita-se, conforme Dias (2000), que a aprendizagem flexível e colaborativa promove um estilo ativo através da responsabilização e iniciativa individual na exploração da multidimensionalidade das representações nas redes de conhecimento. Um estilo que se manifesta principalmente na passagem do individual para o cooperativo e na implicação dos outros membros do grupo na produção de conhecimento através da partilha das representações.
 

Para finalizar, entende-se que o processo de ensino-aprendizagem organizado de modo hipermidiático e dialógico-problematizador, mediado pelo Moodle, na perspectiva sócio-construtivista e da flexibilidade cognitiva, apresenta grande potencial educacional para a apropriação crítica do conhecimento escolar face aos diversos contextos da realidade.
 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 

ALBERTI, T. F; DE BASTOS, F. da P. A Teoria da Atividade como orientação psicopedagógica na implementação de atividades de estudo em Ambientes Virtuais. Ciências & Cognição, v.13, n.2: publicado on line em 30 de jul. 2008. Disponível em: <http://www.cienciasecognicao.org> Acesso em: 01 de dez. 2008.


 

BELLONI, M. L. Educação a distância. 3. ed. Campinas: Autores Associados 2003.
 

BUSH, V. As We May Think. The Atlantic Magazine. Julho de 1945. Disponível em: <http://www.theatlantic.com/ideastour/technology/bush-full.mhtml> Acesso em: 15 de mar. 2009.
 

CARVALHO, A. A. A. e DIAS, P. Aplicação da Teoria da Flexibilidade Cognitiva no Desenvolvimento de Produtos Hipertexto". In: Actas do II Encontro Ibero-Americano de Informática no Ensino. Ministério da Educação, v.1, 1994. Disponível em: <http://www.iep.uminho.pt/aac/frmain5_6.htm> Acesso em: 10 de jun. 2009.
 

CHAVERO, J. C.; ROSSELL, M. A.; VEGA, J. M. Hypermedia: a proposal for action in the classroom. Educational Action Research, v.7, n.2,p. 273 – 296, 1999.
 

CELAYA, C. L.; MARTÍNEZ, S. L. D. Uso de software libre y de internet como herramientas de apoyo para el aprendizaje. RIED, v. 10, n.1, p. 83 – 100, 2007.
 

COUTINHO, C. P. Construtivismo e investigação em hipermédia: aspectos teóricos e metodológicos, expectativas e resultados. 2005. Disponível em: <http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/4386> Acesso em: 05 de maio 2009.
 

DE BASTOS, F.; ABEGG, I.; MALLMANN, E. M.; MÜLLER, F. M. Unidade 3 – Exemplares de Interação Mediada por Computador na Internet – atividades de estudo e colaboração utilizando a ferramenta WIKI no AVEA Moodle. In: Interação Mediada por Computador. 1. ed. EdiUFSM/UAB, p. 25 - 45, Santa Maria, RS. 2008.
 

DIAS, P. Hipertexto, hipermédia e media do conhecimento: representação distribuída e aprendizagens flexíveis e colaborativas na Web. Revista Portuguesa de Educação, 2000, v.13, n.1, p. 141-167.

 

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1986.

 

FRUET, F. S. O. Integração hipermidiática das Tecnologias da Informação e da Comunicação em atividades a distância. Texto do exame de qualificação de mestrado em Educação no PPGE/UFSM, 2008.

 

JONASSEN, D. O uso das Novas Tecnologias na Educaçãoa Distância e a Aprendizagem Construtivista. Em Aberto, Brasília, v. 16, n.70, abr./jun.1996. Disponível em: <http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/1054/956> Acesso em: 05 de maio 2009.

 

PEDRO, L. F.; MOREIRA, A. Os Hipertextos de Flexibilidade Cognitiva e a planificação de conteúdos didácticos: um estudo com (futuros) professores de Línguas. Revista e Enseñanza y Tecnología – Septiembre - Diciembre 2000, p.29-35.

 

________________________. Os Sistemas hipertextos de ensino-aprendizagem: reflexões sobre a estruturação de conteúdos no âmbito da planificação didática. In: Atas da II Conferência Internacional de Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação Desafios / Challenges. 2001. Disponível em: <http http://www.nonio.uminho.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=64&Itemid=64 > Acesso em: 06 de out. 2008.
 

________________________. Os hipertextos de flexibilidade cognitiva na construção de materiais didácticos: reflexões no contexto de uma investigação em curso. Pedro, L. F., & Moreira, A. In: VI Congresso Iberoamericano de Informática Educativa. Vigo, Espanha, 2002. Disponível em: <http://lsm.dei.uc.pt/ribie/docfiles/txt2003729193124paper-055.pdf> Acesso em: 10 de set. de 2008.
 

REZENDE, F. As novas tecnologias na prática pedagógica sob a perspectiva construtivista. Ensaio: Pesquisa em Educação em Ciências. v.2, n.1, Mar. 2002. Disponível em: <http://www.fae.ufmg.br/ensaio/v2_n1/flavia.PDF> Acesso em: 06 de abr. 2009.
 

____________.; COLA, C. dos S. D. Hipermídia na educação: Flexibilidade cognitiva, interdisciplinaridade e complexidade. Ensaio: Pesquisa em educação em ciências, v. 6, n. 2, Faculdade de Educacao, UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil: Brasil. Dez. 2004. Disponível em: <http://www.fae.ufmg.br/ensaio> Acesso em: 15 de mai. 2009.
 

SALGADO, L. A. Z. Hipermídia: a Linguagem Prometida. In: Anais da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2008/lista_area_NP-TI.htm> Acesso em: 15 de maio 2009.
 

SILVA, C. M. T. da.; ELLIOT, L. G. Avaliação da Hipermídia para Uso em Educação: uma Abordagem Alternativa. Rev. bras. Est. pedag. v. 78, n. 188/189/190, p. 262-284, Brasília. jan. / dez. 1997. Disponível em: <http://rbep.inep.gov.br/index.php/RBEP/article/view/271> Acesso em: 05 de maio 2009.

 

SPIRO, R. J.; JEHNG, J. Cognitive Flexibility and Hypertext: Theory and Technology for the nonlinear and multidimensional Traversal of Complex Subject Matter. In: D. Nix & R. J. Spiro (Eds.), Cognition, education, and multimedia. Hillsdale: Lawrence Erlbaum Associates, p. 163-205, 1990.
 

___________.; COLLINS, B. P.; e RAMCHANDRAN, A. R. Modes of openness and flexibility in CognitiveFlexibility Hypertext learning environments. In: B. Khan (Ed.), Flexible learning in an information society. Hershey, PA: Information Science Publishing, p. 18-25, 2006.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4 ed. Martins Fontes, São Paulo, 1991.

 


 

NOTAS

i Graduação em Letras Habilitação Português e Inglês, Especialista em TIC aplicadas a Educação (UFSM), Mestranda em Educação (PPGE / UFSM) e Professora-tutora do Curso de Licenciatura em Letras Inglês (REGESD). E-mail: fabysoliveira@gmail.com

ii Professor do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educação da UFSM. E-mail: fbastos@ce.ufsm.br

iii Entende-se que processo de ensino-aprendizagem não, necessariamente, implica apenas em o professor ensinar e o aluno aprender, e sim que ambos podem ensinar e aprender no espaço escolar, por meio de interações. No entanto, acredita-se que o professor tenha a responsabilidade de orientar e conduzir nesse processo.

iv Esses estudos também fazem parte da composição do trabalho de dissertação de Mestrado em Educação (UFSM) do primeiro autor desse artigo sob a orientação do segundo.

v Segundo Celaya e Martínez (2007), as quatro liberdades propiciadas pelo Software Livre são: executar o programa, para qualquer propósito; estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as próprias necessidades; redistribuir cópias de modo que se possa ajudar o seu próximo; aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Além disso, software livre se diferencia de software aberto por conter uma comunidade colaborativa na Internet.

vi Compreende-se que interação é a comunicação entre sujeitos.

vii Compreende-se que interatividade é a “ação” do sujeito no computador, como por exemplo, clicar em um link por meio do mouse.

viii Bush (1945) nomeou essa máquina como Memex, a qual seria um mecanismo, no formato de uma escrivaninha, que poderia armazenar, mecanicamente, todos os livros, registros e comunicações de uma pessoa, e esta poderia consultar com maior velocidade e flexibilidade esses dados em uma tela. Além disso, haveria a possibilidade de criar links de informação para ligar textos e ilustrações relacionados (associação), a fim de tornar melhor a localização de um dado nesse “labirinto” de informações. Esse aparelho, segundo o autor, seria uma extensão da memória, ou seja, uma memória auxiliar.


 

CITAÇÃO DO ARTIGO
FRUET, F. S. O.; DE BASTOS, F. da P. Hipermídia Educacional e Flexibilidade Cognitiva no Processo de Ensino-Aprendizagem mediado por AVEA. P@rtes. V.00 p.eletrônica. Dezembro de 2009. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/hipermidiaeducacional.asp>. Acesso em _/_/_.
 

 

Pesquisa personalizada
 
  

spacer
::sobre o autor::


 

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 
::outros artigos::

Os Atlas Escolares na Sala de Aula
Clézio dos Santos
publicado em 01/09/2008
 

Cartografia escolar. Uma cartografia diferente?
Por Clézio Santos
publicado em 27/05/2007

O Trabalho de Campo de Ciências da Terra no Ensino Fundamental: aportes para o Ensino de Geografia e de Ciências
Por Clézio Santos
publicado em 10/04/2007

O Estágio Participativo na formação de professores de Geografia do ensino fundamental e médio
Por
Clézio Santos
publicado em 01/12/2006

O portfólio na formação de professores pesquisadores: a experiência dos cursos de formação especial de professores no ABC paulista
Por Clézio Santos
publicado
em 09/10/2006

 
 

 

 

 
 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2008
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer
© copyright Revista P@rtes 2000-2009
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil