A
escola,
para
ser
considerada
um
espaço
inclusivo,
precisa
deixar
de
ser
uma
instituição
burocrática,
que
apenas
tem o
dever
de
cumprir
as
normas
estabelecidas e tradicionalmente impostas
enquanto
modelo
a
ser
seguido
por
todos
nós.
Para
tal,
deve transformar-se num
espaço
de
decisão,
ajustando-se ao
seu
contexto
real
e respondendo aos
desafios
que
se apresentam, dando a
oportunidade
a
seus
alunos
de se tornarem
bem
sucedidos.
O espaço escolar que hoje temos em oferta necessita ser deslumbrado
enquanto um espaço de todos e para todos, sem exceções.
Conseqüentemente, esta nova estrutura de escola exigirá a busca de
alternativas que garantam o acesso e a permanência de todas as
crianças e adolescentes no seu interior.
Faz-se importante, ainda, que a reformulação da escola signifique um
aprendizado dessa mesma instituição, capaz de arriscar, de criar e
de questionar o que está estabelecido, em prol de rumos inovadores,
indispensáveis à inclusão.
Uma das tarefas para a concretização desse ideal é a de identificar
constantemente as intervenções e as ações desencadeadas e/ou
aprimoradas para que a escola se torne um espaço de aprendizagem
para todos os alunos. Isso exigirá novas elaborações no âmbito dos
projetos escolares, visando ao aprimoramento de sua proposta
pedagógica, dos procedimentos avaliativos institucionais e da
aprendizagem dos alunos. É fundamental ainda uma atenção especial ao
modo como se estabelecem as relações entre aluno e professor, além
da construção de espaços privilegiados para a formação dos
profissionais da educação, para que venham a ser agentes
co-responsáveis desse processo (MANTOAN e PRIETO, 2006).
Para além de ações que garantam que as escolas se constituam em
espaços adequados de aprendizagem para todos os alunos, na
Constituição Federal de 1988 (CF 88, art. 205, inc III) está
evidenciado que o Estado deve garantir atendimento educacional
especializado àqueles que apresentam necessidades educacionais
especiais (Res. 2/01), preferencialmente na rede regular de ensino.
É mister salientar que, para a efetivação de um atendimento
especializado, há que se remeter olhares atentos para a formação
continuada do professor, devendo esta ser um compromisso dos
sistemas de ensino comprometidos com a qualidade do ensino que,
nessa perspectiva, devem assegurar que sejam aptos a desenvolver e a
implantar inovadoras propostas e práticas de ensino para responder
às características de cada aluno, incluindo aquelas apresentadas
pelos alunos com necessidades educacionais especiais.
Para tanto, os professores devem estar capacitados para analisar os
domínios de conhecimentos atuais dos alunos, as diferentes
necessidades demandadas nos seus processos de aprendizagem, bem
como, com base nessas duas referências, elaborar atividades,
construir ou adaptar materiais, além de prever alternativas de
avaliação para que as informações dos alunos sirvam para
retroalimentar seu planejamento e aprimorar o atendimento aos alunos
(MANTOAN e PRIETO, 2006).
Entendendo a inclusão escolar enquanto a busca por tornar
reconhecida e valorizada a diversidade como aspecto favorecedor da
aprendizagem, as limitações dos sujeitos devem ser consideradas
apenas como uma informação sobre eles que, assim, não pode ser
ignorada na elaboração dos planejamentos de ensino. O foco principal
deve estar centrado na identificação de suas possibilidades
dialogando com o desenvolvimento de formas para garantir condições
propícias à sua autonomia escolar e social, enfim, para que se
tornem cidadãos de iguais direitos.
Desse modo, para um projeto educativo baseado nos princípios de
inclusão, devemos pensar, entre outros aspectos já citados, numa
renovação pedagógica, que considere e respeite as diferenças.
Ao atuar numa escola inclusiva, temos que nos conscientizar de que
devemos compreender o aluno com necessidades educacionais especiais
respeitando-o como uma pessoa que apresenta limitações, mas que
também tem suas qualidades, habilidades, enfim, seu potencial. Para
tal, é necessário que se abandonem os rótulos, as classificações,
procurando levar em conta as possibilidades e necessidades impostas
pelas limitações que a deficiência lhe traz.
Educando todos os alunos juntos, as pessoas com deficiência acabam
adquirindo a oportunidade de preparar-se para a vida em comunidade,
além dos professores também serem beneficiados com a alternativa de
melhorar suas habilidades profissionais. Ainda, a sociedade poderá
tomar a decisão consciente de funcionar respeitando o valor social
da igualdade para todas as pessoas, com os conseqüentes resultados
de melhoria da paz social (Stainback
& StaiNback,1999).
O movimento inclusivo prevê uma escola aberta à diversidade, que não
vise uma cultura hegemônica e única sombreando a riqueza do
multiculturalismo que caracteriza sua comunidade de alunos e
professores, favorecendo assim o desenvolvimento integral dos
educandos, independentemente de suas características pessoais. Para
caminhar nesse sentido, há a responsabilidade que os diferentes
sistemas de ensino devem assumir em apoiar os esforços das escolas
para ampliar sua capacidade de resposta à diversidade, intimidando
todas as práticas excludentes e segregadoras (CARVALHO, 1998).
Para que se possa ser delineada uma escola inclusiva, é
imprescindível que a instituição educacional observe com mais
sensibilidade os interesses, características, dificuldades e
resistências apresentadas pelos alunos no cotidiano escolar e no
decurso do processo de aprendizagem. Para tal, o ambiente na escola
deve ser constituído enquanto um espaço aberto, acolhedor,
capacitado e disposto a atender às peculiaridades de cada um
(FERREIRA e GUIMARÃES, 2003).
Num sentido contrário, a não garantia de acesso e permanência de
todos na escola é uma forma perversa e irremediável de exclusão
escolar e, como conseqüência, da exclusão social, pois nega o
direito elementar de cidadania, a educação. Entre tantas propostas e
perspectivas inclusivas, o que podemos enxergar é que a oferta de
educação atual ainda não se faz habilitado a sustentar condições
satisfatórias para ser considerada efetivamente inclusiva.
Refletir sobre a prática inclusiva dos alunos com necessidades
educacionais especiais nas classes regulares sem lhes oferecer ajuda
e apoio, bem como a seus professores e familiares, tende a
reproduzir a inserção deste alunado seja como mais um a compor uma
classe na instituição, seja como mais um a ocupar um lugar em sala
de aula. Em suma, pensar na inclusão de alunos especiais sem que
haja a integração psicossocial e pedagógica entre todos os alunos
componentes daquela classe é uma forma ilusória e perversa, embora
habilmente mascarada, de segregação e de exclusão, apesar de estarem
juntos em um mesmo espaço, fisicamente apenas (CARVALHO, 1998).
Diante da realidade educacional atualmente em vigência, enxergamos
com clareza que tanto no contexto escolar, profissional, familiar
como em outros setores, a presença de significativas resistências
quanto ao movimento da inclusão, que tem como origem o preconceito,
a falta de informação e a intolerância a modelos mais flexíveis e
receptivos.
Ainda, o medo do novo, do desconhecido que os educadores carregam
são vestígios de uma formação acadêmica despreparada e pouco
adaptada ao pleno atendimento da diversidade, que não contempla uma
habilitação para uma prática heterogênea, oportunizando às mais
variadas áreas profissionais uma atuação visando uma sociedade para
todos.
Entre tantos desafios, recebe especial destaque aquele de estender a
inclusão a um número maior de escolas e comunidades e, ao mesmo
tempo, reconhecer que o principal objetivo é o de facilitar e ajudar
a aprendizagem e o ajustamento de todos os alunos, os cidadãos do
futuro. Nossas escolas e comunidades tendem a representar uma
vivência significativa e prazerosa, capaz de atender ao propósito
daquilo que uma educação inclusiva delineia, uma educação de todos e
para todos.
Com este ideal inclusivo, alguns aspectos como a necessidade de um
currículo suficientemente global e flexível; a dotação das escolas
com recursos contínuos (físicos, pedagógicos, didáticos e humanos)
para o pleno atendimento das necessidades dos alunos; um diagnóstico
sistemático e adequado das características e necessidades dos alunos
e a criação de equipes multidisciplinares de apoio ao professor de
ensino regular são essenciais para que a escola seja capaz de
responder adequadamente à diversidade de necessidades educacionais
presente no cotidiano (RODRIGUES, 2003).
Nessa perspectiva, o que se deseja, de fato, é a construção de uma
sociedade inclusiva comprometida com as ditas minorias, estando
presentes nessas os portadores de necessidades educacionais
especiais.
O desenvolvimento da consciência de cidadania não deve estar
restrito à questão de direitos e deveres da população de um modo
geral, mas necessita envolver aspectos ligados aos grupos excluídos
ou rejeitados pela sociedade.
A escola enquanto agente que educa crianças, jovens e adultos
precisa oferecer oportunidades para este tipo mais abrangente de
formação de cidadãos. Mais do que isso, cabe a essa mesma escola a
oferta de oportunidades de desenvolvimento de comportamento e
atitudes baseados na diversidade humana e nas diferenças individuais
dos seus alunos.
Quando os educandos dos mais diferentes estilos estudam em um mesmo
ambiente, tendem a se beneficiar com os estímulos e modelos
comportamentais uns com os outros, em uma sintonia socializadora.
Não há dúvidas de que a qualidade da educação é condição para o
crescimento econômico, social e político de um país. Caberá então
aos governos a reformulação de políticas que assegurem a inclusão
dos excluídos, bem como metas de inclusão e de ampliação da
cidadania.
Referências:
BRASIL. Congresso Nacional. Constituição da República Federativa
do Brasil. Brasília: Senado Federal, Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica.
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
Resolução CNE/CEB nº 2 de 11 de setembro de 2001. Brasília:
Diário Oficial da União de 14 de setembro de 2001.
CARVALHO, Rosita Edler. Temas em educação especial. Rio de
Janeiro: WVA, 1998.
CASTRO, Adriano Monteiro de. (et.al.). Educação Especial: do
querer ao fazer. São Paulo: Avercamp, 2003.
FERREIRA, Maria Elisa Caputo e GUIMARÃES, Marly. Educação
Inclusiva. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér e PRIETO, Rosângela Gavioli. Inclusão
escolar. São Paulo: Summus, 2006.
STAINBACK & STAINBACK (et.al.). Inclusão: um guia para
educadores. Porto Alegre: Artmed,1999.
Mini-currículo
da autora:
Pedagoga,
Especialista em Educação Infantil pela PUC - RIO e Mestranda em
Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie / SP. Contatos: (21)92467551,
vw.archanjo@bol.com.br