RESUMO
Problematizamos a Educação
Mediada por Ambiente Virtual de Ensino-Aprendizagem e apresentamos
estratégias tecnológico-educacionais para potencializar esse
processo nos contextos educacionais semipresenciais e a distância,
intencionando a produção colaborativa de hipermídia e flexibilidade
cognitiva na escolaridade.
Palavras-chave:
Tecnologias da Informação e da Comunicação; Ambiente Virtual
de Ensino-Aprendizagem; Hipermídia Educacional; Flexibilidade
Cognitiva.
Educational Hypermedia and Cognitive Flexibility in
Teaching-Learning Process mediated by AVEA
ABSTRACT
We problematize the
Education mediated by Teaching-Learning Virtual Environment and we
present technological-educational strategies in order to improve
this process in semi-presence and distance educational contexts,
with the intention to produce collaboratively hypermedia and
cognitive flexibility in the schooling.
Keywords: Information and Communication Technology;
Teaching-Learning Virtual Environment; Educational Hypermedia;
Cognitive Flexibility.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Com o avanço das
tecnologias informáticas para a Internet, observa-se um grande
aumento na ocorrência de cursos educacionais, tanto semipresenciais
quanto a distância, mediados por Ambiente Virtual de
Ensino-Aprendizagem (AVEA). No entanto, a introdução desse ambiente
no âmbito da educação não implica necessariamente novas práticas
pedagógicas, uma vez que se pode apenas “vestir o velho com roupa
nova”. Desse modo, entende-se que, se o AVEA não receber mediação
pedagógica adequada, o alcance do projeto tende a não alterar o
cotidiano de docentes e discentes, nem trazer contribuições ao
processo de ensino-aprendizagemiii.
Devido a isso, é
fundamental que os professores, ao mediarem a prática escolar por
AVEA, estejam atentos a essa questão e procurem explorar ao máximo
seu potencial tecnológico-educacional. Até porque, o mundo da “era
digital” necessita que o conhecimento seja disponibilizado de
maneira ativa, flexível, adaptável a situações que se alteram
constantemente (COUTINHO, 2005).
Mas, qual é o potencial
tecnológico-educacional do AVEA para a escolaridade? O que se
acredita ser essencial para o processo de ensino-aprendizagem
mediado pelo AVEA? Como organizar a prática docente mediada por AVEA,
a fim de que ocorra ensino-aprendizagem hipermidiático e
flexibilidade cognitiva? Como se pode disponibilizar o conteúdo
escolar nesses AVEA, de modo que potencializem produção colaborativa
do conhecimento escolar?
Como se pode notar, há
várias problematizações no processo de ensino-aprendizagem mediado
por AVEA. Como foi enfatizado anteriormente, esses, bem como outros
recursos tecnológico-educacionais, “por si sós, não são capazes de
trazer contribuições para a área educacional e que eles são
ineficientes se usados como o ingrediente mais importante do
processo educativo, ou sem a reflexão humana” (REZENDE, 2002, p.1).
Portanto, com vistas a
problematizar essas questões, pretende-se apresentar estudos,
versando sobre Hipermídia Educacional (HE) e Teoria da Flexibilidade
Cognitiva (TFC), que estão sendo realizados com o objetivo de
potencializar a educação mediada por AVEA, a fim de possibilitar a
apropriação crítica do conhecimentoiv.
Para esse estudo, o AVEA selecionado foi o Moodle (Modular
Object-Oriented Dynamic Learning Environment), uma vez que este
é o mediador de cursos educacionais de várias instituições
universitárias, como a UAB (Universidade Aberta do Brasil), a UFSM
(Universidade Federal de Santa Maria) e a REGESD (Rede Gaúcha de
Ensino Superior a Distância).
Além disso, o Moodle é um
software livrev
e nele tem-se a possibilidade de produzir conteúdos escolares
hipermídia nas disciplinas dos cursos e disponibilizá-los na
Internet. Segundo De Bastos et al. (2008), o Moodle também
potencializa tanto a interaçãovi
quanto a interatividadevii
na comunicação mediada pelo computador.
1. HIPERMÍDIA
EDUCACIONAL
A hipermídia é considerada
uma nova linguagem e como “toda nova linguagem traz consigo novos
modos de pensar, agir, sentir.” (SANTAELLA, 2001 apud SALGADO, 2008,
p.3). Entende-se por hipermídia o acoplamento computadorizado de
diferentes mídias (textos, hipertextos, imagens, vídeos, animações,
simulações, entre outras) com um determinado propósito,
interligadas, geralmente, por links (também chamado de
hiperligação).
Segundo Rezende e Cola
(2004), o conceito de hipermídia pode ser visto também como a
interseção entre os conceitos de multimídia e hipertexto (Figura 1),
na medida em que se trata de sistemas computacionais que ligam
informações de forma não sequencial (não linear), como os sistemas
de hipertexto e que utilizam múltiplas linguagens (visual, sonora,
textual entre outras) para representar a informação, como os
materiais multimídia.

Figura 1 - Relação entre hipertexto, multimídia e hipermídia
(REZENDE E COLA, 2004).
Uma das características
mais importantes da hipermídia, de acordo com Salgado (2008), é a
possibilidade de interligar dados, por meio de diferentes formas de
linguagem, de modo que se possa realizar a leitura conforme o
interesse de cada sujeito. Isso proporcionará ao sujeito estudar o
conteúdo de acordo com as suas necessidades e o seu próprio estilo
de aprendizagem. (COUTINHO, 2005; CHAVERO et al., 1999).
Dessa forma, observa-se
que a organização da hipermídia apresenta semelhanças com a maneira
que os seres humanos pensam; ou seja, por associação. Bush (1945)
foi quem realizou comparações entre o modo como se estrutura a mente
humana e as possibilidades de associar variados dados armazenados em
uma máquinaviii,
sendo considerado um dos precursores a tratar da idéia de
hipertexto.
Percebe-se, então, que
para a realização da leitura problematizadora, a hipermídia
proporciona uma operação por associação não linear e rápida, em que
se pode organizar "trilhas" relacionadas entre si, como uma rede
conceitual, o que potencializa a flexibilidade cognitiva. Assim,
esse recurso tecnológico está associado a “velocidade de ação” (como
leitura e compreensão), “seleção por associação” e “velocidade e
flexibilidade”.
Salgado (2008), acredita
que
(...) a hipermídia (...) não pode se limitar apenas em mostrar as
informações e as conexões para o usuário [sujeito], nem se trata
apenas de uma interface gráfica cheia de conexões pré-estabelecidas,
mas pode ir mais além, expandir os limites e provocar conexões da
mensagem hipermidiática para o pensamento. Trata-se de uma mensagem
elaborada por uma linguagem especial, diferente das tradicionais, e
principalmente uma mensagem que inter-relaciona o sonoro, o visual e
o verbal sem determinar uma hierarquia entre eles. (p.5-
observações entre colchetes nossos).
A não hierarquização
conceitual é uma qualidade do pensamento humano. O que seleciona e
determina as “trilhas” seguidas pelo sujeito é o conhecimento prévio
sobre determinado assunto e também o contexto. De acordo com o
autor, a não hierarquização entre as linguagens implica em não
subordinação entre elas. Cada qual carrega em si qualidades e
características que as mantém vivas quando isoladas, mas quando
acopladas com as demais, no contexto e simultaneamente, geram novos
e variados significados.
A hipermídia, portanto,
“traz consigo uma potencialidade para articulação das linguagens
sonora, visual e verbal de modo não hierárquico de forma inédita na
história” (SALGADO, 2008, p.6), o que otimiza a comunicação e
apresenta subsídios para potencializar o processo de
ensino-aprendizagem no âmbito educacional mediado por AVEA. Nesse
contexto, a hipermídia torna-se hipermídia educacional.
Marchionini (1988 apud
Rezende e Cola, 2004) destaca duas características da hipermídia
educacional: (1) o armazenamento de grande quantidade de informações
representadas sob os mais diversos meios, permitindo que conteúdos
extensos e variados sejam agrupados e disponibilizados aos
estudantes; e (2) o alto nível de controle do sistema pelo sujeito,
o que torna constante a tomada de decisões e a avaliação de
progressos, permitindo o desenvolvimento de habilidades e a escolha
de objetivos por parte deste.
2. TEORIA DA
FLEXIBILIDADE COGNITIVA
A Teoria da Flexibilidade
Cognitiva (TFC) (Spiro e outros, 1990, 2006), tem como objeto a
aquisição de conhecimentos avançados em conteúdos complexos e mal
estruturados. TFC é baseada em idéias sócio-construtivistas. No
entanto, Pedro e Moreira (2002) salientam que
Uma
grande diferença entre a teoria da flexibilidade cognitiva e as
teorias construtivistas tradicionais é a mudança de ênfase do
desenvolvimento de uma estrutura de conhecimento baseada no
conhecimento pré-existente intacto para a adaptação flexível de
conhecimento pré-existente por forma a satisfazer as necessidades de
uma nova situação. (p.2).
Dessa maneira, para o
desenvolvimento da flexibilidade cognitiva o conhecimento tem que
ser representado e aprendido de vários modos para favorecer a
transferência para novas situações. Portanto, com a TFC, não se
pretende,
(...) a mera memorização de um assunto. Pretende-se, (...), que o
sujeito, quando deparado com uma situação detentora de novidade,
seja capaz de reestruturar as suas estruturas de conhecimento por
forma a solucionar um dado problema, isto é, adquira a
flexibilidade cognitiva necessária para a transferência de
conhecimento. (PEDRO e MOREIRA, 2000, p.31 – grifos em negrito
nossos).
Para isso, TFC também
apresenta algumas estratégias de ensino para potencializar a
aquisição de conhecimento em níveis complexos de aprendizagem,
evitando simultaneamente os problemas de aprendizagem que resultam
da utilização indevida de abordagens de ensino simplificadoras.
Segundo Pedro e Moreira
(2002), essas sugestões incluem 1) a ênfase na natureza intrincada e
“tecida” do conhecimento, em vez da valorização de uma natureza
compartimentada e isolada; 2) a utilização de representações
múltiplas do conhecimento (temas, exemplos de casos, linhas de
argumentação múltiplas, interpretações de origem diversificada); 3)
o aconselhamento de ligações dinâmicas entre conhecimentos
relevantes a partir de casos e fontes conceptuais diferentes (em vez
de se valorizar a recuperação intacta de informação previamente
memorizada); a ligação explícita dos conceitos à prática (situando o
conhecimento conceptual em contextos que são semelhantes aos
requeridos para a aplicação do conhecimento).
A TFC tem como principal
instrumento o hipertexto e apresenta como metáfora central a idéia
de atravessar “paisagens conceituais” através de leituras de um
mesmo conteúdo em diversas direções. Permite assim, a construção de
redes de conhecimento que proporcionam uma maior flexibilidade na
forma como podem ser estruturados para serem compreendidos ou
problematizados (SPIRO e JEHNG, 1990; CARVALHO e DIAS, 1994).
Além disso, Spiro e Jehng
(1990) afirmam que, um ponto importante, na TFC, é a revisitação do
mesmo material, em tempos distintos, em contextos rearranjados, com
propósitos diferentes e a partir de diversas perspectivas
conceituais, para que se adquira a compreensão do conhecimento e,
consequentemente, a preparação para a transferência. Dessa forma,
(...) revisitar o sistema hipermídia segundo diferentes caminhos não
é, assim, um processo simples e repetitivo somente para formar
memórias mais duráveis de algo que alguém já conhece, mas a
oportunidade de compor um quadro mais complexo e real dos fenômenos
estudados. (REZENDE e COLA, 2004, p.7).
3. ENSINO-APRENDIZAGEM
MEDIADO PELO MOODLE: HIPERMÍDIA EDUCACIONAL E FLEXIBILIDADE
COGNITIVA NA PERSPECTIVA SÓCIO-CONSTRUTIVISTA
O Moodle apresenta
subsídios para potencializar o processo de ensino-aprendizagem, ao
possibilitar a produção de conteúdos escolares hipermídia, bem como
poder disponibilizá-los nas disciplinas dos cursos. Propicia a
interação, a interatividade e o desenvolvimento da flexibilidade
cognitiva.
Acredita-se ser importante
que o conteúdo escolar seja disponibilizado de forma hipermidiática
nos AVEA, uma vez que esta possibilita uma organização mais flexível
do conhecimento escolar, além de proporcionar um acesso não-linear a
esse. Assim, pode ser estruturado de modo semelhante à operação da
mente humana, a qual opera por associação cognitiva. Essa
estruturação possibilita “o desenvolvimento de habilidades mentais
(SILVA e ELLIOT, 1997, p.263), a promoção de “mais metacognição
(pensar acerca do pensar) que as mídias lineares” (DEDE, et al,
1991, apud PEDRO e MOREIRA 2001, p.754); ou seja, promove a
flexibilidade cognitiva e potencializa o processo de
ensino-aprendizagem na perspectiva dialógico-problematizadora
(FREIRE, 1986).
A potencialidade
hipermidiática, por integrar diferentes formas de linguagem, nos
escopos da flexibilidade cognitiva, segundo Fruet (2008) permite a
organização de múltiplas representações do conteúdo escolar, para
ser explorado de acordo com diferentes percursos e com perspectivas
conceituais distintas. Considera-se assim, os diversos estilos
cognitivos dos estudantes, ao permitir uma leitura não-linear.
Assim,
(...) ao estabelecer elos e determinar trajetos, ele redimensiona
seu conhecimento ativamente, conforme a sua estrutura cognitiva,
que, por sua vez, é determinada pelas suas experiências e
habilidades previamente desenvolvidas. (REZENDE e COLA, 2004, p.4).
A figura 2 ilustra o
potencial da hipermídia educacional, ou seja, a integração de
diversas formas de linguagem para representar o conteúdo escolar e,
consequentemente, os diferentes caminhos que podem ser seguidos para
a realização do estudo e uma posterior apropriação conceitual.

Figura 2 – Potencial da hipermídia educacional nos escopos da
flexibilidade cognitiva.
A TFC, segundo Nelson e
Palumbo (1992 apud Rezende, 2002), tem como corolário admitir que
não há uma seqüência ideal para apresentação de qualquer conteúdo
organizado. Em um sistema hipermídia, a sequência é controlada muito
mais pelo leitor do que pela estrutura das mídias. A base de
conhecimento do sujeito é que determina a seqüência ideal para ele.
Se o estudante tem estruturas de conhecimento próprias baseadas em
suas experiências prévias e habilidades, a forma que ele irá
escolher para acessar, interatuar e inter-relacionar a informação
contida na base de dados irá variar. Dessa forma, passam a ser
responsáveis tanto pela estruturação cognitiva quanto pelo
cognoscente vivido.
Porém, é importante
ressaltar que para os conteúdos escolares hipermídia estarem de
acordo com os pressupostos da TFC, estes necessitam, (1) empregar
casos e exemplos ricos [contextualizados e significativos]; (2) usar
múltiplas formas de representação do conhecimento; (3) ligar
conceitos abstratos a exemplos; (4) demonstrar complexidades e
irregularidades conceituais [não simplificando os conceitos]; (5)
enfatizar a natureza inter-relacionada e a forma de teia do
conhecimento; (6) encorajar a reunião do conhecimento a partir de
fontes conceituais diferentes e (7) promover a aprendizagem ativa.
(JACOBSON, 1994 apud REZENDE, 2002, p.9 – observações entre
colchetes nossos).
Também entende-se que, no
processo de ensino-aprendizagem mediado pelo Moodle, é essencial a
interação dialógico-problematizadora entre os envolvidos (professor,
tutores e alunos). O correio eletrônico – mensagem, o chat, o
fórum e o wiki são exemplos de ferramentas de interação colaborativa
nesse AVEA.
O papel da interação é
central na perspectiva sócio-construtivista, uma vez que, de acordo
com Vygotsky (1991), é nas interações com os outros sujeitos que se
constroem os conhecimentos, os quais permitem o desenvolvimento
mental e social, sendo que
(...) a apropriação se dá por processos internos ao sujeito, se
referindo a um longo período de apropriação e transformação de
conhecimentos, que ocorre na atividade mediada com os outros.
Portanto, a forma e o conteúdo do seu pensamento, antes de serem
individuais, são sociais. Assim, podemos dizer que a qualidade das
aquisições individuais está diretamente ligada à forma e ao conteúdo
priorizados nas interações sociais, decorrendo daí as diferenças
qualitativas no desenvolvimento. A escolha dos conteúdos a serem
trabalhados e a forma como eles serão ensinados, será decisiva no
desenvolvimento qualitativo-escolar dos alunos. (ALBERTI e DE
BASTOS, 2008, p,4).
Abaixo apresentamos uma
Rede Conceitual que elaboramos com os conceitos hipermídia,
associação, interatividade, não-linearidade, interação, não
hierarquização, hipermídia educacional, sócio-construtivista e
flexibilidade cognitiva, com o intuito de sintetizar as referências
teóricas que constam nesse artigo.

Figura 3 – Rede conceitual: Hipermídia Educacional e Flexibilidade
Cognitiva no contexto-Sócio Construtivista.
No entanto, além do que
foi apresentado anteriormente, é fundamental que ocorra a ação
diretiva, na qual o professor oriente e conduza os estudantes em
todo o processo escolar, despertando condutas curiosas,
investigativas, criativas, e observe o desenvolvimento desse grupo
na perspectiva do ensino-aprendizado colaborativo. Considera-se
também ser essencial o planejamento de atividades pelo docente em
torno da organização conceitual da aula, ou seja, é essencial que
este aconteça
(...) de forma dialógico-problematizadora. Assim, o planejamento
através de situações-problema envolverá os alunos no diálogo em
torno da organização conceitual da aula e mobilizará o interesse dos
mesmos para com sua aprendizagem, tornando-a significativa. (ALBERTI
e DE BASTOS, 2008, p.4)
Nesse sentido, concorda-se
com Belloni (2003) que educação precisa problematizar o saber,
contextualizar os conhecimentos, colocá-los em perspectiva, para que
os alunos possam apropriar-se deles e utilizá-los em outras
situações. No âmbito da educação mediada por hipermídia educacional
com intencionalidade de flexibilização cognitiva, o movimento
cognoscente do ser mais ganha mais potencialidade nos AVEA livres e
abertos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tem-se notado que “quando
os estudantes concebem os seus documentos hipermídia tem benefícios
que excedem largamente a aquisição de conteúdos porque desenvolvem
capacidades adicionais de pesquisa, interpretação e comunicação da
informação.” (COUTINHO, 2005, p.3). De acordo com Jonassen (1996),
quando os estudantes colaboram entre si para o desenvolvimento de
sistemas hipermídia, eles provavelmente aprenderão mais do que
apenas estudando em mídias impressas e lineares.
Por isso, Chavero et al
(1999) afirmam que é mais interessante para os estudantes prepararem
e produzirem colaborativamente uma hipermídia, seguindo a síntese da
própria realidade deles. Nesse processo, eles desenvolverão
habilidades cognitivas e capacidades de socialização. Segundo os
autores, a potencialidade da hipermídia e a produção dos estudantes
podem encorajar processos de apropriação do conhecimento de forma
significativa. Além disso, a produção de uma hipermídia pelos
estudantes encorajam procedimentos de pesquisa, seleção e
organização da informação, estimulando a conexão do conteúdo escolar
com a vida real.
Observa-se que a
ferramenta de atividade wiki do Moodle permite a produção
colaborativa no âmbito da hipermídia entre os envolvidos (professor,
tutor e estudantes) no processo de ensino-aprendizagem mediado por
AVEA. Isso porque esta potencializa a construção de páginas
hipermidiática, possibilitando criar várias situações significativas
de aprendizagem e promover a observação de pontos de vista diversos.
Portanto, acredita-se,
conforme Dias (2000), que a aprendizagem flexível e colaborativa
promove um estilo ativo através da responsabilização e iniciativa
individual na exploração da multidimensionalidade das representações
nas redes de conhecimento. Um estilo que se manifesta principalmente
na passagem do individual para o cooperativo e na implicação dos
outros membros do grupo na produção de conhecimento através da
partilha das representações.
Para finalizar, entende-se
que o processo de ensino-aprendizagem organizado de modo
hipermidiático e dialógico-problematizador, mediado pelo Moodle, na
perspectiva sócio-construtivista e da flexibilidade cognitiva,
apresenta grande potencial educacional para a apropriação crítica do
conhecimento escolar face aos diversos contextos da realidade.
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NOTAS
i
Graduação em Letras Habilitação Português e Inglês, Especialista
em TIC aplicadas a Educação (UFSM), Mestranda em Educação (PPGE /
UFSM) e Professora-tutora do Curso de Licenciatura em Letras
Inglês (REGESD). E-mail: fabysoliveira@gmail.com
ii
Professor do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de
Educação da UFSM. E-mail: fbastos@ce.ufsm.br
iii
Entende-se que processo de ensino-aprendizagem não,
necessariamente, implica apenas em o professor ensinar e o aluno
aprender, e sim que ambos podem ensinar e aprender no espaço
escolar, por meio de interações. No entanto, acredita-se que o
professor tenha a responsabilidade de orientar e conduzir nesse
processo.
iv
Esses estudos também fazem parte da composição do trabalho de
dissertação de Mestrado em Educação (UFSM) do primeiro autor desse
artigo sob a orientação do segundo.
v
Segundo Celaya e Martínez (2007), as quatro liberdades propiciadas
pelo Software Livre são: executar o programa, para qualquer
propósito; estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as
próprias necessidades; redistribuir cópias de modo que se possa
ajudar o seu próximo; aperfeiçoar o programa, e liberar os seus
aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Além
disso, software livre se diferencia de software aberto por conter
uma comunidade colaborativa na Internet.
vi
Compreende-se que interação é a comunicação entre sujeitos.
vii
Compreende-se que interatividade é a “ação” do sujeito no
computador, como por exemplo, clicar em um link por meio do
mouse.
viii
Bush (1945) nomeou essa máquina como Memex, a qual seria um
mecanismo, no formato de uma escrivaninha, que poderia armazenar,
mecanicamente, todos os livros, registros e comunicações de uma
pessoa, e esta poderia consultar com maior velocidade e
flexibilidade esses dados em uma tela. Além disso, haveria a
possibilidade de criar links de informação para ligar
textos e ilustrações relacionados (associação), a fim de tornar
melhor a localização de um dado nesse “labirinto” de informações.
Esse aparelho, segundo o autor, seria uma extensão da memória, ou
seja, uma memória auxiliar.